Voltaire ajuda

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terça-feira, 17 de novembro de 2015

17 de novembro de 2015

AMOR: - Que papelada, que papelada...

QUEIJO: - Se essa papelada toda for interpretada como demonstrativo de como é a sua cabeça do lado de dentro...

AMOR: - Ai, ai!

[ ... ]

[ Ingresso para o “Sempre Um Papo com Sebastião Salgado”. 2 de junho de 2014. ]

AMOR: - Por que os canhotos não foram arrancados?

QUEIJO: - Como? O que? Mas você esta perguntando para mim? E eu lá vou saber?

AMOR: - O legal deste dia foi a minha ex-professora de fotografia Vera Godoy ter me salvado. Não sei se contei essa história aqui...

QUEIJO: - “Não sei se contei essa história aqui, não sei se contei essa história aqui...” Para que essa frescura?

AMOR: - Não quero me repetir, ora bolas!

QUEIJO: - Ah, mas essa foi extraordinária! Você não é um estilista da palavra. Ninguém espera que seja justamente aqui o começo de alguma revolução na literatura.

AMOR: - Detalhes! Gosto de pensar que estou dando um importante testemunho para alguém do futuro sobre como era a vida no começo do século XXI! Onde estávamos? Lembrei: em mais uma das minhas fabulosas memórias.

QUEIJO: - O “Sempre Um Papo com Sebastião Salgado” era as 19 horas e os ingressos seriam distribuídos mais ou menos as 18 e meia...

AMOR: - As 13 horas já tinha uns 10 na fila. Minas Gerais, camarada, tradição aqui é coisa séria!


QUEIJO: - E depois de ficar em pé na fila 5 horas...
AMOR: - A professora Vera chegou, deixei era furar fila e ficar junto de mim. Eu fui um dos primeiros a chegar. Ela estava vendendo um desses livros alternativos, de pouca circulação. Era um livro de memórias de um importante jornalista mineiro. Apenas lembro que era um homem e seu apelido era “general” ou “coronel”, alguma patente militar.

QUEIJO: - Os sempre surpreendentes critérios de sua memória de meia tigela. Conte logo a parte engraçada dessa história toda.

AMOR: - O ingresso não era exatamente gratuito. Você tinha que trocar por algum livro. Era por isso que todos na fila estavam carregando um livro.

QUEIJO: - Depois de cinco horas vendo toda aquela gente carregando um livro e você não desconfiou?

AMOR: - Não. Só na hora que chegou a minha vez que eu fiquei sabendo. Antes de entender, a professora Vera pegou o livro do jornalista, que ela tinha me emprestado para eu folheá-lo, para uma das atendentes. Era isso ou...

QUEIJO; - Ou você dava a única coisa que você poderia usar para substituir o livro.

AMOR: - Os meus quatro fascículos da séria “Marvels” que eu tinha trago comigo para eu ler durante a viagem no ônibus lotação.

QUEIJO: - Coleção há muito clássica. Ia ser uma perda terrível.

AMOR: - Verdade verdadeira!

[ ... ]

AMOR: - Foram uma ou foram duas as barragens da Samarco/ Vale/ BHP a se romperem? Era só o que me faltava! Nem disso se tem certeza!

QUEIJO: - Por vias das dúvidas o jornal da Rede Globo Minas, primeira edição, já menciona “o rompimento da barragem”. E não, como antes, “as barragens”. Soa menos pesado agora ao ouvidos. Uma e não duas.

AMOR: - Sim, mas se for verdade a coisa fica é mais feia. Precisou de uma das menores barragens que tinha em Mariana para que o Brasil conhecesse a sua pior tragédia ambiental envolvendo a mineração. Mas essa história de ter sido uma, e não duas barragens da Samarco/ Vale/ BHP, a se romperem esta muito mal explicada.

QUEIJO: - Mas talvez seja verdade mesmo. Toda essa desgraça pode ser resumida muito simplesmente como exemplo de abuso de poder por parte das mineradoras. Leis ruins, Estado não fiscalizando, Samarco/ Vale/ BHP economizando ao não colocar aviso sonoros em distritos sombreados por três barragens... As autoridades não sabendo nem contar quantas barragens foram destruídas é mais um exemplo de irresponsabilidade.

[ ... ]

AMOR: - E na França, após sentir a maior agressão terrorista neste século XX, esta chovendo policiais especiais procurando suspeitos de integrar grupos armados. Imagino a quantidade de prisão arbitrária.

QUEIJO: - Com certeza e não é só agora, quando as coisas ainda estão ásperas na memória do coração, mas durante ainda um bom tempo.

AMOR: - É difícil saber o que fazer. Onde dialogar e ceder e onde reprimir e bombardear. É difícil. Mas a imigração e colonização são coisas antigas e a Europa é ainda mais antiga. Alguma coisa se sabe, não?

[ ... ]

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