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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

12 de agosto de 2015.

QUEIJO: - Esse diário não esta muito “diário”.

AMOR: - Mas você esperava por isso?

QUEIJO: - Sim, sim, é verdade. Esqueci-me de um de nossos lemas: mais do que esperam, menos do que esperam, mas nunca, mas nunca, mas nunca, mas nunca o que esperam.

[ ... ]

[ Uma assinatura de artista. Uma foto de uma assinatura de artista. Podemos ver, no alto da foto, um pedacinho do desenho. Não é possível saber do que se trata; o que mal podemos ver parece mais como um pedaço de algum cenário: um vasto mar ou uma vasta noite. Seja o que for é formado por rabiscos corretos na diagonal.

Mais à direita temos um desenho de um camundongo pescando um peixe usando a sua própria cauda. O peixe esta quase mordendo a isca e o nosso  camundongo esta no meio de um pequeno galho atravessado sobre um estreito riachinho. O meu destaque para este desenho que parece flutuar sobre um infinito branco da tela é a expressão corporal do camundongo, sugerindo que o peixe morderá a isca e que em breve, em algum lugar, um camundongo estará feliz.

No canto direito temos um fotógrafo orgulhoso por ter realizado e por segurar a imagem que representa todo o século XX: o solitário chinês que parou a fila de tanques durante o “Massacre na Praça da Paz Celestial”. Será que eu sei o que é uma metáfora? Será que eu sei que uma praça pode ou não pode ser celestial? Questões vans, questões vans. Jeff Widener é o fotógrafo que não é vítima de minha inveja, pois sua expressão denota que eu e ele compartilhamos, de alguma forma, a mesma seriedade e gravidade que aquela cena significa em toda sua dor, grito e sede por liberdade. ]

[ ... ]

QUEIJO: - Você tinha que contar aquela história da tampa da privada...

AMOR: - Nem pensar. Hoje não. Ela vai me cansar muito e já estou cansado agora.

QUEIJO: - Cansar como?

AMOR: - Cada palavra correta é um mini parto dentro de um parto maior. E sem anestesia, ô ricota.

QUEIJO: - Mas é uma história boa, da vontade de rir e de chorar. Tomara que eu não me esqueça de te cobrar amanhã.

[ ... ]

AMOR: - E...

QUEIJO: - “E”? ... ?

AMOR: - E...

QUEIJO: - Pois eu digo: “Ih” e “E”!

AMOR: - Apesar de ser artista algumas coisas eu não devo dizer.

QUEIJO: - Por ser um artista você tem que dizer tudo, senão você morre em vida. O que ocorre é nesses casos o artista apenas diz a coisa proibida de cabeça para baixo.


AMOR: - E as vezes de cabeça para baixo até para ele mesmo.

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