Voltaire ajuda

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domingo, 30 de agosto de 2015

30 de agosto de 2015

AMOR: - O procurador geral da república, Rodrigo Janot, disse que o irmão dele estava morto e que, portanto,  não podia se defender! 

QUEIJO: - Isso é verdade e é bonito falar sobre irmão, família, nós nos sensibilizamos e gostamos de ouvir.

AMOR: - Eu também gosto de ouvir falar sobre família e também sei que as pessoas morrem um dia. Mas não era o irmão que tinha que dar explicações, não era ele que estava sob a acareação dos senadores. E o Fernando Collor sequer mencionou o parentesco ao fazer o questionamento, indicando que o parentesco era irrelevante ali.

QUEIJO: - Você ouviu o resumo da acareação feito pelo Alexandre Garcia na Itatiaia, na quinta-feira passada? Funcionou.

AMOR: - Rodrigo Janot disse que a chamada “lista do Janot” foi apenas fruto de especulação de jornalistas e políticos, não foi um caso de vazamento de informações sigilosas.

QUEIJO: - É uma explicação boa, ora bolas. Qual o problema?

AMOR: - O problema é que não era o único caso suspeito de vazamento de informação.

QUEIJO: - Você nem acompanha o caso de perto, porque todas essas perguntas?

AMOR: - Assisti um trecho da acareação pela televisão, me empolguei com aquele clima todo. Achei chique pra caramba!

QUEIJO: - Que impressionante, é realmente impressionante isso. Vai fazer muita diferença.

AMOR: - Não gostei dos resumos feitos pelos telejornais da acareação do Janot no Senado. Achei parcial. Imagino que tenha acontecido o mesmo no jornalismo impresso.

QUEIJO: - Com certeza deve ter se repetido no jornalismo impresso. A grande imprensa esta se repetindo já faz alguns anos, tanto na hora de apresentar o seu pessimismo falso quanto na hora de apresentar o seu otimismo falso.

AMOR: - Gosto do Janot, fico feliz com as investigações; apenas não me deixo encantar facilmente.

QUEIJO: - Naturalmente, 32 anos de Brasil é alguma coisa.

[ ... ]

QUEIJO: - Dessa vez a nossa conversa não é muito grande, foi uma semana agitada.

AMOR: - É mesmo, ela foi.

QUEIJO: - Meus parabéns, apesar de no sábado você ter se acovardado quanto ao festival de jazz.

AMOR: - Fiz outras coisas legais.

QUEIJO: - Fez mesmo, mas ainda falta muito para a sua, - digamos -, completitude.

AMOR: - As vezes tenho uma sensação real e concreta de ter 10 anos a menos.

QUEIJO: - Pode ser verdade, mas isso nada quer dizer ou fazer diferença.

AMOR: - Como não faz diferença? Uma caminhada saudável de vida deve...

QUEIJO: - Para os outros. Não faz diferença para os outros. Não interessa se gente mais velha é essencialmente ainda uma criança, para os outros isso não faz diferença. Lembra quando você foi ao festival de quadrinhos há muitos anos atrás? Viu todos aqueles adultos, alguns até bem grisalhos, em meio àquelas revistinhas? Você achou bonito de verdade, mas também achou graça.

AMOR: - O que que tem eles? Eram felizes, pareciam boas pessoas, estavam no direito de...

QUEIJO: - Por Júpiter, como você consegue perder o foco! Dane-se se eles são barbudos grisalhos preocupados com o novo desenhista que a DC arranjou para o Batman e que tem um traço horrível! Dane-se para isso! Ainda é melhor do que pagar para assistir futebol e chorar de verdade por gente que faz o que quer e nunca pensa de verdade em você. Isso não interessa aqui, e sim o que eles tinham no bolso.

AMOR: - E o que eles tinham no bolso?

QUEIJO: - A carteira, sua marmota! E dentro da carteira...

AMOR: - Duas coisas que eu não tenho, mas uma delas eu tenho sim  e sou até bastante prudente e...
QUEIJO: - Prudente quanto à poupança por causa de alguns traumas de classe média para candidato a vereador nenhum botar defeito. (risos) Mas isso é bobagem. Mas isso não faz diferença.

AMOR: - Nossa... E o que faz diferença?

QUEIJO: - Jogue o jogo.

AMOR: - Não acho correto chamar isso de jogo.

QUEIJO: - É um maldito jogo! Jogue o jogo e lute para sobrar algum tempo para você buscar alguma imortalidade inútil.

AMOR: - Não é imortalidade inútil.

QUEIJO: - Veleidades artísticas são uma forma de buscar uma imortalidade inútil, meu caro Van Gogh. Principalmente num país que o mecenato foi prostituído em uma questão de simples forma de desconto de imposto de renda.

AMOR: - Não é isso. Nunca foi isso. É simplesmente fazer algo de valioso para você mesmo. Qualquer coisa que decorra disso deve ser degustada e aceita da forma mais estoica possível.

