Voltaire ajuda

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terça-feira, 14 de julho de 2015

14 de julho de 2015 II

QUEIJO: - O que temos para hoje?

AMOR: - A viagem para uma família que não é, um livro que era para entregar ontem na biblioteca, duas músicas que me fizeram felizes, imagens bonitas, este texto, o programa de rádio e...

QUEIJO: - E...?

AMOR: - "Gracias a la vida, gracias a la vida..."

QUEIJO: - Ouviu esta canção no rádio hoje de manhã e ficou pensando na sua última ruiva, não é? Na faculdade, com outra ruiva, você também gostava de encontrar coincidências em todos os lugares e deu a merda que deu. Você a bloqueou do FaceBook, uma coisa absolutamente de "aborrecente", mas que não deixa de ser uma forma sua de deixá-la livre.

AMOR: - Sim.

QUEIJO: - Então contente-se com isso, com o máximo de amor que você conseguiu demonstrar: deixe ela livre. Você gosta de arte, sabe o que acontece com tudo aquilo que fica preso. 

[ O vestibular é inútil e o fato que o dinheiro no Brasil chamar-se "Real" é algo tão irônico que espanta que tão poucos percebam isso.]

QUEIJO: - O que é isso? Quem colocou este texto no meio da nossa conversa?

AMOR: - É o diário de leitura do livro que eu tinha que entregar segunda-feira.

QUEIJO: - Mas você não consegue fazer só uma coisa por vez?

AMOR: - Não. 

QUEIJO: - Daí que não faz direito o que tem para fazer!

AMOR: - Vai se f***!

QUEIJO: - O Amor me mandou eu me f*** Irônico.

AMOR: - Irônico é um queijo que fala.

[ Aprender a aprender. Colocar a curiosidade para praticar aeróbica. ]

QUEIJO: - Deve ser um livro de pedagogia. Vamos ver o que temos agora.

[ Os livros didáticos tinham que ter dezenas e dezenas de perguntas sem respostas. O programa didático é fechado e morto. Assim é complicado que tanto os professores quantos os alunos exerçam o natural encantamento que todos temos diante desse mundo.]

QUEIJO: - Muito bom, Amor. Muito bom. Devia tentar ganhar dinheiro com isso e...

AMOR: - Vou juntar todo o dinheiro que vocês querem que eu tenha, fazer um monte e botar fogo. Vou colocar o mundo em chamas com o dinheiro que vocês exigem de mim.

QUEIJO: - E lá vamos nós de novo...

AMOR: - Sabe o conto "Um Artista da Fome", do Kafka? Eu sou um artista da fome. 

QUEIJO: - Somos todos artistas da fome. É uma visão da condição humana. Você gosta de Kafka e concorda com ele. Mas também gosta de outros autores que não concordam com Kafka. Mas isso não importa agora. O importante é ganhar dinheiro!

AMOR: - Você não tinha que se preocupar com dinheiro, você é um queijo e queijo se preocupa é com leite!

[ A educação no Brasil é tão desgraçada que a rigor não podemos dizer nem que ali dentro eles sabem ler um livro.]

AMOR: - Estou preocupado com essa festa de família. Não consigo deixar de pensar que vou ser esmagado por uma carreta durante a viagem e depois o motorista vai sentar na calçada, lamentando o dia de trabalho perdido e fumando um cigarro.

QUEIJO: - Isso pode não acontecer. E só as mulheres fumam hoje em dia. (risos) Pense que algumas das melhores fotos que você tirou foram em uma festa parecida com essa.

[ Um constante montar de quebra-cabeças. Você sabe que deve terminar este quebra-cabeça e que isso vai ser bom. É o que basta.]

AMOR: - Devia parar de ter pensamentos mórbidos.

QUEIJO: - Uma forma de fuga, de evitar realizar atividades. Lirismo de vagabundo. Acha que sofrendo por antecipação vai eliminar... o sofrimento. 

AMOR: - Adoro ser resumido assim. Porque você não vai se f*** outra vez?

QUEIJO: - Posso estar enganado e mesmo assim seria apenas parte de você que teria sido resumida.

AMOR: - Médicos de cabeça, bando de desgraçados. Deviam ter inveja de mim, eu olho nos olhos daquilo que eles apenas leem em apostilas vagabundas. 

[ Você pode ensinar Goethe para adolescentes da periferia de Salvador, mas tem que estar apaixonado por Goethe antes. Como podem professores estar apaixonados por Goethe se não se auto criticam, não tem salários dignos, não tem condições de trabalho e as pessoas olham para eles com pena no meio da rua?]

AMOR: - Tanta diferença nesta casa, mas tanta diferença. Mesmo depois de tantos anos! Respeito na hora da refeição não é amor. Tudo aqui parece ser fruto de um engano maldito, de um erro invencível. Uma pensão cheia de frustração e mágoa.

QUEIJO: - Nada de te prende aqui, nem a virtude da gratidão. Apenas o receio em virar um mendigo.

