Voltaire ajuda

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domingo, 20 de setembro de 2015

20 de setembro de 2015.

AMOR: - “O problema, mais uma vez, é a falta de fiscalização. Falta fiscalização no Brasil.” Quantas vezes a imprensa repete isso durante um dia?

QUEIJO: - Os valores da família, as regras ensinadas pela escola, o amor ao próximo ou o receio que o guarda coloque o cassetete no bumbum pátrio. São critérios. São motivos para se fazer a coisa correta. Acredito que o povo brasileiro já escolheu que tipo de motivação funciona para ele.

AMOR: - Vou desconsiderar a sua grosseria, mas é mesmo chocante que as pessoas reclamem da fiscalização e não percebam o que isso implica e o que isso revela do caráter do povo, incluindo o do próprio repórter!

QUEIJO: - Se precisamos de um guarda em cada canto...

AMOR: - Além de tecnicamente impossível, seria tarde demais quando finalmente conseguíssemos um guarda em cada esquina: a guerra de todos contra todos já teria destruído todos os sonhos.

[ ... ]

[ Os Estados Unidos da América hoje, setembro de 2015, formam a nação mais poderosa do mundo. Um império. É verdade que nem tão poderoso e nem tão império como era antes, mas ainda superiores. As suas forças armadas tem potencial para fazer o que quiser e em qualquer lugar e a cultura estadunidense, a boa e a nem tão boa, estende sua influência por todo o mundo.

Mas entre os infinitos charmes que desfrutamos em estudar a história é testemunhar que nos últimos anos do século XIX era difícil imaginar que os Estados Unidos fossem se tornar tão poderoso. Era mais fácil acreditar que eles iriam ficar mais pobres e se desintegrar. À semelhança da Inglaterra, no mesmo período inclusive.
Pois bem: estadunidenses e ingleses deram a volta por cima. Por que o Brasil não consegue? Não é por falta de crise econômica, não é por falta de mentirosos na política e nem por falta de fanáticos na imprensa usando o medo como arma.

Porque o Brasil não consegue o que os Estados Unidos conseguiram?
Bom, antes de tudo: nem todos os brasileiros querem transformar este país em uma grande nação. Muitos pobres têm medo e muitos ricos não são patrióticos. E eles tem motivos até bem razoáveis para se comportarem assim, dado a nossa história traumática e violenta.
Mas vamos estudar esses nossos primos americanos primeiro.

1893: o maior pânico financeiro que o mundo testemunhou. Pelo menos até aquele momento.

Primeiro: a questão territorial. No final do século XIX os Estados Unidos estavam “prontos” nesse sentido, com fronteiras e população bem espalhada. A coisa tava organizada.
Enquanto isso no Brasil de 2015 tem lugar que ainda esta no século XVIII quanto a assassinatos à luz do dia e saneamento.

Segundo: os Estados Unidos era bem agrícolas e cedo, muito cedo a agricultura estadunidense entrou na arena selvagem do mercado mundial. Podemos imaginar o trauma para os grandes e pequenos agricultores. Para vencer eles usaram empréstimos, estradas de ferro e muitos equipamentos sofisticados.
Agora no Brasil do século XXI os taxistas brasileiros tem medo de um aplicativo de celular e a aclamação dos ambientalistas brasileiros para nossa economia seja ecológica, - à semelhança à europeia e à estadunidense -, faz com que o Alexandre Garcia, na Itatiaia, fale em comunistas melancias (verdes por fora e vermelhos por dentro) atrapalhando a economia mundial! Ai! Ai!

Terceiro: imigrantes, os Estados Unidos aproveitaram e muito a intensa onda de imigrantes. Eles souberam como fazer isso.

Pobreza e as greves violentas. Os mártires anarquistas de Chicago, citados na música socialista “Bandeira Vermelha”. 1892: a greve em Homestead. Uma das reivindicações trabalhistas do período: 8 horas de trabalho. As cicatrizes da Guerra Civil ainda vivas e mordendo o orgulho de muitos e expondo as desigualdades entre regiões. Os negros ainda longe, longe, longe e longe de serem tratados com toda dignidade que mereciam e merecem. Havia um partido chamado “Populista”!

Mark Hanna: magnata do aço e grande financiador de políticos em campanhas. Um dos primeiros, aliás.

A questão eleitoral é bem complicada e o nascimento do império (quando os EUA  decidiram sair do seu isolamento e de “país da independência” à “país imperial”) também é complicado. Destaco alguns pontos:
Hearst e seu império jornalístico pediram mesmo por uma guerra contra a Espanha em Cuba, mas Hearst foi lutar na guerra.
O episódio da ilha de Guam na até então chamada “Marianas Espanholas” é impagável.

Em sua caminhada os Estados Unidos souberam muito bem aproveitas os acasos e as oportunidades que surgiram em seu caminho. Acasos e oportunidades também nascem generosamente no caminho do Brasil, mas a gente parece não aproveitar tanto.