QUEIJO: - Estoico? Estou falando com um Marco Aurélio, sentado no trono do mundo e pensando se alguma coisa aqui é mais do que cinzas ao vento? Jogue o jogo. Derrube os muros em sua cabeça e pense que, a rigor, isso é como um dever de casa do colégio. Você pode até ter que usar uniforme! (risos) Pense no seu Alexander Portnoy, pense que é tudo um joguinho fácil.

domingo, 23 de agosto de 2015

23 de agosto de 2015

AMOR: - “Não aceitamos cheques, favor não insistir.” É assim que o varejista considera seus clientes?

QUEIJO: - Eles têm o direito de se defender de mentirosos e golpistas. E é uma maneira barata, inclusive. Compram a plaquinha e colocam numa parede, todo mundo olha e respeita. Qualquer vendedor, em qualquer situação, aponta para a parede e o cliente respeita.

AMOR: - Como se estivessem diante de algum juiz ou do próprio Moisés. E esse exemplo é bem empírico e definitivo do caráter de nós, brasileiros. É mais barato do que comprar livrinho do Sérgio Buarque de Hollanda ou pagar para ouvir o Leandro Karnal falar para saber como somos.

QUEIJO: - Sim, mas exige andar pelas ruas prestando atenção. E depois chegar à nossa casa e olhar-se pelo espelho.  

[ ... ]

AMOR: - Foi declarado que o “Estatuto da Criança e do Adolescente” fracassou e precisa ser reformulado! Agora vai!

QUEIJO: - O livro mais vendido no mundo é a Bíblia. Parece?  Copiar uma página em uma copiadora no Congresso Nacional e passar um daqueles corretivos brancos (alguém se lembra deles? ) e onde havia “18”, coloca-se “16” e assim podemos ir para casa, satisfeitos por termos salvado o mundo.

AMOR: - Talvez sem lembrem de tornar mais rígido o crime de corrupção de menores. E deem tijolos para os centros de detenção para crianças e adolescentes infratores.

QUEIJOS: - Os legisladores escolheram criar a figura do “sequestro relâmpago” no código penal em vez de ampliar com rigidez o crime de sequestro? Eu lembraria este caso na hora de ter alguma esperança quanto à sensatez do legislativo brasileiro.

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AMOR: - A “pílula da libido feminina” esta causando “polêmica”! É o que a televisão me disse.

QUEIJO: - Se diante de um assunto você se comporta como uma criança e uma criança excepcionalmente tola, você realmente tem muita polêmica.

AMOR: - Mas o jornalismo podia colaborar e ser mais maduro nessa área, o jornalismo tem um aspecto educador. Não tem como negar.

QUEIJO: - Quantas risadas você acha que foi ouvida na reunião de pauta antes do “Jornal Nacional”, da Rede Globo de Televisão, ir ao ar?

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“Os russos retiraram as armas da ilha e os americanos se comprometeram a não invadir Cuba e a desmantelar seus mísseis (obsoletos) na Turquia.”
O MUNDO QUASE ACABOU – Duda Teixeira, Nathalia Watkins e Tamara Fish.
(Revista “Veja”, edição 2290 – ano 45 – número 41, 10 de outubro de 2012.)

AMOR: O período conhecido como “Guerra Fria” é mesmo cheio de mistérios, tensões, provocações, espionagens e muita guerra de propaganda.  Por que os Estados Unidos instalariam mísseis obsoletos na Turquia? Mísseis obsoletos para desencorajar a ditadura soviética? Simplesmente não faz sentido.

QUEIJO: - Isso o Duda Teixeira, a Nathalia Watkins e a Tamara Fish não podem te responder. E você falou em “ditadura soviética” e isso era o mais importante, o objetivo pretendido.

AMOR: - Mas continuo sem entender essa história de “mísseis obsoletos”. Mas algumas coisas eu sei.

QUEIJO: - É mesmo é? E o que você sabe?

AMOR: - Que a política internacional pode ser muita coisa, mas com certeza não é um filme Disney.

QUEIJO: - Que coisa incrível, héin? Mas você não ganha dinheiro para escrever isso. Continue.

AMOR: - Que não gosto de violência, que não gosto de ditaduras. Gosto do livre debate de ideias e de democracia.

QUEIJO:- Certo, certo. Muitas formas de violências existem, atente a isso sempre. Continue.

AMOR: - Alcançar a verdade é difícil, mas por outro lado, nem tudo é rigor: existe humor e surpresas fabulosas quando prestamos atenção à  pessoas que vão nos contar “as verdades e os mitos” a respeito de alguma coisa.

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AMOR: - AAh... Ah... A música, a música, a música... Aaaahh...

QUEIJO: - Não somos bons narradores e você não é a Sally de “Harry & Sally” para saber fingir um orgasmo em uma lanchonete. Ok, você quer que a gente pense que esta tendo um orgasmo ao vir a música tema de “Platoon”.

AMOR: - Quando esse nosso diálogo estiver sendo publicado, vamos conferir na internet o nome correto da música e o nome de quem a compôs.

[“Adágio para cordas”, de Samuel Osborne Barber]

QUEIJO: - Mais uma estranheza entre nós: tudo isso aqui sendo escrito e depois reescrito.

AMOR: - É a metalinguagem. Um bom espelho para um aforismo de Nietzsche que li recentemente.

