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domingo, 31 de janeiro de 2016

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Gif Um



"Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração."
RODA VIVA - Chico Buarque.


31 de Janeiro de 2016

Na quinta-feira passada, 28 de janeiro de 2016, o “Jornal Nacional” repetiu um trecho da sua reportagem sobre o “Caso Triplex” e justamente o trecho mais sensível da mesma: o ex-presidente Lula e sua família, quando estariam indo lá conferir a reforma do imóvel, comportar-se-iam como o pior tipo de rico esnobe: monopolizaram um elevador, não demonstravam respeito e interesse pelos outros vizinhos e etc. Coisa bem nojenta mesmo.
“Jornal Nacional” é o principal telejornal da mais popular rede de televisão do Brasil, a Rede Globo de Televisão, então muita gente viu este erro na edição da reportagem.

No dia seguinte Lula e o Partido dos Trabalhadores enfrentariam não um erro de edição, mas sim a esperteza de um telejornal. O “Jornal da Band”, telejornal da Rede Bandeirantes de Televisão, exibiu uma reportagem sobre o fato de Lula ser o único nome do PT escolhido para concorrer às eleições de 2018, apesar das recentes investigações da justiça.
Embora não tivesse sido citada e nem era mesmo uma personagem da reportagem; no finalzinho a Bandeirantes colocou uma imagem de arquivo em que mostrava um cartaz da eleição de 2014, onde se via Lula, o ex-presidente e Dilma, a atual presidente.
Foi rápido, mas deu para perceber. E deve ter feito alguma diferença, pois não colocariam aquela imagem gratuitamente.

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O tédio me fez vencer duas tentações poderosas esta semana. Assim foi. Assim é como acabei de decidir.
Ocorre que tédio é remédio perigoso.
Qual é mesmo a extensão do preço que pagarei por estas duas vitórias tremendas?

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Nesta segunda-feira, dia 25 de janeiro de 2016, eu vivi um momento muito especial nesta minha carreira de fotógrafo. Fui a um abrigo de animais e tirei fotos que vão ajudar na adoção de cães abandonados.

Franklin, o dono do abrigo e autêntico herói na defesa dos direitos dos animais em Belo Horizonte, gostou da ideia das fotos que tinha sido dada pela Deborah, uma amiga que temos em comum.

O abrigo é muito longe e eu tive que acordar de madrugada por causa dos ônibus que eu tinha que pegar.
Era a primeira vez que eu ia e acabei me perdendo no bairro Pampulha, um bairro vizinho do abrigo. Escapei de um quase assalto e fui salvo do atraso no compromisso pela carona de um carro da UPA. UPA significa “Unidade de Pronto Atendimento”. Pegar carona em uma ambulância genérica (com direito a sentar em estofados cobertos com aquele pano branco de hospital) é uma delícia para um hipocondríaco neurótico como eu. O nome do motorista que acreditou em meu drama era Marcelo. Obrigado, Marcelo.

Eu estava sem desodorante, mas acho que isso acabou ajudando os vira-latas a simpatizarem comigo ao cheirar-me (lembrei-me de um episódio do “C.S.I.” onde um cara morre durante um “safári urbano”. Um dos personagens disse que disfarçar o suor com desodorante é a coisa mais burra a se fazer, pois chama ainda mais a atenção dos animais).

Quando entrei veio aquela onda de cachorros para cima de mim. Acho que consegui disfarçar do Franklin o meu medo inicial. Acho, mas com certeza ele esta acostumado com visitantes que acham que conseguem disfarçar algum desconforto com tanta atenção canina. De qualquer forma, quando ele disse que segurar um rodo ajudaria os cachorros a me verem como alguém de confiança, eu acabei segurando o rodo como se aquilo fosse o cajado de Moisés! Na hora eu me lembrei daquela garota do pijama gigante do YouTube, a Jout jou, e toda hora eu repetia para os cães mais afoitos trecho de um do seus vídeos: oia o cajado! Oia o cajado!

Apesar dos arranhões no braço e de uma camiseta agora imunda, os cachorros se comportaram bem  comigo. Um, o “Veludo”, um cachorro preto gigante, ficou o tempo todo ou cheirando minha bunda ou colocando a cabeça no meio das minhas pernas. Ainda bem que ninguém viu a cena: eu agachado  para pegar o melhor ângulo de uma fotografia, sendo assediado por um cachorro preto gigante chamado “Veludo”. Acho que vou precisar de algumas semanas de terapia para compreender o que os mitos gregos e Freud têm a me dizer quanto à simbologia deste trem. Bom, deixa pra lá.

O serviço foi voluntário e como acontece sempre que o tempo esta nublado, eu me queimei demais. Quase uma semana depois ainda tenho manchas vermelhas de Sol na minha pele. Meus pais têm problemas sérios de pele e eu deveria tomar mais cuidado e não ser tão imbecil nesta área. Bom, mas é aquela coisa: não tenho dinheiro, a glória e os equipamentos dos fotógrafos da “National Geographic” e embora não tenha que correr do Ebola ou pular minas terrestres que sequer vejo, eu também tenho meus humildes sacrifícios.

As fotos ficaram razoáveis (nota 5 em 10, digamos) e a edição que fiz no computador ficou maravilhosa (10 em 10 e ai de quem sorrir com indulgência ao ler isso!). Mas eram tantas fotos que tive bastante trabalho. Só consegui entregar pela internet na sexta. Eram 60 fotos.

Eu assinei as fotos. É meu direito e sempre faço isso. É apenas parte do direito que me cabe ao pertencer, como fotógrafo, à família dos artistas plásticos. Mas isso não é a regra: em jornais, revistas e exposições; você não verá assinaturas nas fotos. Fotógrafos não assinam ou assinam em algumas raras ocasiões, não muito significativas.

