Voltaire ajuda

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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Editorial 9 anos

pluralismo
perspectivismo
experimentalismo

depois de 9 anos descobri minha voz no blog: um queijo julgador, um amor reativo e colchetes tentando ser eternos. tudo formando um diário que é um grito pedindo um eco.

Vai dar certo

sábado, 25 de julho de 2015

24 de junho de 2015

AMOR: - Vi um filhote de lagartixa defecando. Era tão pequeno e olhava para mim tão assustado! Imaginei que se eu fosse um estudante de Ciências Biológicas em seu primeiro ano da faculdade, escreveria um poema a respeito. Elegia ou ironia, sendo um poeta ou principalmente por não ser, eu escreveria.

QUEIJO: - E também refletiu hoje o quão próximo de zero é a sua vida. Tantos dias que em  comum tem o desespero silencioso, os planos ingênuos e a invencível neblina em frente à sua estrada. Aquilo que ainda tem de sua estrada.

AMOR: - Você é um queijo ricota, cale a boca.

QUEIJA: - E você deve receber o tratamento que uma criança mal acostumada deve receber: “cale a boca”, “obedeça”, “assim no futuro você vai sofrer” e “porque sim”.

[ Parece uma das primeiras fotografias espaciais feitas do planeta Saturno. Digo isso pelo seu tamanho pequeno e pela indefinição (profundidade somente porque sabemos que estamos no espaço e nenhum detalhe para ajudar sentirmos alguma impressão de textura ou solidez). Parece mesmo uma bolinha de cor laranja clara, levemente achatada horizontalmente. Há um ponto branco à nossa esquerda lembrando uma estrela, com certeza é o maior satélite de Saturno. Não me pergunte o nome deste satélite, apenas estou fazendo meu exercício diário de descrição para um livro que ainda não sei que existe em mim. Não, eu não sei do satélite e deste livro. Não, eu não sei do satélite e deste livro. Além deste ponto branco, o que salva essa foto é... é... Tambores? Orquestra Filarmônica de Berlim, por favor? Canhões a postos? Os anéis de Saturno! Aaaaahh!!!!! Aaaaahh!!!!! Aaaaahh!!!!! Aaaaahh!!!!! ]

AMOR: - Ensinaram-me que a vida adulta seria uma desgraça e, aos 44 do segundo tempo, me disseram que bastava passar em um concurso público para ser feliz por toda a vida. A lei me protegeria até da ausência de competência! Na primeira vez que estudei para um concurso, descobri que o colégio nada me ensinou. Não gosto de monarquistas e de traição. Adoraria ser um funcionário público, mas vou escrever uma mensagem de otimismo em um guardanapo usado e lê-lo antes da última viagem em uma rua qualquer. Se confirmar-se para mim o meu “Plano B”.

QUEIJO: - Ah, por orgulho e raiva você sabe que não vai exercer o seu direito ao “Plano B”.

AMOR: - Verdade, e também porque é meio difícil um morto sair do caixão durante seu funeral e jogar as cadeiras em cima dos convidados e do padre.

QUEIJO: - Difícil, mas seria curioso de testemunhar. Apesar de tudo temos que admitir a existência de um otimismo dentro de você, junto com uma fé em algo indefinível em seu futuro. É ingênuo e admiravelmente ordinário, mas, enfim, é algo que você pode se orgulhar de possuir.

AMOR: - Insegurança e lerdeza.

QUEIJO: - Você falou em “lerdeza”, você sabe com quem esta dançando, não é?

AMOR: - Com o mundo.

QUEIJO: - Pois, pois, se não dançar direito ele te pisa o pé!

AMOR: - Isso começou com três crianças brincando com o pé de laranja lima há muito, muito, muito, muito tempo atrás. Mas isso é uma outra história.

QUEIJO: - Uma outra história.


[ Terminamos com Siouxsie, os Banshees, Alessandra Leão, “Dear Prudence” e “A Boa Hora”]

quinta-feira, 23 de julho de 2015

23 de junho de 2015 (2 de 2)

AMOR: - Vou continuar o diário de leitura do “Viva Eu, Viva Tu, Viva o rabo do Tatu” (1977), livro de Roberto Freire; vou editar as fotos do Congado e...

