Voltaire ajuda

Voltaire ajuda

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Um dia de futebol e impressões

Continuo olhando o meu arquivo. Estou revisando a pasta que fiz sobre esportes. Encontro a foto oficial do América Futebol Clube, campeão da “Taça Minas Gerais” de 2005.

Esse recorte é especial para mim, pois eu estava na arquibancada do antigo Estádio do Independência no dia da final.

Meu primo me levou e demonstrou tensão ao ver, logo na entrada da arquibancada, que havia uma banda de música tocando pelo América. Meu primo reconheceu aqueles músicos e falou para mim que toda vez que eles iam ao estádio o América perdia. Meu primo estava realmente tenso naquele dia.

Também vi uma “namoradinha” do colégio. Reconheci seu rosto redondinho, seus olhos verdes e o elástico colorido que ela ainda usava para prender seus cabelos cacheados e negros.
A gente nunca se beijou e quando eu finalmente tive coragem de convidá-la para sair, ela disse que não poderia ir, pois viajaria com a família para Petrópolis. 
Nunca fui a Petrópolis, mas desde então tomei birra com Petrópolis. Não gosto de Petrópolis. Quem gosta de Petrópolis? Quem precisa de Petrópolis? Petrópolis que continue lá em Petrópolis. Espero que quem esteja me lendo não goste de Petrópolis. Eu não gosto de Petrópolis.

Também fui testemunha de uma confusão e de uma briga com direito a ofensas racistas. 
Quando terminou o jogo e o América consagrou-se campeão, alguns torcedores tentaram pular as grades e invadir o campo. Alguns policiais militares não deixaram e uma mulher brigou com um dos guardas. A discussão aconteceu bem às minhas costas de modo que quando me virei, fiquei de frente para mulher que com o dedo em riste ofendia o guarda da Polícia Militar com ofensas racistas. Ingenuamente eu achava, até aquele dia, que esse tipo de ofensa só aconteceria quando a pessoa estivesse quase explodindo de raiva e quase indo “às vias de fato”. Mas neste dia vi que nem sempre é assim. Aquelas palavras feias saíram da boca da mulher, mal a discussão havia começado. Isso me chocou. Outra coisa que me chocou foi o comportamento do policial militar: nem um lorde britânico conseguiria demonstrar tanta calma. O guarda não brigou ou chorou. Tremenda força de caráter dele. Não sei se eu conseguiria ser igual a ele.

Não quero terminar essas palavras com tristeza. Imagino que alguém possa pensar algo como “aquele guarda aprendeu a comportar-se assim, talvez por presenciar esse tipo de acontecimento com muita frequência”. Não, nem quero pensar nesta hipótese.



Vamos terminar aqui com algo mais alegre, apesar de não muito correto. Essa minha ida ao jogo de futebol foi em 2005, quando eu tinha 22 anos. Era a minha primeira vez em uma arquibancada para ver uma partida de futebol. Sei que não devia, mas encantei-me quando na primeira atuação do bandeirinha contra o time do América, um torcedor tenha descido até a grade quando ficou seguindo e ofendendo a mãe do bandeirinha a partida inteira. 
A partida inteira mesmo. Ele o seguia em zigue-zague e até parava, quando colocava as mãos na grade e ofendia mais um pouco a mãe do bandeirinha. As vezes eu parava de ver o jogo e ficava vendo aqueles dois. Deve ser chato ser ofendido por 90 minutos, mais acréscimos e mais cobrança de pênaltis. 
Pobre guarda, pobre bandeirinha e pobre mulher racista por ser racista.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá, tudo jóia?
Escreva um comentário e participe.