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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

6 de novembro de 2015

[ Uma fotografia em que Austin Stevens aparece fotografando uma serpente Naja, a poucos centímetros de seu próprio rosto. ]

QUEIJO: - É o que acontece quando a pessoa não teve infância! Vai fotografar serpente mortal como se fosse fotografar um ursinho de pelúcia.

AMOR: - Ainda bem que não escrevi “a menos de 30 centímetros de seu rosto”. Eu lembrei, na hora, dos efeitos mágicos que uma teleobjetiva faz ao “aproximar” o fundo. Stevens esta próximo da Naja, mas não tããão próximo assim.

[ A fotografia premiada de Arko Datta. Uma mãe chora diante do cadáver de seu filho. Índia, o tsunami que atingiu Tamil Nadu em 2004. (Jornal Estado de Minas em sua edição de 12 de fevereiro de 2005). ]

AMOR: - Mais uma mãe.

[ Ah... ]

AMOR: - Os papéis que eu recortei da minha participação na oficina de animação do SESI. Um dos momentos mais felizes que já vivi foi ali. Nunca tinha me sentido tão aceito, nunca tinha me sentido tão eficiente. Foi sublime.

QUEIJO: - Durante a caminhada a pé para casa, depois do último dia de aula, chorou como uma menininha. Ela, que te conhece, quando viu ficou até assustada.

[ Fotografias analógicas impressas, negativos, recibos e etc.]

QUEIJO: - Quanta bagunça. Você é mesmo uma marmota.

[ Uma pasta de plástico estragada e cheia de papéis. ]

QUEIJO: - Sei que apenas sou um laticínio...

AMOR: - Uma ricota.

QUEIJO: - Sim, sim, um queijo ricota. Mas nunca vi alguém juntar tanto papel velho!

[ Uma pausa.
Uma pausa em minhas bobagens importantes para uma desgraça.

Ontem duas barragens da mineradora Samarco se romperam. A água e os desejos da mineração atingiram catastroficamente 5 distritos da cidade de Mariana e mesmo outras cidades. Tão gigante foi o acidente que mesmo 24 horas após o sinistro não sem tem números aproximado de mortos, desaparecidos ou mesmo a extensão total de quilômetros que os desejos conseguiram percorrer.

Fui a Belo Horizonte hoje e pude conferir a primeira página dos principais jornais de Minas Gerais. Fiquei um tanto chocado com a maneira discreta que abordaram o número de mortos e feridos. Nem mesmo o clássico do jornalismo “o número de mortos pode chegar a...” eu vi. Questão técnica ou colher de chá para as mineradoras? Acredito mais na segunda hipótese, o que me deixou furioso. Nessas horas o jornalista brasileiro resolve ter pudor? Mas é claro que posso estar enganado.


Terminando aqui eu vou viajar pela internet para saber mais. Há mais de 5 anos que a rede mundial de computadores já é tão importante quantos os veículos tradicionais de imprensa brasileiros, se os seus viajantes tiverem a necessária prudência. É claro.]

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