Voltaire ajuda

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domingo, 31 de janeiro de 2016

31 de Janeiro de 2016

Na quinta-feira passada, 28 de janeiro de 2016, o “Jornal Nacional” repetiu um trecho da sua reportagem sobre o “Caso Triplex” e justamente o trecho mais sensível da mesma: o ex-presidente Lula e sua família, quando estariam indo lá conferir a reforma do imóvel, comportar-se-iam como o pior tipo de rico esnobe: monopolizaram um elevador, não demonstravam respeito e interesse pelos outros vizinhos e etc. Coisa bem nojenta mesmo.
“Jornal Nacional” é o principal telejornal da mais popular rede de televisão do Brasil, a Rede Globo de Televisão, então muita gente viu este erro na edição da reportagem.

No dia seguinte Lula e o Partido dos Trabalhadores enfrentariam não um erro de edição, mas sim a esperteza de um telejornal. O “Jornal da Band”, telejornal da Rede Bandeirantes de Televisão, exibiu uma reportagem sobre o fato de Lula ser o único nome do PT escolhido para concorrer às eleições de 2018, apesar das recentes investigações da justiça.
Embora não tivesse sido citada e nem era mesmo uma personagem da reportagem; no finalzinho a Bandeirantes colocou uma imagem de arquivo em que mostrava um cartaz da eleição de 2014, onde se via Lula, o ex-presidente e Dilma, a atual presidente.
Foi rápido, mas deu para perceber. E deve ter feito alguma diferença, pois não colocariam aquela imagem gratuitamente.

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O tédio me fez vencer duas tentações poderosas esta semana. Assim foi. Assim é como acabei de decidir.
Ocorre que tédio é remédio perigoso.
Qual é mesmo a extensão do preço que pagarei por estas duas vitórias tremendas?

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Nesta segunda-feira, dia 25 de janeiro de 2016, eu vivi um momento muito especial nesta minha carreira de fotógrafo. Fui a um abrigo de animais e tirei fotos que vão ajudar na adoção de cães abandonados.

Franklin, o dono do abrigo e autêntico herói na defesa dos direitos dos animais em Belo Horizonte, gostou da ideia das fotos que tinha sido dada pela Deborah, uma amiga que temos em comum.

O abrigo é muito longe e eu tive que acordar de madrugada por causa dos ônibus que eu tinha que pegar.
Era a primeira vez que eu ia e acabei me perdendo no bairro Pampulha, um bairro vizinho do abrigo. Escapei de um quase assalto e fui salvo do atraso no compromisso pela carona de um carro da UPA. UPA significa “Unidade de Pronto Atendimento”. Pegar carona em uma ambulância genérica (com direito a sentar em estofados cobertos com aquele pano branco de hospital) é uma delícia para um hipocondríaco neurótico como eu. O nome do motorista que acreditou em meu drama era Marcelo. Obrigado, Marcelo.

Eu estava sem desodorante, mas acho que isso acabou ajudando os vira-latas a simpatizarem comigo ao cheirar-me (lembrei-me de um episódio do “C.S.I.” onde um cara morre durante um “safári urbano”. Um dos personagens disse que disfarçar o suor com desodorante é a coisa mais burra a se fazer, pois chama ainda mais a atenção dos animais).

Quando entrei veio aquela onda de cachorros para cima de mim. Acho que consegui disfarçar do Franklin o meu medo inicial. Acho, mas com certeza ele esta acostumado com visitantes que acham que conseguem disfarçar algum desconforto com tanta atenção canina. De qualquer forma, quando ele disse que segurar um rodo ajudaria os cachorros a me verem como alguém de confiança, eu acabei segurando o rodo como se aquilo fosse o cajado de Moisés! Na hora eu me lembrei daquela garota do pijama gigante do YouTube, a Jout jou, e toda hora eu repetia para os cães mais afoitos trecho de um do seus vídeos: oia o cajado! Oia o cajado!