QUEIJO: - E vai é ficar ouvindo David Bowie sem parar enquanto olha essa foto aí da Olivia Thirlby
.
AMOR: - As duas mãos sobre a cabeça, bagunçando os longos cabelos negros. Ela esta cansada e surpresa, talvez surpresa por estar assim. Duas pulseiras grandes no pulso direito e talvez algum anel em um dos dedos, mas aqueles cabelos não me deixam ver. Ela esta olhando para mim e por isso não posso olhar para outra coisa senão ela. A posição dos braços levanta um pequeno casaco estranho, estranho por ser pequeno e parecer masculino. Deve ser moda. Deve ser algum sofá moderninho de alguma boate ainda mais moderninha. Sou rosto é belo, mas nada de excepcional o que o torna, dialeticamente pelo desejo e imaginação, excepcional. Não há decote, há algo tão bom quanto: pele, muita pele exposta. Essa pele e o fim bagunçado do cabelo pedem dedos que afastem esses fios e conheçam os contornos do pescoço. O Graal é a nuca, como toda nuca dos seres femininos. Estamos descendo e os seios são pequenos, o que também dialeticamente você decide ser bom ou não. Já escolhi aqui e continuo querendo. O vestido é dividido em duas partes bem diferentes. A parte de cima lembra uma dessas lingeries do século XIX e a parte inferior é apenas uma longa saia onde predominam o roxo e o violeta. A outra cor é o negro, mas essa cor esta apenas na parte central o que, surpreendentemente, não é o grande destaque. Não é aquele centro e sim a curva: ela esta com as pernas cruzadas e suas coxas são mais belas que a face de Deus. E fim!

QUEIJO: - E termina no exato momento em que a Polonaise de “Eugenio Oneguin”, de Tchaikovsky, termina.

AMOR: - Bonita coincidência!

QUEIJO: - De David Bowie a Tchaikovsky!

AMOR: - Agradecer à Olivia pela inspiração. Ela nem sabe que eu existo, mas quero registrar aqui desejos de tudo de bom para ela!

QUEIJO: - Não se empolgue tanto, reserve um pouco desse pensamento positivo para você mesmo. Em seu caso, pensamentos positivos são objetos raros.

[ O olhar desafiador de uma jovem guerrilheira, na Barcelona anarquista de 1937, me seduz. Como mandam todos os deuses e motivos, mas devemos ir para o livro. ]

[ Gostosa sensação de familiaridade ao ler algum autor. É mais comprovação do que descoberta, mas as descobertas não hão de tardar de reclamar as suas partes durante os estudos.]

AMOR: - Estou com sono, impressionado com uma poesia do Joel Latner e preocupado e chupar laranjas.


QUEIJO: - Cuidado para não dormir com a cara no prato cheio de cascas e sementes de laranja e sonhar que o Joel Latner te persegue usando um jipe para neve enquanto te oferece uma promoção para assinar a Revista de História da Biblioteca Nacional.

23 de junho de 2015 (1 de 2)

QUEIJO: - Vamos seguir em frente, para as soluções dos problemas novos, para as soluções dos problemas antigos disfarçados de problemas novos e para as soluções dos problemas antigos vaidosos por quererem ser chamados de “é assim mesmo, faz parte”. E aí?

AMOR: - E aí que ontem assisti “O Exorcista” (1973) e gostei demais, pois além de ser um ótimo filme ele também levanta a questão da importância de acreditar e de apenas duvidar no momento certo da caminhada. E agora estou encantado com uma linda fotografia que mostra uma turista oriental mergulhando ao lado de um peixe que sabe sorrir...

QUEIJO: - Tá bom, tá bom, tá bom, já me arrependi de perguntar.

AMOR: - Não contei da viagem ainda aqui. Foi legal, não fui esmagado por alguma carreta gigante desgovernada carregando substâncias radioativas.

QUEIJO: - Se percebe.