 [ ... ]

QUEIJO: - Ai!

AMOR: - O que foi?

QUEIJO: - Um desejo. Um desejo apareceu e estou tentando resistir.

AMOR: - Não estou perto do banheiro, senão eu pegava uma pinça.

QUEIJO: - Pois é... Aí!

AMOR: - Aqui, fiquei curioso. Desejo de quê?

QUEIJO: - De perguntar do que você mais gostou nos dois casamentos, nesses dois últimos fins de semana que você foi.

AMOR: - Das lâmpadas de sódio da igreja fazendo todo mundo ficar com hepatite e da cadela vira lata entrando e saindo toda hora.

QUEIJO: - Ai.

AMOR: - Mas além da sinceridade...

QUEIJO: - ... e do sagrado direito de ser uma marmota ...

AMOR: - ... que liberdade e direito eles deixam que eu viva?

[ ... ]

QUEIJO: - A novela de seu portfólio é uma prova cabal que você não é um adulto e não quer ser um. Como você consegue como consegue complicar uma coisa simples dessas?

AMOR: - Cortei muitas fotos e ainda hoje consigo imprimir todas. Colocando duas em cada folha fica bom, também. Vai dar certo. Vai dar certo.

QUEIJO: - Como consegue complicar e ser lento assim? Como?

AMOR: - Estou sozinho, estou aprendendo sozinho.

QUEIJO: - Solidão opcional.

AMOR: - Para a vitória ser minha, ora bolas.

QUEIJO: - Mas aí você não tem pódio e nem beijo de namorada.

AMOR: - Mas aí eu só recebo abraços e “parabéns” de quem importa.

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AMOR: - A fotografia e esta prosa que são esses nossos diálogos, a própria arte em geral é apenas uma questão de sorte.
QUEIJO: - Então do que serve a disciplina e a técnica?
AMOR: - A disciplina e a técnica servem para você tentar convencer a sorte a amar você.
[ ... ]
QUEIJO: - Antes de resumir mais alguns aforismos de Nietzsche...

AMOR: - Resumir, não. Reapresentar.

QUEIJO: - Antes de reapresentar mais alguns aforismos de Nietzsche...

AMOR: - Reapresentar, não. Plantar sementes-dinamite nos corações e mentes.

QUEIJO: - Antes de plantar sementes-dinamites nos corações e mentes...

AMOR: - Para que Nietzsche seja cada vez mais profeta.

QUEIJO: - Antes de tornar o mundo mais um pouquinho mais nietzschiniano, você podia contar a história de “Linger” do The Cranberries. Tocou por algoritmo no computador e você podia transformar esse acidente em outra coisa.

AMOR: - Foi há muitos e muitos anos atrás. Ainda morávamos no apertamento e eu era um aborrecente. Estava sozinho quando recebi uma visita.

QUEIJO: - Aborrecente por direito de idade, registra-se.

AMOR: - Estava sozinho quando recebi uma visita.

QUEIJO: - Quem era a visita?

AMOR: - Eram técnicos. Técnicos de alguma coisa. Da televisão não poderia ser, porque a televisão estava ligada... A não ser que eu a liguei para conferir que ela estava funcionando... Realmente não lembro.  Lembro que era mais ou menos na hora do almoço.

QUEIJO: - Detalhes, detalhes. Conte quem eram.

AMOR: - Uns três. Dois homens e uma mulher. Todos de uns 20 e poucos anos.

QUEIJO: - Então...

AMOR: - A televisão estava ligada na MTV Brasil e estava passando o videoclipe da música “linger” do The Cranberries.

QUEIJO: - E o que de super hiper mega extraordinário aconteceu e que você sempre lembra quando ouve “Linger”?

AMOR: - A única mulher do grupo de técnicos começou a cantar essa música dos Cranberries. Isso me pareceu tão incomum, tão raro, tão impossível! A música era lenta, a música era triste, o seu vídeo era em preto e branco e todo feito para procurarmos um monte de detalhezinhos e sugestões e referências cinematográficas e toda essa coisa sofisticada e etc. e etc. e etc. e etc. E mesmo assim aquela técnica conhecia essa música e seu vídeo e gostava e  tanto que tinha o direito de cantar. E ela cantou. Baixinho, não para o mundo escutar, mas para o mundo saber. Ela me parecia tão humilde e sem as coisas e mesmo assim...

QUEIJO: - Ah, quando ignorância é doce e tem o seu “toque de Midas”!

AMOR: - Achei aquilo incrível e bonito. Sempre que ouço essa música eu me lembro disso. Acho que deve ser uma dessas coisas ordinárias que realmente existem, diferente daquilo que apenas se repete. Deve ter muito disso por ai.

QUEIJO: - Ah, sim, tem sim.


[ ... ]

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

11 de setembro de 2015

QUEIJO: - Mulher bonita vindo em sua direção! Vestido a lá anos 50, rabinho de cavalo e aquele pedacinho cruel de orelha aparecendo por entre os cabelos negros! O que fazer? O que fazer?

