Voltaire ajuda

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quarta-feira, 15 de julho de 2015

15 de julho de 2015

[ O livro "Viva Eu, vivo tu, viva o rabo do tatu", do pensador e homem do mundo Roberto Freire, alugado na biblioteca, tem uma belíssima dedicatória.]

QUEIJO: - Na primeira folha, lá em cima podemos ler o título do livro e o começo da dedicatória: "Beá, 
Pô, já viu que incrível esse lance de viver?"

Vai, escaneie esse começo. Fique sendo uma original homenagem à década de 1970. Tem coisa mais anos 70 do que um "lance de viver"? 

AMOR: - Não vou escanear. Como alguém doa um livro com dedicatória para uma biblioteca? Coisa de mau gosto.

QUEIJO: - Pode ser de bom gosto, depois de cumprido a sua função, o livro tem uma nova vida indo agora viver em uma biblioteca e agora mais rico com uma dedicatória.

[ Um nome: Samuel Bansley Pessoa. Caminhe, caminhe, caminhe, caminhe e o caminho, o chão e o céu farão parte do seu corpo e do seu futuro. Nós vamos dizer tudo. Hum, convém repetir isso com um sinal de exclamação: "Nós vamos dizer tudo!" David G. Cooper (1931-1986) e um mundo melhor se, além das salas de reunião, também usarmos as camas para todos se entenderem. Deixe a criança que existe em você também gritar para que você vença. Que todos leiam, que todos critiquem, - eu preciso conhecer essa reação. O racionalismo da cultura ocidental iluminou muita coisa para nós, mas também escureceu muitas partes importantes.]

AMOR: - Era para acordar e pensar em Lawrence da Arábia e sua disciplina apaixonada. mas fui novamente derrotado pela preguiça e por fantasias antigas onde estou com uma mulata no carnaval e...

QUEIJO: - E nos poupe de suas fantasias. Como reza a sabedoria infinita: "Se as suas fantasias fossem do interesse de alguém, já tinham deixado de ser fantasias". Você não canaliza, não vê. Tem que ver!

AMOR: - Ver? Concreto é o direito a algum prazer. 

QUEIJO: - Você conhece bem o poder do tédio. O tédio que tudo pode estender sua sombra. Não da para lembrar que assim os dias ficam iguais e que ficando iguais você vira fantasma? 

AMOR: - Na hora a gente esquece. 

QUEIJO: - Então lembre, então coma peixe para melhorar a memória!

[ Quando o tempo chega, ser filho começa a doer. Amadurecimento pleno não é apenas rompimento, drama, obrigações infinitas e chatas. Amadurecimento pleno é deixar sair os seus super poderes. ]

QUEIJO: - E? E? E? Nada mais a contar hoje? 

AMOR: - Não perdi a calma no radio e ajudei um locutor ao comprar um jornal. Torrei um real e 50 centavos com a porcaria de um jornal diário. Comprei dois exemplares, pois...

QUEIJO: - Ei.

AMOR: - O que foi?

QUEIJO: - É quase meia noite. 

AMOR: - Ah...

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