Voltaire ajuda

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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

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29 de fevereiro de 2016

“Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós!”, diz um poema bonito de nossos primos da América do Norte.
Eu cantaria outra coisa: “Energia, energia, onde você se esconde em minhas manhãs?”.
Acordar, acordar, vamos acordar.

E antes do almoço eu já reencontrei todos os meus dramas existenciais e emocionais. Todos eles. Ou pelo menos aquele top five favorito de minha mágoa e de minha melancolia. Deve ter outros dramas incrustados que eu nem faço ideia que existam em mim.
Bom, o que importa é que isso me cansa. Impossível de evitar e me cansa. É como se eu completasse uma maratona olímpica todas as manhãs.
Se eu pelo menos aprendesse alguma coisa ou mudasse... Parece, porém, que a medalha olímpica que recebo depois da maratona existencial é sempre este relógio feito de neve. Cadê a manhã? Virou neve. Cadê a neve? Virou água. Cadê a água? Evaporou. Cadê o vapor da água?
Amanhã tem mais. E depois de amanhã.

Fazer um filho + Escrever um livro + Plantar um Ipê
E eu que nem sei o que é andar de mãos dadas, com orgulho e timidez, em meio à cidade de gente estranha; e na lanchonete dividir o mesmo copo de milk-shake, com aquela troca de olhares e sorrisos tão retardados e invejáveis?

Já contei que as vezes aqui me chamam de “amiguinho”? Tenho 32 anos. Devo ter fama de retardado nesta cidade pequena e eu sei todas as pistas que as pessoas conhecem para concluir isso de mim. E admito que realmente essas pistas sejam razoáveis. Se essas pistas são verdadeiras, afinal? Eu não consigo contá-las aqui. Isso responde à sua pergunta?

Eu sou muito lento. Muito lento. Mas pelo menos acho que nos últimos anos eu pelo menos não dei um passo importante para trás. Pelo menos isso, não é? Mas realmente eu sou lento. No colégio eu tinha uma maldita mochila pesada (os armários só vieram quando eu fui convidado a me retirar de lá. Depois conto essa história, pois ela se parece um pouquinho com a “insubordinação mental” do Drummond.). Depois a mochila pesada do colégio deu lugar às memórias pesadas.
Eu sou muito lento e talvez seja assim até o fim.
Mas também, se algum dia eu consegui finalmente voar vai ser uma (xxx censura xxx) para cima de todos vocês! Uma chuva cheirosa de deixar com inveja o mais punk dos pombos!
Brincadeirinha, vocês poderiam usar esse material como adubo e nem isso eu quero que vocês tenham de mim.


O melhor desse repelente natural é o cheiro de cravo da Índia que ele deixa no ambiente.
Pronto, apenas isso que irei escrever sobre. Não quero contar sobre o bobo que ficou encantado como uma criança, a andar pela casa inteira exclamando: “Que cheiro maravilhoso!” “Que cheiro maravilhoso!” “Parece que estou em um acampamento hippie e minhas entranhas entraram em sintonia com o centro da Via Láctea! Ah! Ah! A glória e a paz plena! Ah! E agora só vou comer repolhos, arroz, mingau e chá! Ah!”.

Eu mudo de ideia o tempo todo. Já disseram que eu não sou “confiável”, mas apresso-me em dizer que nunca isso aconteceu em casos dramáticos e sérios de verdade.
Não assisti à festa do Oscar, ontem. Perdi a premiação do Leonardo DiCaprio. Decidi aproveitar o sinal aberto de uns canais de filmes. Assisti “BirdMan – A Inesperada Virtude da Ignorância”. Um filme badalado que nunca tinha assistido antes, em vez de uma festa que esta distante demais.
Gostei do filme “BirdMan”, apenas espero que os comentaristas não esqueçam do “A Arca Russa”. O filme estadunidense finge maravilhosamente ter apenas um plano sequência, mas é o russo que realmente é todo filmado em um único plano sequência. Um trem de doido! E você não consegue deixar de pensar: como o pessoal técnico não tropeçou nos fios ao andar de costas o tempo todo?

“BirdMan” é excelente, eu assistiria muitas e muitas vezes. A arte, o artista, o público, o que fazemos de nossas vidas, a imprensa, a internet, o que amamos, a vaidade, a fragilidade... Boas impressões e boas reflexões. Mas a principal conclusão que construí ao assistir o filme é bem singela: quero morar dentro de um teatro. 

domingo, 28 de fevereiro de 2016

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28 de fevereiro de 2016.

Medo da morte, medo da vida. Medo de que não gostem de você, medo de dizer “sim”. Medo de doença e de acidente. Medo de perder o emprego e de não dar a vida que queria aos próprios filhos. Medo de perder um jogo importante e sentir a vergonha perante a sua torcida. Medo de ratos, medo de altura.
Medo disso e daquilo outro. Medo nós temos aos montes em nosso mundo!
E que tal o medo de ouvir isso:
- Você confundiu as coisas ...
Aaaahhh !!!! As coisas do coração...
Quanto tempo de auto ilusão você manteria para fugir de ouvir isso? Muito tempo, pouco tempo?

Mais um concurso público. Sento para estudar e mais rápido que a luz e para mais longe que o último infinito do horizonte infinito, meus olhos vão.
Não quero ficar sentado aqui, estudando. Não quero ficar sentado aqui, estudando.

Perdoar o colégio para poder estudar essas matérias de colégio. Como isso seria possível para mim?
É bem humilhante não saber usar bem a vírgula e fazer divisão de número grandes e/ou fracionários, mas também é humilhante, por dinheiro, esquecer todos aqueles crimes que o sistema educacional brasileiro cometeu contra mim.

Pobre, pobre Leonardo di Caprio: vai acabar ganhando o Oscar pelo papel mais sem graça que fez nos últimos anos. Um caçador abandonado voltando para casa? Também amo a natureza e aposto que as cenas sejam mesmo de tirar o fôlego: mas compare isso com “O Lobo de Wall Street” e “O Aviador”! Uma coisa é a natureza, outra coisa são as galáxias dramáticas dentro de nós... Esse “O Regresso” me parece ser de um materialismo bem sem graça, entende?
A não ser que ele tenha alguma sombra do Jack London na história. Aí é outro nível. As histórias do mundo selvagem de Jack London são a nata da nata do leite dessa área. Talvez “O Regresso” tenha alguma coisa disso. Confesso que não conheço bem o filme e minha antipatia por ele seja bem gratuita.
É que gosto do Leonardo di Caprio, eu simpatizo com ele desde que começaram as piadas sobre ele na internet quanto ao Oscar que ele nunca ganha. Foi durante a Copa do Mundo de Futebol aqui no Brasil, em 2014. Não quero que ele ganhe o grande prêmio de Hollywood por um papel sem graça, mas é aquela coisa: depende também da qualidade dos concorrentes...
Esse negócio de premiação em arte é meio besta, o importante é estar entre os concorrentes. Ganhar ou não é arbitrário, o artista não tem controle justo. Se você faz questão de algo objetivo, esquente a cabeça apenas para tentar estar entre os indicados. Troféu nenhum vale estar no coração do público. Olhe o Chaplin: ganhou apenas um Oscar e é o Rei do Cinema para todo o sempre.

