Voltaire ajuda

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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Eu já cheirei uma Elisabeth e o Humberto precisa morrer

AMOR: - Dezenas de cidades atingidas em dois estados, Minas Gerais e Espírito Santo. Vidas humanas perdidas. Milhares de atingidos pela falta de água e pelo medo do futuro. Peixes mortos e centenas de quilômetros de um litoral que nunca viu suas águas tão vítimas. A irresponsabilidade da Samarco/ Vale/ BHP e a chance que a gente possa mudar a legislação e vencer a promiscuidade entre políticos e donos do dinheiro. Um tiro no coração do Rio Doce e o Brasil inteiro esperando a capa das três principais revistas do país. E “Veja”, “IstoÉ” e “Época” destacam as crises do Congresso Nacional e o terrível atentado terrorista em Paris. Por que essas capas, por quê? Nós somos franceses, que ninguém duvide por um segundo disto; mas o grito do Rio Doce doeu mais em nossos corações e os nossos corações brasileiros sabem o que fazem. Por que a “Veja”, “IstoÉ e “Época” não destacaram a maior tragédia com barragens de mineração até hoje no Brasil naquele fim de semana? Até o patriotismo da nossa imprensa foi atingida pelas lamas tóxicas da Samarco/ Vale/ BHP?

QUEIJO: - Não é possível responder a essas perguntas sem ser acusado de ser marxista.

AMOR: - Justamente ou injustamente?

[ ... ]

QUEIJO: - O grande “Calcanhar de Aquiles” da imprensa sempre foi a reunião de pauta. Ainda falando da falta de destaques das principais revistas do país ao rompimento da barragem: uma capa é uma capa. Revista semanal não é jornal diário. A pressão existe. A mineradora Vale é uma das maiores patrocinadoras da grande imprensa brasileira e isso é alguma coisa, isso se torna alguma coisa nesses momentos.

AMOR: - E jornalista brasileiro vai continuar com medo de cobrir uma manifestação popular no meio da rua. Erro que rivaliza com o “Caso Escola Base”. Tantas vítimas em uma tragédia que nem chegou à sua metade. Pobre Minas Gerais, pobre Espírito Santo e pobre jornalismo brasileiro livre!

[ ... ]

AMOR: - Mas convenhamos que o rock dos anos da década de 1970 era muito joia.

QUEIJO: - Sim, sim. Principalmente a metade final desta década. Guitarra simples do punk e os teclados com apenas o doce do rock progressivo.

AMOR: - Só para dançar!

QUEIJO: - Be Bop Deluxe: “Maid In Heaven”!

[ ... ]

AMOR: - As pessoas são diferentes.

QUEIJO: - Sim, as pessoas são diferentes.

AMOR: - As pessoas não olham para a mesma direção e veem a mesma coisa.

QUEIJO: - De fato, até quando as palavras são as mesmas vai saber o que se passa em tantos corações e mentes?

AMOR: - Então como foi que Platão venceu?

QUEIJO: - Amor, nós só fomos para a Lua durante o governo Nixon. Olhe a cerca e tome mais uma dose de ilusão gregária.

[ ... ]

QUEIJO: - Você realmente acha que neste último diálogo você foi profundo? Que foi um soldado nietzschiano a puxar a orelha de Platão/ São Paulo/ Tradição Ocidental?

AMOR: - Uai, sim!

QUEIJO: - A partir de amanhã vai acordar e vai tomar uma xícara a menos de café.

[ ... ]

Estou escrevendo em uma folha de papel toalha. Pareço aquele prisioneiro do filme “V de Vingança” (... ). Aqui no estúdio da radio comunitária não tem papel rascunho para escrever, mas tem uma certidão de casamento que foi perdida há muito mais que um ano.

AMOR: - Não sabia que casar era tão ruim!

QUEIJO: - Olhe o drama de novo! É apenas mais um dos documentos que foram perdidos e estão no estúdio esperando os donos.

