Voltaire ajuda

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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

18 de novembro de 2015

QUEIJO: - Então agora chega, não é? Chega?

AMOR: - Chega, chega sim. Terminei. Não esperava que o modo aleatório tocasse aquela música. Ba-bum! Chega por hoje! Logo logo ela! Tantas lembranças!

QUEIJO: - Nem sei por onde começar. Perdi-me todo. A organização dos assuntos neste diálogo foi para o brejo.

AMOR: - Fique calmo.

QUEIJO: - Eu sou calmo. E as fotos editadas para hoje? Mas vamos lá.

AMOR: - Vamos. Por onde começamos?

QUEIJO: - Três anos de radio comunitária. Quantas vezes você tocou “Absolute Beginners”(*) e “Live on Mars” do David Bowie?

AMOR: - Na última semana?

QUEIJO: - Putamerda...

AMOR: - Aproveita e pergunta também sobre a versão da Siouxsie and The Banshees para “Dear Prudence”, de McCartney e Lennon! E para não acusarrrrr-me de antipatriótico, lembro-me de “A Boa Hora”, de Alessandra Leão. Viciante, viciante!

QUEIJO: - Depois reclama de tocar sempre “O que Sou Sem Jesus”, “Um Jantar Para Jesus”, “Milagre do Caixa Sete”, “Boate Azul”, “Os Dez Mandamentos do Amor”, “Filho Adotivo”, “Água no Leite”, “Último Julgamento”, “Chão de Giz”, “Hoje”, “Verdes Campos da Minha Terra”, “Mamãe Hoje Estou Tão Feliz”, “Franguinho na Panela”, “Advogado Fiel”, “Meu Barquinho”, “Fogão de Lenha” ...

AMOR: - De “Fogão de Lenha” eu gosto. Gosto de verdade. Tanto a versão de Chitãozinho & Xororó quanto à de Aguinaldo Timóteo são maravilhosas. Adoro.

QUEIJO: - Que outra coisa eu ia falar?

AMOR: - Das fotos!

QUEIJO: - Não são fotos, são cenas de filme.

AMOR: - Sim. 

QUEIJO: - Então. Três cenas favoritas de...

AMOR: - “O Pescador de Ilusões” (“The Fisher King”), de Terry Gilliam!

QUEIJO: - Você chorou mais vendo esse filme do que vendo “Cinema Paradiso”. Em “Paradiso” você desaba no final, em “Pescador de Ilusões” você chora o filme inteiro.

AMOR: - Por Júpiter, ainda bem que choro! Sinal que meu coração ainda pode dar opinião sincera!

QUEIJO: - Mas para que você separou e preparou essas três cenas?

AMOR: - Essas três cenas de filme de Terry Gilliam vão ilustrar trechos de peças de Shakespeare em minha página no FaceBook!

QUEIJO: - Pois é, pois é, pois é; você realmente acha graça em fazer isso. Eu sei. Eu também sou você. Agora tenho sinceras dúvidas se isso realmente funciona. Se alguém vai se interessar por livros e por autores com essa estranha propaganda que você faz.

AMOR: - Ah, funciona sim!

[ ... ]

AMOR: - A tragédia das barragens da Samarco/ Vale/ BHP nos deixa triste, mas também tem seus momentos no sense. Antes havia quatro fiscais para olhar todas as barragens de um estado chamado Minas Gerais. Agora, na verdade ontem na televisão, somos informados que são oito fiscais. Onde estavam esses quatro? Mistério, mistério!

QUEIJO: - Devem ter promovido alguns estagiários, incluindo a moça que cuida da copiadora do décimo primeiro andar da secretaria de Estado.

[ ... ]

QUEIJO: - Já lhe ocorreu que realmente tenha pessoas lendo essas nossas conversas? Sério mesmo: lendo, lendo isso!

AMOR: - Essa nossas conversas são assim porque assim foi a voz que encontrei para escrever sempre, quase diariamente. É tosco, mas é eu também. Começo comigo ou com você, eu me respondo e pronto: o trem flui. Não sei por onde. As vezes tenho uma certa dificuldade em fazer um bom final. Não sou James Joyce em “Dublinenses” ou um campeão olímpico de vôlei para fazer uma sacada final de tirar o fôlego.

QUEIJO: - Mas essas nossas conversas são mais que isso.

AMOR: - Elas são. São uma vingança.

QUEIJO: - Contra a fofinha-baixinha-paulista-ruiva-psicóloga-que usa óculos pretos gigantes iguais ao do Bono Vox e que te deu o fora. Você superou o pé na bunda, mas a piada ficou. O que mais esses nossos diálogos são? Além de um diário, uma confissão e um carimbo de existência? E... ?

AMOR: - E um escárnio sem piedade.

QUEIJO: - Sem piedade e diálogo para com todos os malditos médicos de cabeça deste mundo. Psicólogos, psiquiatras, terapeutas e dono de bares. E contra todos que tem poder em geral!

AMOR: - Não, não. Só contra os que têm mais poder que nós. Atacar quem tem mais poder que nós. Aquela pequena dose de rancor, não se esqueça.

QUEIJO: - É mesmo, lembrei. Lembrei-me da crítica nietzschiana ao anarquismo e ao cristianismo. Aqui...

AMOR: - O que foi?

QUEIJO: - O fato de ninguém postar comentários ou nunca falarem para você deste blog no FaceBook, ou ao vivo, nada significa. Você sabe como a internet pode ser traiçoeira.

AMOR: - Ah, eu não penso muito sobre isso. Não esquento a cabeça.

[ ... ]

QUEIJO: - Vamos terminar por hoje. Mas vamos falar sobre o que conseguiu parar você de escutar música, enquanto olhava fixamente para uma atriz gata da série “The Tudors”. Que você nem assiste, aliás. Aliás, nem sei como você encontrou essa foto. Procurando por Peter Sellers e você acha a Ann Boleyn!

AMOR: - São os mistérios, os mistérios!

QUEIJO: - Fale logo da música, eu quero jantar. Economizei na hora do almoço e agora to quase desmaiando.

AMOR: - É uma música gostosa do grupo Aphrodite's Child:   “Such A Funny Night”.

QUEIJO: - E porque essa música é tão especial?

AMOR: - Porque ela significa muito. Significa eu gastando todo o meu dinheiro para passar para DVD e CD, as fitas VHS mofadas e discos de vinil da minha família. Inclusive aqueles compactos raros que eu via puro ouro! Todo aquele sol e toda aquela Avenida Amazonas para subir e ir lá ao fim de mundo onde tinha a empresa que fazia a conversão. Fiz isso tantas vezes! Também significa os primórdios para a internet para mim. Lá em 2004, por aí. O meu começo no YouTube, site que visito mais que o Google. Significa meu primeiro blog e minhas visitas às lan house com uma internet lenta como as carroças de ferro velho aqui da cidade. Significa muito. Significa passado.

QUEIJO: - E por isso futuro.

[ ... ]

* A versão longa da canção, de pouco mais de oito minutos.

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