Voltaire ajuda

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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

11 de setembro de 2015

QUEIJO: - Mulher bonita vindo em sua direção! Vestido a lá anos 50, rabinho de cavalo e aquele pedacinho cruel de orelha aparecendo por entre os cabelos negros! O que fazer? O que fazer?

AMOR: - Encolhe a barriga e estufa o peito! Pavão walk! Pavão walk!

QUEIJO: - Impressionante, impressionante...

[ ... ]

AMOR: - AAAAhh!!!!!!

QUEIJA: - Por Júpiter, mas o que que isso? Parece que levou um soco no estômago misturado com dor do parto misturado com dor de dente! Que foi?

AMOR: - Que merda de vinho é esse? Parece querosene misturado com suco de uva!

QUEIJO: - É vinho caro, sua marmota. Este acostumado só com vinho barato, quando toma vinho caro passa essa vergonha. Ainda bem que pouca gente viu.

AMOR: - Nossa, mas é forte mesmo. Nú...

QUEIJO: - Vai ganhar dinheiro com fotografia para não passar por isso, vai. Vergonha. Imagine essa cena em um restaurante? Garçom vai achar que você é algum Tarzan recém-trazido da selva.

AMOR: - Bom, bom. Tarzan, Tarzan, sou um Tarzan! Gostei.

QUEIJO: - Um Tarzan da África Central, eu quis dizer.

AMOR: - : (

[ ... ]

[ A artista ou o artista as vezes tem muita necessidade de expressar-se, mas pode não ter a técnica adequada para isso. Precisa e precisa falar, mas não sabe como. Acontece então um exagero, uma estridência. E é assim que nasce o estilo barroco. E isso é desde o período clássico nas artes, lá na Grécia antiga.

Acontece sempre no anoitecer de um grande estilo. Esse grande estilo se vai, mas deixa como herança técnicas e temas sofisticados para todos. Mas nem todos capturam bem essa herança, entende?
Mas que fique claro lembra Nietzsche: quem tem grandeza dentro de si nunca vai perder tempo ao contemplar o barroco.

Outra coisa que Friedrich Nietzsche nos lembra: por mais ladinos que sejamos, a gente acaba sendo desarmado pelas palavras e livros. Livros são poderosos, atenção. Livros são poderosos, atenção.
Até mesmo um coração mentiroso fica mais sincero após a leitura de um livro sincero.
Atenção, pois os livros são poderosos.

(((( 
Aah!!!!
Estava digitando, passando do caderno para o computador essas palavras “formidáveis” quando a seleção aleatória do computador me acha o “Pas-de-deux”, de Tchaikovsky.
Aaaahh...
Aaaahh...
Aaaahh...
Aaaahh...
))))

A popularização da arte é uma coisa boa, levar arte para o grande público é bom. Pessoas humildes visitando museus sofisticados, trechos de óperas sendo exibidos ao vivo em praças de bairros da periferia... Essas coisas são legais, afirma Nietzsche.
Agora, tem um detalhe aqui. Artista que também almeje atingir com novas obras uma plateia bem bem ampla deve ter parcimônia. Pode acontecer dele ficar esgotado, entende? O esforço deixá-lo esgotado e isso é ruim.
Expresse, semeie, procure sorrisos artista; mas seja moderado também. Você ainda tem muito a fazer, aconselha Nietzsche. ]

[ ... ]

AMOR: - Vi na televisão essa semana: “Conheça as verdades e os mitos da pílula anticoncepcional”.

QUEIJO: - E daí?

AMOR: - E daí que é engano dizer que mitos não são opostos à verdade. Ninguém diz que um mito é verdadeiro ou mentiroso.

QUEIJO: - O que um mito?

AMOR: - Histórias muito especiais, muito resumidamente falando. Histórias que carregam dentro de si valores e ideias de toda uma civilização. Uma coisa grande demais para uma pergunta como “se é verdadeiro ou falso”.

QUEIJO: - Jesus, Maomé, Abraão, Krishna, Buda, Olimpo, a noite nascendo de uma fruta para os índios da Amazônia...

AMOR: - Sim, como saber se é verdade ou mentira? A epistemologia e até a etiqueta diz para o silêncio ser lembrado aqui.

