Voltaire ajuda

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terça-feira, 4 de agosto de 2015

4 de agosto de 2015

QUEIJO: - Uai, voltamos?

AMOR: - Voltamos.

QUEIJO: - Um monte de texto para colocar no computador e depois colocar na internet. Essa confusão normal que é você! Mas vamos à pergunta mais importante da semana passada: Zorba, o grego, salvou você? Assistiu ao filme na semana passada e quero saber se você conseguiu inspiração para salvar-se.

AMOR: - Ah... Sim... Alguma coisa mudou... Alguma coisa mudou...

QUEIJO: - Hã?

AMOR: - Estou editando as minhas fotografias mais rapidamente e com a mesma qualidade!

QUEIJO: - Qualidade que pode ser pouca ou muita. Mas essa rapidez aí realmente é uma novidade. Essa nossa conversa esta muito chata. O que você escreveu a lápis é melhor, digite rápido.

AMOR: - O livro! Tem um livro para devolver à biblioteca! Estou atrasado para entregar e ainda não terminei de ler!

QUEIJO: - Nossa, que coisa horrível. Vai lá, a leitura do livro pode animar a nossa conversa.

AMOR: - Olhando algumas fotografias antigas, me vem à mente a impressão que antes eu apenas dormia...

QUEIJO: - A vida é sonho, mas isso não faz diferença se você escolher o sonho certo.

AMOR: - Simpático você. Você escolheu a palavra “sonho” e não “ilusão” ou “mentira”.

QUEIJO: - Eu fui simpático e você, agora, esta sendo hipócrita. Abra o livro do Tatu e comece a voar.

AMOR: - Viva eu, viva tu e viva o rabo do tatu! Pobre Roberto Freire, aparecer assim neste diálogo assim...!

[ Não é a toa que o termo “Mestre” pode ser usado em textos para não repetir o nome de Platão tantas vezes que, do ponto de vista estilístico, faça esse mesmo texto ficar ruim. Platão é mesmo o Mestre. Ele aparece sem mais nem menos. Até em um autor tão iconoclasta como Roberto Freire.]

QUEIJO: - Platão é antagonista de Nietzsche, você não pode elogiar Platão.

AMOR: - Posso sim, sou autofágico como a turma da “Semana Moderna de 22” pediu que eu fosse. O Will Durant não gosta de Epicuro e eu engulo os dois sem ter indigestão. Entendeu? Sem ter indigestão! Coerência apenas no mínimo, entendeu? No mínimo! O seu peito bate? Então não use muita coerência porque senão atrapalha.

QUEIJO: - Usando a coerência no mínimo? Esse mínimo é suficiente para os caretas confiarem em você?

AMOR: - Não me preocupo muito com os caretas.

QUEIJO: - Os caretas são maioria, seu marmota. E você é um deles!

AMOR: - Não sou careta, sou apenas hipocondríaco.

QUEIJO: - É mesmo, lembro-me daquele réveillon que você foi à praia usando tênis! (risos) Com medo de cortar o pé em alguma garrafa quebrada! (risos)

AMOR: - Não passei de ano com o pé cortado, mas quase perdi os dedos da mão quando o motorista da vã lotada fechou a porta. Foi uma aventura, sim senhor. E se vão fechar a porta na minha cara e espremer meus dedos, que seja num daqueles trens lotados lá das Índia da vida!

QUEIJO: - Soberbo desejo! Aí na hora de lavar o machucado no banheiro da estação de trem, além de tétano você aproveita e pega cólera por causa da água! (risos)

AMOR: - Cale a boca, além de ricota você foi preconceituoso. Essa minha hipocondria é uma maneira de protestar contra a solidão e o viver em um mundo selvagem.

QUEIJO: - O mundo é mesmo uma selva, mas você não esta sozinho. Volte para o livro. Essa parte toda do diálogo foi motivada por apenas uma frase que você leu.

[“O Livro da Terapia Gestáltica”, de Joel Latner. Você esta perto de você mesmo? Não, essa pergunta não é tão boba quanto parece. ]

QUEIJO: - Se você voltasse 10 anos atrás, não iria se reconhecer? Como assim? Isso é meio arrogante...

AMOR: - É mesmo... A gente se repete... Mesmos nos pesadelos mais claustrofóbicos, nos sonhos mais infinitos e nos planos mais mágicos, a gente acaba se repetindo... Fica uma coisa madura nesse assunto: a de que se eu me encontrasse com o meu eu no passado contaria para ele apenas para confiar mais em si mesmo.

QUEIJO: - Podia aproveitar e contar para ele os números da loteria! Dinheiro no bolso é paz na cabeça e no coração!

AMOR: - Agora é você que esquece que a gente continua o mesmo, apesar das roupas.

[ “A expressão comumente empregada para definir isto é a seguinte: O todo é maior que a soma de suas partes.” – Joel Latner.]

AMOR: - Ah, isso me lembra uma poesia do Ulisses Tavares!

QUEIJO: - Quieto, continue voando no livro!

[Pausa: a lista de música esta no modo aleatório e o fato de ter tocado, depois de tanto tanto tempo, uma das músicas do documentário “Nós que aqui estamos por vós esperamos”, do Marcelo Masagão, - e justamente “Hedgehog's Skin”, do Wim Mertens -, quase paralisa o coração do marmota autor dessa linhas]

QUEIJO: - Ele esta melhor?

AMOR: - Foi bravo, mas ele aguentou.

[“Assim, não há conhecimento “objetivo”, nem conhecimento “subjetivo”, pois não há nem objetos e nem sujeitos; os termos dão a entender que o sujeito esta separado do seu objeto de estudo, e tem a consciência “objetiva” do fato.” – Joel Latner.]

QUEIJO: - Esse Latner esta muito oriental para meu gosto e muito Baruch Espinosa também. Deve ter lido sobre o “Princípio da Incerteza de Heisenberg”  e ficado todo empolgado.

AMOR: - Ah, ele achou uma ideia boa e resolveu aplicá-la para tudo quanto é lado por aí. Física quântica, psicologia, porque não misturar? Latner deve ser um bom cozinheiro.

QUEIJO: - É e ele deve ter participado também da “Semana de Arte Moderna de 1922”.

[Abrace os seus instintos, não brigue com eles. O seu corpo é sábio, observe os sinais do seu corpo. ]

QUEIJO: - Quero ver se hoje você publica este texto aqui, quero ver. Vai, vai, produza, produza!

[“Dizer “Eu escrevi esse poema” é, num certo sentido, perfeitamente correto. Afinal de contas, não foi outra pessoa que o escreveu; e os poemas não surgem do nada – alguém tem que escrevê-los. Mas, geralmente, parece mais correto dizer “aconteceu” .” – Joel Latner.]

AMOR: - Tudo acontece, inclusive nós. Somos um milagre, como ensina a Sarah Silverman. Gata, gata...

QUEIJO: - Nada como terminar tomando o título de um show de comédia stan up como uma conclusão de natureza filosófica.

AMOR: - Gata, gata, gata, gatinha...

QUEIJO: - Ei, ei! Preste atenção! Publique logo essa porcaria toda, vai!

AMOR: - Gata, gata, gata, gatinha...

QUEIJO: - ... ...

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