Voltaire ajuda

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

2 de dezembro de 2015

QUEIJO: - Tão firme quanto educado foi o puxão de orelha que você recebeu ontem. Ainda bem que você agradeceu, pois foi sinal de distinção merecer uma resposta assim. Mas aqui...

AMOR: - Sim?

QUEIJO: - Compartilhar aquele tipo de vídeo no FaceBook? Não é o tipo de coisa que você costuma compartilhar, nem mesmo curtir.

AMOR: - Queria provocar mesmo. Estava achando que o feminismo estava “cantando de galo” por tempo demais no Face e quis dar uma equilibrada no trem.

QUEIJO: - Não existe isso de “equilíbrio”, existe apenas o movimento. E o feminismo vai “cantar de galo” agora e para sempre. 

AMOR: - Receio que o poder possa sujar o coração das mulheres como suja os dos homens.

QUEIJO: - Isso já acontece aqui e ali, é algo que se trata e previne. Mas não é motivo para o repouso. Nem que se desejasse.

[ ... ]

QUEIJO: - Parabéns por ter imprimido os seus cartões de fotógrafo. Você esta 7 anos atrasado, mas parabéns mesmo assim.

AMOR: - Ficou pequeno e o slogan (“Todo mundo gosta de uma fotografia. Então deixe a fotografia ajudar você.”) é cafona. E as cores, - amarelo e azul -, faz parecer que eu trabalho para os correios e torço pelo Boca Junior.

QUEIJO: - Pare com o drama e trate de espalhar esse cartão pela cidade. Você tem que se preocupar é com o seu celular que só da sinal duas vezes por dia.

AMOR: - Lá na gráfica em Belo Horizonte, enquanto esperava para ser atendido, eu pude ler alguns exemplares da revista “Veja”. Era uma boa oportunidade, fazia meses que não lia a revista.

QUEIJO: - Sim e era melhor do que ler na biblioteca de Rio Acima. Sempre tem crianças saindo das escolas e que ficam fazendo pesquisas lá e elas podiam  ver você lendo a revista “Veja”. Por Júpiter, nunca esquecer que exemplo é tudo!   

AMOR: - E eles devem ter sentido mesmo o golpe: e em uma das matérias sobre os atentados terroristas em Paris, no dia 13 de novembro, eles explicaram porque deram mais atenção a Paris do que sobre a tragédia ambiental sem precedente que aconteceu em Mariana, no Brasil.

QUEIJO: - Escreveram o quê?

AMOR: - Não pediram desculpas e disseram que o que aconteceu em Paris foi mais importante.

QUEIJO: - É sempre bom pedir desculpas quando a gente erra, alivia o coração nosso e mostra que importamos com o outro. Mas de acordo com o papel político que você escolhe exibir aos outros, pedir desculpas significa fraqueza.

AMOR: - Lembrei, quando na casa de uma tia paterna no Natal, li a edição da "Veja" de fim de ano para 2005. Nas páginas de obituário, eles escolheram dar mais destaque para a morte da atriz estadunidense Anne Bancroft, do que para a cantora Emilinha Borba. Acho que a morte de uma das mais importantes intérpretes da musica popular brasileira é mais significativo do que o falecimento de uma atriz estadunidense.

QUEIJO: - A fotografia de Anne Bancroft era mais bonita do que a fotografia de Emilinha Borba.

AMOR: - Quantas fotos eles tinham da Emilinha? Era só gastar um pouco mais de tempo e procurar uma melhor.

QUEIJO: - É sofisticado falar de assuntos estrangeiros e você não deve usar o termo “estadunidense” ao referir-se ao Estados Unidos. O Reinaldo Azevedo já escreveu uma vez que isso é coisa de quem odeia os Estados Unidos. Você quer destruir a pátria de Henry Thoreau e do rock dos anos de 1950 e por isso usa o termo “estadunidense”?

AMOR: - Dizer que o aconteceu em Paris é mais importante? Como pode? O que mudou? A Europa esta unida? Os Estados Unidos e a OTAN vão pensar duas vezes ao elaborar seus planos para o mundo islâmico e árabe? Os muçulmanos moderados vão ter mais espaco na imprensa e na cultura ocidental em geral? O que mudou? 

QUEIJO: - Ao dar destaque aos atentados em Paris, no “calor do acontecimento”, a equipe da revista “Veja” pode destilar na cabeça e nos corações de seus leitores ...

AMOR: - Coitado de quem precisa consultar um dentista e chega antes da hora marcada! Coitada da pessoa!

