Voltaire ajuda

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domingo, 20 de setembro de 2015

20 de setembro de 2015.

AMOR: - “O problema, mais uma vez, é a falta de fiscalização. Falta fiscalização no Brasil.” Quantas vezes a imprensa repete isso durante um dia?

QUEIJO: - Os valores da família, as regras ensinadas pela escola, o amor ao próximo ou o receio que o guarda coloque o cassetete no bumbum pátrio. São critérios. São motivos para se fazer a coisa correta. Acredito que o povo brasileiro já escolheu que tipo de motivação funciona para ele.

AMOR: - Vou desconsiderar a sua grosseria, mas é mesmo chocante que as pessoas reclamem da fiscalização e não percebam o que isso implica e o que isso revela do caráter do povo, incluindo o do próprio repórter!

QUEIJO: - Se precisamos de um guarda em cada canto...

AMOR: - Além de tecnicamente impossível, seria tarde demais quando finalmente conseguíssemos um guarda em cada esquina: a guerra de todos contra todos já teria destruído todos os sonhos.

[ ... ]

[ Os Estados Unidos da América hoje, setembro de 2015, formam a nação mais poderosa do mundo. Um império. É verdade que nem tão poderoso e nem tão império como era antes, mas ainda superiores. As suas forças armadas tem potencial para fazer o que quiser e em qualquer lugar e a cultura estadunidense, a boa e a nem tão boa, estende sua influência por todo o mundo.

Mas entre os infinitos charmes que desfrutamos em estudar a história é testemunhar que nos últimos anos do século XIX era difícil imaginar que os Estados Unidos fossem se tornar tão poderoso. Era mais fácil acreditar que eles iriam ficar mais pobres e se desintegrar. À semelhança da Inglaterra, no mesmo período inclusive.
Pois bem: estadunidenses e ingleses deram a volta por cima. Por que o Brasil não consegue? Não é por falta de crise econômica, não é por falta de mentirosos na política e nem por falta de fanáticos na imprensa usando o medo como arma.

Porque o Brasil não consegue o que os Estados Unidos conseguiram?
Bom, antes de tudo: nem todos os brasileiros querem transformar este país em uma grande nação. Muitos pobres têm medo e muitos ricos não são patrióticos. E eles tem motivos até bem razoáveis para se comportarem assim, dado a nossa história traumática e violenta.
Mas vamos estudar esses nossos primos americanos primeiro.

1893: o maior pânico financeiro que o mundo testemunhou. Pelo menos até aquele momento.

Primeiro: a questão territorial. No final do século XIX os Estados Unidos estavam “prontos” nesse sentido, com fronteiras e população bem espalhada. A coisa tava organizada.
Enquanto isso no Brasil de 2015 tem lugar que ainda esta no século XVIII quanto a assassinatos à luz do dia e saneamento.

Segundo: os Estados Unidos era bem agrícolas e cedo, muito cedo a agricultura estadunidense entrou na arena selvagem do mercado mundial. Podemos imaginar o trauma para os grandes e pequenos agricultores. Para vencer eles usaram empréstimos, estradas de ferro e muitos equipamentos sofisticados.
Agora no Brasil do século XXI os taxistas brasileiros tem medo de um aplicativo de celular e a aclamação dos ambientalistas brasileiros para nossa economia seja ecológica, - à semelhança à europeia e à estadunidense -, faz com que o Alexandre Garcia, na Itatiaia, fale em comunistas melancias (verdes por fora e vermelhos por dentro) atrapalhando a economia mundial! Ai! Ai!

Terceiro: imigrantes, os Estados Unidos aproveitaram e muito a intensa onda de imigrantes. Eles souberam como fazer isso.

Pobreza e as greves violentas. Os mártires anarquistas de Chicago, citados na música socialista “Bandeira Vermelha”. 1892: a greve em Homestead. Uma das reivindicações trabalhistas do período: 8 horas de trabalho. As cicatrizes da Guerra Civil ainda vivas e mordendo o orgulho de muitos e expondo as desigualdades entre regiões. Os negros ainda longe, longe, longe e longe de serem tratados com toda dignidade que mereciam e merecem. Havia um partido chamado “Populista”!

Mark Hanna: magnata do aço e grande financiador de políticos em campanhas. Um dos primeiros, aliás.

A questão eleitoral é bem complicada e o nascimento do império (quando os EUA  decidiram sair do seu isolamento e de “país da independência” à “país imperial”) também é complicado. Destaco alguns pontos:
Hearst e seu império jornalístico pediram mesmo por uma guerra contra a Espanha em Cuba, mas Hearst foi lutar na guerra.
O episódio da ilha de Guam na até então chamada “Marianas Espanholas” é impagável.

Em sua caminhada os Estados Unidos souberam muito bem aproveitas os acasos e as oportunidades que surgiram em seu caminho. Acasos e oportunidades também nascem generosamente no caminho do Brasil, mas a gente parece não aproveitar tanto.

