Voltaire ajuda

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domingo, 30 de agosto de 2015

30 de agosto de 2015

AMOR: - O procurador geral da república, Rodrigo Janot, disse que o irmão dele estava morto e que, portanto,  não podia se defender! 

QUEIJO: - Isso é verdade e é bonito falar sobre irmão, família, nós nos sensibilizamos e gostamos de ouvir.

AMOR: - Eu também gosto de ouvir falar sobre família e também sei que as pessoas morrem um dia. Mas não era o irmão que tinha que dar explicações, não era ele que estava sob a acareação dos senadores. E o Fernando Collor sequer mencionou o parentesco ao fazer o questionamento, indicando que o parentesco era irrelevante ali.

QUEIJO: - Você ouviu o resumo da acareação feito pelo Alexandre Garcia na Itatiaia, na quinta-feira passada? Funcionou.

AMOR: - Rodrigo Janot disse que a chamada “lista do Janot” foi apenas fruto de especulação de jornalistas e políticos, não foi um caso de vazamento de informações sigilosas.

QUEIJO: - É uma explicação boa, ora bolas. Qual o problema?

AMOR: - O problema é que não era o único caso suspeito de vazamento de informação.

QUEIJO: - Você nem acompanha o caso de perto, porque todas essas perguntas?

AMOR: - Assisti um trecho da acareação pela televisão, me empolguei com aquele clima todo. Achei chique pra caramba!

QUEIJO: - Que impressionante, é realmente impressionante isso. Vai fazer muita diferença.

AMOR: - Não gostei dos resumos feitos pelos telejornais da acareação do Janot no Senado. Achei parcial. Imagino que tenha acontecido o mesmo no jornalismo impresso.

QUEIJO: - Com certeza deve ter se repetido no jornalismo impresso. A grande imprensa esta se repetindo já faz alguns anos, tanto na hora de apresentar o seu pessimismo falso quanto na hora de apresentar o seu otimismo falso.

AMOR: - Gosto do Janot, fico feliz com as investigações; apenas não me deixo encantar facilmente.

QUEIJO: - Naturalmente, 32 anos de Brasil é alguma coisa.

[ ... ]

QUEIJO: - Dessa vez a nossa conversa não é muito grande, foi uma semana agitada.

AMOR: - É mesmo, ela foi.

QUEIJO: - Meus parabéns, apesar de no sábado você ter se acovardado quanto ao festival de jazz.

AMOR: - Fiz outras coisas legais.

QUEIJO: - Fez mesmo, mas ainda falta muito para a sua, - digamos -, completitude.

AMOR: - As vezes tenho uma sensação real e concreta de ter 10 anos a menos.

QUEIJO: - Pode ser verdade, mas isso nada quer dizer ou fazer diferença.

AMOR: - Como não faz diferença? Uma caminhada saudável de vida deve...

QUEIJO: - Para os outros. Não faz diferença para os outros. Não interessa se gente mais velha é essencialmente ainda uma criança, para os outros isso não faz diferença. Lembra quando você foi ao festival de quadrinhos há muitos anos atrás? Viu todos aqueles adultos, alguns até bem grisalhos, em meio àquelas revistinhas? Você achou bonito de verdade, mas também achou graça.

AMOR: - O que que tem eles? Eram felizes, pareciam boas pessoas, estavam no direito de...

QUEIJO: - Por Júpiter, como você consegue perder o foco! Dane-se se eles são barbudos grisalhos preocupados com o novo desenhista que a DC arranjou para o Batman e que tem um traço horrível! Dane-se para isso! Ainda é melhor do que pagar para assistir futebol e chorar de verdade por gente que faz o que quer e nunca pensa de verdade em você. Isso não interessa aqui, e sim o que eles tinham no bolso.

AMOR: - E o que eles tinham no bolso?

QUEIJO: - A carteira, sua marmota! E dentro da carteira...

AMOR: - Duas coisas que eu não tenho, mas uma delas eu tenho sim  e sou até bastante prudente e...
QUEIJO: - Prudente quanto à poupança por causa de alguns traumas de classe média para candidato a vereador nenhum botar defeito. (risos) Mas isso é bobagem. Mas isso não faz diferença.

AMOR: - Nossa... E o que faz diferença?

QUEIJO: - Jogue o jogo.

AMOR: - Não acho correto chamar isso de jogo.

QUEIJO: - É um maldito jogo! Jogue o jogo e lute para sobrar algum tempo para você buscar alguma imortalidade inútil.

AMOR: - Não é imortalidade inútil.

QUEIJO: - Veleidades artísticas são uma forma de buscar uma imortalidade inútil, meu caro Van Gogh. Principalmente num país que o mecenato foi prostituído em uma questão de simples forma de desconto de imposto de renda.

AMOR: - Não é isso. Nunca foi isso. É simplesmente fazer algo de valioso para você mesmo. Qualquer coisa que decorra disso deve ser degustada e aceita da forma mais estoica possível.

QUEIJO: - Estoico? Estou falando com um Marco Aurélio, sentado no trono do mundo e pensando se alguma coisa aqui é mais do que cinzas ao vento? Jogue o jogo. Derrube os muros em sua cabeça e pense que, a rigor, isso é como um dever de casa do colégio. Você pode até ter que usar uniforme! (risos) Pense no seu Alexander Portnoy, pense que é tudo um joguinho fácil.

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