QUEIJO: - Cala a boca, seu selvagem! Olha o drama! A revista “Veja” tinha oportunidade, ao falar do terrorismo em Paris, de desfilar todo o seu moralismo e toda a sua visão de como o mundo é e de como o mundo deve permanecer e de como o mundo deve mudar. Era uma oportunidade realmente excepcional.

[ ... ]

AMOR: - O Alexandre Garcia, no “Jornal da Itatiaia”, hoje de manhã, comentou a derrota nos tribunais de Lula; diante do que tinha escrito sobre ele o senador Ronaldo Caiado. E também comentou a vitória de Lula, nos tribunais, pelo menos inicialmente, diante do que tinha falado sobre ele o professor Marco Antônio Villa.

QUEIJO: - Sim, e daí?

AMOR: - E daí que Alexandre Garcia repetiu o que tinham escrito e falado o Ronaldo Caiado e o Marco Antônio Villa. Para todos os que escutam as suas opiniões pelo radio. O Alexandre Garcia foi esperto. Se alguém o acusar de parcialidade diante do ex-presidente Lula, ele pode dizer que estava dando informações mais completas!

QUEIJO: - Sim, o Alexandre Garcia foi esperto. Ele estava naquela zona cinza, entre a oportunidade única e a diligência ao dar uma opinião embasada com mais informações.

[ ... ]

AMOR: - Que irônico, e meio triste também, o livro que ia comprar do Shakespeare tinha sido vendido. Depois de finalmente comprar ele, descubro que alguém já o comprou.

QUEIJO: - Que livro?

AMOR: - Aquele volume com todas as tragédias e que tinha sido traduzido pelo médico apaixonado pelo William (Teatro Completo - Tragédias, Editora Ediouro/Agir, 2008. Tradução de Carlos Alberto Nunes). Fui à livraria e ele tinha sido vendido.

QUEIJO: - Você não tinha ganhado juízo e parado de comprar livros?

AMOR: - Mas era uma boa oportunidade! Era melhor e mais barato do que comprar a tradução da Bárbara Heliodora na editora Nova Aguilar. Que preço é aquele? Cruz credo! E com isso eu teria uma situação curiosa. Como eu já tenho aquele super tijolo da editora L&PM, com todas as principais peças de Shakespeare, e tenho um volume com todas as comédias e como eu dei de presente o “Romeu e Julieta”; eu teria apenas uma peça de Shakespeare com três tradutores bem diferentes: “Otelo”. Justamente a sua peça sobre amor e ciúme!

QUEIJO: - Seriam quatro tradutores, pois cedo ou tarde você acabaria comprando aqueles volumes da Nova Aguilar, com a Bárbara.

AMOR: - É mesmo... Mas tudo bem...

QUEIJO: - “Tudo bem”? Tudo bem, nada! Você ficou chateado e foi nos sebo comprar livros de teatro. A sorte sua foi ter encontrado aquele volume barato e ter ficado nele.

AMOR: - Sim, sim! As seis principais tragédias gregas reunidas em um único volume e por apenas R$ 10,00! Uma pechincha!

QUEIJO: - Mas... ? Mas... ?

AMOR: - Bom... É parte de uma coleção de popularização da leitura, os “Clássicos Jackson”. Impliquei com o tradutor.

QUEIJO: - Pobre J. B. Mello e Souza!

AMOR: - É que nesses casos de edição populares a tradução não costuma ser direta. Vai da língua original para o inglês (ou francês) e só então vai para o português, finalmente. Nessa trajetória a alma dos autores costuma ir para o brejo.

QUEIJO: - Não necessariamente. O que importa é que o tradutor ame desesperadamente o texto que traduz e a própria língua pátria, ao mesmo tempo e de forma absolutamente conflituosa.


AMOR: - E como eu vou saber se o J. B. Mello e Souza amava a língua portuguesa e a língua francesa a ponto de gritar até ficar rouco, uivar para lua  e se pendurar pelas paredes? As chances de isso ter acontecido e assim as suas traduções de Eurípedes, Sófocles e Eurípedes serem perfeitas são remotas.




NOTA: Na verdade, se eu tivesse conseguido comprar o Shakespeare de Alberto Nunes, eu não teria o seu teatro completo como eu tinha pensado. Embora já tivesse todas as suas comédias, faltaria o volume dedicado aos seus dramas históricos. Percebi isso agora, ao fazer a publicação deste texto.

[ ... ] 

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