Então ela pensa:
“Ele quer me comer, mas isso é o que se espera de todos os homens. Não é o caso para fazer drama com isso, seja lá o que eu decida afinal. Mas além de querer me comer, o que mais há ali? O que ele deseja e possui? Aposto que ele nem sabe o que realmente deseja e tem. Talvez eu goste mesmo... Vai ser difícil descobrir, mas eu vou. Nem que eu tenha que mentir um pouquinho.”
Então ele pensa:
“Não da para confiar nas mulheres, elas são sempre misteriosas. Mas é óbvio que se ela conhecer os meus defeitos, mesmo que misturados com as minhas qualidades, ela vai fugir. Se eu tivesse mais tempo... O tempo é sempre complicado para fazer uma isca perfeita. Uma isca que mordida me fará ser compreendido e aceito por ela. Assim vou fazer! Nem que tenha que mentir um pouquinho.”
O jogo é mais ou menos assim, não é?

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Post Scriptum

Quase esqueci, mas um post de uma amiga de FaceBook e que é uma fotógrafa talentosa me fez lembrar: 

As tirinhas da Mafalda são mais importantes que a "Política" de Aristóteles.
E sei que o macedônio concordaria comigo. 

Editorial Supremo de 27 de fevereiro de 2016

Vai chover forte por aqui, pelo segundo dia consecutivo. É provável que eu fique sem internet por algumas semanas, novamente.

Então lá vai o básico e verdadeiro:
"O Meu Pé de Laranja Lima" e "O Pequeno Príncipe", são os mais importantes livros do mundo.

Tudo que precisamos é de amor.

Concordo com uma piada que li no FaceBook: para namorar comigo tem que saber "Evidencias", de Chitãozinho & Xororó. (E eu acrescento: "Deslizes", de Fagner) (Acrescento de novo: todas as faixas de "Simplesmente Bethânia", da Maria Bethânia)
Ia falar de filmes, mas aí eu já estaria cafona além da conta e a mulherada gosta é de caras durões.

O Brasil ainda é muito pobre, então os que se acham ricos e os que são ricos vão ter que continuar aceitando alguns programas sociais, sim senhor. Qual o problema de uma empregada doméstica que chega ao apartamento bem vestida, seus recalcados? E que conta feliz que seus filhos estão na faculdade? 

Ler, ouvir música, cinema, teatro... A formação humanista é questão de saúde, p***!

Deus é amor, então não adianta se aproximar dele com olhos brilhantes de piedade e com as mãos sujas de sangue. Deus perdoa, claro, mas fica triste. Nunca deixe quem você ama triste. Se é que essas pessoas violentas amam a Deus.

O que mais faltou dizer?

Ah, é: obrigado pela paciência e desculpa qualquer coisa. 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

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25 de fevereiro de 2016.

Há alguns meses atrás, o historiador Marco Antônio Villa declarou no “Jornal da Cultura”, da TV Cultura, onde ele é comentarista, que a Ditadura Militar no Brasil começou mesmo meeeesmo foi após o Ato Institucional Número 5 e não em 1964. 1964 é o ano que geralmente é declarado que a ditadura militar tenha começado aqui no Brasil.
Isso me deixou com a pulga atrás da orelha. Havia ali mais do que se podia ver à primeira vista.
Pode ser apenas uma questão técnica de um historiador sofisticado, que tenha até uma tabela Excel com colunas: “isso é ditadura”, “isso não é ditadura”, “isso parece ditadura, mas não é”, “isso parece democracia, mas não é” e “isso aqui eu não faço a menor ideia do que seja”.
Pode ser.
E também pode ser uma maneira de tornar mais indolor um possível fim prematuro do Governo Dilma Rousseff ao grande público. Até quem não gosta da Dilma e do PT e não gosta mesmo, pode muito bem achar que o fim do seu governo antes de 2018 algo como “ir longe demais”.

A Rede Bandeirantes de Televisão foi bem esperta, novamente. Terça-feira passada, 23 de fevereiro de 2016, houve um programa político do Partido dos Trabalhadores e teve o “panelaço” como protesto. Para não exibir as cenas de sempre de moradores de prédios de luxo batendo nas panelas em suas janelas, o “Jornal da Band” destacou imagens de carros buzinando nas ruas contra o Governo Federal. Assim o “panelaço” não pareceria ser apenas algo de gente rica.
Deve ter funcionado, não sei. Mas sei que os carros mostrados buzinando não era muito baratos. Mas nada é perfeito. Mas a Bandeirantes foi esperta.

Esta marcada para mais um domingo um protesto gigante contra o Governo Dilma. Mês que vem.
Mais um protesto em mais um domingo.
Muita coisa me incomoda nesses protestos de domingo. A grande imprensa apoia e muitas vezes nem tem o pudor de esconder, fala da data várias e várias vezes sem um pingo de vergonha da falta de imparcialidade. A polícia age com todo o cuidado possível para não ter confusão. E quase não tem confusão mesmo nesses protestos contra o Governo do Partido dos Trabalhadores; é sempre uma coisa limpa, clara, dourada como sol e muito bem nutrida. Uma perfeição só!
Tão perfeito que eu devo mesmo ter um coração envenenado para achar defeitos ali.
Ocorre que esses protestos bonitinhos no domingo pode ter um terrível efeito colateral que quase ninguém pensou ainda: se só “gente de bem” protesta no domingo, quem protesta em dias úteis? A grande imprensa, nos dias de semana, praticamente só cobre protestos no meio de semana usando helicóptero. Tudo muito longe. O trânsito parado é uma explicação, mas junho de 2013 é outra explicação também. Então o que acontece: se só protesto no domingo for o “bonitinho”,  “direito” e “coisa de gente que trabalha e paga imposto”, a violência contra manifestantes em protestos no meio da semana acabariam não chocando tanto.
Só pode protestar no domingo. Em breve será: só pode protestar nessa e naquela rua. E depois... Nem quero imaginar!