 [ ... ]

QUEIJO: - Ai!

AMOR: - O que foi?

QUEIJO: - Um desejo. Um desejo apareceu e estou tentando resistir.

AMOR: - Não estou perto do banheiro, senão eu pegava uma pinça.

QUEIJO: - Pois é... Aí!

AMOR: - Aqui, fiquei curioso. Desejo de quê?

QUEIJO: - De perguntar do que você mais gostou nos dois casamentos, nesses dois últimos fins de semana que você foi.

AMOR: - Das lâmpadas de sódio da igreja fazendo todo mundo ficar com hepatite e da cadela vira lata entrando e saindo toda hora.

QUEIJO: - Ai.

AMOR: - Mas além da sinceridade...

QUEIJO: - ... e do sagrado direito de ser uma marmota ...

AMOR: - ... que liberdade e direito eles deixam que eu viva?

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QUEIJO: - A novela de seu portfólio é uma prova cabal que você não é um adulto e não quer ser um. Como você consegue como consegue complicar uma coisa simples dessas?

AMOR: - Cortei muitas fotos e ainda hoje consigo imprimir todas. Colocando duas em cada folha fica bom, também. Vai dar certo. Vai dar certo.

QUEIJO: - Como consegue complicar e ser lento assim? Como?

AMOR: - Estou sozinho, estou aprendendo sozinho.

QUEIJO: - Solidão opcional.

AMOR: - Para a vitória ser minha, ora bolas.

QUEIJO: - Mas aí você não tem pódio e nem beijo de namorada.

AMOR: - Mas aí eu só recebo abraços e “parabéns” de quem importa.

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AMOR: - A fotografia e esta prosa que são esses nossos diálogos, a própria arte em geral é apenas uma questão de sorte.
QUEIJO: - Então do que serve a disciplina e a técnica?
AMOR: - A disciplina e a técnica servem para você tentar convencer a sorte a amar você.
[ ... ]
QUEIJO: - Antes de resumir mais alguns aforismos de Nietzsche...

AMOR: - Resumir, não. Reapresentar.

QUEIJO: - Antes de reapresentar mais alguns aforismos de Nietzsche...

AMOR: - Reapresentar, não. Plantar sementes-dinamite nos corações e mentes.

QUEIJO: - Antes de plantar sementes-dinamites nos corações e mentes...

AMOR: - Para que Nietzsche seja cada vez mais profeta.

QUEIJO: - Antes de tornar o mundo mais um pouquinho mais nietzschiniano, você podia contar a história de “Linger” do The Cranberries. Tocou por algoritmo no computador e você podia transformar esse acidente em outra coisa.

AMOR: - Foi há muitos e muitos anos atrás. Ainda morávamos no apertamento e eu era um aborrecente. Estava sozinho quando recebi uma visita.

QUEIJO: - Aborrecente por direito de idade, registra-se.

AMOR: - Estava sozinho quando recebi uma visita.

QUEIJO: - Quem era a visita?

AMOR: - Eram técnicos. Técnicos de alguma coisa. Da televisão não poderia ser, porque a televisão estava ligada... A não ser que eu a liguei para conferir que ela estava funcionando... Realmente não lembro.  Lembro que era mais ou menos na hora do almoço.

QUEIJO: - Detalhes, detalhes. Conte quem eram.

AMOR: - Uns três. Dois homens e uma mulher. Todos de uns 20 e poucos anos.

QUEIJO: - Então...

AMOR: - A televisão estava ligada na MTV Brasil e estava passando o videoclipe da música “linger” do The Cranberries.

QUEIJO: - E o que de super hiper mega extraordinário aconteceu e que você sempre lembra quando ouve “Linger”?

AMOR: - A única mulher do grupo de técnicos começou a cantar essa música dos Cranberries. Isso me pareceu tão incomum, tão raro, tão impossível! A música era lenta, a música era triste, o seu vídeo era em preto e branco e todo feito para procurarmos um monte de detalhezinhos e sugestões e referências cinematográficas e toda essa coisa sofisticada e etc. e etc. e etc. e etc. E mesmo assim aquela técnica conhecia essa música e seu vídeo e gostava e  tanto que tinha o direito de cantar. E ela cantou. Baixinho, não para o mundo escutar, mas para o mundo saber. Ela me parecia tão humilde e sem as coisas e mesmo assim...

QUEIJO: - Ah, quando ignorância é doce e tem o seu “toque de Midas”!

AMOR: - Achei aquilo incrível e bonito. Sempre que ouço essa música eu me lembro disso. Acho que deve ser uma dessas coisas ordinárias que realmente existem, diferente daquilo que apenas se repete. Deve ter muito disso por ai.

QUEIJO: - Ah, sim, tem sim.


[ ... ]

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