Voltaire ajuda

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

18 de janeiro de 2016

QUEIJO: - Como estamos hoje?

AMOR: - Leves, soltos, felizes, ternos como um ursinho carinhoso! Até merecedores de alguma dádiva divina!

QUEIJO: - O que foi aquilo ontem?

AMOR: - Uma faca descendo o peito enquanto corta-o. Um vômito, um grito, uma explosão e um olhar fixo.

QUEIJO: - O que?

AMOR: - Nada demais. Uma brisa quente que passou por dentro de mim.

[ ... ]

Não posso perder de vista meus dois diabinhos: o egoísmo e a raiva. Os dois são poderosos em mim.

O egoísmo quer que o mundo me compense, mas o mundo é indiferente e não há compensação que satisfaça o orgulho que acha sempre que foi ferido.

A raiva é poderosa por ser indefinida, por ser apoiar no desejo tantos anos frustrado e pela consciência que o troféu que a sociedade me oferece não foi feito para mim.

[ ... ]

Não é bonito e incrível que o anjo aqui tenha raiva? Que esta criança consiga (consiga!) ter raiva? Pelo menos isso, não? Pelo menos isso!

QUEIJO: - Nada de bonito em ter raiva. Nada de orgulho nisso.

AMOR: - Mas é autêntico, é meu e é viril e másculo!

QUEIJO: - Viril e másculo é um braço cheio de músculos segurando o volante de um carro cheio de gostosas!

AMOR: - Eu tenho alguma coisa!

QUEIJO: - Você tem “talvez”, você tem inveja, você tem dentes rangendo, você tem olhos fixos na parede, você tem sede, você tem espinhos, você tem nada!

AMOR: - Eu respiro, eu tenho tudo!

[ ... ]

Veja o suicídio. No enterro todos apontariam para o meu caixão e aí seria um festival de “eu sabia”, “era óbvio que isso acabaria acontecendo”, “eu bem que desconfiava”, “e lá era possível outro fim? Convenhamos!”, “olhe, ninguém pode dizer que foi pego de surpresa, todo mundo, todo mundo sabia que era isso que acabaria acontecendo”.
Com uma chuva maldita dessas sobre mim, eu acabaria morrendo de novo! (risos) Não, isso não.

QUEIJO: - Aqui tenho que concordar com você, é isso que eles diriam mesmo. Mas orgulho não é um bom motivo para não se matar.

AMOR: - Tem a curiosidade também e essa minha fé, igual a uma pequena flor de capim.

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 “... sem pódio de chegada e beijo de namorada ...”
Grande Cazuza! Outro momento dessa grande canção que gosto é quando ouvimos sobre a “metralhadora cheia de mágoas”.
Estão gostando da minha metralhadora?

QUEIJO: - Mas essa foi péssima e péssima com força!

[ ...]

- Choro de perdedor. Apenas choro de perdedor. Todo mundo é adequado e satisfeito, só você é diferente. Como não consegue seguir as regras, só é capaz de desdenhar as uvas.
- Será que consigo enfiar um cacho de uva inteiro  no seu nariz e acabar com esse seu sorriso superior?

- Você precisa de tratamento. De sentar em um divã e tomar remédio. Um médico de cabeça precisa ouvir você.
- Se explicar demais é quase como pedir desculpas por existir. Eu não vou pedir desculpas por existir. É tudo que tenho a dizer quanto a isso.

QUEIJO: - É tudo que temos a dizer quanto a isso.
AMOR: - É tudo que eu tenho a dizer quanto a isso.

[ ... ]


“E viva a dialética! Quanto mais as palavras e as imagens aqui ficam agressivas, mais o autor condena-se em um romantismo antigo e ultrapassado. Algumas virtudes chamam a atenção, como o modo que concilia o barroco e o impressionismo. Mas a verdade é que os defeitos são mais excitantes que as suas virtudes cavalheirescas excêntricas.. Tem como ser mais carente e sedento de ternura? Tem como ser mais explícito em um pedido de um ombro?” (Cahiers du Cinéma, 1988, 1991).

QUEIJO: - Não basta ser um trecho mentiroso de um artigo mentiroso, você me inventa de escrever que é de 1989 e 1991 ao mesmo tempo?!

AMOR: - Yep! Yep! Siiiiiimm!

QUEIJO: - E por que 1988 e 1991?

AMOR: - Cinema Paradiso (Cinema Paradiso, 1988, Giuseppe Tornatore) e O Pescador de Ilusões (The Fisher King, 1991, Terry Gilliam).

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