AMOR: - Encolhe a barriga e estufa o peito! Pavão walk! Pavão walk!

QUEIJO: - Impressionante, impressionante...

[ ... ]

AMOR: - AAAAhh!!!!!!

QUEIJA: - Por Júpiter, mas o que que isso? Parece que levou um soco no estômago misturado com dor do parto misturado com dor de dente! Que foi?

AMOR: - Que merda de vinho é esse? Parece querosene misturado com suco de uva!

QUEIJO: - É vinho caro, sua marmota. Este acostumado só com vinho barato, quando toma vinho caro passa essa vergonha. Ainda bem que pouca gente viu.

AMOR: - Nossa, mas é forte mesmo. Nú...

QUEIJO: - Vai ganhar dinheiro com fotografia para não passar por isso, vai. Vergonha. Imagine essa cena em um restaurante? Garçom vai achar que você é algum Tarzan recém-trazido da selva.

AMOR: - Bom, bom. Tarzan, Tarzan, sou um Tarzan! Gostei.

QUEIJO: - Um Tarzan da África Central, eu quis dizer.

AMOR: - : (

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[ A artista ou o artista as vezes tem muita necessidade de expressar-se, mas pode não ter a técnica adequada para isso. Precisa e precisa falar, mas não sabe como. Acontece então um exagero, uma estridência. E é assim que nasce o estilo barroco. E isso é desde o período clássico nas artes, lá na Grécia antiga.

Acontece sempre no anoitecer de um grande estilo. Esse grande estilo se vai, mas deixa como herança técnicas e temas sofisticados para todos. Mas nem todos capturam bem essa herança, entende?
Mas que fique claro lembra Nietzsche: quem tem grandeza dentro de si nunca vai perder tempo ao contemplar o barroco.

Outra coisa que Friedrich Nietzsche nos lembra: por mais ladinos que sejamos, a gente acaba sendo desarmado pelas palavras e livros. Livros são poderosos, atenção. Livros são poderosos, atenção.
Até mesmo um coração mentiroso fica mais sincero após a leitura de um livro sincero.
Atenção, pois os livros são poderosos.

(((( 
Aah!!!!
Estava digitando, passando do caderno para o computador essas palavras “formidáveis” quando a seleção aleatória do computador me acha o “Pas-de-deux”, de Tchaikovsky.
Aaaahh...
Aaaahh...
Aaaahh...
Aaaahh...
))))

A popularização da arte é uma coisa boa, levar arte para o grande público é bom. Pessoas humildes visitando museus sofisticados, trechos de óperas sendo exibidos ao vivo em praças de bairros da periferia... Essas coisas são legais, afirma Nietzsche.
Agora, tem um detalhe aqui. Artista que também almeje atingir com novas obras uma plateia bem bem ampla deve ter parcimônia. Pode acontecer dele ficar esgotado, entende? O esforço deixá-lo esgotado e isso é ruim.
Expresse, semeie, procure sorrisos artista; mas seja moderado também. Você ainda tem muito a fazer, aconselha Nietzsche. ]

[ ... ]

AMOR: - Vi na televisão essa semana: “Conheça as verdades e os mitos da pílula anticoncepcional”.

QUEIJO: - E daí?

AMOR: - E daí que é engano dizer que mitos não são opostos à verdade. Ninguém diz que um mito é verdadeiro ou mentiroso.

QUEIJO: - O que um mito?

AMOR: - Histórias muito especiais, muito resumidamente falando. Histórias que carregam dentro de si valores e ideias de toda uma civilização. Uma coisa grande demais para uma pergunta como “se é verdadeiro ou falso”.

QUEIJO: - Jesus, Maomé, Abraão, Krishna, Buda, Olimpo, a noite nascendo de uma fruta para os índios da Amazônia...

AMOR: - Sim, como saber se é verdade ou mentira? A epistemologia e até a etiqueta diz para o silêncio ser lembrado aqui.

QUEIJO: - Desculpe, mas é difícil que você veja uma fruta caindo de uma árvore e a noite saindo dali.

AMOR: - Você conhece todas as frutas, todas as árvores? Já viu todas caindo? Todas? As do passado, as que estão caindo neste momento e as do futuro?

QUEIJO: - Ok, ok, ok... David Hume e o problema da indução. Ok, ok, ok... Qual então deve ser a pergunta, qual deve ser a atitude?

AMOR: - Você pergunta para si mesmo se determinada história mitológica tocam o seu coração e se ela faz sentido. Se alguma delas faz, você sabe o caminho a seguir. Se não faz, você também sabe o caminho a seguir: ainda, ainda, ainda, ainda em frente.

QUEIJO: - E qual é o seu e o nosso caso?

AMOR: - “Ao infinito e além!”

QUEIJO: - Estou falando sério, sua marmota!

AMOR: - As ideias budistas e a história dramática e heroica do judaísmo.

