Voltaire ajuda

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domingo, 13 de dezembro de 2015

13 de dezembro.

Alguns foram para o show do David Gilmour.
Alguns foram paras as ruas, iludidos ou não, para tentar melhorar o Brasil.
Eu acordei tão tarde e cansado que minha visão de mundo esta tomada de melancolia e vazio.

"denegado"
Sou feliz? 
Felicidade é produtiva ou improdutiva? O ideal é uma felicidade ousada e que não pare.
Sabedoria é quase boa memória. Mas prestar atenção e pensar nas coisas ruins que podem acontecer causa desconforto até físico, e não apenas espiritual. 
Ter um pouco de Helenismo.
Use a razão, aceite e caminhe nas chamas.
Eu escolho, eu perco. Eu escolho, eu perco. 
Alguma energia.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

10 de dezembro de 2015

Sábado passado, 5 de dezembro de 2015, fiz minha primeira entrevista no meu programa na radio comunitária “Super Nova FM”. 

Foi com uma professora de Direito Penal. Quase três anos depois de começar na radio e quase 10 anos após eu me formar em jornalismo (o nome do curso era “Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo”)! Eu não tinha conseguido dormir na noite anterior, de tanta ansiedade e também por causa de um mal estar que depois se confirmou ser uma gripe. Foi uma das piores noites que já tive, um pesadelo. Tentava, mas não conseguia dormir. Não sei se me espantava mais com o desconforto físico ou com a irracionalidade da situação. Uma noite tão ruim quanto a noite da dor de dente.

Mesmo assim a entrevista foi maravilhosa. Os ouvintes telefonaram e fizeram perguntas. 70% da entrevista fora puro improviso e como em muitas coisas da vida, ela foi uma dança: o mérito é meu, mas também é da professora. Ela depois me disse que se sentiu a vontade e até esqueceu que estava em uma entrevista. Ela gostou muito e até me indicou um colega para participar do meu programa. 

Ainda não entrei em contato com ele, porque eu estava preocupado com outros colegas locutores que fazem um programa sobre Direito na radio. Embora o programa deles seja menos teórico e mais prático. Resolvi esse dilema e vou procurar quem a professora me indicou.

O cara é do Direito Econômico. Faço a menor ideia do que seja isso. Considerando o excelente resultado da primeira entrevista, não preciso ficar com preocupações exageradas. Apenas aquela medida certa para o frio na barriga.

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O Governo Dilma Rousseff vai realmente acabar? Quero que ela continue, para que possa melhorar. Não pelo PT e seu projeto, pois as futuras eleições para mim são misteriosas mesmo. Falo pelo Brasil. O pessoal fala em derrubá-la, ora, o governo seguinte seria obrigatoriamente de coalizão e assim sendo dependeria da boa vontade de todos, incluindo políticos de oposição, grandes empresários e grande imprensa. Não é mais saudável construir essa coalizão ainda em dezembro de 2015? O PT não vai sair vencedor nas próximas eleições e mesmo que saia, não seriam vitórias grandes e seria um Partido dos Trabalhadores diferente. Eu espero que sim. Todos terão que mudar, todos os políticos terão que mudar.

QUEIJO: - Vota na Dilma duas vezes por raiva da oposição e agora nessa crise toda você pensa em um Brasil politicamente diferente e melhor? Sendo bravo ou Pollyanna, o senso crítico fica abalado do mesmo jeito. Tudo pode continuar na mesma: um país de prostituição infantil, um país que não lê, um país que fica de joelhos para pernilongos e um país que também fica de joelhos para ratos de terno e gravata.

AMOR: - Não, as coisas mudam sim.

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AMOR: - Será que dói o coração da imprensa transformar estudantes adolescentes em vilões? Os estudantes de São Paulo realmente estão fazendo o poder tremer. Futuras lideranças políticas vão sair dali. Não há idade para sentir o sabor do poder. Gritar um refrão e dezenas repetirem, sentir alvo de olhares brilhantes e ansiosos, ter a sensação de construir algo mais duradouro e impessoal do que tudo aquilo que tinha feito antes em suas próprias vidas... Ah, a política!

