Voltaire ajuda

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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

30 de novembro de 2015.

QUEIJO: - Ia perguntar por que não consegue dormir em um horário melhor? A resposta esta à sua frente: o que você acabou de fazer à sua manhã.

AMOR: - Uma tentação puxa uma outra tentação, a memória experiente é traída, uma repetição consegue esconder-se por trás de uma máscara inocente e de efemeridade a efemeridade: o tempo é perdido.
Ou quase.

AMOR: - Ou quase. Essas poucas dezenas de minutos podem ser alargados pelo entusiasmo. A volta por cima. A poeira sacudida. Um sonho pode ganhar depois de ser derrotado.

[ ... ]

“Não existe racismo no Brasil, ou pelo menos não temos o suficiente para sermos considerados um país racista. Como pode haver racismo em um país tão miscigenado?”

AMOR: - Que doce subestimar a criatividade do brasileiro!

QUEIJO: - Que idiota esquecer que a imaginação e a coragem podem ser usadas de muitas maneiras!

AMOR: - O que as pessoas esquecem aqui?

QUEIJO: - Um racista europeu ou estadunidense pode, com relativa facilidade, evitar muito o contato com pessoas negras ou morenas. Esses encontros podem ser em menos número e ter um desfecho muito mais grave. Aqui é muito diferente. No Brasil o racista não consegue evitar o contato com o negro e com pessoas morenas. O racista brasileiro vai ter que diluir o seu racismo por vários caminhos, alguns mais visíveis que outros: é contratar um negro com salário igual e tratá-lo mal, é um sujeito manter relações com uma mulher negra e tratá-la mal e etc.

AMOR: - Pode ser o caso de um patrão idiota e pode ser um caso de um machista. Não se veria aqui traços de racismo.

QUEIJO: - Nós temos tantos machistas no Brasil!

AMOR: - E também temos tantos patrões idiotas por aqui!

QUEIJO: - Sim.

AMOR: - E como a justiça vai pescar o racismo naquilo que à primeira vista parece ser outro tipo de violência? Formalizar isso em lei? “Vai se caracterizar racismo se o sujeito agir assim e assim e pronto.” Parece limitado qualquer formalização. Não deve ser fácil criar leis para combater o racismo no Brasil.

QUEIJO: - Não é fácil, é difícil.

AMOR: - Muitas pessoas não gostam das cotas raciais nas universidades. Elas dizem que é “criar racismo para combater o racismo”.

QUEIJO: - Fazer sacrifícios nunca foi algo popular, é mais gostoso fazer seminários para discutir maneiras de combater o racismo. E confortavelmente ficar nisso.

AMOR: - Em alguns seminários longos é servido um lanche. Pão com mortadela, suco de caixinha de uva quente porque foi mal guardado e um cafezinho. E às vezes biscoito recheado.

QUEIJO: - Só às vezes um biscoito recheado.

AMOR: - Os que não gostam das cotas raciais também falam que no Brasil nunca tivemos leis raciais depois da abolição da escravidão. O que responder-lhes?

QUEIJO: - Responder com Issac Newton, a luz britânica, e sua “Lei da Inércia”. Depois da escravidão os racistas não sentiram necessidade de criar leis raciais no Brasil, que problema eles teriam com os negros?

AMOR: - Pelo mesmo motivo que não foi preciso ser mais específico naquele parágrafo da Constituição Federal. Aquele parágrafo! (Parágrafo terceiro do Artigo 226.) Lembrando o julgamento do STF que tratou da dignidade jurídica para as uniões homoafetivas? O parágrafo constitucional em questão era ambíguo demais.

QUEIJO: - Pegaria mal ser muito específico naquele parágrafo.

 AMOR: - Constituição é constituição... Tem que ser bonita...

 QUEIJO: - Os legisladores que eram conservadores estavam tranquilos. O Brasil é o maior país católico do mundo, somos profundamente religiosos e nossa religiosidade não é exatamente a do tipo liberal.

AMOR: - Em se tratando de amor a Deus, não somos parecido “os filhos das flores”, os hippies!

 QUEIJO: - Sim. Aqueles religiosos sabiam que aquela causa dos homoafetivos jamais chegaria ao Supremo Tribunal, ou se chegasse, que a decisão seria aquela.

AMOR: - E eles estavam certos!

QUEIJO: - Certos em 1990, 1991, 1992...

AMOR: - As ocasiões que leis que promoviam uma maior igualdade de gênero eram solenemente ignoradas no Congresso Nacional! Em várias e em várias ocasiões.

QUEIJO: - A maneira firme...

AMOR: - Mas discreta!

QUEIJO: - De dizer “não”.

AMOR: - E o que aconteceu?

QUEIJO: - Aconteceu que 2011 não é 1990.

AMOR: - A história muda e a vez chega.

QUEIJO: - Se a gente sempre continuar.

AMOR: - Se a gente sempre continuar.

[ ... ]

QUEIJO: - Bem feito, mas bem feito mesmo! Teve uma recaída depois de mais de um ano e agora quem o bloqueou no FaceBook foi sua psicóloga fofinha que usa os óculos do Bono Vox. Bem feito!

AMOR: - Achei que meu comentário no blog dela era educado e simpático. Mas ela deve ter visto minha manifestação como uma tentativa de aproximação. Como isso seria ruim para mim, ela me bloqueou no FaceBook. Ela quis me ajudar se afastando.

