Voltaire ajuda

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

11 de fevereiro de 2016.

Posto de Saúde é para você ficar mais humilde e lembrar que não é um imortal. E casa lotérica, por sua vez, é para você pensar na metafísica do tempo enquanto espera na fila de 15 pessoas: pensar sobre o presente a qual estamos todos presos e que gera o passado e o futuro ao mesmo tempo.

[ ... ]

AMOR: - Eu tive um sonho...

SIGMUND FREUD: - Fale-me sobre sua mãe.

AMOR: - O quê?

FREUD: - Fale-me sobre sua mãe.

AMOR: - Eu não quero falar sobre minha mãe! Eu quero contar sobre um sonho que tive na noite de terça para quarta.

FREUD: - Você não sabe que a culpada é sempre a mãe? Fale-me obre sua mãe! Fale-me sobre sua mãe!

AMOR: - No sonho eu estava em uma sala de aula...

FREUD: - Então era um pesadelo.

AMOR: - Boa, boa. Essa foi boa. Mas eu nunca tive um pesadelo assim, tipo, que eu dissesse depois ao acordar: “Nooooossa, que pesadelo!” Alguns sonhos pesados e tristes, e só. Sou tranquilo nessa área.

FREUD: - Fale-me sobre o que aconteceu.

AMOR: - Eu era um aluno e estava sentado. Eu estava tentando ouvir uma fofoca que umas garotas estavam falando. Elas falavam sobre um amigo e sobre o que tinha acontecido no carnaval. Eram várias garotas, mas era só uma que estava falando.

FREUD: - Quem era ela?

AMOR: - Eu não vou falar!

FREUD: - Não precisa mais.

AMOR: - Touché ...

FREUD: - Fale mais.

AMOR: - Era só isso. Ela falava e eu tentava ouvir. Foi até meio bobo de minha parte. Fui criança, lamento. Mas o que isso significa? Insegurança, desejo, sinto-me ameaçado por um macho alfa? Que, aliás, é feio pra caramba?


VOLTAIRE: - Feio mesmo. Plebe rude. Pior tipo.
NIETZSCHE: - Horroroso, horroroso. Horroroso mesmo, mas as mulheres têm dessas coisas.
BERTRAND RUSSEL: - Feio pra caramba. Considerar aquele cara bonito é um erro de lógica.
WILL DURANT: - Nenhum pintor, de nenhuma escola artística se animaria em pintá-lo. Horroroso, grotesco!
JOSEPH CAMPBELL: - Nenhuma tribo da idade do bronze, de nenhuma ilha distante, considerá-lo-ia atraente.
RUBEM ALVES: - Além de feio, ele não deve gostar de queijo e mel. E não deve achar graça no Monty Python.


AMOR: - Obrigado, rapazes. De coração: valeu!

JOHNNY DEPP: - Ah, eu pegava. E pegava fácil.

AMOR: - !!??!!
FREUD: - ??!!??


AMOR: - Onde a gente tava? Acabei me perdendo...

FREUD: - Fale-me sobre a sua mãe.

AMOR: - Deixe a minha mãe em paz, caramba!

FREUD: - Eu sou Sigmund Freud, o pai da psicanálise; se você não quer falar sobre a sua mãe, eu vou ser forçado a perguntar qual é o tamanho do seu pênis.

AMOR: - Estava acontecendo mais coisa naquela sala de aula. Além de eu estar com ciúmes e querendo ouvir fofocas, havia a apresentação de uma espécie de teatro. Um trem meio doido. Uma super apresentação. Era um palco, mas era também um navio. Havia mágicos e um sujeito fabricando vasos de vidro. Uma mistura. Acho que havia até animais e palhaços. Se bobear, acho até que o Barão de Munchausen estava dando uma canja ali! O que isso significa? Que meu sonho é frágil como vidro e que posso consolar-me dos meus fracassos sempre ao lembrar que o mundo é mágico? E que vai continuar mágico e esperando por mim, não importa a dor que eu estiver sentindo no momento?

FREUD: - Não é nada disso.

AMOR: - Então o que tudo aquilo significa?

FREUD: - Significa simplesmente que você esta com inveja do pênis do macho alfa.

AMOR: - Como é ????

FREUD: - É simples, eu explico. Esta tudo na Grécia Clássica: Aquiles matou Heitor que era irmão de Páris que comia a Helena que era filha de Poseidon que era irmão de Cronos que tinha um caso com Afrodite que era filha de Poseidon que na verdade amava Mercúrio que não amava ninguém. Entendeu?

AMOR: - ????

FREUD: - Não entendeu?

AMOR: - Acho que eu preciso de tratamento.

FREUD: - Foi a coisa mais inteligente que você disse hoje.

AMOR: - Ah... Bom... Obrigado... Eu acho... E agora, Freud?

FREUD: - E agora você vai me falar sobre a sua mãe.


[ ... ]

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