Franklin me agradeceu bastante pelas fotos e disse que elas vão ser úteis sim. No mesmo dia ele começou a compartilhá-las no FaceBook. Franklin é bastante popular e as fotos foram bem recebidas, receberam elogios e muitos compartilhamentos. Acho que vou acabar ficando um pouco conhecido. Bom, essa era parte da ideia; mas isso é uma coisa tão estranha a mim que nem penso muito nisso. Claro que na pequena miséria em que estou, profissionalmente falando, a minha resposta seria “sim” a qualquer nova proposta que eu vier a receber por causa disso tudo. E espero receber algumas.

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AMOR: - Eduardo Ramos, um dos apresentadores do “Jornal da Itatiaia”, disse que o jornal é chamado de “petista” e também “tucano”. Ou seja, de serem simpáticos ao partido hegemônico e também de serem simpáticos à oposição!

QUEIJO: - Se faz de vítima para atrair simpatia e ao mesmo tempo insinua que isso só acontece por serem imparciais. Mais um caso de charminho por parte de um órgão da imprensa. Faz parte.

AMOR: - Como alguém pode acusar o “Jornal da Itatiaia” de ser “petista”? Eles entrevistam o Aécio Neves por minutos e minutos naquela vez perto das eleições e no começo do ano (2015. Este texto é antigo) avisaram por semanas que haveria uma daquelas manifestações gigantes contra a Dilma Rousseff. Como alguém consegue ouvir alguma petista neste jornal da Itatiaia?

QUEIJO: - Consegue, mas é claro que consegue. Política é também paixão e depois de quase duas décadas no poder um opositor mais nervoso pode acabar encontrando “petismos” em lugares mais inusitados.

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Um dos perigos dessa arte nova. O excesso, o exuberante é mostrado usando uma máscara atraente e se fazendo passar por remédio para nossa moral. Pobre do público diante dessa arte nova, ele vai ter que fazer uma odisseia longa e difícil até encontrar a sua casa onde ele pode encontrar moderação e tranquilidade.

AMOR: - Nietzsche esta falando da música de Wagner neste aforismo. Não sou especialista em arte contemporânea. Se bem que de vez enquanto eu visito alguma exposição de artistas plásticos modernos...

QUEIJO: - Além dos artistas plásticos tem as músicas para adolescentes, que faz muito tempo que você não acompanha.

AMOR: - É mesmo. Vou assistir um desses programas de videoclipe. Romances modernos e peças de teatro de autores contemporâneos são outras coisas difíceis de acompanhar.

QUEIJO: - Sim, é difícil saber se a arte de 2015 (falei, alguns textos aqui são antigos. Da época que fiquei semanas e semanas sem internet) leva o seu público a ficar preso a excessos. E se este público vai ter que bancar um Ulisses a voltar para Penélope e seu filho.

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Cuidado ao colocar muito de seu espírito em suas palavras escritas. Os adversários ao lerem essas palavras compreendem.

AMOR: - Por outro lado não há muito que fazer quanto a isso, pois cada palavra vai levar mesmo um pedacinho do espírito nosso. Serve como um pedido de cautela aquele aforismo.

QUEIJO: - Não é interessante neste trecho, e em tantos outros, Nietzsche falar em “espírito”?

AMOR: - Sim, mas não é incoerência. Nietzsche queria apenas que o cristianismo gostasse mais de viver e não esquentasse a cabeça tanto com pecado, com culpa, castigo e dor.

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O jovens querem e querem amar. Diante daquilo que o jovem percebe que não pode amar totalmente, ele se coloca então em postura defensiva; como se fosse o último soldado vivo na trincheira e só dependesse dele o resultado da “Batalha de Verdum”.

AMOR: - Professor na sala de aula precisa fazer os alunos se apaixonarem por matemática e geografia... Trabalho duro! Mas ou é isso, ou dezenas e dezenas de alunos preocupados com as provas e não preocupados em crescer internamente.

QUEIJO: - E saber a diferença entre criticar e destruir algo em legítima defesa. Outra coisa que os jovens precisam saber.

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A Grécia Clássica venerava a beleza, mas as suas regras poéticas conseguem abraçar e abençoar um monstro da exuberância como Shakespeare. Um excessivo Shakespeare diante de um justíssimo Sófocles.

AMOR: - Sófocles? Quem é ele? Primeiro Eurípedes!

QUEIJO: - Primeiro Eurípedes!

AMOR: - “Eurípedes, o humano”! Que apelido maravilhoso!

“QUEIJO: - Garrincha, chamado de a “alegria do povo” e Átila, conhecido pelo epíteto de “ a praga de Deus”; nem chegam perto!

AMOR: - Comem poeira! É Eurípedes, Shakespeare e o resto. Mas ainda quero entender aquela peça misteriosa chamada de “Playboy in the Western World”. Li um resumo e continuei sem entender. Mas isso são outras histórias e outras cortinas abrir-se e a fechar-se no futuro.

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Poeta pode matar de tédio o público ao fazer que os corações deles subam uma escada. Isso é um perigo. Mas subir demoradamente uma escada não é a única coisa que a poesia pode fazer para sublimar os sentimentos do público. Uma poetiza ou um poeta podem dar um susto em seu público. Funciona do mesmo jeito que a escada, mas aqui o perigo é fazer o público morrer de medo.

AMOR: - Lidar com o público é sempre delicado.

QUEIJO: - É sempre delicado. E os públicos são muitos. Muitos tipos de público há.

AMOR: - Uai, esta falando como o personagem “Mestre Yoda”?

QUEIJO: - Pode acontecer às vezes.

AMOR: - Nunca fui muito fã da saga “Guerra nas Estrelas”, mas acho que seria interessante ser mais como outros e assistir à estreia do super super último último episódio da saga.

QUEIJO: - Lembra-se de assistir, com ex colegas do colégio, o primeiro “Harry Potter” e de assistir, em um cinema absurdamente lotado, o “Titanic”?

AMOR: - Lembro. Lembro sim. Foi bom. Mais um episódio da minha vida social que eu devia ter continuado.