Apesar dos arranhões no braço e de uma camiseta agora imunda, os cachorros se comportaram bem  comigo. Um, o “Veludo”, um cachorro preto gigante, ficou o tempo todo ou cheirando minha bunda ou colocando a cabeça no meio das minhas pernas. Ainda bem que ninguém viu a cena: eu agachado  para pegar o melhor ângulo de uma fotografia, sendo assediado por um cachorro preto gigante chamado “Veludo”. Acho que vou precisar de algumas semanas de terapia para compreender o que os mitos gregos e Freud têm a me dizer quanto à simbologia deste trem. Bom, deixa pra lá.

O serviço foi voluntário e como acontece sempre que o tempo esta nublado, eu me queimei demais. Quase uma semana depois ainda tenho manchas vermelhas de Sol na minha pele. Meus pais têm problemas sérios de pele e eu deveria tomar mais cuidado e não ser tão imbecil nesta área. Bom, mas é aquela coisa: não tenho dinheiro, a glória e os equipamentos dos fotógrafos da “National Geographic” e embora não tenha que correr do Ebola ou pular minas terrestres que sequer vejo, eu também tenho meus humildes sacrifícios.

As fotos ficaram razoáveis (nota 5 em 10, digamos) e a edição que fiz no computador ficou maravilhosa (10 em 10 e ai de quem sorrir com indulgência ao ler isso!). Mas eram tantas fotos que tive bastante trabalho. Só consegui entregar pela internet na sexta. Eram 60 fotos.

Eu assinei as fotos. É meu direito e sempre faço isso. É apenas parte do direito que me cabe ao pertencer, como fotógrafo, à família dos artistas plásticos. Mas isso não é a regra: em jornais, revistas e exposições; você não verá assinaturas nas fotos. Fotógrafos não assinam ou assinam em algumas raras ocasiões, não muito significativas.

Franklin me agradeceu bastante pelas fotos e disse que elas vão ser úteis sim. No mesmo dia ele começou a compartilhá-las no FaceBook. Franklin é bastante popular e as fotos foram bem recebidas, receberam elogios e muitos compartilhamentos. Acho que vou acabar ficando um pouco conhecido. Bom, essa era parte da ideia; mas isso é uma coisa tão estranha a mim que nem penso muito nisso. Claro que na pequena miséria em que estou, profissionalmente falando, a minha resposta seria “sim” a qualquer nova proposta que eu vier a receber por causa disso tudo. E espero receber algumas.

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AMOR: - Eduardo Ramos, um dos apresentadores do “Jornal da Itatiaia”, disse que o jornal é chamado de “petista” e também “tucano”. Ou seja, de serem simpáticos ao partido hegemônico e também de serem simpáticos à oposição!

QUEIJO: - Se faz de vítima para atrair simpatia e ao mesmo tempo insinua que isso só acontece por serem imparciais. Mais um caso de charminho por parte de um órgão da imprensa. Faz parte.

AMOR: - Como alguém pode acusar o “Jornal da Itatiaia” de ser “petista”? Eles entrevistam o Aécio Neves por minutos e minutos naquela vez perto das eleições e no começo do ano (2015. Este texto é antigo) avisaram por semanas que haveria uma daquelas manifestações gigantes contra a Dilma Rousseff. Como alguém consegue ouvir alguma petista neste jornal da Itatiaia?

QUEIJO: - Consegue, mas é claro que consegue. Política é também paixão e depois de quase duas décadas no poder um opositor mais nervoso pode acabar encontrando “petismos” em lugares mais inusitados.

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Um dos perigos dessa arte nova. O excesso, o exuberante é mostrado usando uma máscara atraente e se fazendo passar por remédio para nossa moral. Pobre do público diante dessa arte nova, ele vai ter que fazer uma odisseia longa e difícil até encontrar a sua casa onde ele pode encontrar moderação e tranquilidade.

AMOR: - Nietzsche esta falando da música de Wagner neste aforismo. Não sou especialista em arte contemporânea. Se bem que de vez enquanto eu visito alguma exposição de artistas plásticos modernos...

