Voltaire ajuda

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terça-feira, 24 de novembro de 2015

24 de novembro de 2015

AMOR: - Não queria sentir tanto, não queria pensar tanto. Queria ser como aqueles anjos do filme "Asas do Desejo" ( "Der Himmel über Berlin", 1987). Imortal e poder estar em qualquer lugar.

QUEIJO: - Eles não sorriem e só usam roupas pretas. Você gosta de muitas cores. E não se pode estar perto e não morrer. Podemos agora falar de coisas importantes?

[ ... ]

AMOR: - Quando subi para abrir o portão vi as duas garotas que fiscalizam o foco de dengue passando. Atrás delas os pneus tinham acabado de serem cobertos com a lona furada.

QUEIJO: - Que bom!

AMOR: - Bom nada, os trabalhadores que estão fazendo a reforma no vizinho espalharam a lona sem usar pesos. A chuva de madrugada foi forte e fez várias poças que, pesadas, acabaram deslocando grande parte da lona. Está tudo descoberto e os pneus continuam cheios de água.

QUEIJO: - A culpa é sua que devia ter aproveitado que a lona tinha sido coberta para colocar os pesos.

AMOR: - Mas eles não sabem que a dengue é perigosa, que um pernilongo viaja dezenas de metros? O bairro é o mesmo!

QUEIJO: - Você não podia ter colocado os pesos na lona? 

AMOR: - Mas...

QUEIJO: - Eles não compraram aqueles pneus e nunca devem ter pensado na dengue durante muito tempo.

AMOR: - Mesmo se já tiveram a doença? Ou um amigo ou parente tiveram a doença? Dengue mata, uai!

QUEIJO: - É desagradável pensar em coisas ruins.


[ ... ]

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