QUEIJO: - Uma misturada, não é? Pelo menos você é brasileiro, isso já é meio caminho andado.

AMOR: - Se bem que eu também acho o máximo no hinduísmo as ideias de “Véu de Maya” e a “Teia de Indra”.

QUEIJO: - Mas é claro que não poderia ser simples...

AMOR: - E tem aquele poema didático “A Conferência dos Pássaros”, que é do sufismo.

QUEIJO: - Eu me lembro, foi o episódio de “As Religiões do Mundo – Histórias Animadas” que você mais assistiu. Umas dez vezes. Mas você também gostou do episódio sobre o Guru Nanak.

AMOR: - Claro, o episódio da morte dele e das duas flores para os dois discípulos que eram  hinduístas e islâmicos é a mais bonita história de tolerância religiosa que eu conheço.

QUEIJO: - Continue.

AMOR: - Quero ler todos os sermões do Padre Vieira, mas aquele volume já deve ter esgotado. Editora brasileira é f (xxx censurado xxx) mesmo! A direita diz que ele é de direita e a esquerda diz que ele é de esquerda e os católicos pararam de ler ele parece que faz muitos e muitos anos. Autor que confunde assim só pode ser bom. Isso é certeza!

QUEIJO: - O maior orador da língua portuguesa, assim como acontece na poesia você só pode lê-lo em voz alta. Mas você nem leu o mais famoso sermão dele, o da “sexagésima”.

AMOR: - Era coisa do colégio, não é? Obrigação e “responda em cinco linhas repetindo a pergunta na resposta” castram qualquer curiosidade e interesse espontâneos.

QUEIJO: - Continua.

AMOR: - Onde eu estava? Perdi-me.

QUEIJO: - A gente começou para apenas criticar o fato do jornalismo brasileiro não saber nem consultar um dicionário; mas acabamos viajando pela maionese.

AMOR: - Sim, então o básico: “Bíblia de Jerusalém” e os sermões do Padre Vieira. Do cristianismo só isso. O resto é supérfluo.

QUEIJO: - E que resto, né? Séculos e milhões de páginas. Você tem essa coisa com o Padre Vieira só por causa da professora de literatura Vera.

AMOR: - O entusiasmo dela me conquistou. Lembro-me do brilho dos olhos e das palavras que ela usou no dia que ela pediu o trabalho.

QUEIJO: - O trabalho que você não fez.

AMOR: - Os critérios do Amor são f (xxx censurado xxx) mesmo. Não espero que um queijo ricota entenda.

QUEIJO: - Ainda tem mais.

AMOR; - Tem as religiões dos povos da América Pré-Colombiana. Muito Câmara Cascudo na veia! Sou anarquista, se for para nivelar que seja para nivelar por cima. Tudo igual, tudo importante.

QUEIJO: - Nivelar por baixo só se tratando de política, não é?

AMOR: - Quando alguém diz que não é uma questão de dinheiro e sim uma questão de princípio é por que...

 QUEIJO: - Porque é uma questão de dinheiro.

AMOR: - E tem as descobertas científicas! Faz tempo que eu não acompanho o noticiário científico. Já devem ter conseguido separar os polos positivo e negativo de um metal magnetizado e solucionado o enigma dos números primos e eu nem fiquei sabendo.

QUEIJO: - Ainda no colégio foi descoberto um vírus que tinha DNA e RNA ao mesmo tempo, lembra?

AMOR: - É mesmo, foi bonito a professora falando que o nosso livro tinha acabado de ser superado. A ciência é f (xxx censurado xxx) mesmo!

QUEIJO: - F(xxx censurado xxx) é este post para blog. Olhe, são cinco páginas! Perdemos o controle! Ninguém vai ler isso tudo!

AMOR: - F(xxx censurado xxx).

QUEIJO: - F(xxx censurado xxx)?

AMOR: - F(xxx censurado xxx).

QUEIJO: - “F(xxx censurado xxx)”? É isso que você tem a dizer? “F(xxx censurado xxx)”?

AMOR: - F(xxx censurado xxx).

[ ... ]

[ Francis Bacon (1561-1626), desta vez, esta nos convidando a conversar sobre a morte. Vamos?

A morte é um evento. Ponto. Um evento. Acontece. Ponto. Encarar ela desta forma já é alguma coisa. Muita coisa.

Não temos tanto medo da morte assim, temos medo mesmo é de toooodo o processo, entendem? O luto, o pranto, aquele silêncio e atmosfera pesados. Nem tanto é a dor física, como facilmente poderíamos pensar.

Todo mundo morre blá, blá, blá e tal. Mas... Mas... Será mesmo a morte invencível? Vamos perguntar ao amor, à honra e à vingança. E a piedade também.

E o que dizer das grandes mulheres e dos grandes homens que continuam calmos e magnânimos mesmo diante da morte eminente?

“Adente si quid mihi restant agendum.” – Sétimo Severo.

