Voltaire ajuda

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

16 de fevereiro de 2016.

Estou gostando mesmo de escrever estes textos aqui. É algo que me lembra 2009, quando descobri o fotógrafo em mim. É um prazer, um prazer mesmo, mas que não é acompanhado de culpa ou vergonha. O que para mim é inédito. O dinheiro não nasce, mas pelo menos não é aquele prazer de zumbi a ficar olhando as mesmas fotos de sempre. Tanto era o tédio que uma afetividade ingênua tomou conta de toda a excitação.
- Oi, Jennifer Love Hewitt. Bonito biquíni.
- Engraçadinho... Você tem um bom coração, basta deixar de ser otário.
- E ter um pouquinho mais de sorte.
- Você já sabe que nunca deve pensar na sorte, apenas na ação. Se a ação for justa e corajosa, a sorte pousa e abençoa.
- Obrigado, Jennifer.

Com vontade de virar devoto da Santa Clara só por causa daquela música do Jorge Ben Jor. É um critério perfeitamente válido, ainda mais considerando o tanto que sou nietzschiano e ateu. E eu sou muito nietzschiano e ateu.

Mas não muito ateu. Só acho que a gente, ao falar de Deus, faz uma mistura desgraçada: age como se ele fosse ditador (quando a gente comete crimes em nome Dele) ao mesmo tempo age como se Ele fosse pai relapso que não vê (quando a gente reza três vezes com o joelho doendo achando que isso é suficiente para compensar alguma coisa errada que a gente fez). A coisa tem que ser mais interna, entende? E temos que só agradecer e pedir inspiração e não reclamar tanto no ouvido Dele. A gente já sabe o que tem que fazer. Em todos esses tempos tivemos profetas de todas as cores e com todas as roupas (alguns até pelados, dependendo da ilha do Pacífico de onde você for). Só falta a gente fazer. Então acho que a preguiça acaba sendo mais perigosa que o ódio. Por incrível que pareça.

Então eu cuidar do backup das minhas fotos, pelo menos. Que estou enrolando fazer isso há um tempão.

Parece que algumas fotografias que tirei no abrigo de animais abandonados do Franklin vão ser publicadas em uma revista. É uma vitória em tanto! Eu sei que as fotografias são bonitas e sei que posso ser procurado por pessoas por causa disso. Por outro lado, já levei tanto ferro nesta vida em se tratando de dinheiro, que fico com um pé atrás na hora de pensar que isso pode mesmo ser o começo de alguma vida mais respeitável para mim.

Aí eu me lembro de quando trabalhei em um sindicato de artistas plásticos. Foi na segunda tentativa de morar no apartamento em Belo Horizonte. O vizinho de cima não parava de fazer reformas em seu apartamento e eu tinha que escovar meus dentes com a água do banheiro dele caindo sobre minha cabeça. A água era transparente, mas eu era hipocondríaco o suficiente para achar a situação desagradável. Fora que o prédio inteiro era velho e estava caindo aos pedaços e toda aquela tremedeira nas paredes não era uma coisa bacana.
Bom, de qualquer forma, o salário era razoável e o dinheiro excedente que eu tinha coragem de mexer eu torrava com... Vidros de mel. Até que sou um desajustado ponderado.

Falei do apartamento e do prédio. Quero contar uma história. Acho que vocês vão rir da minha cara ou eu vou ser chamado para jogar futebol no Clube Atlético Mineiro (principalmente agora que o Glorioso cismou de contratar de maneira bem generosa). Uma vez eu estava no apartamento, ouvindo músicas. Era madrugada e uma vizinha tocou a minha campainha e reclamou do barulho. Eu estava ouvindo músicas pelo computador e usava fones de ouvido. O barulho era do meu pé batendo no chão, ao acompanhar o ritmo das músicas. E não, o apartamento dela não era embaixo e nem ao lado do meu. Toma essa, Roberto Carlos e Nelinho!

A Rede Globo de Televisão começou a sua hegemonia quando fez uma cobertura brilhante de uma enchente terrível que atingiu a capital Rio de Janeiro, lá em meados da década de 1960. Recentemente a imprensa de Minas Gerais resolveu, finalmente, dar o destaque devido à guerra pelo tráfico de drogas que existe no bairro Serra, em Belo Horizonte. Poderia ser a oportunidade de ouro para pelo menos os jornais “Estado de Minas” e “Hoje em Dia” saírem de sua crise com os leitores. Faz uma cobertura boa e atraente e pronto. A crise é geral: as pessoas estão lendo muito pouco os jornais impressos, muito pouco mesmo.
Mas como a imprensa mineira se comportou quando, pegos de surpresa e em uma situação delicada, a Polícia Militar de Minas Gerais simplesmente se recusou a fornecer a informação de quantos policiais havia na Serra? Aí fica difícil, muito difícil. Para os repórteres e para a própria polícia. E para os moradores do Bairro Serra, mas para eles a situação é feia há bastante tempo.
Isso tudo já faz algumas semanas, para dizer a verdade. Não sei como esta a situação hoje, exatamente.

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