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domingo, 24 de janeiro de 2016

24 de janeiro de 2016

"Agora... algo completamente diferente."

"Agora... a atração principal."

Quero o "Peanuts Completo".
Não penso no motivo. Não penso na utilidade. Não penso nos custos. Apenas quero
De repente me ocorre que nada pode ser tão inocente quanto o desejo.
Apenas quer. Nada de criação, mas também nada de destruição. 
Desejo é algo inocente. Ou pelo menos inofensivo. Como pode ser diferente se ele só existe olhando para o espelho? Como pode ser diferente se só ele não é destruído?
OBS: Eu não vou comprar os livrinhos. rs. Estou numa fase bem diferente agora.

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AMOR: - Vamos ao cinema assistir a um filme brasileiro!

QUEIJO: - Filme brasileiro é pobreza, sexo e ator da Rede Globo de Televisão. Não vou pagar por isso.

AMOR: - Cinema brasileiro não é isso. Você não conhece o cinema brasileiro.

QUEIJO: - E onde nós podemos conhecer o cinema brasileiro no Brasil?

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QUEIJO: - O Capitão Nascimento dos filmes da série “Tropa de Elite” é o verdadeiro herói do Brasil!

AMOR: - Porque ele não pode nem pendurar o uniforme no varal para não atrair os bandidos e porque ele perdeu a própria mulher para um professor de esquerda?

QUEIJO: - Era eu que dizia os comentários malvados.

AMOR: - É, mas desta vez eu decidi inverter a ordem.

QUEIJO: - É você quem manda.

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AMOR: - Quanto tempo o povo judeu esperou para poder voltar à Palestina?

QUEIJO: - Muito, muito, muito tempo.

AMOR: - Mas eles conseguiram?

QUEIJO: - Sim, eles conseguiram voltar ao seu lar.

AMOR: - Quanto tempo os árabes que fugiram depois de 1948 estão esperando a hora de voltar também?

QUEIJO: - Menos tempo.

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Não havia naquela casa uma pessoa morta sendo velada na sala todo dia, mas parecia. Não havia uma neblina também a cobrir qualquer coisa alegre ou qualquer êxito obtido. Uma neblina cinza, por ser negra de fim triste e branca por falta de motivo.
Mas também parecia que havia.

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AMOR: - “A informação é do jornal “Estado de Minas””, ouvimos no “Jornal da Itatiaia” (*), da Radio Itatiaia. É a Itatiaia ajudando o “Estado de Minas”, que perde leitores e não esta conseguindo pagar o salário dos seus repórteres.

QUEIJO: - Sim, é a primeira vez que ouvimos o nome deste jornal na Itatiaia. Nessas horas os grandes acabam se ajudando. Embora com algo heterogeneidade, a grande imprensa é um bloco bem uniforme com seus amigos e inimigos.

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AMOR: - É legal prestar atenção nos casos quando a grande imprensa protege alguém.

QUEIJO: - O caso do treinador de vôlei Bernadinho e o juiz Sérgio Moro. Nos três, quem sabe até nos cinco primeiros meses da operação “Lava-Jato”, não eram exibidas imagens atualizadas do juiz Sérgio Moro. Seu nome era mencionado três vezes por dia, diariamente nos telejornais, mas as televisões só exibiam poucos segundos de imagens antigas e sempre as mesmas.

AMOR: - No caso do “Jornal da Band”, da Rede Bandeirantes de Televisão, era realmente explícito. A insinuação clara é que o juiz Sérgio Moro ia salvar o povo brasileiro, mas quem era este homem não passava de um detalhe que aparentemente era irrelevante a nós, o povo.

QUEIJO: - O povo não precisa saber dessas coisas. O povo brasileiro dorme monarquista e acorda na república, sempre. Mas isso mudou, agora pelo menos temos o juiz Sérgio Moro várias vezes em capa de revistas. Ele esta exposto, mas pelo menos esta claro. Revistinha em quadrinhos tem hora.

AMOR: - O historiador Marco Antônio Villa, comentarista do “Jornal da Cultura” da TV Cultura, sente pelo juiz Sérgio Moro o mesmo que o Luciano do Valle, comentarista esportivo importante, sentia pelo ex-goleiro Marcos, do Palmeiras?

QUEIJO: - Vamos falar do treinador premiado da também premiada seleção masculina de vôlei, o Bernadinho.

AMOR: - Quatro, cinco derrotas consecutivas! Algo inacreditável! Eles ganhavam tudo, tudo! E nada de entrevista do treinador Bernadinho se explicando nos telejornais! Nada, nada! Esse caso também foi ótimo.

QUEIJO: - Na reta final da eleição para o governo de Minas Gerais, o Pimentel não foi muito presente em debates.

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AMOR: - Não sei qual é a idade média deles, mas imagino que deva ser próximo da minha. Jovens adultos, eu acho. Difícil saber. Bom, o que importa é que a moda entre essa nova direita é ficar fotografando socialistas e comunistas comendo em lanchonetes e restaurantes sofisticados, no Brasil e no exterior, e depois ficar reclamando que isso é uma postura hipócrita, uma postura mentirosa.

QUEIJO: - Achava que esse moralismo ferrado fosse coisa do pior da esquerda. “Não pode fazer isso, não pode fazer aquilo seus burgueses pequenos!” E com o custo de vida alto no Brasil, é interessante perguntar o que se entende por lanchonete ou restaurante “sofisticado”.

AMOR: - Dois kibes pequenos e um suco Vale ficaram em 9 e uns quebrados. Quase dez reais! Aquela padaria nova, perto da igreja, sabe?

QUEIJO: - Kibes pequenos? Kibes pequenos para você, que tem um “Alien Oitavo Passageiro” na barriga. Aqui...

AMOR: - Fala.

QUEIJO: - Tem “comunista” e “socialista” no nome do partido e tal, e isso quer dizer que os membros são comunistas e socialistas?