QUEIJO: - Não sei se o coração dói, não imagino como é o caráter do jornalista brasileiro e dos empresários do setor. Lembro-me da posição deles quanto às cotas raciais, dos direitos trabalhistas para empregadas domésticas, do “Caso Escola Base” e, mais recentemente, dos seus dedos melindrosos diante da lambança da Samarco/ Vale/ BHP. De qualquer forma, deve dar trabalho filmar passeatas de helicóptero por medo das ruas, repetir numa mesma reportagem a palavra “engarrafamento” mil vezes e ter que procurar sinais de destruição em escolas ocupadas por estudantes.

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AMOR: - A polícia do Rio de Janeiro erra e um carro com jovens inocentes é atingido por 111 tiros. Cinco futuros são agora cinco cadáveres e o Brasil vai ter que pedir desculpas para cinco famílias. Se não me engano 111 é o mesmo número de criminosos assassinados no Massacre do Carandiru.

QUEIJO: - Devem ter mentido o número de tiros por causa dessa simbologia e tal, mas com certeza foram muitos tiros. O fato de serem negros e humildes só piora a situação. É fundamental que a polícia tenha uma boa imagem.

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AMOR: - Foi acidente o rompimento da barragem da Samarco/ Vale/ BHP em Mariana, Minas Gerais? Foi um acidente absolutamente evitável que atingiu mortalmente o Rio Doce e o litoral do Espírito Santo?   

QUEIJO: - Mas que raios de perguntas são essas? Passou as últimas semanas em Saturno?

AMOR: - É que estou chocado com um detalhe neste caso todo: tem documento tal? Temos. Tem outro documento? Temos. Tem autorização pra isso? Temos. Tem autorização para aquilo? Temos. Eles têm todos os documentos, tem todas as autorizações, do IGAM ao raio que o parta! Tudo tudo tudo certinho nos paspéis!

QUEIJO: - Grande espanto esse seu! Gente poderosa ter os papéis que precisam! Eu, héin? Nasceu agora?

AMOR: - É que esse exército de papéis dizendo que tudo ia bem e carimbados por todo mundo, me parece sugerir que o culpado pela barragem ter se rompido foi de um ataque interestelar feito por marcianos!

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QUEIJO: - Não foi para a cidade comprar aquelas edições de luxo das fábulas de Esopo e da “Odisséia”, de Homero? Quase duzentos paus de uma vez só? Aquelas edições da Cosac Naify? O que aconteceu? Bateu a cabeça? Ficou com medo de 2016? Tomou jeito?

AMOR: - É uma velha sensação minha: aquela mistura de cansaço e amadurecimento. Mas no caso do Esopo a desculpa é irrespondível: há fábulas ali que são inéditas em língua portuguesa.

QUEIJO: - Irrespondível uma ova, estamos falando de Evangelhos Apócrifos de Judas ou de Maria Madalena? Ora, aposto que essas fábulas esquecidas de Esopo assim o foram porque elas não eram grande coisa mesmo. Um pouco mais que pura curiosidade para acadêmicos, eu garanto.

AMOR: - O tempo é o melhor juiz, houve razão para aquelas fábulas não terem sido lembradas por todos esses séculos como as outras? Elas não vão mudar o que sabemos hoje sobre o coração da Grécia?

QUEIJO: - Essencialmente acredito que não.

AMOR: - Mas eu sou desejos e o máximo que posso fazer é construir máscaras diferentes para cobrir quando sucumbo a um deles. Antes de comprar essas edições de luxo, vou ler as edições que eu tenho. Quando eu terminar, vou lá à cidade e compro.

QUEIJO: - E se não encontrar os livros?

AMOR: - Me consolarei bebendo cerveja.

QUEIJO: - Comprando impulsivamente algum outro título?

AMOR: - Talvez eu compre uma caixa de som para o computador, estou começando a ter certeza que o fone de ouvido esta me deixando surdo.