Eu posso mudar de ideia e achar que é melhor para todos nós o fim do Governo Dilma Rousseff. Posso, é claro que posso e a opinião de gente de envergadura como Lúcio Flávio Pinto e Gilberto Dimenstein tem grande peso para mim e eles estão bem decepcionados com o governo. O compromisso tem que ser com o Brasil e a verdade. Nada mais natural do que ser uma metamorfose ambulante. Desde claro, você sempre esteja atento. Você esta atento? Porque é difícil ficar atento. Sem querer a gente se vê no meio de um terrível engano e ser chamado de “traidor” sempre dói.
O problema é que a política não é fácil. Tem muitas armadilhas. Defender a saída da Dilma, mas e se a gente acabar como massa de manobra de gente como Reinaldo Azevedo, Rachel Sheheradazade, Silas Malafaia, Jair Bolsonaro, Radio Iatiaia “do PSDB” e revista Veja “do PSDB”? Já imaginou? Eca! Mil vezes eca! Você conhece essas pessoas? Seus valores e ideias? Conhece mesmo? Conhece mesmo? A mãe ensina que as aparências enganam e a gente tem que ficar perto de quem realmente se importa.
Continuo achando que é melhor que o Governo Dilma tome jeito e apenas termine em 2018, mas vou ficar atento.

O Brasil foi o último país das Américas a permitir o direito ao divórcio e um dos últimos do mundo inteiro. Aqui em casa tem muitas revistas e jornais antigos, coisa de mais de 40 anos. Vocês precisam ver o que o pessoal falava das pílulas anticoncepcionais nos anos de 1960-70: cegueira, câncer, essa coisas. Imagine! A nossa religiosidade tem a anarquia que permite o sincretismo e os católicos que visitam Chico Xavier e leem horóscopo, mas também a nossa religiosidade é bem reacionária.
Não vai ser o sofrimento dos bebês com microcefalia que vai mudar o coração dos nossos piedosos conservadores agindo em nome de Deus. Aliás, nos debates que já vi na televisão, esse pessoal todo contra liberdade de escolha que inclua o direito a interrupção terapêutica da gravidez, adora falar que não age “movido pela sua religião”. Que seus argumentos são apenas científicos! É científico achar que a mulher brasileira só esta esperando uma edição nova do Diário Oficial para sair correndo em direção a um hospital? Porque é isso que eles dizem: bastaria mudar a lei que o número de interrupção terapêutica da gravidez aumentaria e aumentaria para tooodo o sempre!
Aliás, essa visão negativa e horrenda da liberdade e da natureza humana explica porque os cristãos conservadores brasileiros adoram atrapalhar qualquer campanha educativa sobre sexualidade. A não ser, claro, que a campanha educativa seja igual às mais caretas que havia em 1920.
Mas além de puxar a orelha desses cristãos conservadores que abandonam o hospital tão logo a mulher da a luz que mostra que eles mentem quando dizem que “se importam”, é preciso puxar a orelha das mulheres: ou elas começam a participar de vez da política partidária ou então a situação continuará a mesma e pode até piorar.
Piorar como aliás a BBC disse que poderia, ontem mesmo.  
Liberdade de escolha e campanhas educativas, - eis a minha fórmula. É o que acredito ser o mais humano e racional.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

22 de fevereiro de 2016.

“... que rir é bom, mas rir de tudo é desespero ...”
Entendo e concordo Frejat, mas também sei que todos nós vamos rir muito do mundo antes que ele realmente mereça essas risadas. Mereça risadas puras. O desespero generalizado é mais poderoso que a solidariedade pequena e desorganizada.
Os corações estão enterrados demais em nossos peitos.

Nem toda regularidade nos transforma em robôs, eu sei que existe uma regularidade saudável e construtiva. Eu sei. Deve esta aqui em algum lugar.

O problema da regularidade é manter o foco nos prêmios. Você tem que ter os prêmios nos olhos, coração, na mente... Os prêmios estão no futuro, mas eles têm que ser reais para você!
E é essa a parte mais difícil para mim.

Depressão não é vagabundagem, o pessoal confunde porque o depressivo aparenta gostar da sua depressão e assim é por ela parecer o mundo real dele.
Essa agressividade não ajuda na recuperação da pessoa depressiva, mas existe outro problema tão ou mais difícil aqui. O faro apurado que os depressivos têm para detectar falsos felizes em seu caminho.
Falar em “inveja”, “rancor” e que “a felicidade perfeita não existe” não ajuda,  pois parece que estamos buscando a medida da “felicidade mediana alcançável”. E que porcaria seria isso de “felicidade mediana alcançável”? Se a pessoa com depressão ainda tiver um pingo de amor próprio, e eu acho que é sempre o caso, ela vai preferir ficar com a sua depressão.
O que é mais seu: a depressão ou as frases feitas de pessoas distantes? Se for para ser assim, é muito mais barato assistir comerciais na televisão.
O depressivo tem que descobrir outro mundo, sabe se lá como e pelas mãos de quem.

De repente me ocorre que eu sou bem niilista e isto é um tanto irônico por causa do meu carinho por Nietzsche.
Ou talvez seja o contrário: o filósofo alemão queria justamente combater o niilismo que havia no coração do mundo civilizado. Então o Nietzsche em mim quer derrotar o niilismo também em mim.
Vencendo o niilismo em mim, também ajudo um pouco todo o mundo.

Tenho que voltar a consumir mais a grande imprensa. Assistir mais telejornais, escutar mais o radio e ler jornais e revistas. Andei meio afastado disso tudo. Mas além de não gostar de ser enganado, já tenho repetições aos montes sem precisar pagar por isso ou ligar a tomada. Irã, aborto, greves? Já decorei os preconceitos todos que tentaram inocular em mim.

A leitura de “Walden”, de Henry David Thoreau, travou. Mas estou voltando. Thoreau as vezes é muito chato. Não porque ele me chama de escravo covarde e burro, isso ele só fez no começo do livro, é as descrições dele que são chatas. Nunca vi alguém gostar tanto de descrever a natureza. Acho que ele assim o faz por pressentir que a industrialização estadunidense esta chegando com o seu cinza e óleo a cobrir toda a paisagem. Mas essa quantidade de descrições e detalhes pormenorizados me dão alguma enervação.

Mas “Walden” vale a pena. O livro é uma obra-prima do espírito humano e uma arma eterna contra o que há de mais mortal e mentiroso em nosso mundo tecnológico moderno. 

domingo, 21 de fevereiro de 2016

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21 de fevereiro de 2016.

QUEIJO: - Ei, ei, faz tempo que não apareço por aqui. Por quê? Sinto-me desprestigiado!

AMOR: - Quem sou eu para deixar um queijo triste? Então vamos, vamos!

QUEIJO: - O Umberto Eco morreu sexta-feira passada...

AMOR: - Sim, fiquei sabendo.