QUEIJO: - Se vingue dizendo que acha a irmã dela mais bonita e gostosa. Não é verdade?

AMOR: - É verdade, mas não ia adiantar muito; e eu ia aparecer àquela raposa que desdenha as uvas.

QUEIJO: - E um pouco pervertido também. E na verdade isso também não significaria muito. Olha, você tem que lembrar dos momentos bons, entender o que aconteceu e pronto.

AMOR: - Apagar as fotos que ela me mandou foi fácil, fiz no dia que brigamos feio pela primeira vez. Apagar as mensagens de celular foi mais difícil... Precisei de muito mais tempo e de muito mais coragem.

QUEIJO: - Ah, quando um carente recebe tanta atenção...!

AMOR: - Era tão meigo... Que vaca desgraçada!

QUEIJO: - Você teve coragem de pedir o telefone e de telefonar, disse para ela que ira visitá-la. Gostou de alguém e teve coragem. Isso foi muito. Foi alguma coisa. Segue adiante.

AMOR: - Aquela mudança de humor. Não sei se era preguiça, medo de seguir; mas eu perdi a confiança. Ela parecia doida, brava. Ela podia responder qualquer coisa. A gente conversava por horas e agora tinha medo de conversar. Tento racionalizar e mesmo me colocando como o único culpado daquilo tudo, é difícil compreender o momento e o motivo de tudo ter acabado.

QUEIJO: - Ela deve ter se cansado de você. Você não mudou. E mesmo hoje a pergunta mais dolorosa que ela poderia te fazer é sobre as suas novidades. Ela podia ter quem quisesse, era uma profissional competente e mesmo assim tinha aquela insegurança toda. Ora e ia ser justamente você o companheiro que ia dar o empurrão e o apoio para que ela desabrochasse?

AMOR: - Mas conversando direito...

QUEIJO: - Pois vocês conversaram muito, demais até. Ela deve ter feito com você o mesmo que fez com outros, mas com você a coisa não progrediu. Ela percebeu que você não tinha mais a oferecer e que não poderia te melhorar. Você era uma das sementes que o “homem que plantava árvores” não selecionaria. Lembra-se do vídeo que ela te mandou?

AMOR: - Lembro. E da pergunta sobre a música “Radio Blá”, do Lobão, que ela não me respondeu.

QUEIJO: - Você não era um bom paciente para ela.

AMOR: - Aquela dor de dente me deixou louco, isso durou dias. Nunca tinha deixado de dormir por causa de uma dor. Aquele dia no dentista, em Belo Horizonte, eu só sobrevivi porque eu e ela ficamos trocando mensagens de celular o dia inteiro.

QUEIJO: - Olha, isso é realmente lindo de se contar; mas em seguida ela poderia ter perguntar por que você não fez hoje o que tinha planejado.

AMOR: - O meu maldito ritmo.

QUEIJO: - Foi tudo apenas um desencontro que demorou um pouco a descobrir a si mesmo como um desencontro.

AMOR: - Este diálogo ficou legal. Acho que com isso temos um fim. Alguma coisa eu consegui. Estou satisfeito.

[ ... ]

AMOR: - Estou desenhando o meu cartão de fotógrafo. Amanhã mando imprimir e também compro as sementes.

QUEIJO: - Um fotógrafo que mexe com hortas e jardins. Como tem tudo para dar errado...

AMOR: - Pode dar certo! Oh!, dialética doce!

QUEIJO: - Você leu muitas biografias quando criança, isso foi outra coisa que te afetou.

[ ... ]

QUEIJO: - Você precisa de amigos. Quem tem amigos tem tudo. Não viu o presidente do “Mercado Central”, lá em Belo Horizonte, José Agostinho de Oliveira Quadros, chamando os deputados e a Polícia Federal de “invasores”? Ele fez porque pode.

AMOR: - Com direito a dedo em riste! Mas o que mais gostei foi de um dos seguranças do “Mercado”. Ele estava levando o maior puxão de orelha do deputado Ludívio Carvalho. O segurança ficou parado, impedindo a passagem, e olhando para todos os lados, menos para o Laudívio. Achei aquilo fabuloso!

QUEIJO: - Em muitas ocasiões a troca de olhares é mesmo um sinal de agressão.

AMOR: - A história de falta de higiene na hora de guardar os animais no “Mercado Central” é uma das histórias mais tradicionais de Belo Horizonte. Coisas de décadas e décadas. No Brasil de Dilma Rousseff podemos ter banqueiros presos, mas aqui em Minas Gerais mexer com mineradoras e mexer no “Mercado Central”?

QUEIJO: - Os comerciantes do “Mercado Central” são tão arrogantes que nem se preveniram, mesmo sabendo que a Câmara de Deputados estava investigando e mesmo depois de o último sábado haver tido uma manifestação de defensores dos direitos dos animais bem na porta do “Mercado”.

AMOR: - Alguém esqueceu de dar um telefonema.

[ ... ]

[ “Torna possível a reforma das instituições sem usar de violência e, portanto, o uso da razão na formulação de novas instituições e no reajustamento das antigas. Não pode, porém, fornecer razão. A questão do padrão moral e intelectual de seus cidadãos é em amplo grau um problema pessoal (A ideia de que esse problema pode ser atacado, por sua vez, por um controle institucional eugênico e educacional é errônea, creio; e certas razões para essa crença serão dadas abaixo.) É inteiramente errado censurar a democracia pelos defeitos políticos de um estado democrático. Devemos antes censurar-nos a nós mesmos, isto é, aos cidadãos do estado democrático.”

