Voltaire ajuda

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domingo, 23 de agosto de 2015

23 de agosto de 2015

AMOR: - “Não aceitamos cheques, favor não insistir.” É assim que o varejista considera seus clientes?

QUEIJO: - Eles têm o direito de se defender de mentirosos e golpistas. E é uma maneira barata, inclusive. Compram a plaquinha e colocam numa parede, todo mundo olha e respeita. Qualquer vendedor, em qualquer situação, aponta para a parede e o cliente respeita.

AMOR: - Como se estivessem diante de algum juiz ou do próprio Moisés. E esse exemplo é bem empírico e definitivo do caráter de nós, brasileiros. É mais barato do que comprar livrinho do Sérgio Buarque de Hollanda ou pagar para ouvir o Leandro Karnal falar para saber como somos.

QUEIJO: - Sim, mas exige andar pelas ruas prestando atenção. E depois chegar à nossa casa e olhar-se pelo espelho.  

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AMOR: - Foi declarado que o “Estatuto da Criança e do Adolescente” fracassou e precisa ser reformulado! Agora vai!

QUEIJO: - O livro mais vendido no mundo é a Bíblia. Parece?  Copiar uma página em uma copiadora no Congresso Nacional e passar um daqueles corretivos brancos (alguém se lembra deles? ) e onde havia “18”, coloca-se “16” e assim podemos ir para casa, satisfeitos por termos salvado o mundo.

AMOR: - Talvez sem lembrem de tornar mais rígido o crime de corrupção de menores. E deem tijolos para os centros de detenção para crianças e adolescentes infratores.

QUEIJOS: - Os legisladores escolheram criar a figura do “sequestro relâmpago” no código penal em vez de ampliar com rigidez o crime de sequestro? Eu lembraria este caso na hora de ter alguma esperança quanto à sensatez do legislativo brasileiro.

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AMOR: - A “pílula da libido feminina” esta causando “polêmica”! É o que a televisão me disse.

QUEIJO: - Se diante de um assunto você se comporta como uma criança e uma criança excepcionalmente tola, você realmente tem muita polêmica.

AMOR: - Mas o jornalismo podia colaborar e ser mais maduro nessa área, o jornalismo tem um aspecto educador. Não tem como negar.

QUEIJO: - Quantas risadas você acha que foi ouvida na reunião de pauta antes do “Jornal Nacional”, da Rede Globo de Televisão, ir ao ar?

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“Os russos retiraram as armas da ilha e os americanos se comprometeram a não invadir Cuba e a desmantelar seus mísseis (obsoletos) na Turquia.”
O MUNDO QUASE ACABOU – Duda Teixeira, Nathalia Watkins e Tamara Fish.
(Revista “Veja”, edição 2290 – ano 45 – número 41, 10 de outubro de 2012.)

AMOR: O período conhecido como “Guerra Fria” é mesmo cheio de mistérios, tensões, provocações, espionagens e muita guerra de propaganda.  Por que os Estados Unidos instalariam mísseis obsoletos na Turquia? Mísseis obsoletos para desencorajar a ditadura soviética? Simplesmente não faz sentido.

QUEIJO: - Isso o Duda Teixeira, a Nathalia Watkins e a Tamara Fish não podem te responder. E você falou em “ditadura soviética” e isso era o mais importante, o objetivo pretendido.

AMOR: - Mas continuo sem entender essa história de “mísseis obsoletos”. Mas algumas coisas eu sei.

QUEIJO: - É mesmo é? E o que você sabe?

AMOR: - Que a política internacional pode ser muita coisa, mas com certeza não é um filme Disney.

QUEIJO: - Que coisa incrível, héin? Mas você não ganha dinheiro para escrever isso. Continue.

AMOR: - Que não gosto de violência, que não gosto de ditaduras. Gosto do livre debate de ideias e de democracia.

QUEIJO:- Certo, certo. Muitas formas de violências existem, atente a isso sempre. Continue.

AMOR: - Alcançar a verdade é difícil, mas por outro lado, nem tudo é rigor: existe humor e surpresas fabulosas quando prestamos atenção à  pessoas que vão nos contar “as verdades e os mitos” a respeito de alguma coisa.

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AMOR: - AAh... Ah... A música, a música, a música... Aaaahh...

QUEIJO: - Não somos bons narradores e você não é a Sally de “Harry & Sally” para saber fingir um orgasmo em uma lanchonete. Ok, você quer que a gente pense que esta tendo um orgasmo ao vir a música tema de “Platoon”.

AMOR: - Quando esse nosso diálogo estiver sendo publicado, vamos conferir na internet o nome correto da música e o nome de quem a compôs.

[“Adágio para cordas”, de Samuel Osborne Barber]

QUEIJO: - Mais uma estranheza entre nós: tudo isso aqui sendo escrito e depois reescrito.

AMOR: - É a metalinguagem. Um bom espelho para um aforismo de Nietzsche que li recentemente.

[ Devemos construir círculos e fechá-los. Apenas o círculo maior deve permanecer aberto.]

QUEIJO: - Muito claro e concreto. Mas vamos seguir em frente.

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QUEIJO: - O filme “Vivendo no Limite”, dirigido por Martin Scorsese e com atuação de Nicholas Cage: você só assistiu uma vez e isso faz muito tempo; mesmo assim gostou demais deste filme e as vezes se pegava pensando como seria bom revê-lo. Por quê?

AMOR: - A narração em primeira pessoa (narração “em off”), calma, estoica e sensível; ao lado do mergulho que aquela ambulância faz nas ruas escuras pela noite e pelas tragédias de uma cidade de grande. Esse contraste me seduziu.

QUEIJO: - Mas seduziu por quê? A história em si nada tinha de fabuloso.

AMOR: - Mas não importava o conteúdo e sim a embalagem. Não o que se experimentava, mas como se experimentava.

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AMOR: - Imaginemos que a sua dor é uma bola branca. E agora você pode jogá-la fora.
QUEIJO: - Não é assim.
AMOR: - Imaginemos que todas as coisas importantes estão dentro de você e quando fecha os olhos e medita com as pernas em posição de lótus, você as guarda dentro de si e as protege, as desabrocha e contamina o exterior com elas.

QUEIJO: - Não é assim.

AMOR: - Ou?

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