[ Devemos construir círculos e fechá-los. Apenas o círculo maior deve permanecer aberto.]

QUEIJO: - Muito claro e concreto. Mas vamos seguir em frente.

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QUEIJO: - O filme “Vivendo no Limite”, dirigido por Martin Scorsese e com atuação de Nicholas Cage: você só assistiu uma vez e isso faz muito tempo; mesmo assim gostou demais deste filme e as vezes se pegava pensando como seria bom revê-lo. Por quê?

AMOR: - A narração em primeira pessoa (narração “em off”), calma, estoica e sensível; ao lado do mergulho que aquela ambulância faz nas ruas escuras pela noite e pelas tragédias de uma cidade de grande. Esse contraste me seduziu.

QUEIJO: - Mas seduziu por quê? A história em si nada tinha de fabuloso.

AMOR: - Mas não importava o conteúdo e sim a embalagem. Não o que se experimentava, mas como se experimentava.

[ ... ]

AMOR: - Imaginemos que a sua dor é uma bola branca. E agora você pode jogá-la fora.
QUEIJO: - Não é assim.
AMOR: - Imaginemos que todas as coisas importantes estão dentro de você e quando fecha os olhos e medita com as pernas em posição de lótus, você as guarda dentro de si e as protege, as desabrocha e contamina o exterior com elas.

QUEIJO: - Não é assim.

AMOR: - Ou?

[ ... ]

terça-feira, 18 de agosto de 2015

18 de agosto de 2015

AMOR: - É uma revista “Veja” escrever em papel e depois passar para o computador, eu devia escrever direto no computador.

QUEIJO: - Não, não, você vai escrever no papel sim. Quem precisa de avaliação psicológica? Basta olhar para a sua letra. Vai escrever no papel sim. Tem que treinar!

AMOR: - Grrrrrrrrrr ...

QUEIJO: - Affz ...

[ ... ]

AMOR: - Aconteceu de novo. Tive que matar uma aranha perigosa e o contraste entre seu tamanho e letalidade – era uma armadeira (Phoneutria nigriventer) e apenas o seu abdômen era um tamanho e meio uma bola de tênis de mesa – e a facilidade de como a matei com uma vassoura, partiu meu coração. Ela era tão magnífica! E foi tão fácil matá-la!

QUEIJO: - Parabéns, você descobriu que a vida é frágil. E que a qualquer momento pode morrer e que neste exato momento uma entre as suas milhares e milhares de células de seu corpo, pode transformar-se em um tumor.

AMOR: - É insuportável pensar neste tipo de coisa.

QUEIJO: - Ninguém pensa neste tipo de coisa, é insuportável e na prática não costuma fazer diferença. Mas as coisas não costumam ser assim tão desgraçadas, um perigo mais imediato que você deve enfrentar é pensar muito nessas coisas e este caminho levá-lo ao hedonismo.

AMOR: - E qual é o problema com o hedonismo?

QUEIJO: - O problema é você acordar no dia seguinte, se é que você me entende. O dia seguinte vem e pronto: os prazeres são lembranças e lembranças não são analgésicos.

AMOR: - As vezes são analgésicos e mais do que analgésicos. A aranha morreu enquanto estava tentando se proteger dos dias de chuva que estão se aproximando. Ela morreu, mas isso não quer dizer que ela não se protegeu. Ela fez, você me entende? Ela fez.

[ ... ]

AMOR: - “Se proteger da chuva que vem, como uma aranha.”

QUEIJO: - “Mesmo que você encontre a morte em meio aos fios de uma vassoura, em toda a sua banalidade e gratuidade deste último ato.”

AMOR: - “Mas essa banalidade e gratuidade são belas se belas forem os atos que a precederem. E isso deve bastar para a aranha.”

[ ... ]

AMOR: - Isso parece autoajuda, não?

QUEIJO: - Tanto quanto a filosofia, a pesquisa científica e a atividade religiosa. Compare o salário mensal do professor universitário com o rendimento mensal do Paulo Coelho, que ele tanto gosta de atacar.

AMOR: - Para que comparar isso?

QUEIJO: - Para provar que o salário deste professor é alto demais para alguém que não consegue sequer convencer os outros que Machado de Assis é melhor.

AMOR: - Ele não é apenas uma raposa que desdenha as uvas, mas uma raposa magra e pestilenta que desdenha as uvas.

QUEIJO: - Uvas cheias, bonitas, de um violeta e brilhos maravilhosos.

AMOR: - Nem todos gostam de uvas, mas destruí-las diante dos que gostam é inveja, crime e impotência.

[ ... ]

QUEIJO: - Eis o mais importante, para você, volume da “Coleção Folha Grandes Nomes do Pensamento”: Ensaios de Francis Bacon. 14 anos depois de você ter “lido falar” deste livro pelas mãos do Will Durant.

AMOR: - Nos textos introdutórios de Marcelo Coelho e Alan Neil Ditchfield, eles destacaram o caso da propina e sequer mencionaram o caso do Conde de Essex. Uma acusação de recebimento de propina é mais importante para conhecer o caráter de Bacon, do que o fato dele ter atuado ativamente para condenar a morte o amigo generoso que tinha sido fiel a ele por toda vida?