A SOCIEDADE ABERTA E SEUS INIMIGOS – Sir Karl Raimund Popper. Tradução de Milton Amado. ]

QUEIJO: - Não leu esse livro ainda por quê?

AMOR: - Fiz um ajuste nas minhas leituras. Prioridade e ordem.

QUEIJO: - Marmota.

AMOR: - Mais do que pelo assunto, é pelo estilo que tenho prazer ao folhear este livro de Popper. Uma delícia, um manjar! Não há outra metáfora a ser aqui usada senão aquela que lembre cheiros e sabores. E você o abre e encontra um trecho como este que citei.

QUEIJO: - Lembrando que dos 4 gigantes do século passado, - Heidegger, Wittgenstein, Bertrand Russell e Popper -, é justamente Popper que ainda não teve toda a atenção merecida. Dica do Bryan Magee.

AMOR: - Grande Bryan Magee!

[ ... ]



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Eu já cheirei uma Elisabeth e o Humberto precisa morrer

AMOR: - Dezenas de cidades atingidas em dois estados, Minas Gerais e Espírito Santo. Vidas humanas perdidas. Milhares de atingidos pela falta de água e pelo medo do futuro. Peixes mortos e centenas de quilômetros de um litoral que nunca viu suas águas tão vítimas. A irresponsabilidade da Samarco/ Vale/ BHP e a chance que a gente possa mudar a legislação e vencer a promiscuidade entre políticos e donos do dinheiro. Um tiro no coração do Rio Doce e o Brasil inteiro esperando a capa das três principais revistas do país. E “Veja”, “IstoÉ” e “Época” destacam as crises do Congresso Nacional e o terrível atentado terrorista em Paris. Por que essas capas, por quê? Nós somos franceses, que ninguém duvide por um segundo disto; mas o grito do Rio Doce doeu mais em nossos corações e os nossos corações brasileiros sabem o que fazem. Por que a “Veja”, “IstoÉ e “Época” não destacaram a maior tragédia com barragens de mineração até hoje no Brasil naquele fim de semana? Até o patriotismo da nossa imprensa foi atingida pelas lamas tóxicas da Samarco/ Vale/ BHP?

QUEIJO: - Não é possível responder a essas perguntas sem ser acusado de ser marxista.

AMOR: - Justamente ou injustamente?

[ ... ]

QUEIJO: - O grande “Calcanhar de Aquiles” da imprensa sempre foi a reunião de pauta. Ainda falando da falta de destaques das principais revistas do país ao rompimento da barragem: uma capa é uma capa. Revista semanal não é jornal diário. A pressão existe. A mineradora Vale é uma das maiores patrocinadoras da grande imprensa brasileira e isso é alguma coisa, isso se torna alguma coisa nesses momentos.

AMOR: - E jornalista brasileiro vai continuar com medo de cobrir uma manifestação popular no meio da rua. Erro que rivaliza com o “Caso Escola Base”. Tantas vítimas em uma tragédia que nem chegou à sua metade. Pobre Minas Gerais, pobre Espírito Santo e pobre jornalismo brasileiro livre!

[ ... ]

AMOR: - Mas convenhamos que o rock dos anos da década de 1970 era muito joia.

QUEIJO: - Sim, sim. Principalmente a metade final desta década. Guitarra simples do punk e os teclados com apenas o doce do rock progressivo.

AMOR: - Só para dançar!

QUEIJO: - Be Bop Deluxe: “Maid In Heaven”!

[ ... ]

AMOR: - As pessoas são diferentes.

QUEIJO: - Sim, as pessoas são diferentes.

AMOR: - As pessoas não olham para a mesma direção e veem a mesma coisa.

QUEIJO: - De fato, até quando as palavras são as mesmas vai saber o que se passa em tantos corações e mentes?

AMOR: - Então como foi que Platão venceu?

QUEIJO: - Amor, nós só fomos para a Lua durante o governo Nixon. Olhe a cerca e tome mais uma dose de ilusão gregária.

[ ... ]

QUEIJO: - Você realmente acha que neste último diálogo você foi profundo? Que foi um soldado nietzschiano a puxar a orelha de Platão/ São Paulo/ Tradição Ocidental?

AMOR: - Uai, sim!

QUEIJO: - A partir de amanhã vai acordar e vai tomar uma xícara a menos de café.

[ ... ]

Estou escrevendo em uma folha de papel toalha. Pareço aquele prisioneiro do filme “V de Vingança” (... ). Aqui no estúdio da radio comunitária não tem papel rascunho para escrever, mas tem uma certidão de casamento que foi perdida há muito mais que um ano.

AMOR: - Não sabia que casar era tão ruim!

QUEIJO: - Olhe o drama de novo! É apenas mais um dos documentos que foram perdidos e estão no estúdio esperando os donos.

AMOR: - O Brasil é um pouco mais que o pesadelo tropical de Kafka; é bom que aquele casal lembre que sem a certidão de casamento eles não podem abrir conta no banco, não podem tirar carteira de trabalho, não podem vacinar, não podem colocar os filhos em escolas públicas e se eles estiverem em um ônibus que sofrer batida policial é bom que pelo menos tenham dado um beijinho nos filhos!