[ Curiosidade e a criatividade como elementos a serem estimulados nas escolas e o futuro, como algo que os alunos devem lembrar como amigo do momento presente. O presente como um rio alimentado pelo futuro e pelo passado. Uma escola que não atrapalhe os seus alunos. ]

AMOR: - Quantas fórmulas eu encontrei que me salvariam! Onde nós estamos, por exemplo, neste blog aqui, quantas vozes ele já teve? Quantas maneiras de escrever eu já testei aqui? Esses fracassos são fracassos, mas também revela algum vigor.

QUEIJO: - Algum motivo para seguir uma regra duas vezes seguidas? Difícil para você encontrar.

AMOR: - Um coração viciado em retirar valor de um mundo feito de lixo, um coração que se prostitui com idéias e belezas a granel. 

QUEIJO: - Continue no livro, seu marmota.

[ Rubem Alves elogiou um tal de Leszek Kolakowski, o que significa que este tal de Leszek Kolakowski é f*** pra cara***. Vamos pedir ajuda do mantra:

Rubem Alves elogiou um tal de Leszek Kolakowski, o que significa que este tal de Leszek Kolakowski é f*** pra cara***.
Rubem Alves elogiou um tal de Leszek Kolakowski, o que significa que este tal de Leszek Kolakowski é f*** pra cara***.
Rubem Alves elogiou um tal de Leszek Kolakowski, o que significa que este tal de Leszek Kolakowski é f*** pra cara***.
Rubem Alves elogiou um tal de Leszek Kolakowski, o que significa que este tal de Leszek Kolakowski é f*** pra cara***. 

O dever do palhaço é denunciar quando o sacerdote pode prejudicar o reino inteiro. Lembranças do tempo de escola tão vivas como se aquilo tivesse acontecido hoje de manhã. Professores são iguais aos seus alunos, apenas um pouquinho, um pouquinho, um pouquinho mais experiente na arte de perguntar e na arte de errar para aprender.]

AMOR: - Eu amo música. A versão estendida de "It´s my life" do grupo Talk Talk e a Sexta Sinfonia do Tchaikovsky me ajudaram a ter um dia de valor. Quase só isso. Escrever este texto e ler o livro também esta me dando algum prazer. Bom, bom. E estou melhorando o programa de radio. Ah, eu poderia falar sobre horas e horas sobre aquele pequeno curso sobre cinema de animação. Nunca me senti tão aceito, tão no ninho como naquele lugar. Por Júpiter, como sou grato por aqueles dias!

[ A educação brasileira tem problemas fundamentais, mas também tem estrelas brilhando e brilhando. Professores criativos, experiências inovadoras, serviços voluntário com idosos e em lugares humildes; o sorriso nas escolas tendo seu devido valor no processo educacional. Existe motivos suficientes para acreditar que vamos ter uma educação de valor. Outro nome citado por Rubem Alves e que merece toda a nossa atenção e consideração: o educador Carlos Rodrigues Brandão. 

Vamos voltar ao mantra:
o educador Carlos Rodrigues Brandão!,
o educador Carlos Rodrigues Brandão!, 
o educador Carlos Rodrigues Brandão! 
e o educador Carlos Rodrigues Brandão!

.]

QUEIJO: - E o programa de rádio? Investiu tanto, tinha texto sobre as musicas e os músicos, uma coisa bem feita e educativa. Por que não deu continuidade? O que de concreto você queria que acontecesse e que não aconteceu? 

AMOR: - Posso não saber de dinheiro, mas também trabalhar por trabalhar nem eu; ora!

QUEIJO: - É um serviço voluntário, seu marmota! 

AMOR: - Ajudar os outros locutores é bonito, mas fico com eles sete vezes a duração de meu programa e fazendo o serviço de secretária, atendendo telefonemas. As mesmas pessoas, as mesmas vozes e as mesma músicas. A campainha do telefone do estúdio apunhala meu coração toda vez que toca. Não gosto de coisas repetidas. Na praia mais bonita do mundo, no dia seguinte, eu poderia morrer de tédio. Quando criança eu lembro que enjoava fácil dos brinquedos que ganhava.

QUEIJO: - Você sabe que fazer alguma coisa boa não é para os fracos. Tanta gente ali gosta de você. Não estrague as coisas. Mas você também quando fixa uma coisa, sai de baixo. Livros, música, filosofia, Chaplin, Nietzsche e ruivas pintadas. Aqui, quando essa nossa conversa vai terminar? 

AMOR: - Quando o diário de leitura do livro acabar e quando as músicas para o programa de radio também acabarem. OK, talvez um pouco antes...

QUEIJO: - Não acho que alguém esteja lendo tudo isso. 

AMOR: - Nada, sei que tem alguém aqui embaixo. 

[ O livro termina com um elogio ao Amor. Como deve ser, não?]

AMOR: - Daqui a pouco vai começar o filme "Lawrence da Arábia"! Que vida! Que vida! Que vida! Que vida!

QUEIJO: - Que sacrifício! Da parte da dor, você não lembra. Você não vê, não acredita naquilo que merece o sacrifício e mesmo assim anseia por momentos de maior valor. 

AMOR: - Apenas ser rodeador por coisas e momentos que sejam bonitos por serem seguros e seguros por serem bonitos. Rodeado por coisas que signifiquem, que signifiquem!


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