Voltaire ajuda

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

14 de janeiro de 2016

QUEIJO: - O que é isso aí?

AMOR: - Isso o quê?

QUEIJO: - Isso aí sobre a sua cabeça. Não esta vendo? Você é cego?

AMOR: - Não estou vendo nada.

QUEIJO: - Então esta vendo tudo. Você é mesmo cego. Tem uma nuvem negra sobre a sua cabeça. Vento forte e frio, trovões e relâmpagos. O maior caçador de cismas do mundo esta em ação, novamente. Você esta cismado.

AMOR: - Estou cismado mesmo!

QUEIJO: - Da para você viver aquilo que você acredita? Sentir fundo aquilo que sabe? Senão são apenas palavras cuspidas para arrancar aplausos de gente que para nós não são gente. Senão as experiências vividas ficam iguais e iguais a zero.

AMOR: - É passarinho, é borboleta...

QUEIJO: - É, é isso mesmo. É passarinho, é borboleta.

AMOR: - Um jardim, um jardim sem grades.

QUEIJO: - A única obrigação é ser um jardim florido. Apenas um jardim florido.

AMOR: - Aí as borboletas e pássaros podem vir...

QUEIJO: - Eles sempre veem. Todos os jardins são visitados, todos.

AMOR: - No tempo e ritmo certo. Mas...

QUEIJO: - Ih! Começou...

AMOR: - Não implica!

QUEIJO: - Eu não implico com nada, você é que implica. Você é que gosta de um drama!

AMOR: - É que nunca se sabe quando é a visita. Quando o jardim e a borboleta vão começar a voar juntos.

QUEIJO: - Não é possível saber, mas é possível saber que assim é melhor.

AMOR: - Sol, água, fertilizantes, sementes e liberdade. E o tempo rigoroso fica contente e pisco os olhos.

[ ...]

AMOR: - A Globo e a Confederação Olímpica Brasileira afirmaram um acordo para durar décadas. Até 2036, mais ou menos.

QUEIJO: - Quem tem amigos tem tudo. A Confederação Brasileira de Futebol esta em crise política, melhor investir na amizade com a Confederação Olímpica Brasileira. Agora vamos ter mais “entrevistas exclusivas” com atletas. Eu adoro quando eles falavam que um jogador da seleção brasileira de futebol estava dando uma entrevista “exclusiva” a eles. Dava a impressão que houve uma competição entre a Globo e outras emissoras de televisão pela entrevista e que os jornalistas da Globo contaram apenas com o próprio talento para vencer.

AMOR: - Charminho é charminho!

[ ... ]

[ Ah, este autor disse algo inteligente! Acho o que ele escreveu inteligente porque aquilo me parecia antigo, como se eu já conhecesse... Eu e todo mundo. Aquilo era de conhecimento de todos, mas foi esquecido. Aí este autor lembrou e com isso escreveu essa sentença inteligente. Que espertinho! Não parece que ele quer roubar um pedacinho de nossa sabedoria popular? Ele não pode roubar, só porque ele lembrou daquilo que esquecemos.
Por outro lado, se eu fosse esse autor e percebesse esse tipo de sentimento em meus leitores, eu saberia o quanto tive sucesso. ]

AMOR: - É inteligente? É porque consegui lembrar-me de algo bem bem profundo!

QUEIJO: - Já comentamos aqui daquela sua sensação de deja vu diante de uma música nova que você ouvia e que achava particularmente bela.

[ ... ]

[ A multidão não é arrastada exclusivamente pelo troféu do campeão. A multidão também é arrastada pelos ferimentos no corpo de campeão e por toda aquela sujeira de terra em seu uniforme e cabelo. A multidão e nós sabemos que querer vencer também é um troféu. ]

AMOR: - Querer, querer, querer, querer! É difícil saber o que queremos realmente!

QUEIJO: - Entre o medo e a preguiça, entre um valor obscuro de nossos corações e aquela apresentação para os diretores da firma que você vai ter que montar na última hora.

[ ... ]

AMOR: - Vamos ter concurso público em 2016 na cidade.

QUEIJO: - Há! Háháhá! Há! Há! HáHá!! Há!

AMOR: - E os dois estão brigando mais uma vez. É que na festa de Natal, um dos parentes dele se interessou em ver o nosso carro semi novo e ele deliberadamente mostrou um outro carro(!?). Ela ficou magoada, tendo certeza que ele fez isso porque despreza todo o esforço que ela fez para que a gente trocasse de carro, depois de mais de 15 anos com o carro velho. Por que eles se casaram? Ela era a única irmã ainda solteira? Era a única chance de um pele e osso, filho de chaveiro que vira professor e ainda por cima gago?

QUEIJO: - Lembra-se daquele psicólogo que ficou chateado com o seu comentário sobre os funcionários públicos? Ele te disse que os problemas deste casamento não deveriam te incomodar tanto assim e que não é problema seu. E vai estudar para o concurso! Há! Háháhá! Há! Há! HáHá!! Há!

AMOR: - Vai pro inferno!

QUEIJO: - Inferno é quando estamos longe de quem à gente ama e quando não podemos desabrochar. Olha, deve existir algum sindicato de pessoas magras que são gagas e que também são filhas de chaveiro e que depois se tornaram professores. Cuidado com o que diz.

AMOR: - Vou ler as duas gramáticas da época do colégio e os livros de matemática do período. Eu tenho que convencer a mim mesmo que estou estudando para mim, que aquilo é importante para mim. E que não é para o concurso. Só assim para aquela maldita matéria entrar em mim.

QUEIJO: - Mas este tipo de autoengano é impossível. Pelo menos este tipo sim.

AMOR: - Eu sei. Mas vou tentar o seguinte: vou colocar o que eu estou aprendendo para o concurso aqui no blog. Pode ser a maneira de essa porcaria toda soar produtiva.

QUEIJO: - É, mas depois você pensa em como uma prefeitura em dificuldades financeiras pode fazer um concurso público e se o final feliz não vai ser uma algema em uma cidade cujo futuro não parece ser feliz.

AMOR: - Um pequeno agricultor que também é fotógrafo? Meio ferrado isso. Mas o meu futuro esta em aberto. Aberto. E gosto que continue assim.

QUEIJO: - Agora você foi razoável.

[ ... ]

AMOR: - Um segundo antes...

QUEIJO: - Um segundo antes...

AMOR: - Não, não! Menos que isso. Antes disso! Um segundo antes do último segundo!

QUEIJO: - No último instante antes do último instante!

AMOR: - Isso, isso, isso!

QUEIJO: - O que acontece?

AMOR: - A pessoa que cometera suicídio viu tudo que precisava.

QUEIJO: - Tudo que precisava ver antes para não cometer 
suicídio?

AMOR: - Sim, sim! Tudo, tudo! Aquela lucidez inumana, aquela sabedoria que é divina e que ainda sim consegue viver! O julgamento mais importante! A pessoa que cometera suicídio naquele último instante viu tudo, mas foi tarde demais.


[ ... ]

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