QUEIJO: - Na hora o Coelho e o Ditchfield devem ter pensado no Partido dos Trabalhadores, o PT.

AMOR: - Cala a boca, seu queijo ricota!

QUEIJO: - Melhor do que essa indignação sua de nerd, seu marmota.

[... ]

[ A dúvida! O ato de duvidar!
Não é um copo de vinho, mas também pode dar-nos êxtase em seu transe.

Porque este amor todo pela mentira? É um grande enigma.
Se não mentimos, nos tornamos menos humanos, menos poderosos diante dos outros e menos interessantes para nós mesmo?

Buscar a verdade arrepia a pele como flertar.
Confiar é saborear quando estamos com fome.

Tempo e verdade: dois tesouros que temos.

A nossa inteligência velejar pelas águas da caridade,
Dormir nos braços daquilo tudo que os deuses reservam a nós
E se tornar o ninho para a verdade.]

[ ... ]

QUEIJO: - Esses nossos diálogos as vezes ficam muito críticos.

AMOR: - Uai, eu me conformo, eu me reconstruo para ser igualzinho igualzinho a todos outros.

QUEIJO: - Hum... Mas...

AMOR: - Eu esperneio e levo o cosmos inteiro comigo.

[ ... ]

[ Hoje, 18 de agosto de 2015, podemos dizer que o conflito entre ingleses e tibetanos em 1904-05, poderia ser evitado facilmente.
Bastava os diplomatas tibetanos serem mais humildes e cautelosos,
Bastava o Lorde Curzon não ser um recalcado

E, claro, bastava existir e-mail, WhatsApp e a relação entre países ser um pouco além de um jogo feito de sangue inocente.]

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

17 de agosto de 2015

AMOR: - Os juízes lá nos federal da vida aumentaram o próprio salário um tantão assim por cento!

QUEIJO: - E quem não faria o mesmo? Eles podiam, então fizeram.

AMOR: - Mas tem aquela citação do apóstolo Paulo que o Mario Sérgio Cortella gosta de fazer em suas palestras e que cabe bem aqui: nem tudo que posso eu devo fazer. Os juízes podiam lembrar que o Brasil é um país pobre e que estamos passando por um momento particularmente ruim em nossa economia e podiam ser mais justos.

QUEIJO: - O Brasil sempre foi pobre e sempre passou por momentos particularmente ruins em sua economia, se for pensar desse jeito os juízes não poderiam nunca conhecer o Japão nas férias ou ter canais Telecine em HD em casa para relaxar depois do trabalho. E vamos parar de criticar o judiciário, estamos no Brasil. Repórter aqui tem medo até de chamar juiz pelo nome.

AMOR: - Os repórteres aqui estão é levando tiro de borracha!

QUEIJO: - Precisava fazer manifestação de noite em dia útil? A novela da Globo esta tão ruim assim? Além do mais o Carlos Vianna, na Itatiaia, lembrou que aqueles manifestantes descumpriram o acordo com a polícia quanto ao transito.

AMOR: - E se um repórter policial criticar muito a polícia vai telefonar para quem para conseguir informações? No domingo só tem programa de auditório na televisão e a tarde as tevês públicas passam documentários sobre animais na África. Em vez de ver girafas copulando os paulistas iluminados querem encher a avenida paulista de gente e assim salvar o Brasil!

QUEIJO: - A expressão facial do Marco Antônio Villa na TV Cultura criticando a Folha de S. Paulo por ter escrito que não eram um milhão e sim 200 mil naquele protesto em abril  de 2015 foi inesquecível, não foi?

AMOR: - Ele é um historiador e já imaginava escrever algo bonito para sobre o que tinha acontecido e sobre como aquilo teria sido importante no futuro  e blá blá blá... Tem que perdoar ele. Até gosto dele, acho-o romântico naquele seu samba de uma nota só.

QUEIJO: - Teve outra dessas manifestações neste domingo. E o que fica é que as passagens de ônibus aumentaram de preço e a polícia continua com uma imagem ruim em meio à população.

[ ... ]

AMOR: - O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, é um socialista exótico.

QUEIJO: - O nome do partido não é “Partido Socialista Brasileiro” e sim “PSB”, uma diferença sutil e metafísica que vale para todos os partidos do Brasil.

AMOR: - O Atlético mineiro empata com um dos piores times do campeonato e não pode reclamar de estar na vice-liderança, “patinando” enquanto os outros que disputam a liderança sobem na tabela. A Polícia Militar cobre manifestações há mais de 50 anos, já deve saber como se comportar.

QUEIJO: - Mas você não pode reclamar que outros reclamem, pois você é outro que não consegue resolver os próprios problemas. E alguns são bem pequenos e bobos.

AMOR: - Disse o Mestre: a gente se mede pelos antagonismos que decidimos vencer.

QUEIJO: - A sua estatura é mediana, um metro e setenta e uns quebrados. A propósito: os manifestantes que gritaram contra o aumento de passagem no transporte público na quarta-feira passada ainda tiveram que engolir na Itatiaia que “manifestantes entraram em confronto com a polícia”.