QUEIJO: - Desculpe, mas é difícil que você veja uma fruta caindo de uma árvore e a noite saindo dali.

AMOR: - Você conhece todas as frutas, todas as árvores? Já viu todas caindo? Todas? As do passado, as que estão caindo neste momento e as do futuro?

QUEIJO: - Ok, ok, ok... David Hume e o problema da indução. Ok, ok, ok... Qual então deve ser a pergunta, qual deve ser a atitude?

AMOR: - Você pergunta para si mesmo se determinada história mitológica tocam o seu coração e se ela faz sentido. Se alguma delas faz, você sabe o caminho a seguir. Se não faz, você também sabe o caminho a seguir: ainda, ainda, ainda, ainda em frente.

QUEIJO: - E qual é o seu e o nosso caso?

AMOR: - “Ao infinito e além!”

QUEIJO: - Estou falando sério, sua marmota!

AMOR: - As ideias budistas e a história dramática e heroica do judaísmo.

QUEIJO: - Uma misturada, não é? Pelo menos você é brasileiro, isso já é meio caminho andado.

AMOR: - Se bem que eu também acho o máximo no hinduísmo as ideias de “Véu de Maya” e a “Teia de Indra”.

QUEIJO: - Mas é claro que não poderia ser simples...

AMOR: - E tem aquele poema didático “A Conferência dos Pássaros”, que é do sufismo.

QUEIJO: - Eu me lembro, foi o episódio de “As Religiões do Mundo – Histórias Animadas” que você mais assistiu. Umas dez vezes. Mas você também gostou do episódio sobre o Guru Nanak.

AMOR: - Claro, o episódio da morte dele e das duas flores para os dois discípulos que eram  hinduístas e islâmicos é a mais bonita história de tolerância religiosa que eu conheço.

QUEIJO: - Continue.

AMOR: - Quero ler todos os sermões do Padre Vieira, mas aquele volume já deve ter esgotado. Editora brasileira é f (xxx censurado xxx) mesmo! A direita diz que ele é de direita e a esquerda diz que ele é de esquerda e os católicos pararam de ler ele parece que faz muitos e muitos anos. Autor que confunde assim só pode ser bom. Isso é certeza!

QUEIJO: - O maior orador da língua portuguesa, assim como acontece na poesia você só pode lê-lo em voz alta. Mas você nem leu o mais famoso sermão dele, o da “sexagésima”.

AMOR: - Era coisa do colégio, não é? Obrigação e “responda em cinco linhas repetindo a pergunta na resposta” castram qualquer curiosidade e interesse espontâneos.

QUEIJO: - Continua.

AMOR: - Onde eu estava? Perdi-me.

QUEIJO: - A gente começou para apenas criticar o fato do jornalismo brasileiro não saber nem consultar um dicionário; mas acabamos viajando pela maionese.

AMOR: - Sim, então o básico: “Bíblia de Jerusalém” e os sermões do Padre Vieira. Do cristianismo só isso. O resto é supérfluo.

QUEIJO: - E que resto, né? Séculos e milhões de páginas. Você tem essa coisa com o Padre Vieira só por causa da professora de literatura Vera.

AMOR: - O entusiasmo dela me conquistou. Lembro-me do brilho dos olhos e das palavras que ela usou no dia que ela pediu o trabalho.

QUEIJO: - O trabalho que você não fez.

AMOR: - Os critérios do Amor são f (xxx censurado xxx) mesmo. Não espero que um queijo ricota entenda.

QUEIJO: - Ainda tem mais.

AMOR; - Tem as religiões dos povos da América Pré-Colombiana. Muito Câmara Cascudo na veia! Sou anarquista, se for para nivelar que seja para nivelar por cima. Tudo igual, tudo importante.

QUEIJO: - Nivelar por baixo só se tratando de política, não é?

AMOR: - Quando alguém diz que não é uma questão de dinheiro e sim uma questão de princípio é por que...

 QUEIJO: - Porque é uma questão de dinheiro.

AMOR: - E tem as descobertas científicas! Faz tempo que eu não acompanho o noticiário científico. Já devem ter conseguido separar os polos positivo e negativo de um metal magnetizado e solucionado o enigma dos números primos e eu nem fiquei sabendo.