QUEIJO: - Mas esta mesmo falando besteira. Fique quieto, selvagem!

AMOR: - Deixe eu ser feliz, deixe eu ser feliz! Quando o Brasil entrar na puberdade e finalmente merecer sofrer sua “Revolução Francesa”, vão lembrar que nossas Bastilhas são os cartórios?

No site da “Sky”, a nossa tv por assinatura, não consegui abrir a página contendo os canais de nosso pacote. Mas a página onde posso imprimir até a segunda via dos pagamentos estava ok.

[ ... ]

É bonito ficar 5, 6 vezes o tempo de meu programa na radio ajudando os outros locutores. Mas também é chato pra caramba. Assim como no colégio eu preciso fugir de alguma forma. A forma favorita é viajar pelo site do YouTube. Acidentes engraçados, papel fine art e outros equipamentos fotográficos a me torturar, National Geographic, os curtas do cinema mudo, Monty Python, cenas de filmes queridos e etc. Mas eu não posso usar o som.

AMOR: - É impressionante assistir a esses vídeos sem os seus sons! Não são os mesmos vídeos, não são! Aquele tributo ao Stanley Kubrick, quando assisti em casa, quase tive que ir ao banheiro quando descobri as músicas que o mané escolheu para trilha sonora! Eeeeca!

QUEIJO: - Olha o drama, olha o drama! Já esta fazendo o drama de novo!

[...]

Mas proibiram o uso da internet para fins recreativos no estúdio.
AMOR: - É impossível convencer-me a suportar os mesmo telefonemas. Sou um artista, qualquer coisa que cheire a indústria industrialização pode acabar comigo. Ira divina é uma coisa, dor de dente já me fez não dormir, mas repetições as quais uma secretária tem que suportar... Que Júpiter abençoe as secretárias! Que Júpiter abençoe as secretárias!

QUEIJO: - É, e eu não sei como aquele telefone ainda não quebrou com você. E você nem se importa mais se tem gente estranha no estúdio a testemunhar os seus rompantes de fúria... E a cidade é pequena e fofoqueira!

AMOR: - É melhor ser irascível do que pegar câncer por segurar. Eu lembro muito bem do meu avô paterno segurando a minha vó paterna quando ela estava tendo uma crise. Fizeram de tudo para eu não ver e eu só precisei virar-me e olhar o fim do corredor dos fundos da casa. Ela segurava e segurava, aí aconteceu isso com ela depois.

QUEIJO: - Isso é ridículo, você não teve acesso a documentos médicos. Não tem certeza do diagnóstico. Mesmo porque a gente sabe o seu grande interesse pelas intimidades da família... Desculpa esfarrapada para manter-se impulsivo, isso sim. Pura auto ilusão!

AMOR: - Mas confessa que é uma puta auto ilusão poética, confessa! Fizeram, fizeram, fizeram de tudo para que eu não visse as crises que ela tinha e foi tão fácil ver...

QUEIJO: - Foi só uma vez!

AMOR: - Duvida das minhas habilidades de escultor de memórias afetivas? Eu nunca usei mármore do Paraguai!

QUEIJO: - Mais respeito ao MercoSul, que eu nunca tive certeza se alguma vez já saiu do papel. Aqui, você reclamou agora pouco em ser um artista cercado de cinza industrial. Mas amava de todo coração o cheiro da oficina da máquina a vapor.

AMOR: - O cheiro de óleo fervente, o cheiro da lenha no forno... Ah... O cheiro da minha inglesinha “Elisabeth”!

QUEIJO: - Ela era alemã, seu marmota. Não é a rainha da Inglaterra. Elisabeth era a mulher do primeiro dono dela, lá nos 1900 e alguma coisa.

AMOR: - Detalhes!

QUEIJO: - Então ... ?

AMOR: - “Então”, o que?

QUEIJO: - Então ... ... ?

AMOR: - “Então”, sua ricota assinante da revista (**** censurado na última hora ****)! Eu não sei!

QUEIJO: - Mas esta mesmo ficando loiro!

AMOR: - Olha o preconceito! Além de ricota é preconceituoso?

QUEIJO: - Sua anta, eu sou você. Lembra? Te chamei de “loiro” porque você riu quando a Lucilene te chamou assim, em uma das vezes que aprontastes uma de suas trapalhadas na cozinha. Há um tempão, quando trabalhava em Sabará.

AMOR: - É mesmo. Eu ri. E foi legal porque ela era morena e pintava o seu cabelo de louro.

QUEIJO: - Então ela devia mesmo entender do assunto. Imagino quantas vezes você mereceu ser chamado de “loiro”, enquanto trabalhava naquele centro social comunitário!

AMOR: - Cala a boca, queijo! Se juiz diplomado leitor de latim flu flu excelência acha que Rafinha Bastos é canibal de mãe grávida, imagina  o que vão achar de nós! Imagina!

QUEIJO: - Eu tenho medo de sindicato de funcionário público, não existe sindicato de pessoas loiras. Não há motivo para preocupações. Eu estava era questionando que já que você gostava do cheiro da oficina de máquina a vapor, quando trabalhava lá, você gosta um pouco de indústria. O que contradiz o que você tinha dito.