AMOR: - É, o belorizontino tem um quê de “lemingue da Disney” e vira e mexe fica com instintos suicidas. Aécio Neves e radio Itatiaia, um amor realmente sem regras. Julieta e Romeu que se cuidem!

QUEIJO: - Acharam até um homem que passou mal e acabou morrendo naquele transido complicado de dia de semana útil e que estava ainda mais complicado por causa de uma manifestação contra o aumento da passagem.

AMOR: - Quem procura, acha; e nenhum automóvel precisa passar pela desconhecida Praça da Liberdade no domingo? Foi a indignação seletiva que fez a opinião que defende manifestação apenas na Praça de Estação se calar durante junho de 2013. Eu escuto radio há muito tempo.

[ Nota: o “Mestre” citado aqui é Platão. Era um costume muito muito antigo chamá-lo por esse termo em respeito a sua influência (em todo ocidente, incluindo na religião cristã) e até por uma questão prática e estilística de não se repetir muito uma mesma palavra em um texto. Mas esse é um costume abandonado e se você usar “Mestre” em um texto como sinônimo para Platão, vão dizer que você é um platônico, que recebe dinheiro para isso e que também tem uma empreiteira e tal. O pessoal anda muito nervoso no Brasil.]

[ ... ]

QUEIJO: - Era para este texto ter sido publicado na quinta-feira.

AMOR: - Era.

QUEIJO: - E?

AMOR: - Acho que vai acabar sendo publicado no domingo.

QUEIJO: - Você não toma jeito mesmo.

[ ... ]

AMOR: - A luz do quarto “queimou” e consegui trocar a lâmpada. Sem problema, apesar do meu medo de altura.

QUEIJO: - Parabéns, realmente foi um feito notável. Apesar de que sua macheza fica comprometida pelo tamanho da escada que você usou.

[ ... ]

AMOR: - A grande imprensa nesta segunda só fala da manifestação de domingo contra a corrupção durante o governo do PT. Sobre as manifestações durante a semana contra o aumento de passagem não houve tanta cobertura.

QUEIJO: - Trabalhar no domingo é desagradável e nem todo mundo precisa andar de ônibus. E no domingo houve muito mais gente e o risco físico de estar ao lado do povo era bem menor para os repórteres. Seja razoável, Amor.

AMOR: - Estão falando o tempo todo que no domingo havia “rico e pobre”, todos juntos contra Dilma e a corrupção!

QUEIJO: - Você é mesmo uma criança, não entende o sacrifício que é para o jornalismo brasileiro colocar “rico” e “pobre” numa mesma frase curta como você ouviu hoje de manhã na Itatiaia?

AMOR: - Porque nós brasileiros somos um povo violento, não é?

QUEIJO: - É e pare de ouvir a Itatiaia, você não reclama quando o Eduardo Costa fica excitado e fala sobre a fidelidade dos ouvintes?

AMOR: - Fidelidade canina! Eu não sou cachorro, não!

QUEIJO: - O Amor encontra Waldick Soriano, provavelmente um dos grandes momentos de todas essas nossas conversas.

[ ... ]

AMOR: - Eis o final do trabalho: o tempo gasto, o esforço, a chatice infinita e a recompensa que não recompensa a mim.

QUEIJO: - É uma questão de identidade e do conflito entre indivíduo e sua tribo.

[ O paralelo entre o segundo segredo que a raposa conta ao Pequeno Príncipe e a teoria da Mais-Valia de Marx.]

AMOR: - O que sou? O que devo fazer? E o que devo receber?

QUEIJO: - Eu não sei onde você vai encontrar as respostas a essas perguntas, mas provavelmente você vai ter dificuldade de encontrá-las em uma cidade que é capital e às 15 horas de sábado na sua principal avenida o vazio de gente da medo.

AMOR: - Uma recompensa de um milhão de dólares seria uma boa.

QUEIJO:  - Um milhão de dólares não são o que eram há alguns anos e você não pode escapar do espelho mais importante: a sua memória.

AMOR: - Posso lamentar muito bem ter me vendido, se estou em um café parisiense!

QUEIJO: - Café? Úlcera é úlcera, estando no Triângulo Mineiro ou em Mônaco. O mesmo vale para a culpa. Você fala de dinheiro, deve lembrar-se que a culpa sabe o que é juros.

AMOR: - No final a gente volta para o início da conversa: a importância do tempo. Tempo, tempo. Gastar o tempo em fazer algo valioso para mim. Mesmo que a recompensa seja pobre, mas não tão insignificante a ponto de levar-me à indigência. É isso, não é? Basicamente é isso, não é?

QUEIJO: - Sim. É exatamente isso.

AMOR: - Hum...

QUEIJO: - O que foi agora?

AMOR: - Hum...

QUEIJO: - Qual é o problema?

AMOR: - É que essa história de ter o necessário para manter-se vivo, mesmo com toda dignidade, como o sacrifício por excelência do privilégio de realizar um trabalho que seja justo para você; me soa meio animalesco. Animalesco e bem materialista!

QUEIJO: - Você acha que teria que ter algo mais?

AMOR: - É...

QUEIJO: - O que mais?

AMOR: - Não sei...