AMOR: - O Brasil é um pouco mais que o pesadelo tropical de Kafka; é bom que aquele casal lembre que sem a certidão de casamento eles não podem abrir conta no banco, não podem tirar carteira de trabalho, não podem vacinar, não podem colocar os filhos em escolas públicas e se eles estiverem em um ônibus que sofrer batida policial é bom que pelo menos tenham dado um beijinho nos filhos!

QUEIJO: - Mas esta mesmo falando besteira. Fique quieto, selvagem!

AMOR: - Deixe eu ser feliz, deixe eu ser feliz! Quando o Brasil entrar na puberdade e finalmente merecer sofrer sua “Revolução Francesa”, vão lembrar que nossas Bastilhas são os cartórios?

No site da “Sky”, a nossa tv por assinatura, não consegui abrir a página contendo os canais de nosso pacote. Mas a página onde posso imprimir até a segunda via dos pagamentos estava ok.

[ ... ]

É bonito ficar 5, 6 vezes o tempo de meu programa na radio ajudando os outros locutores. Mas também é chato pra caramba. Assim como no colégio eu preciso fugir de alguma forma. A forma favorita é viajar pelo site do YouTube. Acidentes engraçados, papel fine art e outros equipamentos fotográficos a me torturar, National Geographic, os curtas do cinema mudo, Monty Python, cenas de filmes queridos e etc. Mas eu não posso usar o som.

AMOR: - É impressionante assistir a esses vídeos sem os seus sons! Não são os mesmos vídeos, não são! Aquele tributo ao Stanley Kubrick, quando assisti em casa, quase tive que ir ao banheiro quando descobri as músicas que o mané escolheu para trilha sonora! Eeeeca!

QUEIJO: - Olha o drama, olha o drama! Já esta fazendo o drama de novo!

[...]

Mas proibiram o uso da internet para fins recreativos no estúdio.
AMOR: - É impossível convencer-me a suportar os mesmo telefonemas. Sou um artista, qualquer coisa que cheire a indústria industrialização pode acabar comigo. Ira divina é uma coisa, dor de dente já me fez não dormir, mas repetições as quais uma secretária tem que suportar... Que Júpiter abençoe as secretárias! Que Júpiter abençoe as secretárias!

QUEIJO: - É, e eu não sei como aquele telefone ainda não quebrou com você. E você nem se importa mais se tem gente estranha no estúdio a testemunhar os seus rompantes de fúria... E a cidade é pequena e fofoqueira!

AMOR: - É melhor ser irascível do que pegar câncer por segurar. Eu lembro muito bem do meu avô paterno segurando a minha vó paterna quando ela estava tendo uma crise. Fizeram de tudo para eu não ver e eu só precisei virar-me e olhar o fim do corredor dos fundos da casa. Ela segurava e segurava, aí aconteceu isso com ela depois.

QUEIJO: - Isso é ridículo, você não teve acesso a documentos médicos. Não tem certeza do diagnóstico. Mesmo porque a gente sabe o seu grande interesse pelas intimidades da família... Desculpa esfarrapada para manter-se impulsivo, isso sim. Pura auto ilusão!

AMOR: - Mas confessa que é uma puta auto ilusão poética, confessa! Fizeram, fizeram, fizeram de tudo para que eu não visse as crises que ela tinha e foi tão fácil ver...

QUEIJO: - Foi só uma vez!

AMOR: - Duvida das minhas habilidades de escultor de memórias afetivas? Eu nunca usei mármore do Paraguai!

QUEIJO: - Mais respeito ao MercoSul, que eu nunca tive certeza se alguma vez já saiu do papel. Aqui, você reclamou agora pouco em ser um artista cercado de cinza industrial. Mas amava de todo coração o cheiro da oficina da máquina a vapor.

AMOR: - O cheiro de óleo fervente, o cheiro da lenha no forno... Ah... O cheiro da minha inglesinha “Elisabeth”!

QUEIJO: - Ela era alemã, seu marmota. Não é a rainha da Inglaterra. Elisabeth era a mulher do primeiro dono dela, lá nos 1900 e alguma coisa.

AMOR: - Detalhes!

QUEIJO: - Então ... ?

AMOR: - “Então”, o que?

QUEIJO: - Então ... ... ?