AMOR: - É. Mas cheirar a “Elisabeth” é exceção. A exceção que confirma a regra!

QUEIJO: - “A exceção que confirma a regra”?

AMOR: - “A exceção que confirma a regra”.

QUEIJO: - Vou embora.

AMOR: - O quê? Por quê?

QUEIJO: - Drama? Tudo bem. Filosofia? Tudo bem. Anarquia destruidora de castelos de poder e etc e etc a fazer tremer os deuses? Tudo bem. Mas frase clichê, não! Vou embora.

AMOR: - Depois eu que sou o selvagem a fazer drama.

[ ... ]

AMOR: - Humberto Gessinger é um dos maiores compositores brasileiros. O que falta para ele vencer o nariz empinado do jornalismo cultural do sudeste e assim ter o reconhecimento que merece em todo o país?

QUEIJO: - Pegar uma bota que ele usa em seu pé esquerdo. Pegar uma bota em que ele usa em seu pé direito. Depois ficar jogando uma contra a outra.

AMOR: - Isso parece complicado. Prefiro a manga com leite!

[ ... ]

“Na segunda-feira, dia 23 de novembro de 2015, no “Jornal da Itatiaia”, mencionaram que foram dois distritos atingidos mortalmente pelo rompimento da barragem da Samarco/ Vale/ BHP. Não eram 5 distritos de Mariana mortalmente atingidos?”

“Ficou popular no FaceBook o vídeo amador da discussão entre a equipe de gravação da Rede Globo, com Isabele Scalabrini, e as pessoas desabrigadas pelo rompimento da mesma barragem da Samarco/ Vale/ BHP. A discussão foi motivada porque o pessoal não gostou que a Isabele tivesse cortado a entrevista quando o entrevistado, mais exaltado, começou a citar nomes de “pessoas jurídicas”. Pois no dia 24 de novembro de 2015, no “Jornal da Itatiaia”, a repórter Mônica Miranda interrompeu o prefeito da cidade de Perpétuo Socorro quando este começara a mencionar que fora detectada presença de metais pesados na água de várias cidades atingidas. A Mônica cortou a fala do prefeito para falar do fundo de um bilhão e blá blá blá. Sinceramente não sei se beber água com arsênico e depois consolar-me com um bilhão vai funcionar, principalmente se meus filhos e netos forem uns ingratos de uma viga!”

AMOR: - Sabe de uma coisa? Isso me pareceu mais contundente como exemplo de guerra de propaganda na primeira vez que escrevi. Agora nem tanto.

QUEIJO: - Nooooooooossa... Que meda!

AMOR: - Grrrrrrr ...

QUEIJO: - Vou correr para debaixo da cama!


AMOR: - Queijo ajuizado!

[ ... ] 

26 de novembro de 2015

[ "A perigosa viagem de ida e volta de uma embarcação alemã entre La Rochelle, na França ocupada, e a Espanha em 1941 e o medo e a claustrofobia debaixo do mar são recriados com realismo, enquanto o sentimento é decididamente anti-nazista."

Este é a sinopse do filme  BARCO - O INFERNO NO MAR ("Das Boot", 1981) feito pelo canal de televisão por assinatura TCM Brasil. ]

AMOR: - Quantas vezes vi esse filme quando criança? 

QUEIJO: - Você queria ser capitão de submarino. Se tivesse um diário, daria para saber se "20 MIL LÉGUAS SUBMARINAS ( "20,000 Leagues under the sea", 1954) é realmente o filme que você mais viu. É difícil contar. Mas para que esta conversa esta acontecendo?

AMOR: - A última frase da sinopse chamou a minha atenção. Não me lembro do filme ser nazista ou anti-nazista.

QUEIJO: - Porque você era uma criança, seu marmota. 

AMOR: - Mas este filme... esta além das coisas políticas. As ideologias políticas como sempre são superficiais como uma folha morta no ... no ...

QUEIJO: - Esta vendo o que acontece quando se escreve de improviso e de primeira? Cadê a metáfora genial, cadê a metáfora genial, ó bardo de Rio Acima?

LEONARDO DA VINCI - Eu também adoro o filme BARCO - INFERNO NO MAR.

AMOR: - Volta para o camarim, Leonardo! Putaquepariu... Eu perdi o fio da meada...

QUEIJO: - Reclama da dublagem. A dublagem é horrível.

AMOR: - O filme é maravilhoso e essa dublagem é horrível!

QUEIJO: - Salvamos o cinema e mostramos que o coração humano tem que vencer o ódio na política. Estamos bem?

AMOR: - Estamos, mas eu queria mais...

LADY MACBETH - Pois pra mim essa p* de filme tem muito pouco sangue! É o defeito dos filmes de submarino que você gosta tanto de assistir. 

AMOR: - CAÇADA AO OUTUBRO VERMELHO ("The Hunt for Red October", 1990) !!!!

QUEIJO: - Por Júpiter, é hoje... 

AMOR: - Podem abrir as cortinas... 

26 de novembro de 2015

QUEIJO: - Você não devia ter votado na Dilma por raiva. Raiva é raiva, o que você tinha na cabeça?

AMOR: - Eu olhava para o moralismo da polêmica sobre aborto, para o senador Álvaro Dias do PSDB e para o Agripino Maia do DEM e para as críticas mais tolas ao PT e não pude agir de outra forma. 

QUEIJO: - Podia ter votado em branco ou nulo. É legítimo votar assim.