QUEIJO: - Ainda no colégio foi descoberto um vírus que tinha DNA e RNA ao mesmo tempo, lembra?

AMOR: - É mesmo, foi bonito a professora falando que o nosso livro tinha acabado de ser superado. A ciência é f (xxx censurado xxx) mesmo!

QUEIJO: - F(xxx censurado xxx) é este post para blog. Olhe, são cinco páginas! Perdemos o controle! Ninguém vai ler isso tudo!

AMOR: - F(xxx censurado xxx).

QUEIJO: - F(xxx censurado xxx)?

AMOR: - F(xxx censurado xxx).

QUEIJO: - “F(xxx censurado xxx)”? É isso que você tem a dizer? “F(xxx censurado xxx)”?

AMOR: - F(xxx censurado xxx).

[ ... ]

[ Francis Bacon (1561-1626), desta vez, esta nos convidando a conversar sobre a morte. Vamos?

A morte é um evento. Ponto. Um evento. Acontece. Ponto. Encarar ela desta forma já é alguma coisa. Muita coisa.

Não temos tanto medo da morte assim, temos medo mesmo é de toooodo o processo, entendem? O luto, o pranto, aquele silêncio e atmosfera pesados. Nem tanto é a dor física, como facilmente poderíamos pensar.

Todo mundo morre blá, blá, blá e tal. Mas... Mas... Será mesmo a morte invencível? Vamos perguntar ao amor, à honra e à vingança. E a piedade também.

E o que dizer das grandes mulheres e dos grandes homens que continuam calmos e magnânimos mesmo diante da morte eminente?

“Adente si quid mihi restant agendum.” – Sétimo Severo.

Pode parecer loucura ou simplesmente grosseria, mas o mais maduro é mesmo aceitar a morte.

Fiz o meu trabalho, agora deixe-me ir. A inveja finalmente foi derrotada e a porta da fama se abre. ]

[ ... ]

QUEIJO: - “Uma mulher que colocou a prooooooooooooopria filha de 13 anos como prostituta foi presa e blá blá!” Terrível são os crimes e como lidamos com eles.

AMOR: - Ah, Itatiaia! O saudável hábito de puxar a orelha da grande imprensa. E a reportagem sobre investigações a respeito do senador Antônio Anastasia?

QUEIJO: - Repetir a mesma palavra faz um texto ficar feio, esteticamente falando. Então no resumo da reportagem, no final, só citaram o nome dele uma vez. As outras referências foram indiretas.

AMOR: - Tenho que dar o braço a torcer porque eu prestei atenção no texto e admito que a sofisticação foi grande, devem ter escrito e reescrito aquele texto algumas vezes.

QUEIJO: - E a reportagem sobre as investigações a respeito o senador Aloysio Nunes?

AMOR: - Na primeira vez o sagrado dever do jornalista ouvir o outro lado foi tão, mas tãããão respeitado que depois de um minuto (um tempo longo em se tratando de rádio e mesmo de televisão) eu já estava sinceramente apaixonado pela voz dele. No dia seguinte a manchete avisava que as investigações mudaram de foco, o que era uma coisa ótima para o senador. Ocorre é que apenas quando a reportagem foi exibida, percebia que as mudanças nas investigações não eram apenas uma coisa boa para o senador do PSDB, mas também para integrantes do PT. Mas na horta de dar as manchetes esse detalhe foi ignorado. Apesar de ser um integrante do PSDB e vários do PT. 

QUEIJO: - E teve aquela vez, mas isso faz mais de um mês já, que anunciaram uma reportagem sobre o afastamento de uma advogada que atendia muita gente suspeita que estava sendo alvo da “Operação Lava Jato”. Ela era talentosa e tinha conseguido muitas delações premiadas e tal. Ela saiu de cena, viajou e a coisa não dava a impressão de ser algo assim natural.

AMOR: - E daí?

QUEIJO: - Não lembra? A reportagem que anunciaram várias vezes na verdade era a coluna de opinião do Alexandre Garcia. Reportagem é diferente de coluna de opinião.

AMOR: - Nas manchetes a Itatiaia não tinha falado que seria uma “reportagem”. Não tem essa história de subentendido.

QUEIJO: - Mas eles também não falaram que seria uma coluna de opinião a respeito do afastamento da advogada.

[ ... ]

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