AMOR: - “Então”, sua ricota assinante da revista (**** censurado na última hora ****)! Eu não sei!

QUEIJO: - Mas esta mesmo ficando loiro!

AMOR: - Olha o preconceito! Além de ricota é preconceituoso?

QUEIJO: - Sua anta, eu sou você. Lembra? Te chamei de “loiro” porque você riu quando a Lucilene te chamou assim, em uma das vezes que aprontastes uma de suas trapalhadas na cozinha. Há um tempão, quando trabalhava em Sabará.

AMOR: - É mesmo. Eu ri. E foi legal porque ela era morena e pintava o seu cabelo de louro.

QUEIJO: - Então ela devia mesmo entender do assunto. Imagino quantas vezes você mereceu ser chamado de “loiro”, enquanto trabalhava naquele centro social comunitário!

AMOR: - Cala a boca, queijo! Se juiz diplomado leitor de latim flu flu excelência acha que Rafinha Bastos é canibal de mãe grávida, imagina  o que vão achar de nós! Imagina!

QUEIJO: - Eu tenho medo de sindicato de funcionário público, não existe sindicato de pessoas loiras. Não há motivo para preocupações. Eu estava era questionando que já que você gostava do cheiro da oficina de máquina a vapor, quando trabalhava lá, você gosta um pouco de indústria. O que contradiz o que você tinha dito.

AMOR: - É. Mas cheirar a “Elisabeth” é exceção. A exceção que confirma a regra!

QUEIJO: - “A exceção que confirma a regra”?

AMOR: - “A exceção que confirma a regra”.

QUEIJO: - Vou embora.

AMOR: - O quê? Por quê?

QUEIJO: - Drama? Tudo bem. Filosofia? Tudo bem. Anarquia destruidora de castelos de poder e etc e etc a fazer tremer os deuses? Tudo bem. Mas frase clichê, não! Vou embora.

AMOR: - Depois eu que sou o selvagem a fazer drama.

[ ... ]

AMOR: - Humberto Gessinger é um dos maiores compositores brasileiros. O que falta para ele vencer o nariz empinado do jornalismo cultural do sudeste e assim ter o reconhecimento que merece em todo o país?

QUEIJO: - Pegar uma bota que ele usa em seu pé esquerdo. Pegar uma bota em que ele usa em seu pé direito. Depois ficar jogando uma contra a outra.

AMOR: - Isso parece complicado. Prefiro a manga com leite!

[ ... ]

“Na segunda-feira, dia 23 de novembro de 2015, no “Jornal da Itatiaia”, mencionaram que foram dois distritos atingidos mortalmente pelo rompimento da barragem da Samarco/ Vale/ BHP. Não eram 5 distritos de Mariana mortalmente atingidos?”

“Ficou popular no FaceBook o vídeo amador da discussão entre a equipe de gravação da Rede Globo, com Isabele Scalabrini, e as pessoas desabrigadas pelo rompimento da mesma barragem da Samarco/ Vale/ BHP. A discussão foi motivada porque o pessoal não gostou que a Isabele tivesse cortado a entrevista quando o entrevistado, mais exaltado, começou a citar nomes de “pessoas jurídicas”. Pois no dia 24 de novembro de 2015, no “Jornal da Itatiaia”, a repórter Mônica Miranda interrompeu o prefeito da cidade de Perpétuo Socorro quando este começara a mencionar que fora detectada presença de metais pesados na água de várias cidades atingidas. A Mônica cortou a fala do prefeito para falar do fundo de um bilhão e blá blá blá. Sinceramente não sei se beber água com arsênico e depois consolar-me com um bilhão vai funcionar, principalmente se meus filhos e netos forem uns ingratos de uma viga!”

AMOR: - Sabe de uma coisa? Isso me pareceu mais contundente como exemplo de guerra de propaganda na primeira vez que escrevi. Agora nem tanto.

QUEIJO: - Nooooooooossa... Que meda!

AMOR: - Grrrrrrr ...

QUEIJO: - Vou correr para debaixo da cama!


AMOR: - Queijo ajuizado!

[ ... ] 

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