Voltaire ajuda

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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

16 de novembro de 2015

AMOR: - Um instante. Um instante apenas. É o que temos. Tudo que temos. A atenção faz o instante ficar tão infinito quanto precisamos.

QUEIJO: - Mas que porcaria de papo mórbido é esse? O que foi agora? Esta semana é a sua última? Vai tomar jeito, vai!

[ ... ]

AMOR: - Tanto calor, tanto calor... E justamente durante essas ondas históricas de calor, é que Minas Gerais sofre esse racionamento de água. A diretoria anterior da Copasa não se desculpa, apenas se demite; enquanto o Ministério Publico aqui em Minas Gerais assiste parado.

QUEIJO: - Pelo menos não temos o Alexandre Garcia, na Itatiaia, e o Fabio Pannunzio, na Rede Bandeirantes de Televisão, fazendo ataques ao movimento ecológico. Nessas horas, esses caras sempre ficam caladinhos.

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QUEIJO: - Você foge da sua família como o diabo foge da cruz, acho impressionante. 

AMOR: - É muito difícil para mim.

QUEIJO: - Difícil é dinheiro e namorada, como a família pode ser difícil?

AMOR: - É que apesar d´eu ter mudado muito, muito mesmo nos últimos 3, 4 anos; continuo essencialmente uma marmota. E esses meus familiares me conhecem há muitos e muitos anos, de modo que quando olho para eles é como se olhasse para um espelho maldito a lembrar-me o quão ainda sou incompleto.

[ ... ]

AMOR: - E os helicópteros continuam e continuam passando. Nunca vi tanto helicóptero passando sobre minha casa.

QUEIJO: - Você não sabe se eles estão indo e voltando para Mariana e outras cidades atingidas pelas barragens da Samarco/Vale/BHP. 

AMOR: - Mas só pode ser. Não faz sentido tantos helicópteros e sem mencionar que continua até em horários absolutamente incomuns.

QUEIJO: - Você acha que é o que?

AMOR: - Não sei. Pode ser tudo: técnicos, equipamentos, cadáveres...

QUEIJO: - Eles foram brilhantes: viu como estão separando os sobreviventes em várias localidades? Nunca teremos a foto daquela imensa multidão de desabrigados a esperar definições das autoridades. Assim como nunca teremos um velório coletivo. Foi tudo fatiado. A conivência da imprensa nos textos e dos bombeiros quanto ao acesso aos principais locais da tragédia, fez o resto. O máximo foi a imagem da missa ao ar livre, mas como foi de noite ela não produziu grande impacto. Eles foram realmente brilhantes.

AMOR: - Foram e estão sendo, mas a luta continua. Foi muita gente atingida e nem todos estão se comportando da mesma maneira. Governador Valadares e o Espírito Santo estão furiosos. Oficialmente a multa que o poder público deseja é uma migalha e uma ofensa ao povo, mas nos bastidores a Samarco/Vale/BHP devem ser obrigada a ser mais gentil.

QUEIJO: - É, alguns políticos mais felizes, algumas pracinhas,  meia dúzia de ônibus escolares com cintos de segurança, a casa de saúde vai ter pintura nova e a delegacia de polícia vai ter um letreiro também novo. Sim e eu exagero: esqueci das imagens aéreas da lama entre montanhas e a foto do litoral do Espírito Santo. Chocam sim.

AMOR: - Talvez seja o suficiente para que as coisas sejam realmente melhores daqui para frente.

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AMOR: - Por que eles se casaram? Não há nem o suficiente para essas pegações de carnaval, em que os casais mais mexem a boca do que as mãos e os cabelos. Por que eles se casaram?

QUEIJO: - Ao contrário do que seria comum pensar: cansaço e medo produzem muitas e muitas atitudes.

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QUEIJO: - Quem vê você comendo pão de queijo, doce de amendoim, mel e farofa; até pensa estar diante de um africano vindo da África central fugindo da guerra. Parece que ta morrendo! Da próxima vez tente lembrar que amanhã o sol há de levantar-se!

AMOR: - Deixa eu ser feliz! Deixa-me ser feliz!

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QUEIJO: - Antes de puxar a orelha da grande imprensa mineira, dessa oligarquia que, como todas as outras, nem sabe que você existe e sonha, eu registro que você perdeu 50 minutos que você tinha de vantagem.

AMOR: - Hum...

QUEIJO: - Vai, as orelhas dos outros estão esperando.

AMOR: - A Itatiaia ainda hoje de manhã fala que o que saiu da barragem é apenas lama com ferro. Que o problema é que esse material inerte é uma espécie de cimento natural, que vai endurecer o fundo dos rios e as suas margens.

QUEIJO: - Mas no Espírito Santo...

AMOR: - A quilômetros e quilômetros de distância a imprensa não tem pudor em falar que sim, na lama tem metais tóxicos. Inclusive...

QUEIJO: - Por Júpiter...

AMOR: - Mercúrio.