AMOR: - Sim, é legítimo. Mas também é triste. Prefiro escolher um nome, arriscar e apostar. Para viver é preciso isso. 

QUEIJO: - Isso muda nada. Você estava sendo movido pela raiva. E mais, havia críticas de boa qualidade contra o PT. Por que só focalizava as críticas tolas?

AMOR: - Achava as críticas tolas, as dos extremistas de direita, as mais perigosas. 

QUEIJO: - São perigosas, mas esses pitbulls de papel são minoria.

AMOR: - É imprudente dar as costas a essa almas sebosas. Podem falar merda, mas devem ter uma resposta. Liberdade de expressão exige isso: atividade constante. Você não deve pedir para calar a boca, você deve responder e falar mais. Assim é justo, assim é livre. 

QUEIJO: - Perfeito, aprendeu direitinho a lição daquela história em quadrinhos ( Justiceiro em "Controvérsia" (1991), de Mike Baron, 

Mike Harris, Art Nichols, Gregory Wright, Jim Novak, Don Daley,

 Kevin Kobasic (*), publicada pela Marvel Comics; e pela Abril 

Jovem na revista Superaventuras Marvel, n. 162, ano de 1995. ).

[  http://marvel.wikia.com/wiki/Punisher_War_Journal_Vol_1_37 ]


AMOR: - Que bagunça é essa? 


QUEIJO: - O marmota do Aldrin não consegue manter a mesma 

formatação quando faz a colagem de algum texto. 


AMOR: - O espaçamento de linhas esta todo atrapalhado!


QUEIJO: - Detalhes. Vamos voltar à conversa. Ao se preocupar 

muito com respostas às opiniões da extrema direita, você perdeu 

um tempo que poderia ser usado no diálogo com críticas que eram 

justas.


AMOR: - Um equilíbrio. Responder aos malucos e dialogar com os  
justos que pensam diferente. Saber dividir bem esse tempo.


QUEIJO: - Os malucos querem te roubar tempo que poderia ser 

usado para expor idéias legais. Um bom exemplo é melhor do que 

criticar simplesmente um maluco que ainda vive uma mistura do

pior da Idade Média com a época da Guerra Fria. Mas aqui...


AMOR: - O que? 


QUEIJO: - Você não só votou na Dilma por raiva da oposição. 

Votou por curiosidade em saber como seria tantos anos de PT no 

comando do Brasil.


AMOR: - Sim, é verdade também. Meio adolescente, admito. 

Sabia que isso mudaria muito o Brasil. 


QUEIJO: - Não foi adolescente ou "aborrecente", mas foi uma 

decisão meio nublada. 


AMOR: - Casos de corrupção e decisões estúpidas. 


QUEIJO: - Muitos casos de corrupção do PT. Obviamente existe  

uma má vontade da imprensa, principalmente quando a Dilma 

surge como presidenta. Até pelo fato dela ser mulher e não impor 

uma presença física forte. Mais de 8 anos de PT? A oposição iria 

finalmente crescer fortemente e naturalmente. Disputas apertadas 

nas eleições e a crise na economia são ingredientes. 


AMOR: - Depois da Dilma teremos um Brasil novo, bem melhor. 

Acredito nisso. PT, oposição, brasileiro em relação à cidadania...

Tudo isso deve mudar e para melhor. Espero não estar sendo muito 

"Pollyanna".


QUEIJO: - Não muito, na verdade isso é algo razoável de se  

esperar. Mas tem que evitar um pouco o "crescer na dor". Estamos 

falando de milhões de brasileiros. Não precisamos de 4 anos 

difíceis da Dilma para termos uma grande mudança. Além do 

mais...


AMOR: - O último mandato do Príncipe da Sorbonne, o Fernando 

Henrique Cardoso, foi uma lástima também. E deu o PT depois. 


QUEIJO: - A Polícia Federal não estava a caminho de prender 

todo o primeiro escalão do partido que estava na presidência da 

república.


AMOR: - Nem se quisesse... 


QUEIJO: - Então se a Dilma conseguir completar o mandato 

(lembrando Caio Blinder na Globo News falando em "Nixon no 

segundo ano" rs rs ), podemos ter uma Margareh Thatcher na 

forma algum liberal mais agressivo.


AMOR: - É, liberal agressivo é mais fácil que um liberal de 

verdade no Brasil. Estou cansado, vamos parar?


QUEIJO: - Cansado da corrupção do PT? 


AMOR: - A justiça esta caminhando e eu quero é olhar para as 

coisas boas. Economia é coisa dinâmica e podemos muito bem ter 

um bom 2016.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

24 de novembro de 2015

AMOR: - Não queria sentir tanto, não queria pensar tanto. Queria ser como aqueles anjos do filme "Asas do Desejo" ( "Der Himmel über Berlin", 1987). Imortal e poder estar em qualquer lugar.

QUEIJO: - Eles não sorriem e só usam roupas pretas. Você gosta de muitas cores. E não se pode estar perto e não morrer. Podemos agora falar de coisas importantes?

[ ... ]

AMOR: - Quando subi para abrir o portão vi as duas garotas que fiscalizam o foco de dengue passando. Atrás delas os pneus tinham acabado de serem cobertos com a lona furada.

QUEIJO: - Que bom!

