Voltaire ajuda

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terça-feira, 18 de agosto de 2015

18 de agosto de 2015

AMOR: - É uma revista “Veja” escrever em papel e depois passar para o computador, eu devia escrever direto no computador.

QUEIJO: - Não, não, você vai escrever no papel sim. Quem precisa de avaliação psicológica? Basta olhar para a sua letra. Vai escrever no papel sim. Tem que treinar!

AMOR: - Grrrrrrrrrr ...

QUEIJO: - Affz ...

[ ... ]

AMOR: - Aconteceu de novo. Tive que matar uma aranha perigosa e o contraste entre seu tamanho e letalidade – era uma armadeira (Phoneutria nigriventer) e apenas o seu abdômen era um tamanho e meio uma bola de tênis de mesa – e a facilidade de como a matei com uma vassoura, partiu meu coração. Ela era tão magnífica! E foi tão fácil matá-la!

QUEIJO: - Parabéns, você descobriu que a vida é frágil. E que a qualquer momento pode morrer e que neste exato momento uma entre as suas milhares e milhares de células de seu corpo, pode transformar-se em um tumor.

AMOR: - É insuportável pensar neste tipo de coisa.

QUEIJO: - Ninguém pensa neste tipo de coisa, é insuportável e na prática não costuma fazer diferença. Mas as coisas não costumam ser assim tão desgraçadas, um perigo mais imediato que você deve enfrentar é pensar muito nessas coisas e este caminho levá-lo ao hedonismo.

AMOR: - E qual é o problema com o hedonismo?

QUEIJO: - O problema é você acordar no dia seguinte, se é que você me entende. O dia seguinte vem e pronto: os prazeres são lembranças e lembranças não são analgésicos.

AMOR: - As vezes são analgésicos e mais do que analgésicos. A aranha morreu enquanto estava tentando se proteger dos dias de chuva que estão se aproximando. Ela morreu, mas isso não quer dizer que ela não se protegeu. Ela fez, você me entende? Ela fez.

[ ... ]

AMOR: - “Se proteger da chuva que vem, como uma aranha.”

QUEIJO: - “Mesmo que você encontre a morte em meio aos fios de uma vassoura, em toda a sua banalidade e gratuidade deste último ato.”

AMOR: - “Mas essa banalidade e gratuidade são belas se belas forem os atos que a precederem. E isso deve bastar para a aranha.”

[ ... ]

AMOR: - Isso parece autoajuda, não?

QUEIJO: - Tanto quanto a filosofia, a pesquisa científica e a atividade religiosa. Compare o salário mensal do professor universitário com o rendimento mensal do Paulo Coelho, que ele tanto gosta de atacar.

AMOR: - Para que comparar isso?

QUEIJO: - Para provar que o salário deste professor é alto demais para alguém que não consegue sequer convencer os outros que Machado de Assis é melhor.

AMOR: - Ele não é apenas uma raposa que desdenha as uvas, mas uma raposa magra e pestilenta que desdenha as uvas.

QUEIJO: - Uvas cheias, bonitas, de um violeta e brilhos maravilhosos.

AMOR: - Nem todos gostam de uvas, mas destruí-las diante dos que gostam é inveja, crime e impotência.

[ ... ]

QUEIJO: - Eis o mais importante, para você, volume da “Coleção Folha Grandes Nomes do Pensamento”: Ensaios de Francis Bacon. 14 anos depois de você ter “lido falar” deste livro pelas mãos do Will Durant.

AMOR: - Nos textos introdutórios de Marcelo Coelho e Alan Neil Ditchfield, eles destacaram o caso da propina e sequer mencionaram o caso do Conde de Essex. Uma acusação de recebimento de propina é mais importante para conhecer o caráter de Bacon, do que o fato dele ter atuado ativamente para condenar a morte o amigo generoso que tinha sido fiel a ele por toda vida?

QUEIJO: - Na hora o Coelho e o Ditchfield devem ter pensado no Partido dos Trabalhadores, o PT.

AMOR: - Cala a boca, seu queijo ricota!

QUEIJO: - Melhor do que essa indignação sua de nerd, seu marmota.

[... ]

[ A dúvida! O ato de duvidar!
Não é um copo de vinho, mas também pode dar-nos êxtase em seu transe.

Porque este amor todo pela mentira? É um grande enigma.
Se não mentimos, nos tornamos menos humanos, menos poderosos diante dos outros e menos interessantes para nós mesmo?

Buscar a verdade arrepia a pele como flertar.
Confiar é saborear quando estamos com fome.

Tempo e verdade: dois tesouros que temos.

A nossa inteligência velejar pelas águas da caridade,
Dormir nos braços daquilo tudo que os deuses reservam a nós
E se tornar o ninho para a verdade.]

[ ... ]

QUEIJO: - Esses nossos diálogos as vezes ficam muito críticos.

AMOR: - Uai, eu me conformo, eu me reconstruo para ser igualzinho igualzinho a todos outros.

QUEIJO: - Hum... Mas...

AMOR: - Eu esperneio e levo o cosmos inteiro comigo.

[ ... ]

[ Hoje, 18 de agosto de 2015, podemos dizer que o conflito entre ingleses e tibetanos em 1904-05, poderia ser evitado facilmente.
Bastava os diplomatas tibetanos serem mais humildes e cautelosos,
Bastava o Lorde Curzon não ser um recalcado

E, claro, bastava existir e-mail, WhatsApp e a relação entre países ser um pouco além de um jogo feito de sangue inocente.]

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