QUEIJO: - Uma boa aposentadoria, histórias engraçadas para os netos, algum diploma na parede ou algum elogio de um funcionário mais novo, missa aos domingos, a mentira e a literatura.

AMOR: - E?

QUEIJO: - Não entendeu? Os animais não têm isso.

AMOR: - Os animais não precisam disso.

QUEIJO: - Achei que ia gostar do “a mentira e a literatura”.

AMOR: - O Queijo encontra Anatole France, provavelmente um dos grandes momentos de todas essas nossas conversas.

[ ... ]

[ À esquerda temos a expansão. O fotógrafo é fofinho e não pode esconder em sua face o orgulho. Expansão. Em suas mãos a sua mais famosa foto, a mais conhecida da luta entre Ali e Liston. Sei quem é Ali, mas não sei quem é o Liston porque ele esta de costas para mim, estendido no chão e com as pernas em uma posição que me sugere que ele foi derrubado recentemente. Não preciso muito mais do que “assim foi justo, apenas o necessário para te vencer”, como sendo as palavras para descrever Ali e toda a sua expressão corporal  na imagem. O nome do fotógrafo é Neil Leifer e ao olhá-lo não consigo parar de pensar em como seria joia tê-lo como amigo.

No meio é a beleza que se transformou em seriedade e por isso é bela e por isso a escolhi. A atriz Emmy Rossum esta em um palco, participando de alguma entrevista coletiva misturada com evento promocional. É o que imagino. Atrás dela vemos um pedaço daquilo que parece ser um super mega hiper telão. Aposto que para uma tela tão grande os organizadores devem ter escolhido um monte de coisas pequenas para exibir. Isso desanima, mas não é desânimo que a Emmy expressa. É seriedade mesmo. Sozinha, sentada na cadeira, usando um longo vestido e cruzando as pernas. Ela é bonita, mas é a sua expressão atenta e séria que me capturou e antes de ir para a próxima imagem, apenas desejo mais uma vez que ela não tenha precisado responder a muitas perguntas bobas.


À direita temos uma mulher pintada por um tal de Felix Vallotton. Ou seria Vallotton Felix? Não, deve ser mesmo “Felix Vallotton”. Não é porque não sei quem é ele e quem é a mulher pintada que vou sair por aí espalhando ignorâncias. Ignorâncias é o que mais temos espalhados por aí, vocês não sabem? Ignorâncias de todos os tipos, tamanhos, cores, cheiros e diplomas. E vindo de quem a gente menos espera e das situações mais improváveis. Um exemplo: de quem finge que entende de sentir, de pensar, de escrever, de descrever, de arte e que gosta de um quadro só por causa de um fundo cinza e que nada tem a dizer de uma mulher que parece ser uma burguesa espanhola só por causa de seu leque e que como é idosa e séria deve ser extremamente rigorosa e religiosa do tipo que manda as filhas para o convento e implica com os vizinhos por qualquer coisa boba. Ufa! Ou não. Ela pode ser uma das pessoas mais joias que já passaram por este planeta, do tipo que é caridosa, adora rir e de provocar risadas nos outros, já quebrou um violão na cabeça do espião do rei em um restaurante e adora promover umas festas que nem posso contar pro Marquês de Sade o que ali rola. Ou não. Bom, o importante é se vocês conhecem alguém que escreve assim fujam dele! Ou?]

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

12 de agosto de 2015.

QUEIJO: - Esse diário não esta muito “diário”.

AMOR: - Mas você esperava por isso?

QUEIJO: - Sim, sim, é verdade. Esqueci-me de um de nossos lemas: mais do que esperam, menos do que esperam, mas nunca, mas nunca, mas nunca, mas nunca o que esperam.

[ ... ]

[ Uma assinatura de artista. Uma foto de uma assinatura de artista. Podemos ver, no alto da foto, um pedacinho do desenho. Não é possível saber do que se trata; o que mal podemos ver parece mais como um pedaço de algum cenário: um vasto mar ou uma vasta noite. Seja o que for é formado por rabiscos corretos na diagonal.

Mais à direita temos um desenho de um camundongo pescando um peixe usando a sua própria cauda. O peixe esta quase mordendo a isca e o nosso  camundongo esta no meio de um pequeno galho atravessado sobre um estreito riachinho. O meu destaque para este desenho que parece flutuar sobre um infinito branco da tela é a expressão corporal do camundongo, sugerindo que o peixe morderá a isca e que em breve, em algum lugar, um camundongo estará feliz.

No canto direito temos um fotógrafo orgulhoso por ter realizado e por segurar a imagem que representa todo o século XX: o solitário chinês que parou a fila de tanques durante o “Massacre na Praça da Paz Celestial”. Será que eu sei o que é uma metáfora? Será que eu sei que uma praça pode ou não pode ser celestial? Questões vans, questões vans. Jeff Widener é o fotógrafo que não é vítima de minha inveja, pois sua expressão denota que eu e ele compartilhamos, de alguma forma, a mesma seriedade e gravidade que aquela cena significa em toda sua dor, grito e sede por liberdade. ]

[ ... ]

QUEIJO: - Você tinha que contar aquela história da tampa da privada...

AMOR: - Nem pensar. Hoje não. Ela vai me cansar muito e já estou cansado agora.