Pode parecer loucura ou simplesmente grosseria, mas o mais maduro é mesmo aceitar a morte.

Fiz o meu trabalho, agora deixe-me ir. A inveja finalmente foi derrotada e a porta da fama se abre. ]

[ ... ]

QUEIJO: - “Uma mulher que colocou a prooooooooooooopria filha de 13 anos como prostituta foi presa e blá blá!” Terrível são os crimes e como lidamos com eles.

AMOR: - Ah, Itatiaia! O saudável hábito de puxar a orelha da grande imprensa. E a reportagem sobre investigações a respeito do senador Antônio Anastasia?

QUEIJO: - Repetir a mesma palavra faz um texto ficar feio, esteticamente falando. Então no resumo da reportagem, no final, só citaram o nome dele uma vez. As outras referências foram indiretas.

AMOR: - Tenho que dar o braço a torcer porque eu prestei atenção no texto e admito que a sofisticação foi grande, devem ter escrito e reescrito aquele texto algumas vezes.

QUEIJO: - E a reportagem sobre as investigações a respeito o senador Aloysio Nunes?

AMOR: - Na primeira vez o sagrado dever do jornalista ouvir o outro lado foi tão, mas tãããão respeitado que depois de um minuto (um tempo longo em se tratando de rádio e mesmo de televisão) eu já estava sinceramente apaixonado pela voz dele. No dia seguinte a manchete avisava que as investigações mudaram de foco, o que era uma coisa ótima para o senador. Ocorre é que apenas quando a reportagem foi exibida, percebia que as mudanças nas investigações não eram apenas uma coisa boa para o senador do PSDB, mas também para integrantes do PT. Mas na horta de dar as manchetes esse detalhe foi ignorado. Apesar de ser um integrante do PSDB e vários do PT. 

QUEIJO: - E teve aquela vez, mas isso faz mais de um mês já, que anunciaram uma reportagem sobre o afastamento de uma advogada que atendia muita gente suspeita que estava sendo alvo da “Operação Lava Jato”. Ela era talentosa e tinha conseguido muitas delações premiadas e tal. Ela saiu de cena, viajou e a coisa não dava a impressão de ser algo assim natural.

AMOR: - E daí?

QUEIJO: - Não lembra? A reportagem que anunciaram várias vezes na verdade era a coluna de opinião do Alexandre Garcia. Reportagem é diferente de coluna de opinião.

AMOR: - Nas manchetes a Itatiaia não tinha falado que seria uma “reportagem”. Não tem essa história de subentendido.

QUEIJO: - Mas eles também não falaram que seria uma coluna de opinião a respeito do afastamento da advogada.

[ ... ]

domingo, 6 de setembro de 2015

A História da Tampa da Privada

A HISTÓRIA DA TAMPA DA PRIVADA

QUEIJO: - Não me enrole, Amor: conte a história da tampa da privada.

AMOR: - Não sei se estou com a disposição de espírito e suficientemente virtuoso quando ao uso das palavras. Sabe?, para poder usar a ambiguidade e a mentira quando necessário.

QUEIJO: - Incrível como você consegue esquentar a cabeça por tudo. Seja simples.

AMOR: - Foi há alguns anos atrás. Ela já tinha feito a cirurgia contra o câncer e estava quase voltando para casa. Foram dias difíceis. Dor, sem dormir, aquela coisa toda.

QUEIJO: - Aham, sei. Todo mundo sabe como são essas coisas. Continua.

AMOR: - Eu tinha voltado antes dela quando por telefone soube que na semana seguinte eu me mudaria para o apertamento.

QUEIJO: - HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! Coitadinho, imagino a tempestade em você!

AMOR: - Eu não daria conta de cuidar de um cachorro, quanto mais morar sozinho. O ódio, a mágoa e o rancor. A vergonha de mim e o ódio dirigido a eles. A minha fraqueza e a displicência deles.

QUEIJO: - A sua memória é seletiva, como a de qualquer pessoa. E você não é exatamente a pessoa mais fácil de conversar, eles podem dizer. E podem dizer isso com razão.

AMOR: - Não saberia ser um simples caixa de padaria, cuidar de uma planta ou de um cachorro. Lembrei que quis fazer curso técnico quando ainda estava no colégio e eles não deixaram.

QUEIJO: - Adiantou nada ser um adolescente maduro nesse canto da cabeça, quando se sabe como você chegou ao fim da faculdade. Aliás, aproveite e conta a história da agência do INSS. Da pergunta que a atendente fez a você e de como você olhou para trás, onde todos aqueles idosos pobres estavam sentados e tristes a esperar que o Estado lembrasse a diferença entre direito e favor. Quer que eu repita a pergunta que ela fez a você?

AMOR: - Não precisa me lembrar, eu lembro. Lembro também das pessoas que chegam a uma cidade com um centavo no bolso e a partir daí construíram um império.