AMOR: - É o que se supõe. E a direita reclama se um deles usa Iphone. Isso também não pode.

QUEIJO: - Porque é muito capitalista usar Iphone?

AMOR: - É muito capitalista usar Iphone. Se você faz parte de um grupo que tem “comunista” e “socialista” no nome, se espera que você viva meio pelado no meio de nativos do Kalahari. Mas acho que os nativos do Kalahari estão “fora” do que se entende por “liberalismo” e “socialismo” quanto á hierarquia e organização social.

QUEIJO: - E são páginas anônimas e que não dizem que partidos apoiam.

AMOR: - Em cima do muro e muito acima de nós!

QUEIJO: - Covardes não se expõem e não podem estar acima de nós. Se não querem a responsabilidade de defender a liberdade e a justiça, então basta não defender a justiça e a liberdade.

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AMOR: - O Ministério Público acabou de descobrir que não é bem assim, a Samarco/ Vale/ BHP não tem toooooodos os documentos para que as barragens possam funcionar e tal. O desfile de rabos presos entre os departamentos do poder público é enorme. E dá-lhe: “Mas eu autorizei porque eles tinham autorizado...” Brasil é um país de Pôncio Pilatos, embora tenhamos vencido a epidemia de cólera há menos de 30 anos. Lavamos as mãos, mais ou menos lavamos as mãos.

QUEIJO: - Minas Gerais esta sofrendo com a falta de água e a diretoria anterior da Copasa esta livre, leve e solta. Nós sabemos o que fazer com frases de efeitos para imprensa ditas por promotores encantados do Ministério Público.

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AMOR: - Informações sigilosas das investigações da Polícia Federal na operação “Lava-Jato” continuam aparecendo na imprensa, como água em enxurrada. Enquanto isso a gente faz piadinhas engraçadinhas com aquele “japonês da Federal”.

QUEM: - Quem?

AMOR: - Aquele policial federal, baixinho e meio grisalho e que sempre esta de óculos. Ele é aquele que sempre aparece na TV, quando vemos alguém sendo levado para depor. É engraçado e comentários sobre isso são populares na internet. O rosto dele vai ser uma das máscaras do carnaval deste ano de 2016.

QUEIJO: - Esforço de reportagem para revelar segredos importantes é uma coisa, esses vazamentos aí são completamente diferentes. Vai continuar fazendo piadinha com o “japonês da Federal”. Os poderosos agradecem, enquanto o povão ri e continua doente como estava ontem.

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AMOR: - O “Jornal da Band”, da Rede Bandeirantes de Televisão, terminou uma reportagem sobre um promotor de justiça que diz ter provas contra o ex-presidente Lula, no dia 23 de janeiro, exibindo toda a fachada do Hospital Sírio Libanês. O que a fachada do Hospital Sírio Libanês tem haver com as relações medonhas de Lula com empreiteiras?

QUEIJO: - Quantas pessoas podem ser internadas no Hospital Sírio Libanês? E é uma fachada muito bonita, é elegante terminar uma reportagem com essas imagens.

AMOR: - Eles contaram porque o ex-presidente Lula foi ao hospital?

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* Não anotei o dia, mas foi entre 19 de janeiro e 24 de janeiro. Tenho quase certeza que foi mesmo dia 19 de janeiro.
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Duas notas de 22 de janeiro de 2016

Sarzedo, cidade de Minas Gerais, agora virou lixeira de material tóxico produzido em São Paulo.
É, povo mineiro! Produzia Tiradentes e hoje produz o quê?

Resisti a tentação e deixei de comprar um monte de livros hoje. Mais um pequeno milagre.
Acho que estou melhorando? rs rs


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

19 de janeiro de 2016

É, parece mesmo que protesto no meio da semana é só por meio de imagens de helicóptero. A grande imprensa continua com medo das ruas. A polícia agradece, pois evita problemas como ter seus erros apontados mais facilmente; mas a liberdade não.

Pernilongos geneticamente modificados estão sendo liberados para combater o pernilongo Aedes aegypti. E ontem assisti "A Noite dos Mortos Vivos" (Night of the Living Dead, 1990, Tom Savini). 
É. 

É triste quando uma pessoa famosa morre. Um grande artista, um político importante, um especialista muito respeitado e tal. A "família" ali no caso, é enooooorme! Por outro lado, não consigo deixar de achar maravilhoso aquelas retrospectivas que são feitas sobre a vida e a obra da pessoa: as imagens riscadas pela idade, as entrevistas com elogios, especialistas enumerando as marcas que a pessoa deixou, depoimento de pessoas simples testemunhando o quanto imortal a referida pessoa já se tornou... Ah! É bonito demais. 
Não deve florescer melancolia quando o desaparecimento de mulheres e homens célebres nos fazem pensar sobre a nossa própria obra. Amor, atenção e trabalho; e com isso vamos também deixar a nossa marca neste grande teatro.

Eu também sempre estava ali, mas estava perdido. Mais perdido. Perdido sempre estou, mas mais perdido naquela época.
Nada disso importa, só faz o caminho ser mais bonito.
Achada por acaso, a lista de sugestões musicais foi ressuscitada hoje. 
Músicas bem diferentes da que estou acostumado. Não é exatamente minha praia, mas qual é a minha praia? Eu não paro, não sei, não vejo fronteiras naturais. Continuo e só continuo. Sorrio e continuo. Algumas me surpreendo gostando bastante.
Nem as ouço inteiro, eu pego de uma vez só todas as músicas. As devoro, as quero todas
As músicas já estão prontas. Eu nem tanto. 

- Estamos dançando? 
- Não, estamos com um pé atrás.
- Parece que estamos dançando.
- Não estamos dançando, já fale! Estamos com um pé atrás.
- Tem que ser sempre este mesmo pé?
- Claro que não.
- Então porque não alterna entre os dois pés e aí a gente dança de uma vez?