AMOR: - Mas bati a cabeça na quina de uma janela.

QUEIJO: - Impressionante. Sangrou? Foi grave? Formou pelo menos um “galo” na cabeça?

AMOR: - Não, mas na hora fiquei com muito medo.

QUEIJO: - ... ...

AMOR: - O banheiro do quarto da pensão era tão pequeno que quando a gente sentava na privada para fazer o “número dois”, o nosso nariz batia na quina da pia. E me apaixonei pelas duas atendentes de um restaurante.

QUEIJO: - Eu apenas gostaria de saber por que converso com você. É pedir muito?

AMOR: - Fui tirar foto de um desfile de carros de bois e tive que fugir de dois bezerros bravos. Visitei três vezes a mesma livraria, mas resisti e não comprei.

QUEIJO: - Alguém aí do outro lado da tela do computador; é você, você mesmo: você consegue compreender toda a dimensão do drama que é ficar com a cabeça doendo, sem ter uma cabeça?

AMOR: - Uma das atendentes do restaurante era branquinha e loirinha e muito, muito fofinha se é que me faço entender. A outra era magra e negra e as suas três olhadas para mim derreteram meu coração e colocou-me ao lado das nuvens.

QUEIJO: - 190 seria antes, eu vou direto é ligar para a Ezequiel Dias.

AMOR: - Gosto desse meu gosto eclético. Ecletismo significa riqueza interior.

QUEIJO: - Piedade, piedade meu pai! E se for contagioso?

AMOR: - Não disse nem “bom dia” para duas, mas elas sempre morarão em mim.

QUEIJO: - Curso de orientação para suicídio. Duas semanas com aulas teóricas e práticas, pelo total de 120 Reais. Pagamento no final do curso.

AMOR: - A família toda por parte da minha vó materna estava reunida e... Peraí.

QUEIJO: - “Peraí”, o que? O que foi agora?

AMOR: - Curso de suicídio cujo pagamento é depois das aulas?

QUEIJO: - AAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH !!!!!!!!!!!!!!!!!!!

AMOR: - Você tem que se controlar, Queijo. Neste diálogo cujo objetivo é ironizar todos os terapeutas, psicólogos e psicanalistas, era seu o papel de voz racional.

QUEIJO: - AAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH !!!!!!!!!!!!!!!!!!!

AMOR: - Você precisa de ajuda. Qual era o telefone do plano funerário que também tem plano de saúde?

QUEIJO: - AAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH !!!!!!!!!!!!!!!!!!!

AMOR: - Vou continuar editando as minhas fotos do Congado. Vou virar especialista nisso ainda. Vou virar o gostosão nessa área e colocar o Pierre Verguer comendo poeira!

QUEIJO: - O Pierre Verguer esta morto há mais de dez anos, seu marmota! O máximo que ele come agora é terra e minhoca! AAAAAAAAAHHHHH !!! Alguém me ajuda pelamordedeus!!!!

AMOR: - Krishna, você acredita em Krishna. Por causa da vaca, entendeu? Você é um queijo e acredita no leite. Leite, vaca, hinduísmo... Capturou a indução do trem?

QUEIJO: - Para, a brincadeira acabou. Ouviu? Assim não tem graça, assim é tortura.

AMOR: - Reparou que eu falei “indução” em vez de “dedução”?

quarta-feira, 22 de julho de 2015

22 de julho de 2015

QUEIJO: - E aí? Quer falar sobre a aventura de ontem?

AMOR: - Nem pensar. Já falei na radio Super Nova FM e já escrevi no FaceBook o suficiente. O dia de ontem é mais um exemplo de como o diálogo e a transparência fazem falta e de como essas coisas podem evitar maus entendidos violentos.

QUEIJO: - E tem aquele detalhe que, naquela tristeza toda que foi ontem, você acabou não falando: uma das líderes daquele movimento social também não queria ser fotografada.