QUEIJO: - Ensaísta, polemista, romancista, acadêmico, professor, filosofo e um dos melhores pensadores de nosso tempo. Um nome consagrado, de Buenos Aires a Pequim! O que podemos dizer sobre ele?

AMOR: - A cena da cozinha de “O Nome da Rosa” (Der Name der Rose, Jean-Jacques Annaud, 1986), filme baseado no livro mais popular de Umberto Eco, é ao lado da cena do celeiro de “SuperVixens” (SuperVixens, Russ Meyer, 1975), a melhor cena de amor da história do cinema!

QUEIJO: - Agora lembrei.

AMOR: - Lembrou do quê?

QUEIJO: - Lembrei porque fiquei um tempão longe daqui.

AMOR: - Consola dizer que, entre integrados e apocalípticos, eu sou do primeiro grupo? As vantagens são maiores que as desvantagens?

[ ... ]

O calor, uma cisma, um erro, um desejo que não sossega, uma lembrança cheia de espinhos e pronto: temos uma manhã bem pesada. Bem pesada!
Então vamos devagar e forte, forte e devagar.

Surtei e disparei a fazer gifs animados. O único defeito é ausência de música e a gente sabe que a música é a forma de expressão mais poderosa que existe. Por outro lado, a mudez dos gifs animados me lembra o cinema mudo e o cinema mudo me lembra o início do próprio cinema.

Uma forma de auto sabotagem, que a gente não percebe por parecer tão racional e nobre, é o gosto pela “perfeição”.
Eu tenho muitos livros, mas mais do que livros eu tenho é plano de estudos que de tão elaborados eu nunca consegui cumprir. Quanto tempo eu perdi por causa dessa porcaria! E essa fome que quer devorar todos aqueles livros de uma vez, como se eu fosse morrer amanhã!
Devagar e forte, forte e devagar.
E eu sempre soube que estava fazendo besteira. Auto sabotagem mesmo. Mesmo!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

16 Gif (Terry Gilliam para o Amor).


15 Gif (Terry Gilliam para o Amor).


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16 de fevereiro de 2016.

Estou gostando mesmo de escrever estes textos aqui. É algo que me lembra 2009, quando descobri o fotógrafo em mim. É um prazer, um prazer mesmo, mas que não é acompanhado de culpa ou vergonha. O que para mim é inédito. O dinheiro não nasce, mas pelo menos não é aquele prazer de zumbi a ficar olhando as mesmas fotos de sempre. Tanto era o tédio que uma afetividade ingênua tomou conta de toda a excitação.
- Oi, Jennifer Love Hewitt. Bonito biquíni.
- Engraçadinho... Você tem um bom coração, basta deixar de ser otário.
- E ter um pouquinho mais de sorte.
- Você já sabe que nunca deve pensar na sorte, apenas na ação. Se a ação for justa e corajosa, a sorte pousa e abençoa.
- Obrigado, Jennifer.

Com vontade de virar devoto da Santa Clara só por causa daquela música do Jorge Ben Jor. É um critério perfeitamente válido, ainda mais considerando o tanto que sou nietzschiano e ateu. E eu sou muito nietzschiano e ateu.

Mas não muito ateu. Só acho que a gente, ao falar de Deus, faz uma mistura desgraçada: age como se ele fosse ditador (quando a gente comete crimes em nome Dele) ao mesmo tempo age como se Ele fosse pai relapso que não vê (quando a gente reza três vezes com o joelho doendo achando que isso é suficiente para compensar alguma coisa errada que a gente fez). A coisa tem que ser mais interna, entende? E temos que só agradecer e pedir inspiração e não reclamar tanto no ouvido Dele. A gente já sabe o que tem que fazer. Em todos esses tempos tivemos profetas de todas as cores e com todas as roupas (alguns até pelados, dependendo da ilha do Pacífico de onde você for). Só falta a gente fazer. Então acho que a preguiça acaba sendo mais perigosa que o ódio. Por incrível que pareça.

Então eu cuidar do backup das minhas fotos, pelo menos. Que estou enrolando fazer isso há um tempão.

Parece que algumas fotografias que tirei no abrigo de animais abandonados do Franklin vão ser publicadas em uma revista. É uma vitória em tanto! Eu sei que as fotografias são bonitas e sei que posso ser procurado por pessoas por causa disso. Por outro lado, já levei tanto ferro nesta vida em se tratando de dinheiro, que fico com um pé atrás na hora de pensar que isso pode mesmo ser o começo de alguma vida mais respeitável para mim.

Aí eu me lembro de quando trabalhei em um sindicato de artistas plásticos. Foi na segunda tentativa de morar no apartamento em Belo Horizonte. O vizinho de cima não parava de fazer reformas em seu apartamento e eu tinha que escovar meus dentes com a água do banheiro dele caindo sobre minha cabeça. A água era transparente, mas eu era hipocondríaco o suficiente para achar a situação desagradável. Fora que o prédio inteiro era velho e estava caindo aos pedaços e toda aquela tremedeira nas paredes não era uma coisa bacana.
Bom, de qualquer forma, o salário era razoável e o dinheiro excedente que eu tinha coragem de mexer eu torrava com... Vidros de mel. Até que sou um desajustado ponderado.

Falei do apartamento e do prédio. Quero contar uma história. Acho que vocês vão rir da minha cara ou eu vou ser chamado para jogar futebol no Clube Atlético Mineiro (principalmente agora que o Glorioso cismou de contratar de maneira bem generosa). Uma vez eu estava no apartamento, ouvindo músicas. Era madrugada e uma vizinha tocou a minha campainha e reclamou do barulho. Eu estava ouvindo músicas pelo computador e usava fones de ouvido. O barulho era do meu pé batendo no chão, ao acompanhar o ritmo das músicas. E não, o apartamento dela não era embaixo e nem ao lado do meu. Toma essa, Roberto Carlos e Nelinho!

A Rede Globo de Televisão começou a sua hegemonia quando fez uma cobertura brilhante de uma enchente terrível que atingiu a capital Rio de Janeiro, lá em meados da década de 1960. Recentemente a imprensa de Minas Gerais resolveu, finalmente, dar o destaque devido à guerra pelo tráfico de drogas que existe no bairro Serra, em Belo Horizonte. Poderia ser a oportunidade de ouro para pelo menos os jornais “Estado de Minas” e “Hoje em Dia” saírem de sua crise com os leitores. Faz uma cobertura boa e atraente e pronto. A crise é geral: as pessoas estão lendo muito pouco os jornais impressos, muito pouco mesmo.
Mas como a imprensa mineira se comportou quando, pegos de surpresa e em uma situação delicada, a Polícia Militar de Minas Gerais simplesmente se recusou a fornecer a informação de quantos policiais havia na Serra? Aí fica difícil, muito difícil. Para os repórteres e para a própria polícia. E para os moradores do Bairro Serra, mas para eles a situação é feia há bastante tempo.
Isso tudo já faz algumas semanas, para dizer a verdade. Não sei como esta a situação hoje, exatamente.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

14 de fevereiro de 2016

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- E ele morreu sem conhecer as coisas boas da vida!
Comentário que ouvi na faculdade sobre a morte prematura de meu amigo Leonardo na época. Não sei se este meu colega de faculdade se referia, ao falar em “coisas boas da vida”, a várias coisas ou a se uma em especial.
Acho que sei ao que ele se referia e aquilo bateu em mim de uma maneira que não deveria. Fiquei com vontade de pilotar aquele avião bombardeiro chamado “Enola Gay” e de perguntar como anda a saúde em João Pessoa, só por precaução.