AMOR: - Bom nada, os trabalhadores que estão fazendo a reforma no vizinho espalharam a lona sem usar pesos. A chuva de madrugada foi forte e fez várias poças que, pesadas, acabaram deslocando grande parte da lona. Está tudo descoberto e os pneus continuam cheios de água.

QUEIJO: - A culpa é sua que devia ter aproveitado que a lona tinha sido coberta para colocar os pesos.

AMOR: - Mas eles não sabem que a dengue é perigosa, que um pernilongo viaja dezenas de metros? O bairro é o mesmo!

QUEIJO: - Você não podia ter colocado os pesos na lona? 

AMOR: - Mas...

QUEIJO: - Eles não compraram aqueles pneus e nunca devem ter pensado na dengue durante muito tempo.

AMOR: - Mesmo se já tiveram a doença? Ou um amigo ou parente tiveram a doença? Dengue mata, uai!

QUEIJO: - É desagradável pensar em coisas ruins.


[ ... ]

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

23 de novembro de 2015

Ideologia é só quando a gente já viveu tudo e olha para trás. Tipo quando a gente esta no leito de morte e descobre-se um marxista ou liberal, mas a imagem aí para quem esta do outro lado do monitor do computador não precisa ser dramática assim.
Enquanto vivo são apenas simpatias. Embora simpatia seja quase amor. 

Essa coisa de mulheres fortes e assanhadas. Ah, não seria apenas o desejo de ser conquistado? Não seria apenas a confissão de que nunca se entregou? Nunca quis se entregar? Que de boa fé não é capaz de entregar o peito? E que agora não acha que há algo neste mundo que mereça isso de você? "Por favor, me conquiste! Seja violenta garota, mande em mim, mas consiga me conquistar!Por favor! Pau duro é legal, mas eu poderia ter mais do que isso? Me torne um escravo por dentro e por fora!" Escravidão parcial é o que mais tem por aí. Mas no íntimo você sabe que não acontece. Exercícios de imaginação e esperança. Gratuitos e baratos. Baratos.

E o radio do outro lado da parede tocando as mesmas músicas de sempre. Todas as músicas do mundo e é tocado as mesmas músicas de sempre no mesmo horário. Que bela metáfora para o destino opressor a apertar a minha garganta com gravatas, silêncios e contratos eternos e maldiçoados.

Esse dormir tarde é uma forma de atrasar o próximo dia. Tosquera dos inferno. Não adianta e estraga com preguiça o dia seguinte, tão temido. Achando no íntimo que as únicas regras que seria capaz de encontrar e seguir de todo coração e mente seriam aquelas que Moisés recebeu no Sinai. Mesmo assim, você seria mais exigente que o disciplinado Moisés e humildemente esperaria que Deus tivesse pelos menos um crachá para ser identificado... 

E depois de um dia inteiro tentando escrever, finalmente consigo? Finalmente! Deixa eu saber que isso é uma vitória! Olho o que escrevi e não o conteúdo. Letras pequenas no computador. Muitas. Quantidade antes da qualidade. Gostei. Momento Rossini! Tenho coisas e coisas a dizer! Posso gritar? 

Seria depressivo se essa tempestade interna toda, maior que o universo infinito lá fora, fosse apenas hormônios em desiquilíbrio e neurônios que estão brigados. Seria algo oco. Verossímil, mas como é feio: deve ser falso. Por outro lado, resolver essa tempestade por meio de conversas industrializadas e com final hollywoodiano; também é feio e, portanto, falso também.

Estou cansado. As palavras e mais palavras podem sair e eu posso até conseguir juntar algumas em algo realmente excepcional; mas estou com sono. Quero que segunda-feira seja assim também. 



quarta-feira, 18 de novembro de 2015

18 de novembro de 2015

QUEIJO: - Então agora chega, não é? Chega?

AMOR: - Chega, chega sim. Terminei. Não esperava que o modo aleatório tocasse aquela música. Ba-bum! Chega por hoje! Logo logo ela! Tantas lembranças!

QUEIJO: - Nem sei por onde começar. Perdi-me todo. A organização dos assuntos neste diálogo foi para o brejo.

AMOR: - Fique calmo.

QUEIJO: - Eu sou calmo. E as fotos editadas para hoje? Mas vamos lá.

AMOR: - Vamos. Por onde começamos?

QUEIJO: - Três anos de radio comunitária. Quantas vezes você tocou “Absolute Beginners”(*) e “Live on Mars” do David Bowie?

AMOR: - Na última semana?

QUEIJO: - Putamerda...

AMOR: - Aproveita e pergunta também sobre a versão da Siouxsie and The Banshees para “Dear Prudence”, de McCartney e Lennon! E para não acusarrrrr-me de antipatriótico, lembro-me de “A Boa Hora”, de Alessandra Leão. Viciante, viciante!

QUEIJO: - Depois reclama de tocar sempre “O que Sou Sem Jesus”, “Um Jantar Para Jesus”, “Milagre do Caixa Sete”, “Boate Azul”, “Os Dez Mandamentos do Amor”, “Filho Adotivo”, “Água no Leite”, “Último Julgamento”, “Chão de Giz”, “Hoje”, “Verdes Campos da Minha Terra”, “Mamãe Hoje Estou Tão Feliz”, “Franguinho na Panela”, “Advogado Fiel”, “Meu Barquinho”, “Fogão de Lenha” ...