QUEIJO: - Além dos artistas plásticos tem as músicas para adolescentes, que faz muito tempo que você não acompanha.

AMOR: - É mesmo. Vou assistir um desses programas de videoclipe. Romances modernos e peças de teatro de autores contemporâneos são outras coisas difíceis de acompanhar.

QUEIJO: - Sim, é difícil saber se a arte de 2015 (falei, alguns textos aqui são antigos. Da época que fiquei semanas e semanas sem internet) leva o seu público a ficar preso a excessos. E se este público vai ter que bancar um Ulisses a voltar para Penélope e seu filho.

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Cuidado ao colocar muito de seu espírito em suas palavras escritas. Os adversários ao lerem essas palavras compreendem.

AMOR: - Por outro lado não há muito que fazer quanto a isso, pois cada palavra vai levar mesmo um pedacinho do espírito nosso. Serve como um pedido de cautela aquele aforismo.

QUEIJO: - Não é interessante neste trecho, e em tantos outros, Nietzsche falar em “espírito”?

AMOR: - Sim, mas não é incoerência. Nietzsche queria apenas que o cristianismo gostasse mais de viver e não esquentasse a cabeça tanto com pecado, com culpa, castigo e dor.

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O jovens querem e querem amar. Diante daquilo que o jovem percebe que não pode amar totalmente, ele se coloca então em postura defensiva; como se fosse o último soldado vivo na trincheira e só dependesse dele o resultado da “Batalha de Verdum”.

AMOR: - Professor na sala de aula precisa fazer os alunos se apaixonarem por matemática e geografia... Trabalho duro! Mas ou é isso, ou dezenas e dezenas de alunos preocupados com as provas e não preocupados em crescer internamente.

QUEIJO: - E saber a diferença entre criticar e destruir algo em legítima defesa. Outra coisa que os jovens precisam saber.

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A Grécia Clássica venerava a beleza, mas as suas regras poéticas conseguem abraçar e abençoar um monstro da exuberância como Shakespeare. Um excessivo Shakespeare diante de um justíssimo Sófocles.

AMOR: - Sófocles? Quem é ele? Primeiro Eurípedes!

QUEIJO: - Primeiro Eurípedes!

AMOR: - “Eurípedes, o humano”! Que apelido maravilhoso!

“QUEIJO: - Garrincha, chamado de a “alegria do povo” e Átila, conhecido pelo epíteto de “ a praga de Deus”; nem chegam perto!

AMOR: - Comem poeira! É Eurípedes, Shakespeare e o resto. Mas ainda quero entender aquela peça misteriosa chamada de “Playboy in the Western World”. Li um resumo e continuei sem entender. Mas isso são outras histórias e outras cortinas abrir-se e a fechar-se no futuro.

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Poeta pode matar de tédio o público ao fazer que os corações deles subam uma escada. Isso é um perigo. Mas subir demoradamente uma escada não é a única coisa que a poesia pode fazer para sublimar os sentimentos do público. Uma poetiza ou um poeta podem dar um susto em seu público. Funciona do mesmo jeito que a escada, mas aqui o perigo é fazer o público morrer de medo.

AMOR: - Lidar com o público é sempre delicado.

QUEIJO: - É sempre delicado. E os públicos são muitos. Muitos tipos de público há.

AMOR: - Uai, esta falando como o personagem “Mestre Yoda”?

QUEIJO: - Pode acontecer às vezes.

AMOR: - Nunca fui muito fã da saga “Guerra nas Estrelas”, mas acho que seria interessante ser mais como outros e assistir à estreia do super super último último episódio da saga.

QUEIJO: - Lembra-se de assistir, com ex colegas do colégio, o primeiro “Harry Potter” e de assistir, em um cinema absurdamente lotado, o “Titanic”?

AMOR: - Lembro. Lembro sim. Foi bom. Mais um episódio da minha vida social que eu devia ter continuado.

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