Com tantas frustrações e fracassos de amor no currículo, é uma luta diária não transformar-me, por exemplo, em um machista. As palavras mais misóginas e rancorosas param na minha garganta e eu tenho que sempre engoli-las de volta. Fazer isso frequentemente cansa.
Mas se aconteceu de eu ter encontrado algumas garotas “machucadas” era para eu ter ajudado elas. Mas nem elas eu salvei e nem elas me salvaram.

Essas coisas do coração... As mulheres são seres superiores, mas as coisas do coração são as coisas do coração: convém não subestimar o estrago que um babaca é capaz de fazer. Acabei conversando ontem no FaceBook sobre a triste coincidência que une a vida de Carmem Miranda e a de Amy Winehouse. Um pai babaca, um namorado babaca, um marido babaca e o resultado são duas artistas que não mostraram um terço do que seriam capazes.
Existe uma diferença entre um companheiro ou companheira que precisa e quer ser ajudado e uma pessoa que esta ali do lado e não passa de um buraco negro a sugar e destruir tudo.

Falei que as mulheres são “seres superiores”, mas isso afasta e desumaniza e fácil fácil a moeda vira e a gente acaba ajudando o preconceito com a melhor das intenções.
Conversar é difícil. Conversar é difícil.

Lembro-me da minha “Ártemis”. Uma garota que conheci pouco antes da faculdade. Em nossas conversas havia muito mais intimidade do que quando a gente ficava abraçado no chão do seu apartamento e eu podia sentir sua calcinha por entre os meus dedos.
Conversar é difícil. Conversar é difícil. Conversar de verdade.

Paro para pensar mais nela. A onde estará? Será que conseguiu trabalhar com engenharia aeronáutica e será que continua lendo Fernando Pessoa? Tomara que sim. Tudo de bom para você, garota.

Ficaram curiosos? A nossa história é o paradigma de todas as outras minhas histórias. Quando ela quis, eu tive medo; quando eu quis, ela não quis. No final ela queria ser amiga, mas as lembranças do chão do apartamento eram vivas demais em mim e eu não consegui deixar de pensar só com a minha cabeça de baixo. O tempo era curto para nós e terminou, a distância acabou fazendo todo o resto.

Fazendo exercícios aeróbicos e algumas flexões. Cabeça raspada e barba por fazer: sinto-me um Jason Stathan, apesar da minha barriguinha ainda criminosa. E não sou um detetive alcoólatra em um escritório imundo e escuro no West Village em 1938, diante de uma femme fatale querendo me contratar para vigiar o seu marido rico e adultero. Então tenho que fazer tudo sozinho mais uma vez.
Diante do espelho:
- Espelho, espelho meu: existe alguém mais Jason Stathan do que eu?
- Jason Stathan salva uma criança chinesa das garras da polícia corrupta de Nova York e da máfia russa em “Saved”, você esquece sempre de colocar a ração para a Cordélia e a Julieta.
- Ah...
Tenho que fazer mais flexões. Tenho que fazer mais flexões.

Como é fácil a nossa concentração ser enganada e a gente perder o foco daquilo que realmente tem valor!
Falo e falo de livros e livros ainda a ler, sendo que os dois mais importantes livros da minha vida já estão em minhas mãos há décadas: O Meu Pé de Laranja Lima e O Pequeno Príncipe. E qualquer coisa eles são fáceis e sempre fáceis de serem encontrados em qualquer livraria.
Hum...
Hum. Acho que ouvi alguém rindo. Rindo aí do outro lado do monitor.
Como exemplar do grupo dos machos brancos ocidentais, o grupo humano mais frágil psicologicamente falando dos últimos 100 anos, eu preciso desesperadamente de autoafirmação. Não posso deixar essa provocação sair assim, barata.
Greene! Greene!
GRAHAM GREENE:- Que foi?
Ajuda eu!
- Ok, lá vai: “O que obtemos hoje em dia da leitura que se equipare ao entusiasmo e à revelação daqueles primeiros catorze anos?”
Obrigado! Isso deve ser o suficiente.
GRAHAM GREENE: - De nada. Sempre que precisar, pode me chamar.
Merci. Você é muito prestativo.
GRAHAM GREENE: - Eu sou um imortal, tenho sempre algum tempo de sobra. Ei...
Fale.
GRAHAM GREENE: - Aquela citação minha você conheceu pelas mãos da Maria Tatar em sua introdução para a edição de luxo de “Contos de Fadas”, da Editora Jorge Zahar. Quando você vai ler o meu “O Americano Tranquilo”? Você comprou esse livro há quase três anos!
Hããm... Ih...
GRAHAM GREENE: - É um livro fininho!
É...
GRAHAM GREENE: - É um livro fininho para um fim de semana! E tem ação e espionagem!
Ok, ok! Quando terminar de encontrar o Henry David Thoreau, eu irei ao seu encontro!

Imortais são prestativos, mas também são bem manhosos!

[ ... ]

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

12 de fevereiro de 2016

Eu estou escrevendo muito aqui, não é? Estou perdendo muito tempo aqui, não é? Faço aqui minhas confissões e com isso peço perdão a todos vocês, não é?
Eu trato o mundo aqui como eu acho que a minha família me tratou e isso não é adolescente e óbvio? Isso, inclusive, é uma das lições mais dolorosas a se compreender desde sempre nesta vida: por mais desgraçadas que sejam nossas desgraças, elas todas são tão ordinárias! Eu sou mais um e você também. Eu sei, dói saber que a gente faz parte do resto. Mas a gente faz.
Então que fique claro: é só eu aqui. Isso é pouco, mas as vezes pode ser muito. Perdoem-me de novo porque passei mais da metade de minha vida caminhando olhando para o chão. Isso não é apenas metáfora.
E eu não sei quanto tempo tenho deste lado da terra. Então desculpe também o desespero que nem sempre é discreto e as gafes.
Esse negócio de não ter muito tempo... É meio mórbido dizer isso, mas serve para a flor em você também.
Um esclarecimento que é um pedido de desculpas que é um alerta: esta muito bom para uma primeira parte que é um editorial.

