Voltaire ajuda

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sábado, 25 de julho de 2015

24 de junho de 2015

AMOR: - Vi um filhote de lagartixa defecando. Era tão pequeno e olhava para mim tão assustado! Imaginei que se eu fosse um estudante de Ciências Biológicas em seu primeiro ano da faculdade, escreveria um poema a respeito. Elegia ou ironia, sendo um poeta ou principalmente por não ser, eu escreveria.

QUEIJO: - E também refletiu hoje o quão próximo de zero é a sua vida. Tantos dias que em  comum tem o desespero silencioso, os planos ingênuos e a invencível neblina em frente à sua estrada. Aquilo que ainda tem de sua estrada.

AMOR: - Você é um queijo ricota, cale a boca.

QUEIJA: - E você deve receber o tratamento que uma criança mal acostumada deve receber: “cale a boca”, “obedeça”, “assim no futuro você vai sofrer” e “porque sim”.

[ Parece uma das primeiras fotografias espaciais feitas do planeta Saturno. Digo isso pelo seu tamanho pequeno e pela indefinição (profundidade somente porque sabemos que estamos no espaço e nenhum detalhe para ajudar sentirmos alguma impressão de textura ou solidez). Parece mesmo uma bolinha de cor laranja clara, levemente achatada horizontalmente. Há um ponto branco à nossa esquerda lembrando uma estrela, com certeza é o maior satélite de Saturno. Não me pergunte o nome deste satélite, apenas estou fazendo meu exercício diário de descrição para um livro que ainda não sei que existe em mim. Não, eu não sei do satélite e deste livro. Não, eu não sei do satélite e deste livro. Além deste ponto branco, o que salva essa foto é... é... Tambores? Orquestra Filarmônica de Berlim, por favor? Canhões a postos? Os anéis de Saturno! Aaaaahh!!!!! Aaaaahh!!!!! Aaaaahh!!!!! Aaaaahh!!!!! ]

AMOR: - Ensinaram-me que a vida adulta seria uma desgraça e, aos 44 do segundo tempo, me disseram que bastava passar em um concurso público para ser feliz por toda a vida. A lei me protegeria até da ausência de competência! Na primeira vez que estudei para um concurso, descobri que o colégio nada me ensinou. Não gosto de monarquistas e de traição. Adoraria ser um funcionário público, mas vou escrever uma mensagem de otimismo em um guardanapo usado e lê-lo antes da última viagem em uma rua qualquer. Se confirmar-se para mim o meu “Plano B”.

QUEIJO: - Ah, por orgulho e raiva você sabe que não vai exercer o seu direito ao “Plano B”.

AMOR: - Verdade, e também porque é meio difícil um morto sair do caixão durante seu funeral e jogar as cadeiras em cima dos convidados e do padre.

QUEIJO: - Difícil, mas seria curioso de testemunhar. Apesar de tudo temos que admitir a existência de um otimismo dentro de você, junto com uma fé em algo indefinível em seu futuro. É ingênuo e admiravelmente ordinário, mas, enfim, é algo que você pode se orgulhar de possuir.

AMOR: - Insegurança e lerdeza.

QUEIJO: - Você falou em “lerdeza”, você sabe com quem esta dançando, não é?

AMOR: - Com o mundo.

QUEIJO: - Pois, pois, se não dançar direito ele te pisa o pé!

AMOR: - Isso começou com três crianças brincando com o pé de laranja lima há muito, muito, muito, muito tempo atrás. Mas isso é uma outra história.

QUEIJO: - Uma outra história.


[ Terminamos com Siouxsie, os Banshees, Alessandra Leão, “Dear Prudence” e “A Boa Hora”]

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