QUEIJO: - Cansar como?

AMOR: - Cada palavra correta é um mini parto dentro de um parto maior. E sem anestesia, ô ricota.

QUEIJO: - Mas é uma história boa, da vontade de rir e de chorar. Tomara que eu não me esqueça de te cobrar amanhã.

[ ... ]

AMOR: - E...

QUEIJO: - “E”? ... ?

AMOR: - E...

QUEIJO: - Pois eu digo: “Ih” e “E”!

AMOR: - Apesar de ser artista algumas coisas eu não devo dizer.

QUEIJO: - Por ser um artista você tem que dizer tudo, senão você morre em vida. O que ocorre é nesses casos o artista apenas diz a coisa proibida de cabeça para baixo.


AMOR: - E as vezes de cabeça para baixo até para ele mesmo.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

6 de agosto de 2015

QUEIJO: - Hoje não conseguiu de novo.

AMOR: - Não... Acho que realmente nem queria...

QUEIJO: - Reza a sabedoria infinita: “A ordem dos tratores não altera o viaduto”. 
Querendo ou não, o fracasso veio do mesmo jeito. Se você precisa de ajuda, porque não pede?

AMOR: - Não. A vitória e a derrota ficam comigo, vieram de mim e comigo vão continuar.

[ ... ]

QUEIJO: - E ela?

AMOR: - Ela? Ela é gostosa.

QUEIJO: - Gostosa?

AMOR: - Gostosa, muito gostosa. Por ser magrinha ou por ser fofinha, por ser bela ou por ter um defeitinho que nos é impossível escapar...

QUEIJO: - E ... ?

AMOR: - “E”, o quê?

QUEIJO: - Além de ser gostosa, o que ela é?

AMOR: - Ricota, ela é gostosa e pronto e basta. E fim.

QUEIJO: - Mais nada? Me admira muito ouvir isso de você. Lembra-se do tempo em que se apaixonava a toda hora e imaginava as cenas mais quentes na cama e as cenas mais doces pelo resto do dia? Agora nem isso? É sério isso? Do romântico etéreo ao cínico egoísta! Da água passou direto e já se tornou um vinagre!

AMOR: - Ou não. Será que essa mudança é mesmo radical? O romântico não era apenas uma máscara e uma máscara muito mal feita para uma festa muito chata? Acredito que o egoísmo estava aqui o tempo todo. O egoísmo e o orgulho.

QUEIJO: - O tempo todo?

AMOR: - Sim, repare nesse orgulho em dar presentes e em sacrificar-se e em mostrar-se sofrendo  de amor! Só a plateia era real. Os gestos, o amor, o desejo e a história, nada disso eram reais. Não eram reais, mas eu queria que com os aplausos se tornassem reais. 

QUEIJO: - Entendo, é a necessidade de aprovação pelos outros. Você existe, mesmo que ninguém ainda tenha dito a você do jeito que você deseja. Tente lembrar-se disto com mais frequência.  E você exagerou.

AMOR: - Exagerei a onde?

QUEIJO: - Quando disse que a plateia era real.

AMOR: - E a plateia não era real?

QUEIJO: - Com essa sua solidão é idiota achar que a plateia era mesmo real. No mais, como sabia que eles estavam olhando para você no palco?

AMOR: - A moeda dança! Do orgulho direto para a insignificância!

QUEIJO: - Exagerando como sempre. Essa última coisa que você me disse lembra-me um momento mais razoável de sua parte. Uma coisa que você tinha descoberto e ficava dizendo para si mesmo as vezes quando estava na faculdade.

AMOR: - Que o mundo era grande, grande, grande, grande demais até diante dos meus problemas; até daqueles  mais invencíveis e impiedosos.

QUEIJO: - Mas?

AMOR: - Mas não adiantava muito ficar pensando nisso. Como alguém conseguiria se consolar com uma p**ra desta sem ser dono de um super barco para velejar por aí tempo todo?

[ ... ]

AMOR: - A solidão da trabalho. Se paga muito por isso e daí vem uma nobreza.

QUEIJO: - Mas só o solitário pode dizer que a solidão é nobre. Estar junto à alguém também da trabalho. Não se pode doar-se à alguém se você não tiver já dentro de si um enorme tesouro. Orgulhoso como você é, vai negar que não tem por aí um tesouro para ser doado?

AMOR: - Não é medo, não é tédio, é cansaço. Estou muito, muito cansado. E cansado assim, todas ficam só gostosas e pronto.

QUEIJO: - Aqueles vira-latas cheios de pulga parados em frente às aqueles fornos onde vários frangos são fritados ao mesmo tempo não parecem cansados.

AMOR: - Eles esperam que algum humano venha e dê-lhes algum pedaço. Eles acreditam.

QUEIJO: - E acreditar também da trabalho?

AMOR: - Acreditar também da trabalho.

QUEJO: - Se esta cansado então vá dormir!

AMOR: - Não precisa tanta pressa para que o próximo dia nasça.

QUEIJO: - Imagine tudo que pode fazer no próximo dia e anime-se com isso.