Ligo o computador. Eu tenho um trabalho a fazer. E é muito trabalho a fazer. Mas sem ouvir aquela meia dúzia de músicas primeiro, o trem não funciona e não funciona mesmo. A cabeça e o peito não colaboram e é a regra. Há alguma culpa? Eu quero achar alguma culpa?

Tem gente que é fraca para beber, eu não tenho certeza, mas acho que deve ser meu caso também. O que tenho certeza é que sou fraco para carne de porco. Meu estômago tem promoção: coma carne de porco e acorde de madrugada com a barriga ruim.
Nesta última vez, como as outras, até que não precisei ir ao banheiro fazer o “número dois”. Em compensação, perdi alguns minutos rolando na cama, meio desconfortável.
Alta madrugada. Deu para ouvir um cachorro gemendo de dor em algum canto da vila e logo depois todos os outros cachorros, solidários, uivando em protesto. Foi bonito e triste.



Essa coisa toda com carne de porco me faz pensar que eu devo ter alguma coisa de judeu em mim, o que seria bem legal. Ancestralidade sempre tem dessas coisas mágicas. E essa coisa judia eu sempre suspeitei por causa da minha mãe doida, da minha hipocondria, do humor que gosta de se olhar no espelho e fazer careta e daquele gosto forte por dramas existenciais.

Espero não ter ofendido alguém com essas palavras acima. Eu sou sincero quando digo que realmente não sei o que seja o “politicamente correto” e o que seja o “politicamente incorreto”. Não sei mesmo, então quando vejo alguma discussão sobre isso, eu sempre acho a coisa bem non sense.
O que eu tenho certeza é que as pessoas estão fazendo julgamentos sumários muito rapidamente, e isso tem o efeito de tornar os crimes que combatem parecer banais: antissemitismo, machismo, homofobia e etc. Não compreendo que as pessoas não percebam esse efeito colateral em suas atitudes bem intencionadas, mas precipitadas muitas vezes. Não pode ser qualquer coisa chamar alguém de “machista” ou “antissemita”. Aqui não se aceita pedido de desculpas, mas se aceita qualquer prova de acusação? Como pode?

Gosto de me declarar “politicamente correto”, mas é por pirraça e molecagem, pois os “politicamente incorretos” gostam de posar como os verdadeiros defensores da liberdade, mas não precisa de muito para eles ficarem nervosinhos e mostrarem as suas garras. Mas o ato falho como defesa à censura, por exemplo, também atinge a turma do “politicamente correto”.
Vigilância sempre, então. E humildade e esportiva. E seguir em frente.
Mas sem carne de porco e agradecendo por ter um nariz bem bonitinho. (Pelo menos eu acho ele bonitinho).



As pessoas são diferentes e o Brasil é grande. A crise econômica tem muitas maneiras para chamar a atenção e esfriar a nossa espinha.
Estou na farmácia e drogaria “Araújo” de sempre e comprando os remédios de sempre. O atendente, no final da minha compra, tenta me empurrar meia dúzia de produtos. A idade e a seriedade da expressão do atendente deixou a coisa ainda mais constrangedora para nós dois. Essa situação nunca aconteceu antes e me deixou realmente preocupado.

Na livraria: eu estou praticando aquele meu exercício masoquista que tanto adoro de olhar olhar e não comprar.
São vários encontros. Um me deixa triste. A edição mais recente do clássico “Notícias do Planalto – A Imprensa e Fernando Collor”, de Mário Sérgio Conti, não tem algo fundamental das edições anteriores: as fotografias. As fotografias de “Notícias do Planalto” eram fundamentais por mostrar os rostos dos principais nomes da imprensa brasileira do Período Collor. Aliás, o livro todo na verdade é uma história da imprensa brasileira da segunda metade do século XX. Aquelas imagens humanizam nomes e nos lembram de que jornalistas são seres humanos também. Aquelas fotos não estavam ali por frescura e luxo. A ausência delas nas edições do livro de Conti é um absurdo que advogadozinho cheio de latim para dar, não tem como inventar desculpa. Mas claro que a gente acaba compreendendo. Dinheiro!

O dinheiro no Brasil sempre some para coisas que realmente são importantes, a nossa economia sempre foi ferrada; mas temos que admitir: o trem ta feio.
(Lembrei-me de outro fato: ausência de DVDs virgens da Nipponic para comprar. Preciso de DVDs virgens para o backup das minhas fotografias. Arquivo digital é frágil e por qualquer coisa some sem deixar vestígio. Essa coisa de backup é coisa séria e eu não sou rico para ter uma impressora fotográfica. Mas além de estarem vazias, as prateleiras das lojas que fui só tinham DVDs virgens da HP. Marca aqui é importante óbvio e eu torço o nariz para a HP, com todo o respeito a eles.  E, como se não bastasse tudo, só havia embalagens que não eram econômicas.)



Mas nem tudo é crise. Quanto aos livros, pelo menos, eu tenho muita gordura para queimar. Vou poder ficar um bom bom tempo sem comprar, por mais que a tentação morda-me.

A alguns textos atrás, eu tinha mencionado o desejo de comprar a coleção de “Peanuts”, da LP&M. Mas desisti logo. É inviável. Pelo preço de cada volume, cada década custaria no total quase R$250,00! Acho que no fim o conjunto seria feito por 25 volumes cobrindo os 50 anos de aventuras de Charlie Brown e sua turma. Impraticável comprar mesmo. Seria charmoso comprar só os primeiros volumes, mas isso não seria racional (adianta ter as primeiras tirinhas e não testemunhar a evolução artística do autor e de seus personagens?). A própria LP&M percebeu o drama e lançou um volume único do tipo “melhores tirinhas”. Espertinhos, mas nem esse eu vou comprar também. Charlie Brown, Garfield, Hagar, Calvin, tudo isso é arte de primeira. Não me achem um desses professores chatos de universidade! Mas a internet esta aí e nas prioridades, as outras formas de manifestação artística tem prioridades.

Falei também de “LogiComix” e “Betrand Russel em 90 Minutos”. Mas além de caros, são livros técnicos e de divulgação. Já tenho o suficiente. Aliás, fica um aviso que já fiz neste blog: entre um livro de não ficção e um livro de ficção, fique sempre com o último. Sempre. Sempre e sempre. A arte, mesmo quando vagabunda e comercial, ainda vai mais longe e salva mais do que o mais erudito dos livros técnicos.
Anotaram? “A arte, mesmo quando vagabunda...” Eu sou filho de dois professores e só repito a lição quando estou com saco pra isso. Convém não abusar.