QUEIJO: - Adiantou nada gostar de ler biografias também, como se vê. Pelo sacrifício que foi pagar o colégio em que você estudou e até mesmo pelo seu desempenho nas provas, era óbvio que a sua trajetória seria essa: universidade federal e depois concurso público. E feliz para sempre! Mas você os decepcionou. E nem o carro e nem os netos, também. Traição completa.

AMOR: - Nem tão completa.

QUEIJO: - É mesmo, tem a história da biblioteca da família. Conta aí.

AMOR: - Não estava presente quando ela nos visitou. Dos mais de 150 livros que eu tenho me contaram que apenas um chamou a atenção da visita familiar: “Eu, Cristiane F., Drogada e Prostituída”.

QUEIJO: - HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! Eles devem achar um milagre que você, do jeito que é, ainda não tenha caído nos braços da cocaína ou do álcool.

AMOR: - O que revela ignorância e insensibilidade, pois há infinitas formas de suicídio silencioso e infinitas formas de sabotar o próprio corpo. Eu podia contar como consegui, sem ajuda, parar de coçar os dedos do pé! Eu coçava até sangrar. Consegui parar sem ajuda. É uma vitória, não é? Eu posso me orgulhar disso, não é?

QUEIJO: - A ovelha negra da família não é assim tão negra!

AMOR: - Isso foi meio racista.

QUEIJO: - O termo “negro” esta em um sentido ambíguo aqui uma vez que a ideia de ser a ovelha negra não te desagrada tanto, mas se você faz apenas a leitura negativa da palavra “negra”eu peço desculpas. Peço desculpas se feri os seus sentimentos vermelhinhos.

AMOR: - Sentimentos negros, eu sou anarquista. Os socialistas são uns burocratas com chave da penitenciária. Não sabem lidar com a liberdade e em geral são uns burros, e vivem apanhando de gente ainda mais ignorante que eles.

QUEIJO: - E os neoliberais são uns covardes que usam terno e gravata, e que diante de uma criança pobre eles dão planilhas do Excel em vez de remédios. E fazem isso sem perceber a diferença. Mas vamos voltar à história da tampa da privada. Mas antes uma perguntinha: porque você não pede emprego em uma padaria? Você receberia algum treinamento antes, isso é óbvio. E para você todo trabalho é digno. Então, por que não pede?

AMOR: - Porque eu não quero.

QUEIJO: - Hum, entendo. Certo, continue.

AMOR: - Teria menos de uma semana para me mudar. Raiva, mágoa, rancor. Vergonha, muita vergonha de mim pela minha completa falta de preparo. Era difícil segurar o choro. E também eu mão conseguia parar de pensar em todas as coisas que poderiam dar errado. Eu poderia me engasgar e morrer sufocado. Eu seria assassinado. Eu fracassaria e fracassaria. A lista de coisas que eu pensava que poderiam dar errado era imensa e eu não parava de pensar nelas. O bairro em que o apertamento ficava era pobre e abandonado. O fato de ali ter dois ou três funerárias em um mesmo quarteirão era outra coisa que me deixava em pânico.

QUEIJO: - Desculpe, mas o detalhe das funerárias é muito engraçado mesmo. E esqueceu pelo menos de uma que fica na avenida, lá embaixo.

AMOR: - A caminhada para o posto de saúde era de mais meia hora e eram subidas e uma volta enorme. Perto do clube dos oficiais tinha um bar onde havia uma máquina caça níquel. Para quem eu pediria ajuda?

QUEIJO: - Vamos mudar de assunto, eu quero chegar aos quarenta.  Vamos voltar ao bebê grande. Conte o dia da mudança. Os milhares de leitoras e de leitores querem saber quando é que vai aparecer a tal da tampa da privada.

AMOR: - A raiva e a vergonha eram tanta que eu ficava com vontade de me rasgar em mil pedaços. De morrer. Morrer seria melhor que aquilo. Como eu deixei que chegasse àquele ponto? Como eu deixei? Lembrei-me de um dos artigos do Gustavo Ioschpe no FolhaTeen (suplemento dedicado aos jovens da Folha de S. Paulo. Minha família assinou o jornal entre 1995 a 2002. Tenho todos os artigos do Ioschpe na Folha.) que tratava justamente de pessoas que se tornam jovens adultos e não sabem nem trocar um botijão de gás e coisas do tipo. Eu lembro deste artigo eu entendi esse artigo na época, eu me alertei! Isso poderia acontecer com todo mundo, com todo mundo, menos comigo, menos comigo! Como eu deixei? Como eu pude deixar isso acontecer? Como deixaram isso acontecer? Era dilacerante. Era dilacerante. Era dilacerante.

QUEIJO: - E tudo isso em frente a...

AMOR: - Em frente a ele.

QUEIJO: - Que nunca...

AMOR: - Mentiu, se desculpou, nunca ficava doente ou sofria um acidente quando eu era uma criança, que nunca deixou de cumprir aquilo que ele identificou como o seu dever.

QUEIJO: - Apesar de...

AMOR: - Não ser exatamente um exemplo de sucesso.