QUEIJO: - Por que a Vale parou de fazer propaganda no “Jornal da Itatiaia”?

AMOR: - No Espírito Santo, além da imprensa ter coragem em falar em metais pesados no rio Doce; tem manifestações com direito a fechamento de ferrovias da mineradora Vale. O pessoal realmente esta bravo por lá.

QUEIJO: - Aqui em Minas Gerais, onde a tragédia aconteceu, também. É que isso não é mostrado.

AMOR: - Não mostra mesmo. Mas a gente não pode perder a ternura, fiquei com dó da Isabela Scalabrini da Rede Globo Minas de Televisão. O pessoal discutiu com ela, depois que ela interrompeu a gravação da entrevista, justamente porque o entrevistado, durante a sua indignação, começou a citar o nome da mineradora.

QUEIJO: - Achei curioso que o cinegrafista da Globo saiu em defesa da Isabele Scalabrini. Tudo bem que ela é a superior dele, mas aquilo foi bonito.

AMOR: - É, foi mesmo, não tem porque negar. Mas interromper uma entrevista porque foi citado o nome das donas das barragens rompidas é coisa feia.

QUEIJO: - Lealdade? Nem tudo que esta no contrato é visível aos olhos.

[ ... ]

AMOR: - E em Paris?

QUEIJO: - Realmente impressionante. Obviamente que vai sobrar para os imigrantes do Oriente Médio que estão na Europa e para os islâmicos que já são europeus. Estes europeus e os outros irão sofrer com o endurecimento dos governos de seus respectivos países. O repórter Jorge Pontual da Globo News pode ter recebido ordens para falar que nenhum país democrático atacado pelo terrorismo cedeu em suas liberdades e direitos para seus cidadãos desde 2001 com o 11 de Setembro, mas isso infelizmente é mentira. A espionagem legal aumentou e os casos de prisões arbitrárias assustou a todos. Jorge Pontual e a Globo News estavam apenas participando da guerra de propaganda.

AMOR: - Coisa compreensível nesses tempos. É preciso manter a chama da fé acesa, não podemos dizer que estamos cedendo enquanto lutamos. A França aumentou seus bombardeios contra o ISIS na Síria, mas bombardeio sem ocupação por terra é inútil. Além que sempre errar muitos alvos e assim acabar atingindo civis.

QUEIJO: - Ocupação por terra tem consequências políticas pesadas, além de custar vidas e dinheiro. Olhe o Boko Haram na África: consegue matar mais gente em menos tempo com uma frequência que é um desafio ao mundo civilizado; mas não são combatidos com firmeza pela Europa e Estados Unidos; pois a consciência ocidental pesa na hora de voltar a África empunhando uma arma.

AMOR: - Oriente Médio tem Jerusalém e petróleo, a África tem apenas as suas crianças e o sentimento de culpa paralisante das potências ocidentais.

QUEIJO: - E já que estamos falando de política externa, é sempre bom lembrar que a poderosa China ainda há de se vingar do que o Japão fez a ela no comecinho do século XX. Como a China, potência econômica, não vai querer colocar as suas forças armadas onde não deve?

[ ... ]

[ Turma do Xaxado, David Foster Wallace, funk drummer e pedaços da letra de alguma canção que gostei: “everybody change feel the same my name”.
Não lembro se encontrei essa música. Acho que sim. Aliás, tenho certeza: todas que anotei alguma coisa da letra eu acabava encontrando.

Anotações da época em que eu trabalhava como monitor do projeto “Shakespeare e as Crianças”. Ai, como isso dói! Educação + Shakespeares + Pirralhos + salário = memória que dói.

Um folheto de propaganda da Editora Jorge Zahar. A loja da Zahar no Edifícil Maletta sempre me pareceu esquisito. Por quê uma livraria “oficial” de uma editora logo ali? E com um dono tão velhinho? E o lugar é grande, é o maior espaço para livros ali. Bizarro. 

Anotações sobre o melhor papel para imprimir fotografias. O famoso processo “fine art”.
Acidez: sem ácido o papel dura mais.
Algodão: dura mais.
Quanto mais grosso o papel, mais ele dura.
Peguei isso no site da Canson. Parece pouca coisa, mas isso me deu trabalho. Filtrar a quantidade de besteira que se encontra na internet sobre impressão de fotografias.

Ah, esse papel eu fico mais feliz em reencontrar: a folha em que eu fiz um resumo do livro “A Gangue e o 5S”, de Wagner Matias de Andrade. Fiz este resumo porque o livro eu dei de presente para a empregada domestica da minha avó paterna. Na época em que eu passava a semana lá, quando estudava jornalismo. Maria, o seu nome. Ela tinha me contado que seu filho estava estudando e eu resolvi dar o livro, na esperança que este o ajudasse e o salvasse. Como poderia ter feito comigo e que nunca aconteceu.
Reencontrando este resumo talvez eu consiga fazer o mesmo.

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