QUEIJO: - Você é mesmo uma marmota.

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AMOR: - Pare e ouça...

QUEIJO: - Cigarra tornando tudo mais bonito...

AMOR: - Tchaikóvsky e Bach iam amar ouvir isso. Aliás, eles amavam mesmo. Eram artistas e sabiam aquilo que é belo e de valor.

QUEIJO: - São cigarras, anus, saracuras...

AMOR: - Não posso ficar surdo!

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QUEIJO: - Conta a história da aranha armadeira ( Phoneutria nigriventer ), ela chegou ao fim ontem e tem momento de filme de terror.

AMOR: - Era madrugada e eu fui dormir. Pela primeira vez em meses eu ia ler na cama antes de dormir. Gosto disso porque parece que a cama é uma nave espacial que pode me levar para qualquer lugar do tempo, do espaço, da beleza e da sabedoria. Acendi o abajur e...

QUEIJO: - Quando olhou para o teto...

AMOR: - Ela estava lá, ao lado da lâmpada apagada. A iluminação do quanto escuro apenas pelo abajur dava uma atmosfera toda especial á perigosa visitante noturna. Uma armadeira Phoneutria nigriventer ) .

QUEIJO: - Como sabe que era uma armadeira Phoneutria nigriventer ), ela não estava com as suas quatro patas dianteiras fazendo o seu inconfundível gesto de dissuasão?  

AMOR: - E de onde ela estava eu não podia conferir se essas quatro patas eram negras com listras brancas, outra forma de reconhecer uma armadeira Phoneutria nigriventer )

QUEIJO: - Então como pode ter certeza?

AMOR: - É que as quatro patas estavam em uma posição de atenção, juntas em duplas. Isso não é muito comum. Dava para notar que aquelas quatro patas eram diferentes. Era sim uma armadeira Phoneutria nigriventer ).

QUEIJO: - A ajuda foi atrapalhada e ela escapou. E você dormiu em um quarto onde foi borrifado veneno. Para um hipocondríaco dormir em um quarto naquele estado... que raios de hipocondríaco é você?

AMOR: - Acho que eu queria me matar mesmo.

QUEIJO: - Ontem a noite tinha uma armadeira Phoneutria nigriventer ) perto da cama e você a matou com facilidade. Acredita que seja a mesma que apareceu no teto? Seria mais de uma semana entre uma aparição e outra.

AMOR: - Acredito, até porque transformaria a morte dela em algo com lirismo. Compensaria e consolaria.

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AMOR: - Só pararam de usar chumbo na fabricação de combustíveis quando aqueles estudos com crianças sul-africanas demonstrou que o seu desenvolvimento mental esta sendo prejudicado, lá na década de 1960, mais ou menos 40 anos depois do início da fabricação industrial. O fato do Aedes aegypti conseguir agora atacar a formação do crânio das crianças em gestação vai conseguir convencer o povo brasileiro a limpar suas casas? Temos quatro doenças sendo transmitas por esse mosquito. Vamos conseguir limpar as nossas casas?  

QUEIJO: - A falta de educação vence aqui também. A esperança vai ser mesmo uma vacina. É mais fácil vacinar do que prestar a atenção e limpar a casa sempre.

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

2 de dezembro de 2015

QUEIJO: - Tão firme quanto educado foi o puxão de orelha que você recebeu ontem. Ainda bem que você agradeceu, pois foi sinal de distinção merecer uma resposta assim. Mas aqui...

AMOR: - Sim?

QUEIJO: - Compartilhar aquele tipo de vídeo no FaceBook? Não é o tipo de coisa que você costuma compartilhar, nem mesmo curtir.

AMOR: - Queria provocar mesmo. Estava achando que o feminismo estava “cantando de galo” por tempo demais no Face e quis dar uma equilibrada no trem.

QUEIJO: - Não existe isso de “equilíbrio”, existe apenas o movimento. E o feminismo vai “cantar de galo” agora e para sempre. 

AMOR: - Receio que o poder possa sujar o coração das mulheres como suja os dos homens.

