Voltaire ajuda

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domingo, 24 de janeiro de 2016

24 de janeiro de 2016

"Agora... algo completamente diferente."

"Agora... a atração principal."

Quero o "Peanuts Completo".
Não penso no motivo. Não penso na utilidade. Não penso nos custos. Apenas quero
De repente me ocorre que nada pode ser tão inocente quanto o desejo.
Apenas quer. Nada de criação, mas também nada de destruição. 
Desejo é algo inocente. Ou pelo menos inofensivo. Como pode ser diferente se ele só existe olhando para o espelho? Como pode ser diferente se só ele não é destruído?
OBS: Eu não vou comprar os livrinhos. rs. Estou numa fase bem diferente agora.

[ ... ]


AMOR: - Vamos ao cinema assistir a um filme brasileiro!

QUEIJO: - Filme brasileiro é pobreza, sexo e ator da Rede Globo de Televisão. Não vou pagar por isso.

AMOR: - Cinema brasileiro não é isso. Você não conhece o cinema brasileiro.

QUEIJO: - E onde nós podemos conhecer o cinema brasileiro no Brasil?

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QUEIJO: - O Capitão Nascimento dos filmes da série “Tropa de Elite” é o verdadeiro herói do Brasil!

AMOR: - Porque ele não pode nem pendurar o uniforme no varal para não atrair os bandidos e porque ele perdeu a própria mulher para um professor de esquerda?

QUEIJO: - Era eu que dizia os comentários malvados.

AMOR: - É, mas desta vez eu decidi inverter a ordem.

QUEIJO: - É você quem manda.

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AMOR: - Quanto tempo o povo judeu esperou para poder voltar à Palestina?

QUEIJO: - Muito, muito, muito tempo.

AMOR: - Mas eles conseguiram?

QUEIJO: - Sim, eles conseguiram voltar ao seu lar.

AMOR: - Quanto tempo os árabes que fugiram depois de 1948 estão esperando a hora de voltar também?

QUEIJO: - Menos tempo.

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Não havia naquela casa uma pessoa morta sendo velada na sala todo dia, mas parecia. Não havia uma neblina também a cobrir qualquer coisa alegre ou qualquer êxito obtido. Uma neblina cinza, por ser negra de fim triste e branca por falta de motivo.
Mas também parecia que havia.

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AMOR: - “A informação é do jornal “Estado de Minas””, ouvimos no “Jornal da Itatiaia” (*), da Radio Itatiaia. É a Itatiaia ajudando o “Estado de Minas”, que perde leitores e não esta conseguindo pagar o salário dos seus repórteres.

QUEIJO: - Sim, é a primeira vez que ouvimos o nome deste jornal na Itatiaia. Nessas horas os grandes acabam se ajudando. Embora com algo heterogeneidade, a grande imprensa é um bloco bem uniforme com seus amigos e inimigos.

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AMOR: - É legal prestar atenção nos casos quando a grande imprensa protege alguém.

QUEIJO: - O caso do treinador de vôlei Bernadinho e o juiz Sérgio Moro. Nos três, quem sabe até nos cinco primeiros meses da operação “Lava-Jato”, não eram exibidas imagens atualizadas do juiz Sérgio Moro. Seu nome era mencionado três vezes por dia, diariamente nos telejornais, mas as televisões só exibiam poucos segundos de imagens antigas e sempre as mesmas.

AMOR: - No caso do “Jornal da Band”, da Rede Bandeirantes de Televisão, era realmente explícito. A insinuação clara é que o juiz Sérgio Moro ia salvar o povo brasileiro, mas quem era este homem não passava de um detalhe que aparentemente era irrelevante a nós, o povo.

QUEIJO: - O povo não precisa saber dessas coisas. O povo brasileiro dorme monarquista e acorda na república, sempre. Mas isso mudou, agora pelo menos temos o juiz Sérgio Moro várias vezes em capa de revistas. Ele esta exposto, mas pelo menos esta claro. Revistinha em quadrinhos tem hora.

AMOR: - O historiador Marco Antônio Villa, comentarista do “Jornal da Cultura” da TV Cultura, sente pelo juiz Sérgio Moro o mesmo que o Luciano do Valle, comentarista esportivo importante, sentia pelo ex-goleiro Marcos, do Palmeiras?

QUEIJO: - Vamos falar do treinador premiado da também premiada seleção masculina de vôlei, o Bernadinho.

AMOR: - Quatro, cinco derrotas consecutivas! Algo inacreditável! Eles ganhavam tudo, tudo! E nada de entrevista do treinador Bernadinho se explicando nos telejornais! Nada, nada! Esse caso também foi ótimo.