No final, só havia um livro que eu queria queria mesmo. Era “Gargantua e Pantagruel”, de François Rabelais. Quem curte as palestras do Mario Sergio Cortella já deve tê-lo ouvido citar Rabelais: “Conheço muitos que não puderam quando deviam, porque não quiseram quando podiam.” Já vi pelo menos duas palestras em que ele repete essa citação.

Mas o motivo de meu desejo é que a obra-prima de Rabelais é um clássico do Renascimento e eu aprendi com Will Durant que 70% da educação superior (a realmente superior)  é aquela que cobre o período Clássico e vai até o Renascimento. Ah, claro: isso inclui a reverência à sabedoria oriental. Dãm, óbvio! Depois do Renascimento até hoje temos os 30% restantes da educação. Com todo respeito aos 400 e tantos anos que se passaram desde o Renascimento, mas vamos ser sinceros: o pessoal andou se repetindo. Com as devidas exceções estelares de sempre.

Sem ser exatamente minha intenção, naquela minha anarquia e acasos, eu tinha acumulado livros razoáveis do período todo que Will Durant tinha falado. Mas quando chegava ao Renascimento, não.
Mas Rabelais é caro e a edição da Villa Rica nem sequer era de capa dura! Foi então que me lembrei: ei, quem não tem Rabelais, caça com Montaigne! E eu tenho Montaigne! Aliás, nas minhas visitas às livrarias, confesso que não me lembro de ter visto muito Montaigne por ali. Do jeito que as editoras brasileiras são, custa nada a Martins Fontes ter deixado esgotar “Os Ensaios”.

Em tempos de crise brava, é bom queimar gordura. E com os sustos que ando levando, assim vai ser por bastante tempo.

Então vem Michael de Montaigne, me conta de novo essa história de cidade cercada pelo exército inimigo. Aí o general malvado decide ser clemente e diz que vai deixar as mulheres, os idosos e as crianças saírem carregando tudo que podiam nas mãos sem ser incomodados. Promessa de honra de que não seriam molestados na sua retirada da guerra! Mas tinha que ser só coisa que estivessem nas próprias mãos, nada de cavalos e carroças. Na mão e pronto! Adivinha o que as mulheres da cidade sitiada fizeram, adivinha? Ah, as mulheres...! Sempre elas...! Eu queria ter visto a cara do exército invasor... Que cena não deve ter sido aquilo!!!!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

11 de fevereiro de 2016.

Posto de Saúde é para você ficar mais humilde e lembrar que não é um imortal. E casa lotérica, por sua vez, é para você pensar na metafísica do tempo enquanto espera na fila de 15 pessoas: pensar sobre o presente a qual estamos todos presos e que gera o passado e o futuro ao mesmo tempo.

[ ... ]

AMOR: - Eu tive um sonho...

SIGMUND FREUD: - Fale-me sobre sua mãe.

AMOR: - O quê?

FREUD: - Fale-me sobre sua mãe.

AMOR: - Eu não quero falar sobre minha mãe! Eu quero contar sobre um sonho que tive na noite de terça para quarta.

FREUD: - Você não sabe que a culpada é sempre a mãe? Fale-me obre sua mãe! Fale-me sobre sua mãe!

AMOR: - No sonho eu estava em uma sala de aula...

FREUD: - Então era um pesadelo.

AMOR: - Boa, boa. Essa foi boa. Mas eu nunca tive um pesadelo assim, tipo, que eu dissesse depois ao acordar: “Nooooossa, que pesadelo!” Alguns sonhos pesados e tristes, e só. Sou tranquilo nessa área.

FREUD: - Fale-me sobre o que aconteceu.

AMOR: - Eu era um aluno e estava sentado. Eu estava tentando ouvir uma fofoca que umas garotas estavam falando. Elas falavam sobre um amigo e sobre o que tinha acontecido no carnaval. Eram várias garotas, mas era só uma que estava falando.

FREUD: - Quem era ela?

AMOR: - Eu não vou falar!

FREUD: - Não precisa mais.

AMOR: - Touché ...

FREUD: - Fale mais.

AMOR: - Era só isso. Ela falava e eu tentava ouvir. Foi até meio bobo de minha parte. Fui criança, lamento. Mas o que isso significa? Insegurança, desejo, sinto-me ameaçado por um macho alfa? Que, aliás, é feio pra caramba?


VOLTAIRE: - Feio mesmo. Plebe rude. Pior tipo.
NIETZSCHE: - Horroroso, horroroso. Horroroso mesmo, mas as mulheres têm dessas coisas.
BERTRAND RUSSEL: - Feio pra caramba. Considerar aquele cara bonito é um erro de lógica.
WILL DURANT: - Nenhum pintor, de nenhuma escola artística se animaria em pintá-lo. Horroroso, grotesco!
JOSEPH CAMPBELL: - Nenhuma tribo da idade do bronze, de nenhuma ilha distante, considerá-lo-ia atraente.
RUBEM ALVES: - Além de feio, ele não deve gostar de queijo e mel. E não deve achar graça no Monty Python.


AMOR: - Obrigado, rapazes. De coração: valeu!

JOHNNY DEPP: - Ah, eu pegava. E pegava fácil.

AMOR: - !!??!!
FREUD: - ??!!??


AMOR: - Onde a gente tava? Acabei me perdendo...

FREUD: - Fale-me sobre a sua mãe.

AMOR: - Deixe a minha mãe em paz, caramba!

FREUD: - Eu sou Sigmund Freud, o pai da psicanálise; se você não quer falar sobre a sua mãe, eu vou ser forçado a perguntar qual é o tamanho do seu pênis.

AMOR: - Estava acontecendo mais coisa naquela sala de aula. Além de eu estar com ciúmes e querendo ouvir fofocas, havia a apresentação de uma espécie de teatro. Um trem meio doido. Uma super apresentação. Era um palco, mas era também um navio. Havia mágicos e um sujeito fabricando vasos de vidro. Uma mistura. Acho que havia até animais e palhaços. Se bobear, acho até que o Barão de Munchausen estava dando uma canja ali! O que isso significa? Que meu sonho é frágil como vidro e que posso consolar-me dos meus fracassos sempre ao lembrar que o mundo é mágico? E que vai continuar mágico e esperando por mim, não importa a dor que eu estiver sentindo no momento?

FREUD: - Não é nada disso.

AMOR: - Então o que tudo aquilo significa?

FREUD: - Significa simplesmente que você esta com inveja do pênis do macho alfa.

AMOR: - Como é ????

FREUD: - É simples, eu explico. Esta tudo na Grécia Clássica: Aquiles matou Heitor que era irmão de Páris que comia a Helena que era filha de Poseidon que era irmão de Cronos que tinha um caso com Afrodite que era filha de Poseidon que na verdade amava Mercúrio que não amava ninguém. Entendeu?