QUEIJO: - Isso já acontece aqui e ali, é algo que se trata e previne. Mas não é motivo para o repouso. Nem que se desejasse.

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QUEIJO: - Parabéns por ter imprimido os seus cartões de fotógrafo. Você esta 7 anos atrasado, mas parabéns mesmo assim.

AMOR: - Ficou pequeno e o slogan (“Todo mundo gosta de uma fotografia. Então deixe a fotografia ajudar você.”) é cafona. E as cores, - amarelo e azul -, faz parecer que eu trabalho para os correios e torço pelo Boca Junior.

QUEIJO: - Pare com o drama e trate de espalhar esse cartão pela cidade. Você tem que se preocupar é com o seu celular que só da sinal duas vezes por dia.

AMOR: - Lá na gráfica em Belo Horizonte, enquanto esperava para ser atendido, eu pude ler alguns exemplares da revista “Veja”. Era uma boa oportunidade, fazia meses que não lia a revista.

QUEIJO: - Sim e era melhor do que ler na biblioteca de Rio Acima. Sempre tem crianças saindo das escolas e que ficam fazendo pesquisas lá e elas podiam  ver você lendo a revista “Veja”. Por Júpiter, nunca esquecer que exemplo é tudo!   

AMOR: - E eles devem ter sentido mesmo o golpe: e em uma das matérias sobre os atentados terroristas em Paris, no dia 13 de novembro, eles explicaram porque deram mais atenção a Paris do que sobre a tragédia ambiental sem precedente que aconteceu em Mariana, no Brasil.

QUEIJO: - Escreveram o quê?

AMOR: - Não pediram desculpas e disseram que o que aconteceu em Paris foi mais importante.

QUEIJO: - É sempre bom pedir desculpas quando a gente erra, alivia o coração nosso e mostra que importamos com o outro. Mas de acordo com o papel político que você escolhe exibir aos outros, pedir desculpas significa fraqueza.

AMOR: - Lembrei, quando na casa de uma tia paterna no Natal, li a edição da "Veja" de fim de ano para 2005. Nas páginas de obituário, eles escolheram dar mais destaque para a morte da atriz estadunidense Anne Bancroft, do que para a cantora Emilinha Borba. Acho que a morte de uma das mais importantes intérpretes da musica popular brasileira é mais significativo do que o falecimento de uma atriz estadunidense.

QUEIJO: - A fotografia de Anne Bancroft era mais bonita do que a fotografia de Emilinha Borba.

AMOR: - Quantas fotos eles tinham da Emilinha? Era só gastar um pouco mais de tempo e procurar uma melhor.

QUEIJO: - É sofisticado falar de assuntos estrangeiros e você não deve usar o termo “estadunidense” ao referir-se ao Estados Unidos. O Reinaldo Azevedo já escreveu uma vez que isso é coisa de quem odeia os Estados Unidos. Você quer destruir a pátria de Henry Thoreau e do rock dos anos de 1950 e por isso usa o termo “estadunidense”?

AMOR: - Dizer que o aconteceu em Paris é mais importante? Como pode? O que mudou? A Europa esta unida? Os Estados Unidos e a OTAN vão pensar duas vezes ao elaborar seus planos para o mundo islâmico e árabe? Os muçulmanos moderados vão ter mais espaco na imprensa e na cultura ocidental em geral? O que mudou? 

QUEIJO: - Ao dar destaque aos atentados em Paris, no “calor do acontecimento”, a equipe da revista “Veja” pode destilar na cabeça e nos corações de seus leitores ...

AMOR: - Coitado de quem precisa consultar um dentista e chega antes da hora marcada! Coitada da pessoa!

QUEIJO: - Cala a boca, seu selvagem! Olha o drama! A revista “Veja” tinha oportunidade, ao falar do terrorismo em Paris, de desfilar todo o seu moralismo e toda a sua visão de como o mundo é e de como o mundo deve permanecer e de como o mundo deve mudar. Era uma oportunidade realmente excepcional.