QUEIJO: - Na reta final da eleição para o governo de Minas Gerais, o Pimentel não foi muito presente em debates.

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AMOR: - Não sei qual é a idade média deles, mas imagino que deva ser próximo da minha. Jovens adultos, eu acho. Difícil saber. Bom, o que importa é que a moda entre essa nova direita é ficar fotografando socialistas e comunistas comendo em lanchonetes e restaurantes sofisticados, no Brasil e no exterior, e depois ficar reclamando que isso é uma postura hipócrita, uma postura mentirosa.

QUEIJO: - Achava que esse moralismo ferrado fosse coisa do pior da esquerda. “Não pode fazer isso, não pode fazer aquilo seus burgueses pequenos!” E com o custo de vida alto no Brasil, é interessante perguntar o que se entende por lanchonete ou restaurante “sofisticado”.

AMOR: - Dois kibes pequenos e um suco Vale ficaram em 9 e uns quebrados. Quase dez reais! Aquela padaria nova, perto da igreja, sabe?

QUEIJO: - Kibes pequenos? Kibes pequenos para você, que tem um “Alien Oitavo Passageiro” na barriga. Aqui...

AMOR: - Fala.

QUEIJO: - Tem “comunista” e “socialista” no nome do partido e tal, e isso quer dizer que os membros são comunistas e socialistas?

AMOR: - É o que se supõe. E a direita reclama se um deles usa Iphone. Isso também não pode.

QUEIJO: - Porque é muito capitalista usar Iphone?

AMOR: - É muito capitalista usar Iphone. Se você faz parte de um grupo que tem “comunista” e “socialista” no nome, se espera que você viva meio pelado no meio de nativos do Kalahari. Mas acho que os nativos do Kalahari estão “fora” do que se entende por “liberalismo” e “socialismo” quanto á hierarquia e organização social.

QUEIJO: - E são páginas anônimas e que não dizem que partidos apoiam.

AMOR: - Em cima do muro e muito acima de nós!

QUEIJO: - Covardes não se expõem e não podem estar acima de nós. Se não querem a responsabilidade de defender a liberdade e a justiça, então basta não defender a justiça e a liberdade.

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AMOR: - O Ministério Público acabou de descobrir que não é bem assim, a Samarco/ Vale/ BHP não tem toooooodos os documentos para que as barragens possam funcionar e tal. O desfile de rabos presos entre os departamentos do poder público é enorme. E dá-lhe: “Mas eu autorizei porque eles tinham autorizado...” Brasil é um país de Pôncio Pilatos, embora tenhamos vencido a epidemia de cólera há menos de 30 anos. Lavamos as mãos, mais ou menos lavamos as mãos.

QUEIJO: - Minas Gerais esta sofrendo com a falta de água e a diretoria anterior da Copasa esta livre, leve e solta. Nós sabemos o que fazer com frases de efeitos para imprensa ditas por promotores encantados do Ministério Público.

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AMOR: - Informações sigilosas das investigações da Polícia Federal na operação “Lava-Jato” continuam aparecendo na imprensa, como água em enxurrada. Enquanto isso a gente faz piadinhas engraçadinhas com aquele “japonês da Federal”.

QUEM: - Quem?

AMOR: - Aquele policial federal, baixinho e meio grisalho e que sempre esta de óculos. Ele é aquele que sempre aparece na TV, quando vemos alguém sendo levado para depor. É engraçado e comentários sobre isso são populares na internet. O rosto dele vai ser uma das máscaras do carnaval deste ano de 2016.

QUEIJO: - Esforço de reportagem para revelar segredos importantes é uma coisa, esses vazamentos aí são completamente diferentes. Vai continuar fazendo piadinha com o “japonês da Federal”. Os poderosos agradecem, enquanto o povão ri e continua doente como estava ontem.

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AMOR: - O “Jornal da Band”, da Rede Bandeirantes de Televisão, terminou uma reportagem sobre um promotor de justiça que diz ter provas contra o ex-presidente Lula, no dia 23 de janeiro, exibindo toda a fachada do Hospital Sírio Libanês. O que a fachada do Hospital Sírio Libanês tem haver com as relações medonhas de Lula com empreiteiras?

QUEIJO: - Quantas pessoas podem ser internadas no Hospital Sírio Libanês? E é uma fachada muito bonita, é elegante terminar uma reportagem com essas imagens.

AMOR: - Eles contaram porque o ex-presidente Lula foi ao hospital?

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* Não anotei o dia, mas foi entre 19 de janeiro e 24 de janeiro. Tenho quase certeza que foi mesmo dia 19 de janeiro.
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