- Olhe bem atentamente. O que esta vendo? 
- Uma bola de tênis de mesa pintada de ver...
- Um nariz de palhaço! Um nariz de palhaço! Marmota!
- Ei, ei! Eu vim pra ser ajudado, não pra ser ofendido!
- Ok... Tá... Aqui, olhe. Só olhe, não toque e nem se aproxime. Tira a mão! Falei, não falei? 
- Disculpa...
- Marmota...
- Tá e que que tem? Qual é a do nariz de palhaço?
- Enfim perguntou. Bom, ele esta ali...
- Ele esta ali...
- E ali ele vai ficar...
- Vai ficar, ali ele vai ficar... Só ficar? 
- Só ficar.
- Num mexe?
- Num mexe e nem mexe! Só fica ali. Só fica ali.
- E qual é o segredo? O grande?
- É este: ele só pula e fica na sua cara sob uma condição.
- Hum, hum. Na minha cara?
- Na sua cara, bem na sua cara. O nariz de palhaço. 
- Mas o que tenho que fazer para que ele não me ataque?
- O que não fazer!
- Como?
- O nariz de palhaço só vai atacar você e ficar na sua cara se você tiver medo dele. 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

18 de janeiro de 2016

QUEIJO: - Como estamos hoje?

AMOR: - Leves, soltos, felizes, ternos como um ursinho carinhoso! Até merecedores de alguma dádiva divina!

QUEIJO: - O que foi aquilo ontem?

AMOR: - Uma faca descendo o peito enquanto corta-o. Um vômito, um grito, uma explosão e um olhar fixo.

QUEIJO: - O que?

AMOR: - Nada demais. Uma brisa quente que passou por dentro de mim.

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Não posso perder de vista meus dois diabinhos: o egoísmo e a raiva. Os dois são poderosos em mim.

O egoísmo quer que o mundo me compense, mas o mundo é indiferente e não há compensação que satisfaça o orgulho que acha sempre que foi ferido.

A raiva é poderosa por ser indefinida, por ser apoiar no desejo tantos anos frustrado e pela consciência que o troféu que a sociedade me oferece não foi feito para mim.

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Não é bonito e incrível que o anjo aqui tenha raiva? Que esta criança consiga (consiga!) ter raiva? Pelo menos isso, não? Pelo menos isso!

QUEIJO: - Nada de bonito em ter raiva. Nada de orgulho nisso.

AMOR: - Mas é autêntico, é meu e é viril e másculo!

QUEIJO: - Viril e másculo é um braço cheio de músculos segurando o volante de um carro cheio de gostosas!

AMOR: - Eu tenho alguma coisa!

QUEIJO: - Você tem “talvez”, você tem inveja, você tem dentes rangendo, você tem olhos fixos na parede, você tem sede, você tem espinhos, você tem nada!

AMOR: - Eu respiro, eu tenho tudo!

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Veja o suicídio. No enterro todos apontariam para o meu caixão e aí seria um festival de “eu sabia”, “era óbvio que isso acabaria acontecendo”, “eu bem que desconfiava”, “e lá era possível outro fim? Convenhamos!”, “olhe, ninguém pode dizer que foi pego de surpresa, todo mundo, todo mundo sabia que era isso que acabaria acontecendo”.
Com uma chuva maldita dessas sobre mim, eu acabaria morrendo de novo! (risos) Não, isso não.

QUEIJO: - Aqui tenho que concordar com você, é isso que eles diriam mesmo. Mas orgulho não é um bom motivo para não se matar.

AMOR: - Tem a curiosidade também e essa minha fé, igual a uma pequena flor de capim.

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 “... sem pódio de chegada e beijo de namorada ...”
Grande Cazuza! Outro momento dessa grande canção que gosto é quando ouvimos sobre a “metralhadora cheia de mágoas”.
Estão gostando da minha metralhadora?

QUEIJO: - Mas essa foi péssima e péssima com força!

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- Choro de perdedor. Apenas choro de perdedor. Todo mundo é adequado e satisfeito, só você é diferente. Como não consegue seguir as regras, só é capaz de desdenhar as uvas.
- Será que consigo enfiar um cacho de uva inteiro  no seu nariz e acabar com esse seu sorriso superior?

- Você precisa de tratamento. De sentar em um divã e tomar remédio. Um médico de cabeça precisa ouvir você.
- Se explicar demais é quase como pedir desculpas por existir. Eu não vou pedir desculpas por existir. É tudo que tenho a dizer quanto a isso.

QUEIJO: - É tudo que temos a dizer quanto a isso.
AMOR: - É tudo que eu tenho a dizer quanto a isso.

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“E viva a dialética! Quanto mais as palavras e as imagens aqui ficam agressivas, mais o autor condena-se em um romantismo antigo e ultrapassado. Algumas virtudes chamam a atenção, como o modo que concilia o barroco e o impressionismo. Mas a verdade é que os defeitos são mais excitantes que as suas virtudes cavalheirescas excêntricas.. Tem como ser mais carente e sedento de ternura? Tem como ser mais explícito em um pedido de um ombro?” (Cahiers du Cinéma, 1988, 1991).

QUEIJO: - Não basta ser um trecho mentiroso de um artigo mentiroso, você me inventa de escrever que é de 1989 e 1991 ao mesmo tempo?!

AMOR: - Yep! Yep! Siiiiiimm!

QUEIJO: - E por que 1988 e 1991?

AMOR: - Cinema Paradiso (Cinema Paradiso, 1988, Giuseppe Tornatore) e O Pescador de Ilusões (The Fisher King, 1991, Terry Gilliam).

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17 de janeiro de 2016 (2)

No meio do deserto e das trevas.
Aí você ouve a introdução instrumental de "Guantanamera", na versão de The Sandpipers, e sorri. Sorri novamente.  
A música sempre me salva! Sempre!
Mas da uma certa aflição toda essa mutação, toda essa arbitrariedade.
Deixe eu olhar a letra da canção, pois eu não a conheço.
É, a letra é mais bonita e profunda que eu supunha.

