Voltaire ajuda

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terça-feira, 14 de julho de 2015

14 de junho de 2015

- Bloqueei o meu amor no FaceBook.
- Que drama, héin? Impressionante.
- Doeu. Meu peito sentiu. Falo sério.
- Mas isso faz mais ou menos uma semana, porque esta falando disso agora?
- Vi na televisão uma médica de cabeça falando que eu preciso de terapia. Passei o resto do dia me sentindo amaldiçoado e passando mal. E perguntando o que mereceria minhas lágrimas, além de uma fratura exposta na perna.
- E ela era uma médica de cabeça também. Reduziu a tempestade em você em uma frase e você ficou bravo.
- Isso e outras coisas, muitas outras coisas.
- Reduza ela também em uma frase. Vai, consiga mais alguma gotinha de prazer.
- ....
- O que foi?
- Não ia ficar bonito.
- O que não ia ficar bonito?
 - Xingar ela agora, aqui. Quando imaginei esse texto a ofensa aparecia mais harmoniosamente, mas na hora de escrever os caminhos do texto foram para outros lados.
- Vamos falar sobre o quê?
- Ah, espere.
- O que foi?
- Eu e ela nunca mais vamos conversar e eu fiquei sem saber de uma coisa.
- Que coisa?
- Ela uma vez me disse que "eu não gosto que gostem de mim". Queria saber como ela soube disso.
- Acha mesmo que isso era algo difícil de especular?
- Mas é que... Sei lá, aquilo me surpreendeu. A hora que ela falou e tal...
- (risos)
- Orgulho ferido, mágoa por ela não ter se comportado como eu queria... Fico imaginando que eu não tenha passado de um experimento psicológico, uma brincadeira para ela.
- Continue.
- Uma vagabunda, uma mentirosa. Quantas fofinhas que pintam o cabelo de vermelho, acham mágico uma tatuagem e que não fazem o que falam; eu vou encontrar? Eu vou encontrar outras.
- Se existem mais ilusões do que verdades neste mundo, não vai ser agora que a gente vai debater. Se você vai crescer, é uma discussão melhor.
- Dinheiro e passar a maior parte do dia como escravo.
- Viu como é fácil?
- Falta o dinheiro.
- Mais ou menos. Não basta ser escravo, tem que ser escravo feliz. Você não é um escravo feliz.
- Não estou preocupado com isso, estou preocupado com o dinheiro.
- Você trocou o serviço público por uma carreira em fotografia, vai reclamar de dinheiro?
- Eu precisava de uma religião.
- Essa é boa, essa é nova.
- Disciplina e todas as vantagens que uma coisa invisível pode proporcionar...
- Quanto drama. Você gosta muito de drama.
- Gosto. No meio de tanta pobreza, tirar valor de todas as coisas. Sentir, sentir muito.
- Sentir e pensar muito te deixa parado.
- As portas ao meu redor não me dão motivo para mover-me.
- Essas portas são todas antigas, são todas conhecidas suas.
- Eu conheço elas.
- Diga-me se elas vão se mover.

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