Voltaire ajuda

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domingo, 14 de fevereiro de 2016

14 de fevereiro de 2016

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- E ele morreu sem conhecer as coisas boas da vida!
Comentário que ouvi na faculdade sobre a morte prematura de meu amigo Leonardo na época. Não sei se este meu colega de faculdade se referia, ao falar em “coisas boas da vida”, a várias coisas ou a se uma em especial.
Acho que sei ao que ele se referia e aquilo bateu em mim de uma maneira que não deveria. Fiquei com vontade de pilotar aquele avião bombardeiro chamado “Enola Gay” e de perguntar como anda a saúde em João Pessoa, só por precaução.

Com tantas frustrações e fracassos de amor no currículo, é uma luta diária não transformar-me, por exemplo, em um machista. As palavras mais misóginas e rancorosas param na minha garganta e eu tenho que sempre engoli-las de volta. Fazer isso frequentemente cansa.
Mas se aconteceu de eu ter encontrado algumas garotas “machucadas” era para eu ter ajudado elas. Mas nem elas eu salvei e nem elas me salvaram.

Essas coisas do coração... As mulheres são seres superiores, mas as coisas do coração são as coisas do coração: convém não subestimar o estrago que um babaca é capaz de fazer. Acabei conversando ontem no FaceBook sobre a triste coincidência que une a vida de Carmem Miranda e a de Amy Winehouse. Um pai babaca, um namorado babaca, um marido babaca e o resultado são duas artistas que não mostraram um terço do que seriam capazes.
Existe uma diferença entre um companheiro ou companheira que precisa e quer ser ajudado e uma pessoa que esta ali do lado e não passa de um buraco negro a sugar e destruir tudo.

Falei que as mulheres são “seres superiores”, mas isso afasta e desumaniza e fácil fácil a moeda vira e a gente acaba ajudando o preconceito com a melhor das intenções.
Conversar é difícil. Conversar é difícil.

Lembro-me da minha “Ártemis”. Uma garota que conheci pouco antes da faculdade. Em nossas conversas havia muito mais intimidade do que quando a gente ficava abraçado no chão do seu apartamento e eu podia sentir sua calcinha por entre os meus dedos.
Conversar é difícil. Conversar é difícil. Conversar de verdade.

Paro para pensar mais nela. A onde estará? Será que conseguiu trabalhar com engenharia aeronáutica e será que continua lendo Fernando Pessoa? Tomara que sim. Tudo de bom para você, garota.

Ficaram curiosos? A nossa história é o paradigma de todas as outras minhas histórias. Quando ela quis, eu tive medo; quando eu quis, ela não quis. No final ela queria ser amiga, mas as lembranças do chão do apartamento eram vivas demais em mim e eu não consegui deixar de pensar só com a minha cabeça de baixo. O tempo era curto para nós e terminou, a distância acabou fazendo todo o resto.

Fazendo exercícios aeróbicos e algumas flexões. Cabeça raspada e barba por fazer: sinto-me um Jason Stathan, apesar da minha barriguinha ainda criminosa. E não sou um detetive alcoólatra em um escritório imundo e escuro no West Village em 1938, diante de uma femme fatale querendo me contratar para vigiar o seu marido rico e adultero. Então tenho que fazer tudo sozinho mais uma vez.
Diante do espelho:
- Espelho, espelho meu: existe alguém mais Jason Stathan do que eu?
- Jason Stathan salva uma criança chinesa das garras da polícia corrupta de Nova York e da máfia russa em “Saved”, você esquece sempre de colocar a ração para a Cordélia e a Julieta.
- Ah...
Tenho que fazer mais flexões. Tenho que fazer mais flexões.

Como é fácil a nossa concentração ser enganada e a gente perder o foco daquilo que realmente tem valor!
Falo e falo de livros e livros ainda a ler, sendo que os dois mais importantes livros da minha vida já estão em minhas mãos há décadas: O Meu Pé de Laranja Lima e O Pequeno Príncipe. E qualquer coisa eles são fáceis e sempre fáceis de serem encontrados em qualquer livraria.
Hum...
Hum. Acho que ouvi alguém rindo. Rindo aí do outro lado do monitor.
Como exemplar do grupo dos machos brancos ocidentais, o grupo humano mais frágil psicologicamente falando dos últimos 100 anos, eu preciso desesperadamente de autoafirmação. Não posso deixar essa provocação sair assim, barata.
Greene! Greene!
GRAHAM GREENE:- Que foi?
Ajuda eu!
- Ok, lá vai: “O que obtemos hoje em dia da leitura que se equipare ao entusiasmo e à revelação daqueles primeiros catorze anos?”
Obrigado! Isso deve ser o suficiente.
GRAHAM GREENE: - De nada. Sempre que precisar, pode me chamar.
Merci. Você é muito prestativo.
GRAHAM GREENE: - Eu sou um imortal, tenho sempre algum tempo de sobra. Ei...
Fale.
GRAHAM GREENE: - Aquela citação minha você conheceu pelas mãos da Maria Tatar em sua introdução para a edição de luxo de “Contos de Fadas”, da Editora Jorge Zahar. Quando você vai ler o meu “O Americano Tranquilo”? Você comprou esse livro há quase três anos!
Hããm... Ih...
GRAHAM GREENE: - É um livro fininho!
É...
GRAHAM GREENE: - É um livro fininho para um fim de semana! E tem ação e espionagem!
Ok, ok! Quando terminar de encontrar o Henry David Thoreau, eu irei ao seu encontro!

Imortais são prestativos, mas também são bem manhosos!

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