Voltaire ajuda

Voltaire ajuda

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Trégua.

E teve o livro que comprei por vinte e na loja ao lado o mesmo custava 60. A vez que fiquei mais de meia hora "chorando" para que o vendedor abaixasse o preço dos livros que eu tinha pegado. "Chorei" tanto que, a mulher do sujeito que estava ao lado dele, acabou brigando com ele para que vendesse logos os livros para se livrar daquele comprador sem noção. E teve a história do livro do Primo Levi, que falei que ia contar uns dias atrás e que é da artesã que fez cara feia para mim.

Todas as histórias acima, menos a do Primo Levi, aconteceram no mesmo lugar: o andar dos sebos do Edifício Maletta. Sou figurinha carimbada ali. O pessoal nem pergunta mais se eu preciso de ajuda e tal. Deixam que eu entro na loja e fique olhando.

O caso da artesã é o seguinte. Faz muitos anos e foi durante uma viagem da família. Nem foi em Minas, mas não lembro o estado que foi. Era uma loja de artesanato, mas havia uma estante com alguns livros bem "machucados".
- Quanto custa?
- 9 reais.
Fazia sentido, os livros estavam todos caindo aos pedaços. Ocorre que, vocês deve ter desconfiado pelo que disse antes, que sou cachorro velho para essas coisas e fui olhar um por um bastante tempo.
Achei "A Trégua" do Primo Levi. O nome era familiar e a história, girando em torno da Segunda Guerra Mundial, me interessou muito. Prisioneiros libertos, narrativa intimista, liberdade... Claro que a coisa ali era boa. Até a editora, no caso a "Companhia das Letras", indicava isso.
A arquiteta não podia ser uma grande leitora, mas dava para perceber que aquele livrinho (ele é pequeno mesmo, menos que um punho fechado) valia muito mais que 9 reais. Daí a cara feia que ela me fez.
Cara feia que respondi com a minha cara de bobo que tantas vezes me salvou de situações assim.

Li o livro durante alguns dias na praia. Praia, sol, quentura, febre amarela o tempo todo nas primeiras páginas dos jornais a destruir o Brasil (lembram?), e eu lendo sobre uma fuga pelas paisagens geladas da Europa Oriental pelos olhos de um prisioneiro em busca de uma nova liberdade.

Trégua. Trégua para o mundo, para todos nós. Precisamos muito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá, tudo jóia?
Escreva um comentário e participe.