Tiro a camisa e me olho no espelho. Não fico olhando muito para meu corpo, não consigo. Vou direto para os olhos. 
- Oi, monstro. 
- Oi.
- Não chore, respire!
- O que? 
- Respire, apenas respire fundo, respire forte!
- Mas que porra de conselho é este? 





domingo, 17 de janeiro de 2016

17 de janeiro de 2016

Duas sextas-feiras a noite. Eu fui, eu consegui. Pela primeira vez em toda a minha vida.
Fiz por mim, em primeiro lugar. Eu sei que é assim o correto.
"O jardim sem grades esperando o passarinho do amor pousar, para o dois voarem juntos livres e  blá blá blá..."

O problema vai ser conter meus dois diabinhos, meus dois espinhos na carne.
O egoísmo e a raiva.
Eles são poderosos em mim. 

No que acredito?
No amor em toda a sua glória e poder que a tudo e a todos atinge e muda?
Ou no quadril e nas coxas da Billie Piper flexionando sobre o Josh, em Penny Dreadful?
O que sempre esteve mais perto de mim?

"Cadê as minhas asas de anjo amaldiçoado?", é o que a minha raiva pergunta. 
"Típico choro de perdedor com inveja", poderia ser a resposta e a conclusão: "a culpa é toda sua". 

Ah, a raiva! Eu tenho muita raiva. 
Mas a solução não esta em abrir a lista telefônica e pedir por socorro. 

Ah, a raiva! Eu tenho muita raiva.
Vontade de estragar tudo, porque a vitória não seria minha e nem a derrota seria minha. Seria?
O que é meu neste mundo? Apenas estas tempestades internas tão mal traduzidas por palavras? 

Um estrangeiro lento a viajar e viajar.

Apesar de tudo... Esses dois milagres na sexta me dão algum motivo para sorrir.

Até que estou bem. 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

15 de janeiro de 2016

AMOR: - Em menos de um mês dois casos de violência praticados pela Polícia Militar de Minas Gerais. Agressão a um homem detido e a tortura a jovens negros, forçados a sujar a suas próprias roupas como forma de violência psicológica.

QUEIJO: - A população tem medo e não respeito, eles não tem equipamento para trabalhar direito e a sua formação psicológica deixa a desejar. No momento que você tem uma arma na cintura é meio difícil evitar se achar poderosos demais.

AMOR: - Uma coisa que espanta foi a falta de repercussão que os dois casos de violência tiveram em todo o Brasil. Mesmo as duas imagens sendo chocantes, os dois casos não tornaram-se casos nacionais.

QUEIJO: - Minas Gerais é Aécio Neves e por isso tem que parecer em ordem, ou seja: não virar notícia na maioria das vezes ou nas pouquíssimas vezes em que aparecer, a coisa tem que ser boa. Mas isso é 40%. O principal motivo é que a importância de Minas Gerais, no geral, é mínimo no cenário nacional.

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AMOR: - Qual a diferença entre uma pessoa asmática que pratica o pentatlo nas Olimpíadas e o romantismo? 

QUEIJO: - Boa pergunta.

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

14 de janeiro de 2016

QUEIJO: - O que é isso aí?

AMOR: - Isso o quê?

QUEIJO: - Isso aí sobre a sua cabeça. Não esta vendo? Você é cego?

AMOR: - Não estou vendo nada.

QUEIJO: - Então esta vendo tudo. Você é mesmo cego. Tem uma nuvem negra sobre a sua cabeça. Vento forte e frio, trovões e relâmpagos. O maior caçador de cismas do mundo esta em ação, novamente. Você esta cismado.

AMOR: - Estou cismado mesmo!

QUEIJO: - Da para você viver aquilo que você acredita? Sentir fundo aquilo que sabe? Senão são apenas palavras cuspidas para arrancar aplausos de gente que para nós não são gente. Senão as experiências vividas ficam iguais e iguais a zero.

AMOR: - É passarinho, é borboleta...

QUEIJO: - É, é isso mesmo. É passarinho, é borboleta.

AMOR: - Um jardim, um jardim sem grades.

QUEIJO: - A única obrigação é ser um jardim florido. Apenas um jardim florido.

AMOR: - Aí as borboletas e pássaros podem vir...

QUEIJO: - Eles sempre veem. Todos os jardins são visitados, todos.

AMOR: - No tempo e ritmo certo. Mas...

QUEIJO: - Ih! Começou...

AMOR: - Não implica!

QUEIJO: - Eu não implico com nada, você é que implica. Você é que gosta de um drama!

AMOR: - É que nunca se sabe quando é a visita. Quando o jardim e a borboleta vão começar a voar juntos.

QUEIJO: - Não é possível saber, mas é possível saber que assim é melhor.

AMOR: - Sol, água, fertilizantes, sementes e liberdade. E o tempo rigoroso fica contente e pisco os olhos.

[ ...]

AMOR: - A Globo e a Confederação Olímpica Brasileira afirmaram um acordo para durar décadas. Até 2036, mais ou menos.

QUEIJO: - Quem tem amigos tem tudo. A Confederação Brasileira de Futebol esta em crise política, melhor investir na amizade com a Confederação Olímpica Brasileira. Agora vamos ter mais “entrevistas exclusivas” com atletas. Eu adoro quando eles falavam que um jogador da seleção brasileira de futebol estava dando uma entrevista “exclusiva” a eles. Dava a impressão que houve uma competição entre a Globo e outras emissoras de televisão pela entrevista e que os jornalistas da Globo contaram apenas com o próprio talento para vencer.

AMOR: - Charminho é charminho!