QUEIJO: - O que você identificava como sendo mais uma traição a trespassar o seu pobre peito de bebê e ajudou você a ser esse super sucesso  que é. Conte logo a parte da tampa da privada. Não esta vendo que já chegamos à página quatro do Word? As chances de alguém ainda estar aqui embaixo neste texto diminuem a cada segundo.

AMOR: - O dia da mudança. Alguns dias antes a  vó tinha ido lá e pago para dedetizarem contra os cupins. Ela pagou caro.

QUEIJO: - E adiantou nada, só serviu para deixar um cheiro insuportável.

AMOR: - Só há graça em ser hipocondríaco quando se sabe que não há motivo. Aquele cheiro era forte e puro veneno. 

QUEIJO: - Continua...

AMOR: - Estávamos arrumando as coisas. Ele tinha até comprado uma televisão e telefone.

QUEIJO: - A última televisão de tubo que deve ter sido vendida em Belo Horizonte. (risos) Mas ele não tinha como saber. Continue; esta chegando o grande momento.

AMOR: - Numa hora eu peguei a tampa da privada e resolvi montar.

QUEIJO:- Conte direito: juntar a tapa e o assento, para depois parafusar na privada propriamente dita.

AMOR: - Sim, juntar as duas peças e depois colocar na privada.

QUEIJO: - Certo. Então você foi juntar as duas peças.

AMOR: - Eu não consegui.

QUEIJO: - Desculpe, não ouvi. O que?

AMOR: - Eu não consegui.

QUEIJO: - Não conseguiu o quê?

AMOR: - Juntar as duas peças.

QUEIJO: - Você sabe o nome verdadeiro de Platão?

AMOR: - Sei.

QUEIJO: - Quando você consome a grande imprensa, você sabe diferenciar aquilo que é informação daquilo que é corrente para escravidão?

AMOR: - Sei.

QUEIJO: - Quando lê e ouve os formadores de opinião da grande imprensa, você sabe a respeito do cheiro de sangue que as palavras podem ter e que “fascismo educadinho” que não assusta imediatamente ainda é fascismo do mesmo jeito?

AMOR: - Sei.

QUEIJO: - Você sabe quem teve a ideia e ajudou a criar um jornal comunitário quando ainda era estagiário na faculdade?

AMOR: - Sei.

QUEIJO: - E quem antes de dar o primeiro beijinho na boca já tinha lido “1984” e assistido todos os episódios da série “Xingu”?

AMOR: - Sei.

QUEIJO: - E quem, ainda criança, entendeu a diferença entre amor que é Deus e as regrinhas feitas pelos homens só para a coesão social?

AMOR: - Eu lembro até onde eu estava e para o que estava olhando quando descobri isso.

QUEIJO: - Quantas vezes foi idiota em nome dos bons costumes? Quantas vezes você mente por mês?

AMOR: - A quantidade média, apenas o suficiente para eu ser colocado entre os mais inúteis homens de bem e ser elogiado por algum cretino qualquer.

QUEIJO: - Você sabe o valor da vida? O valor da verdade, justiça e beleza?

AMOR: - Sei.

QUEIJO: - O único livro necessário em uma ilha deserta?

AMOR: - “Ah! Você veio. Você vai sofrer, eu parecerei morto e não será verdade.”

QUEIJO: - O que esta disposto a fazer com tudo aquilo que sabe?

AMOR: - ...

QUEIJO: - É, aquele aforismo de Nietzsche esta correto. Aqui...

AMOR: - Sim?

QUEIJO: - Conte o que aconteceu depois. Falta pouco para o auge e o fim.

AMOR: - Não conseguia juntar as peças. Eu tentava e tentava. Era demais, era humilhação demais. A gota d’água, a famosa gota d’água. Fiquei com raiva e quebrei as peças. Não podia ficar ali mais, fui chorar em outro lugar.

QUEIJO: - O auge esta quase, quase... Mais um pouco...

AMOR: - Quando eu voltei ao apertamento...

QUEIJO: - Rufem os tambores! É agora, é agora!

AMOR: - Quando eu voltei ao apertamento ele me contou que as peças estavam com defeito, mas como eu tinha quebrado em meu acesso de raiva, não poderia ir à loja pedir a troca.

QUEIJO: - HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!! HÁ! HÁ HÁ! HÁHÁHÁHÁ!!!!

AMOR: - Não sei quantos muros eu tenho em mim.

QUEIJO: - Não se preocupe com isso, apenas os destrua um por um.

AMOR: - Quanto tempo isso leva? Quanto tempo eu vou levar?

QUEIJO: - Você é muita coisa, mas formiga na fábrica é que não é. Não me preocuparia com o tempo.

AMOR: - O tempo só exige que a gente exista.

QUEIJO: - Isso não é pouca coisa. Vamos parar de conversar.