AMOR: - De “Fogão de Lenha” eu gosto. Gosto de verdade. Tanto a versão de Chitãozinho & Xororó quanto à de Aguinaldo Timóteo são maravilhosas. Adoro.

QUEIJO: - Que outra coisa eu ia falar?

AMOR: - Das fotos!

QUEIJO: - Não são fotos, são cenas de filme.

AMOR: - Sim. 

QUEIJO: - Então. Três cenas favoritas de...

AMOR: - “O Pescador de Ilusões” (“The Fisher King”), de Terry Gilliam!

QUEIJO: - Você chorou mais vendo esse filme do que vendo “Cinema Paradiso”. Em “Paradiso” você desaba no final, em “Pescador de Ilusões” você chora o filme inteiro.

AMOR: - Por Júpiter, ainda bem que choro! Sinal que meu coração ainda pode dar opinião sincera!

QUEIJO: - Mas para que você separou e preparou essas três cenas?

AMOR: - Essas três cenas de filme de Terry Gilliam vão ilustrar trechos de peças de Shakespeare em minha página no FaceBook!

QUEIJO: - Pois é, pois é, pois é; você realmente acha graça em fazer isso. Eu sei. Eu também sou você. Agora tenho sinceras dúvidas se isso realmente funciona. Se alguém vai se interessar por livros e por autores com essa estranha propaganda que você faz.

AMOR: - Ah, funciona sim!

[ ... ]

AMOR: - A tragédia das barragens da Samarco/ Vale/ BHP nos deixa triste, mas também tem seus momentos no sense. Antes havia quatro fiscais para olhar todas as barragens de um estado chamado Minas Gerais. Agora, na verdade ontem na televisão, somos informados que são oito fiscais. Onde estavam esses quatro? Mistério, mistério!

QUEIJO: - Devem ter promovido alguns estagiários, incluindo a moça que cuida da copiadora do décimo primeiro andar da secretaria de Estado.

[ ... ]

QUEIJO: - Já lhe ocorreu que realmente tenha pessoas lendo essas nossas conversas? Sério mesmo: lendo, lendo isso!

AMOR: - Essa nossas conversas são assim porque assim foi a voz que encontrei para escrever sempre, quase diariamente. É tosco, mas é eu também. Começo comigo ou com você, eu me respondo e pronto: o trem flui. Não sei por onde. As vezes tenho uma certa dificuldade em fazer um bom final. Não sou James Joyce em “Dublinenses” ou um campeão olímpico de vôlei para fazer uma sacada final de tirar o fôlego.

QUEIJO: - Mas essas nossas conversas são mais que isso.

AMOR: - Elas são. São uma vingança.

QUEIJO: - Contra a fofinha-baixinha-paulista-ruiva-psicóloga-que usa óculos pretos gigantes iguais ao do Bono Vox e que te deu o fora. Você superou o pé na bunda, mas a piada ficou. O que mais esses nossos diálogos são? Além de um diário, uma confissão e um carimbo de existência? E... ?

AMOR: - E um escárnio sem piedade.

QUEIJO: - Sem piedade e diálogo para com todos os malditos médicos de cabeça deste mundo. Psicólogos, psiquiatras, terapeutas e dono de bares. E contra todos que tem poder em geral!

AMOR: - Não, não. Só contra os que têm mais poder que nós. Atacar quem tem mais poder que nós. Aquela pequena dose de rancor, não se esqueça.

QUEIJO: - É mesmo, lembrei. Lembrei-me da crítica nietzschiana ao anarquismo e ao cristianismo. Aqui...

AMOR: - O que foi?

QUEIJO: - O fato de ninguém postar comentários ou nunca falarem para você deste blog no FaceBook, ou ao vivo, nada significa. Você sabe como a internet pode ser traiçoeira.

AMOR: - Ah, eu não penso muito sobre isso. Não esquento a cabeça.

[ ... ]

QUEIJO: - Vamos terminar por hoje. Mas vamos falar sobre o que conseguiu parar você de escutar música, enquanto olhava fixamente para uma atriz gata da série “The Tudors”. Que você nem assiste, aliás. Aliás, nem sei como você encontrou essa foto. Procurando por Peter Sellers e você acha a Ann Boleyn!

AMOR: - São os mistérios, os mistérios!

QUEIJO: - Fale logo da música, eu quero jantar. Economizei na hora do almoço e agora to quase desmaiando.

AMOR: - É uma música gostosa do grupo Aphrodite's Child:   “Such A Funny Night”.

QUEIJO: - E porque essa música é tão especial?

AMOR: - Porque ela significa muito. Significa eu gastando todo o meu dinheiro para passar para DVD e CD, as fitas VHS mofadas e discos de vinil da minha família. Inclusive aqueles compactos raros que eu via puro ouro! Todo aquele sol e toda aquela Avenida Amazonas para subir e ir lá ao fim de mundo onde tinha a empresa que fazia a conversão. Fiz isso tantas vezes! Também significa os primórdios para a internet para mim. Lá em 2004, por aí. O meu começo no YouTube, site que visito mais que o Google. Significa meu primeiro blog e minhas visitas às lan house com uma internet lenta como as carroças de ferro velho aqui da cidade. Significa muito. Significa passado.

QUEIJO: - E por isso futuro.

[ ... ]

* A versão longa da canção, de pouco mais de oito minutos.