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AMOR: - O Alexandre Garcia, no “Jornal da Itatiaia”, hoje de manhã, comentou a derrota nos tribunais de Lula; diante do que tinha escrito sobre ele o senador Ronaldo Caiado. E também comentou a vitória de Lula, nos tribunais, pelo menos inicialmente, diante do que tinha falado sobre ele o professor Marco Antônio Villa.

QUEIJO: - Sim, e daí?

AMOR: - E daí que Alexandre Garcia repetiu o que tinham escrito e falado o Ronaldo Caiado e o Marco Antônio Villa. Para todos os que escutam as suas opiniões pelo radio. O Alexandre Garcia foi esperto. Se alguém o acusar de parcialidade diante do ex-presidente Lula, ele pode dizer que estava dando informações mais completas!

QUEIJO: - Sim, o Alexandre Garcia foi esperto. Ele estava naquela zona cinza, entre a oportunidade única e a diligência ao dar uma opinião embasada com mais informações.

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AMOR: - Que irônico, e meio triste também, o livro que ia comprar do Shakespeare tinha sido vendido. Depois de finalmente comprar ele, descubro que alguém já o comprou.

QUEIJO: - Que livro?

AMOR: - Aquele volume com todas as tragédias e que tinha sido traduzido pelo médico apaixonado pelo William (Teatro Completo - Tragédias, Editora Ediouro/Agir, 2008. Tradução de Carlos Alberto Nunes). Fui à livraria e ele tinha sido vendido.

QUEIJO: - Você não tinha ganhado juízo e parado de comprar livros?

AMOR: - Mas era uma boa oportunidade! Era melhor e mais barato do que comprar a tradução da Bárbara Heliodora na editora Nova Aguilar. Que preço é aquele? Cruz credo! E com isso eu teria uma situação curiosa. Como eu já tenho aquele super tijolo da editora L&PM, com todas as principais peças de Shakespeare, e tenho um volume com todas as comédias e como eu dei de presente o “Romeu e Julieta”; eu teria apenas uma peça de Shakespeare com três tradutores bem diferentes: “Otelo”. Justamente a sua peça sobre amor e ciúme!

QUEIJO: - Seriam quatro tradutores, pois cedo ou tarde você acabaria comprando aqueles volumes da Nova Aguilar, com a Bárbara.

AMOR: - É mesmo... Mas tudo bem...

QUEIJO: - “Tudo bem”? Tudo bem, nada! Você ficou chateado e foi nos sebo comprar livros de teatro. A sorte sua foi ter encontrado aquele volume barato e ter ficado nele.

AMOR: - Sim, sim! As seis principais tragédias gregas reunidas em um único volume e por apenas R$ 10,00! Uma pechincha!

QUEIJO: - Mas... ? Mas... ?

AMOR: - Bom... É parte de uma coleção de popularização da leitura, os “Clássicos Jackson”. Impliquei com o tradutor.

QUEIJO: - Pobre J. B. Mello e Souza!

AMOR: - É que nesses casos de edição populares a tradução não costuma ser direta. Vai da língua original para o inglês (ou francês) e só então vai para o português, finalmente. Nessa trajetória a alma dos autores costuma ir para o brejo.

QUEIJO: - Não necessariamente. O que importa é que o tradutor ame desesperadamente o texto que traduz e a própria língua pátria, ao mesmo tempo e de forma absolutamente conflituosa.


AMOR: - E como eu vou saber se o J. B. Mello e Souza amava a língua portuguesa e a língua francesa a ponto de gritar até ficar rouco, uivar para lua  e se pendurar pelas paredes? As chances de isso ter acontecido e assim as suas traduções de Eurípedes, Sófocles e Eurípedes serem perfeitas são remotas.




NOTA: Na verdade, se eu tivesse conseguido comprar o Shakespeare de Alberto Nunes, eu não teria o seu teatro completo como eu tinha pensado. Embora já tivesse todas as suas comédias, faltaria o volume dedicado aos seus dramas históricos. Percebi isso agora, ao fazer a publicação deste texto.

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