AMOR: - É uma boa história. Acho que foi contada de maneira adequada. Alguma beleza e humor compensam todos os pecados imperdoáveis que nos levam ao inferno aqui. Pois entre a verdade, a justiça e a beleza; é justamente esta última que ainda esta de pé em nosso mundo  e é a que vai trazer as outras duas de volta à tona.

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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

2 de setembro de 2015

[ A rudeza é forte e a fraqueza nos comove. Sabendo disso muitos artistas, em situações de emergência,  usam a rudeza e a fraqueza como remédios substitutos de algo melhor, mas que no momento não esta disponível.

As experiências podem ser as mesmas, mas as reflexões a respeito são novas. E essas novas reflexões sobre experiências repetidas e muito conhecidas, ajudam a você a ser um pensador melhor. Aqui a boa memória apenas atrapalharia.

Uma grande artista ou um grande artista tem é que dar fome à cada alma de seu público. E não encher cada alma de seu público com comida de fast food.

O medo de não conseguir ser realista faz com que muitos artistas apelem para o surrealismo e fantasioso em suas obras. Isso serve de alerta: a fantasia em tal obra esta ali por valor próprio ou esta ali apenas para disfarçar?
(Nietzsche Apaixonado) ]

QUEIJO: - Não consegue dormir cedo e muda o esquema de tarefa um milhão de vezes.

AMOR: - Não posso fazer menos de ontem, só isso. Peguei uma base, segurei-a com toda força e isso é semente para muito. A mudança do esquema de tarefas é ruim, mas essas constantes mudanças também significam que algum vigor ainda existe.

QUEIJO: - Isso é depressão e quanto ao vigor: já olhaste para o espelho sem camisa?

AMOR: - Eu tenho apenas espelhos vestidos aqui.

QUEIJO: - Engraçadinho!

AMOR: - Eu sou bom na arte da raquete elétrica contra os malvados pernilongos!

QUEIJO: - Eu não recomendo que você fale isso para as garotas.

AMOR: - Pelo menos eu não sou um Lezende ou um Faquena da vida: comprem uma câmera de segurança e entreguem as imagens do crime em Hight Definition para gente! Eu só não posso entregar se eu estiver morto, não é?

QUEIJO (desanimado): - É... Isso também seria estranho...

AMOR (falando de maneira afetada): - Ei, ei, Faquena! Acorda, vamos, acorda! Não liga não para o machado na minha cabeça, toma a fita para você exibir no programa!

QUEIJO: - Deixe esses dois em paz, eles devem ter dificuldade para dormir e ter gastrite de tanto passar o dia cercado de notícias ruins.

AMOR: - E por sermos um país de origem católica, esse amor ao jornalismo policial não vai desaparecer tão cedo por aqui.

QUEIJO: - Sim, nós somos um povo que gosta de parar para ver o cadáver. Embora no dia seguinte a gente saia de casa sem um “eu te amo” a mais e sem um abraço a mais, também.

AMOR: - Mas a missa aos domingos a gente não esquece!

QUEIJO: - É um compromisso muito mais fácil de lembrar. Viva o dia das mães e o dia dos namorados, entende? E o sacrifício de acordar cedo aos domingos é enorme e enorme, não seja cruel; Amor.

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AMOR: - As pessoas reclamam que a Polícia Federal esta usando muito a figura da “delação premiada”. O sujeito conta a verdade e em troca tem uma pena menor.

QUEIJO: - A forma possível que eles têm para investigar crimes. E eles podem, pois esta na lei. E não é apenas a Polícia Federal que usa a “delação premiada”, muitas delegacias a usam. Existem apenas algumas diferenças, se é que você me entende...

AMOR: - Entendo, lembro de uma pesquisa da Anistia Internacional em 2014, inclusive; entendo tanto que vou parar por aqui!

QUEIJO: - Existe liberdade de expressão no Brasil.

AMOR: - Existe uma ova! A não ser que você tenha a assessoria jurídica da revista “Veja”.

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AMOR: - Vou fazer um curso de culinária e de dança. Vou me tornar um bom partido!

QUEIJO: - Há Há! Há! Há! Háháháhá! Sem dúvida, sem dúvida...

AMOR: - E quando ela me perguntar se o bolo de domingo a noite esta gostoso, eu direi uma daquelas mentiras piedosas. E vou fazer isso sem sentir dor no peito! Nem que seja só uma vez, depois de mais de 30 anos de casamento.

QUEIJO: - É; você é mesmo um bom observador. Meus parabéns. Agora lembre-se sempre que promessas de amor todo mundo faz e a rotina, o tédio e o orgulho são grandes adversários de você.

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AMOR: - A! Ai!

QUEIJO: - O que foi?

AMOR: - Este aforismo de Nietzsche é chato de ler.

QUEIJO: - É chato, mas é melhor conhecê-lo em primeira mão do que pelas mãos de divulgadores que só sabem citar os mesmos trechos e repetir os mesmos lugares comuns ou ainda por meio de jornalistas cujos únicos acertos em um texto são acertar o nome do filósofo alemão.

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