AMOR: - Nem sempre você entra na loja e compra alguma coisa, as vezes você apenas passa pela vitrine e fica satisfeito com o que viu.

QUEIJO: - Agora falo do ponto de vista biológico: vá dormir mais cedo, vai. Isso ajuda a acordar mais animado.

[ ... ]

QUEIJO: - Onde nós estamos?

AMOR: - Estamos em um caderno que eu usava em 1999. É bem bonito eu voltar a usar este caderno em 2015.

QUEIJO: - Uai, por quê? Você escrevia nele e depois o abandonou. 16 anos de abandono para ser mais exato.

AMOR: - Mas olha só o que eu fazia: cálculo de matemática, resumos dos ensaios do Bertrand Russell, textos sobre os livros “1984” e “Admirável Mundo Novo”, reflexões originais e descrições sobre experiências de eletrólise. Ah, como eu amava fazer experiências de eletrólise! Você lembra?

QUEIJO: - Claro que eu me lembro, eu sou você!

AMOR: - Eu ficava fazendo o dia inteiro. E olha como eu fazia as anotações direitinho: descrições, desenhos, anotava os números... Eu salvei a coleção “Os Cientistas” do meu pai!

[ ... ]

[ A coleção “Os Cientistas”, lançada pela Abril Cultural e pela FUNBEC (Fundação Brasileira para o Desenvolvimento do Ensino de Ciências) lançada na década de 1970 é a mais gloriosa coleção já lançada na história do Brasil.
Para os padrões de nosso país aquilo que aconteceu é praticamente um milagre, até uma pessoa religiosa estaria autorizada a usar o que aconteceu como prova da existência de Deus. Aqueles fascículos a preços populares? Aquele projeto? Sem precedente, absolutamente sem precedente. Não é considerar o nosso amado país uma desgraça sempre, mas sim fazer justiça. Aquilo foi um milagre.
Tenho um exemplar aqui e faço questão de citar os nomes aqui para uma possível canonização no futuro ou para dar nome a escolas públicas, sei lá:
(a parte científica)
Professora Myriam Krasilchik, 
professor Herman Lent, 
professor Simão Mathias, 
professor Arnaldo Nora Antunes 
e  professor Alberto Luiz da Rocha,
(a parte editorial)
Elifas Andreatto, 
Vera Malagola, 
Antônio Maria de Almeida Prado Filho, 
Nelson Corga, 
Satiko Arikita, 
Luís Gonçalves, 
Carlos Alberto Lozza, 
Antônio Silvio Lefèvre, 
Celia Soibelmann, 
Elizabeth di Cropani, 
Ary Coelho, Pedro Paulo Poppovic 
e Roberto Civita. 
https://oscientistas.wordpress.com/ ]

QUEIJO: - Canonização?

AMOR: - Os positivistas não tinham uma igreja onde os santos eram as pessoas que se destacavam na história, tipo professores, generais, políticos e etc.?

QUEIJO: - Ah, no Rio de Janeiro eles já concertaram a sede da Igreja Positivista? Até a primeira bandeira brasileira tinha sido queimada naquele incêndio. Lembro que você ficou bravo.

AMOR: - É mesmo, fiquei mais bravo com o descaso do que com o incêndio propriamente dito. Mas não acompanhei o que aconteceu depois. Devem ter consertado o prédio, mas muita coisa importante deve ter sido destruída.

[ ... ]

QUEIJO: - 16 anos depois você é um jornalista sem jornal, que chega atrasado a um serviço voluntário, que vende cartões postais, que não conseguiu sequer terminar de imprimir o próprio portfólio de fotos, mora onde não devia e basicamente continua tão solitário e perdido quanto era antes.

AMOR: - Perdido em meio a uma selva fechada  aonde nada posso enxergar, mas apenas tropeçar em minha coleção de desejos, sonhos e realizações incompletas.

QUEIJO: - Temos que ter cuidado para que esse diálogo nosso, um grito e um diário, uma garrafa e um mar, um riso e um protesto contra todos os médicos de cabeça; não caia na armadilha da autocondescendência.

AMOR: - Como é uma estrada que é certa? O que é satisfação sem desconfiança?

[ ... ]

AMOR: - Parece que vai haver um panelaço hoje a noite, durante algum pronunciamento do governo federal ou do Partido dos Trabalhadores. 

QUEIJO: - Perderam a eleição e agora ficam estragando as próprias panelas. Faz parte, é saudável. Melhor do que ficar nas sombras planejando algum golpe. Convém não esquecer o continente em que estamos.

AMOR: - Ei, você foi meio preconceituoso com a América Latina!

QUEIJO: - Vai estudar a história da Bolívia na primeira metade da década de 1990, vai.

[ ... ]

QUEIJO: - Não vai terminar de ler o livro do escritor Roberto Freire?

AMOR: - Não, não. Cansei. A leitura é pesada. Na verdade vai ser todo Nietzsche e depois todo o Campbell. Prioridades, foco.

QUEIJOS: - Sei... Nada de mais e mais planos morabolantes que te roubam tempo e confiança no futuro.(risos)

AMOR: - É preciso conhecer os limites e saber andar no meio deles.

QUEIJO: - Agora você disse uma verdade verdadeira!