[ ... ]

[ Ah, este autor disse algo inteligente! Acho o que ele escreveu inteligente porque aquilo me parecia antigo, como se eu já conhecesse... Eu e todo mundo. Aquilo era de conhecimento de todos, mas foi esquecido. Aí este autor lembrou e com isso escreveu essa sentença inteligente. Que espertinho! Não parece que ele quer roubar um pedacinho de nossa sabedoria popular? Ele não pode roubar, só porque ele lembrou daquilo que esquecemos.
Por outro lado, se eu fosse esse autor e percebesse esse tipo de sentimento em meus leitores, eu saberia o quanto tive sucesso. ]

AMOR: - É inteligente? É porque consegui lembrar-me de algo bem bem profundo!

QUEIJO: - Já comentamos aqui daquela sua sensação de deja vu diante de uma música nova que você ouvia e que achava particularmente bela.

[ ... ]

[ A multidão não é arrastada exclusivamente pelo troféu do campeão. A multidão também é arrastada pelos ferimentos no corpo de campeão e por toda aquela sujeira de terra em seu uniforme e cabelo. A multidão e nós sabemos que querer vencer também é um troféu. ]

AMOR: - Querer, querer, querer, querer! É difícil saber o que queremos realmente!

QUEIJO: - Entre o medo e a preguiça, entre um valor obscuro de nossos corações e aquela apresentação para os diretores da firma que você vai ter que montar na última hora.

[ ... ]

AMOR: - Vamos ter concurso público em 2016 na cidade.

QUEIJO: - Há! Háháhá! Há! Há! HáHá!! Há!

AMOR: - E os dois estão brigando mais uma vez. É que na festa de Natal, um dos parentes dele se interessou em ver o nosso carro semi novo e ele deliberadamente mostrou um outro carro(!?). Ela ficou magoada, tendo certeza que ele fez isso porque despreza todo o esforço que ela fez para que a gente trocasse de carro, depois de mais de 15 anos com o carro velho. Por que eles se casaram? Ela era a única irmã ainda solteira? Era a única chance de um pele e osso, filho de chaveiro que vira professor e ainda por cima gago?

QUEIJO: - Lembra-se daquele psicólogo que ficou chateado com o seu comentário sobre os funcionários públicos? Ele te disse que os problemas deste casamento não deveriam te incomodar tanto assim e que não é problema seu. E vai estudar para o concurso! Há! Háháhá! Há! Há! HáHá!! Há!

AMOR: - Vai pro inferno!

QUEIJO: - Inferno é quando estamos longe de quem à gente ama e quando não podemos desabrochar. Olha, deve existir algum sindicato de pessoas magras que são gagas e que também são filhas de chaveiro e que depois se tornaram professores. Cuidado com o que diz.

AMOR: - Vou ler as duas gramáticas da época do colégio e os livros de matemática do período. Eu tenho que convencer a mim mesmo que estou estudando para mim, que aquilo é importante para mim. E que não é para o concurso. Só assim para aquela maldita matéria entrar em mim.

QUEIJO: - Mas este tipo de autoengano é impossível. Pelo menos este tipo sim.

AMOR: - Eu sei. Mas vou tentar o seguinte: vou colocar o que eu estou aprendendo para o concurso aqui no blog. Pode ser a maneira de essa porcaria toda soar produtiva.

QUEIJO: - É, mas depois você pensa em como uma prefeitura em dificuldades financeiras pode fazer um concurso público e se o final feliz não vai ser uma algema em uma cidade cujo futuro não parece ser feliz.

AMOR: - Um pequeno agricultor que também é fotógrafo? Meio ferrado isso. Mas o meu futuro esta em aberto. Aberto. E gosto que continue assim.

QUEIJO: - Agora você foi razoável.

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AMOR: - Um segundo antes...

QUEIJO: - Um segundo antes...

AMOR: - Não, não! Menos que isso. Antes disso! Um segundo antes do último segundo!

QUEIJO: - No último instante antes do último instante!

AMOR: - Isso, isso, isso!

QUEIJO: - O que acontece?

AMOR: - A pessoa que cometera suicídio viu tudo que precisava.

QUEIJO: - Tudo que precisava ver antes para não cometer 
suicídio?

AMOR: - Sim, sim! Tudo, tudo! Aquela lucidez inumana, aquela sabedoria que é divina e que ainda sim consegue viver! O julgamento mais importante! A pessoa que cometera suicídio naquele último instante viu tudo, mas foi tarde demais.


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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

13 de janeiro de 2016

Bob Geldof curtil uma publicação minha no FaceBook.

Citaram Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil e também conhecido como "Príncipe da Sorbonne", em um caso bizonho durante investigação da Polícia Federal. Coisa feia mesmo. Agora citam o Lula, também ex-presidente, mas num contexto diferente, mas também bizonho.
A impressão é mesmo que estamos sem saída. 

Protesto contra o aumento de passagem do transporte público em São Paulo, capital do estado mesmo nome e uma das principais cidades da América Latina. O protesto foi grande e como foi no meio do dia e em plena semana, causou um bom congestionamento. Houve violência e chamou a atenção a agressividade da polícia militar de São Paulo. Especificamente o "recorde" de bombas de efeitos moral, gás lacrimogênio e tal. Parece até que houve carro blindado importado de Israel! Israel, uau! Houve muitos manifestantes feridos gravemente e até jornalistas foram atingidos. 
Nessas horas é atraente para mim acompanhar os formadores de opinião da grande imprensa: a ambiguidade repulsiva deles, entre defender o direito do povo de clamar por melhores condições de vida e aquela vontade louca de pedir para que as pessoas pobres fiquem caladas e obedientes. Os corações deles pedem: "manifestações domingo de manhã, antes do almoço especial em família com CocaCola, por favor! Por favor!"
Que coisa tosca para o jornalismo, que precisa tanto de liberdade e criatividade! 