AMOR: - ????

FREUD: - Não entendeu?

AMOR: - Acho que eu preciso de tratamento.

FREUD: - Foi a coisa mais inteligente que você disse hoje.

AMOR: - Ah... Bom... Obrigado... Eu acho... E agora, Freud?

FREUD: - E agora você vai me falar sobre a sua mãe.


[ ... ]

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

10 de fevereiro de 2016

Eu não estava tendo um filho, não estava no momento mais doloroso de uma cirurgia na gengiva e não estava sofrendo um choque elétrico. Aquela minha careta era mesmo porque eu estava colocando o telefone no gancho.

Não gosto de dar telefonemas. Sempre me atrapalho. Dar telefonemas importantes, então, me deixa angustiado.
Melhor que dar telefonemas é falar ao vivo, apesar da minha timidez.
Falar ao vivo é melhor. Qualquer coisa você briga, você chora, você corre, você reza ou sobe em uma mesa tira a roupa e depois dança. Entenderam? Muito mais espontâneo, pois você pode perfeitamente confiar nos instintos milenares da espécie.

Não consigo parar de escutar “Good Morning, StarShine”, de Oliver. Na verdade podemos colocar aqui também na lista “Ain't No Mountain High Enough”, com Tammi Terrell e Marvin Gaye e Jorge Ben com sua gostosa “Santa Clara Clareou”.
Estou escutando sem parar. O trem quando bate comigo, sempre bate forte. Sempre. E gosto assim.

Hoje trabalhei na radio. Todos aqueles telefonemas... Ah, que Júpiter abençoe as secretárias! Sempre! Bom, instalaram uma câmera no estúdio. Tava sumindo coisas demais e o pessoal também mexia nos controles da mesa de som e isso atrapalhava muito.
Então, como falei, instalaram uma câmera no estúdio. Serve também para inibir que um sem vergonha como eu fique vendo trailers de filmes no YouTube e trailers e cartazes no site do IMDB.
Esse site do IMDB é um sonho para quem ama cinema como eu. Tem de tudo um pouco. O que inclui os aniversariantes do dia. Lamento que eu não tenha que dividir o meu 30 de junho com nenhuma super estrela.

Mas hoje não resisti e acabei vendo um tributo ao Terry Gilliam no YouTube. Ah... Aquilo tirou uma nuvem escura e pesada de meu peito. Feliz, acabei tendo uma ideia para um novo gif animado. Estou fazendo gifs animados um atrás do outro. Adoro. Parecem janelas de eternidade em que é sempre possível produzir risos e mistérios, até em quem assiste. Gosto muito. Uso o Windows Movie Maker para conseguir as imagens e o PhotoScape para juntá-las na animação. É fácil e intuitivo. A única dificuldade é que você precisa se concentrar para não perder um instante sequer. Se você perder, a animação fica truncada e balança como um carro em uma estrada esburacada.

Mas onde eu estava? Ah, é: Terry Gilliam. O filho da mãe tem linguagem própria, o que para arte é quase tudo. Vocês conhecem os filmes dele? Recomendo. Eu recomendo efusivamente!


De repente me ocorre que um texto meu, quando bom e desesperado, é igual a um filme de Terry Gilliam em seu barroco onde não se pode mais diferenciar o que é belo e o que é grotesco. Romper mais uma fronteira artificial e boba, fácil assim, só sendo um tremendo artista como Gilliam.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

9 de fevereiro de 2016

Não pulei o carnaval de Belo Horizonte e nem mesmo o de Rio Acima, pelo mesmo motivo: nas últimas semanas o dinheiro desapareceu. Desapareceu mesmo. E não foi culpa minha. Da até certo orgulho em mim escrever essas palavras, pois elas soam tão “normais”. Estou melhorando, não estou?

Com aquele frio na espinha entrei no FaceBook hoje. Mas na verdade eu não sou bem um ciumento, estou mais para um voyeur: em todas as minhas fantasias quase nunca sou eu que estou comendo as mulheres que já me apaixonei. Quando sou eu mesmo não é exatamente eu. É um eu mais melhorado. Assim é tamanho o desprezo que sinto por mim, mas acho que essa é uma situação bastante ordinária: muitos homens devem fazer como eu. Acho que todo mundo faz. Afinal, se é para fantasiar que fantasiemos direito. Acho que é assim. Nunca conversei com alguém sobre isso.

O meu eu melhorado não tem um pênis maior e um carro conversível, ele apenas tem um emprego legal e vive em um apartamento cheio de cartazes e desenhos bonitos na parede.

Minha casa ia ser legal. Logo ao abrir a porta a visita iria ver duas imagens. Aquela mulher pelada de Woodstock (tem muitas fotos de mulher pelada desse festival, me refiro a uma que usa óculos e se parece com uma jovem professora. Ela esta em pé em meio a uma multidão sentada, e ela esta dançando, em êxtase, com os braços levantados. Além dela, claro, posso ficar minutos olhando para os rostos olhando para ela. Não sei descrevê-la, para vocês procurarem na internet. Lamento. Se ajuda, ela usa aqueles óculos grandes e redondos tipo John Lennon.).
Ao lado dessa foto teria um desenho ironizando aqueles quadros em que os pintores retratavam a nobreza do século XIX. Não sei o nome do artista, mas seu desenho mostra uma jovem nobre fazendo um gesto obsceno para quem a vê (ou seja, o gesto é para todos nós). Mas tão importante quanto o seu gesto obsceno é a expressão fria dessa jovem nobre. O choque entre o gesto e a técnica “conservadora” do artista ao imitar antigos mestres, é o segredo deste desenho.

Essas duas imagens estariam na entrada, bem em frente a porta e funcionariam como uma espécie de “segunda campainha”. Dependendo dos comentários, eu saberia se a visita sabe o que é importante ou não. Por exemplo: se ela ficasse chocada com os pelos pubianos da mulher de Woodstock e não dissesse uma só palavra sobre beleza, liberdade e felicidade, eu saberia que essa visita é uma besta. Se diante do gesto obsceno da nobre do desenho, a pessoa se sentisse ofendida e não desse um sorriso espontâneo e compreensível quanto ao que acabou de ver, eu também saberia que a visita é meio besta.
- Quem é você para julgar? Você não é uma besta também?
Claro que eu também sou besta e muito muito besta. Ocorre que mesmo eu sendo uma besta de primeira, tem besteiras que me irritam.

Amanhã falo sobre as outras imagens que minha casa teria, os exercícios físicos que ando fazendo (quero ficar gostoso), sobre as pulguentas Julieta e Cordélia, sobre livros e outras coisas dessa aberração que vos escreve.