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

12 de janeiro de 2016

AaaaaaHHHH!!!!
Sono. O resto da redação para a radio eu faço amanhã, durante o programa. 
O programa não vai ser especial sobre o David Bowie, recentemente falecido e que é o autor que mais toquei na radio. Vou tentar fazer alguma coisa especial e que não comecei, pois nem sei exatamente o que pode ser. Então não vai ser amanhã, pois preciso de tempo.
Tempo, tempo, tempo...
Escrever alguma coisa, antes da segunda parte desta postagem. A segunda parte desta postagem eu escrevi ainda em dezembro de 2015. Esta primeira parte, aqui, eu estou escrevendo agora. Queria escrever algo melhor, mas como podem ver, nada brilhante esta nascendo aqui. rs Vai o texto assim mesmo. 
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AMOR: - Dormi mal, acho que por isso estou hoje tendo uma visão de mundo cansada e melancólica. Esta difícil sorrir e fazer algo.

QUEIJO: - Materialismo também pode ser impotente. Durma melhor da próxima vez. Um motivo realmente válido.

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AMOR: - Estava marcado para hoje manifestações contra o governo Dilma.

QUEIJO: - Domingo de manhã é hora adequada para gente de bem fazer manifestações.

AMOR: - Por quê?

QUEIJO: - Não temos problemas com ambulâncias paradas em um congestionamento. Ninguém fica doente em um domingo de manhã.

AMOR: - É legítimo fazer um protesto domingo de manhã pedindo impeachment da Dilma Rousseff?

QUEIJO: - Sem dúvida. Domingo de manhã é melhor do que protestar contra o aumento do preço do transporte publico, em um dia útil da semana à noite. Como aconteceu há uns meses atrás em Belo Horizonte. Não lembra o que aquele sargento da Polícia Militar perguntou aos estudantes que protestavam? Lembra o que ele perguntou no saguão do hotel aos estudantes?

AMOR: - Ah, as filmagens por celular!

QUEIJO: - Ah, as filmagens por celular!

AMOR: - Gente de bem trabalha toda a semana e no domingo de manhã pode protestar.

QUEIJO: - E ainda da tempo de voltar para casa, preparar o almoço e lavar o carro.

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AMOR: - Vou procurar informações sobre o caso envolvendo o Reinaldo Azevedo, blogueiro da Revista Veja, e o Portal Imprensa.

QUEIJO: - Isso foi no começo de 2015! Nem lembro direito.

AMOR: - Reinaldo Azevedo foi para uma manifestação contra o governo Dilma Rousseff de metrô, quando foi reconhecido por uma fotógrafa. Ela era de esquerda e não concordava com as posições políticas dele, mais próximas da direita. Aí ela começou a discutir política com ele enquanto bancava a paparazzi.

QUEIJO: - Coisa meio infantil por parte dela, convenhamos. Vai discutir política nessas condições?

AMOR: - A coisa ficou meio brava entre os dois e o caso ficou popular na internet. Na hora parece que envolveu até a segurança do metrô! Em seu blog, Reinaldo Azevedo reclamou dizendo que se sentiu agredido em sua privacidade e que pensava entrar na justiça contra a fotógrafa.

QUEIJO: - Que coisa mais boba tudo isso. Se não fosse por um detalhe...

AMOR: - Reinaldo Azevedo reclamou que o Portal Imprensa, que trata dos bastidores da imprensa brasileira, tenha dado espaço a este assunto. Logo em seguida o Portal da Imprensa tirou a matéria do ar.

QUEIJO: - Mesmo que sua privacidade tenha sido invadida, a coisa também pegava mal para ele: um dos formadores de opinião mais poderosos do país ...

AMOR: - Quem adorava escrever que tinha o blog mais lido e mais influente do Brasil? O primeiro ser humano a ler a constituição de Honduras, naquela crise constitucional pela qual viveu aquele país! Ah, eu não me esqueço dessa história!

QUEIJO: - O Reinaldo Azevedo é lido por milhões, mas não pode ser fotografado como uma figura pública qualquer. Poderoso ou não, ele não é uma estrela de Hollywood que quer ir à padaria em paz comprar pão e é incomodado por uma pessoa que é sem noção e esta munida de uma máquina fotográfica. Ele é apenas um jornalista.

AMOR: - No FaceBook eu perguntei porque o Portal Imprensa cedeu e tirou a matéria do ar. Mas não me responderam. Eu até fiz o print screem. O endereço da url era a mesma da matéria sobre o Reinaldo Azevedo e a fotógrafa paparazzi comunista, mas a matéria foi substituída por outra, sobre um telejornal que usava o decote sensual de uma apresentadora. Isso lá nas Europa da vida!

QUEIJO: - Para um decote sensual não de ter feito você distrair-se é porque esse caso do Reinaldo Azevedo e do Portal Imprensa realmente chamou a sua atenção.

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AMOR: - Eu fico falando de garotas, sexo, amor e tal, mas veja o meu caso com aquele que é meu filósofo favorito – Nietzsche -, já era para eu ter lido toda sua obra e hoje estar relendo-a. Conheço meu bigodudo alemão desde 1999, poxa vida! Eu realmente não sei gostar, não sei amar. Falta-me disciplina afetiva!

QUEIJO: - Nietzsche é mesmo um filósofo difícil de ler e, assim como em outros casos, você fez planos de estudo e organização complexos demais para você e que acabaram te atrasando meses e meses. Falta-te uma humildade prática que te ajude.

 AMOR: - Acreditar no possível e no simples é meio difícil quando se cresce ouvindo...

QUEIJO: - Não vai fazer drama. Tirando meia dúzia de particularidades irrelevantes, a sua família é tão ferrada, traumatizada e traumatizante quanto qualquer outra. E você os ama. E se você sabe escrever e se você não tem medo das palavras, diferente daqueles que sofrem por causa de uma porcaria de redação, boa parte disso é culpa da falta de “diplomacia” que os seus familiares sempre tiveram ao falar com você. Embora não fosse culpa deles que você pensasse tanto e sentisse tanto. Embora não fosse culpa deles que você guardasse tanto. E que você fosse solitário demais para ter outros para contrabalançar a opinião deles sobre você. 

AMOR: - Como eles falavam mal, eu escrevo bem.

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