AMOR: - É, durante a reunião aberta com os desalojados, quando eu estava tirando fotos ela se escondeu atrás de uma das mulheres que havia ali. Ela continuou discursando e gesticulando, o que fez o gesto todo ser meio nonsense. Ela depois me contou que não pode aparecer em fotos, mas não me explicou por que. Não teve fotos apagadas e nem nada, mas também fiquei meio mal com tudo aquilo. Apesar da simpatia dela.

QUEIJO: - E não tirou mais fotos.

AMOR: - E não tirei mais fotos.

[ Você consegue muitas coisas sendo um pedestre com uma câmera fotográfica. Agora não acho tão espetacular esses repórteres especiais e agora também fico ainda mais impaciente com as falhas do jornalismo brasileiro. Aliás, onde estava toda a imprensa mineira no momento? Não deu tempo de noticiar a desocupação das famílias, a imprensa mineira estava muito ocupada perdendo dinheiro, perdendo público e demitindo seus jornalistas. Toda aquela coisa foi principalmente amarga.]

QUEIJO: - “Mas porque o seu maior livro causou o seu exílio? Porque por falar a verdade ele ofendeu a todo mundo.”

AMOR: - De cor! De cor!

QUEIJO: - Claro que é de cor, já esta sob o nosso sangue.

AMOR: - “História da Filosofia”, Will Durant no capítulo dedicado a Voltaire!

QUEIJO: - Com a carta de amor da Maria Bethânia, Oxum e o Santo Agostinho. Não se esqueça disso. Chamem todo mundo!

AMOR: - Chamem todo mundo!

[ Não estamos sós e a beleza ainda acredita.]

segunda-feira, 20 de julho de 2015

sexta-feira, 17 de julho de 2015

17 de julho de 2015

[ Onde viver? Famílias podem ser expulsas a qualquer momento, aqui na cidade. Na Alemanha, quem chora é uma menina palestina árabe. Onde viver? ]

QUEIJO: - Seu marmota, era para você ter ido lá tirar fotos. Mesmo que o que acontecesse não fosse "cinematográfico" do modo que o jornalismo gosta, - de maneira compreensível e não muito decente -, você tinha que ter ido lá tirar fotos.

AMOR: - Ajudei um amigo locutor a fazer uma edição especial do programa e o tema foi a ocupação. Não fui lá tirar fotos, mas toquei "Funeral de um lavrador", de Chico Buarque, o dia inteiro na radio. A desocupação não aconteceu hoje.

QUEIJO: - Pouco foco e muita preguiça. Tente ser um pouquinho mais do que isso.

[ "É a conta menor que tiraste em vida
É a parte que te cabe deste latifúndio" - Chico Buarque. ]

[ Respeitem e respeitem a cultura popular. Vai ser a cultura popular a resistir até o final e não essas paredes de universidades. Mas a cultura popular não pode ficar presa dentro da tela da televisão, dentro da tela do computador e não pode ser representada pela Confederação Brasileira de Futebol e nem represada pela estreito Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Jacob Levy Moreno. A segurança esta dentro da festa organizada pela prefeitura e que esta na rua fechada pelo Polícia Militar, mas apenas teremos o futuro se formos espontâneos e para isso não podemos estar seguros. Ou você crie a ama, ou você vai sofrer e muito; e aqui falamos de pura biologia. ]

AMOR: - Nossa, admito que aquilo bateu e bateu forte. Fui manda um e-mail e acabei vendo umas mensagens antigas que eu tinha enviado para a última-ruiva-pintada-amor-da-minha-vida-mentirosa-e-etc. Li duas frases e tô mal já faz uma meia hora. Filha da p*****! Como caí numa armadilha vagabunda como aquela? AAAAAAAARRRRGGGHHT!

QUEIJO: - Por Júpiter, fique calmo! Aqui, você ficou mal e triste, certo?

AMOR: - Certo. Mal, triste, estômago ruim e agora também estou furioso.

QUEIJO: - Certo, certo. Muito bem, mas vem cá. Diga pra mim: escreveria aquilo tudo de novo?

[ Uma salva de palmas para o satélite TellStar. Uma vaia para a Bomba de Hidrogênio. Se pode, faz? O humano pode, então faz? A ciência pode, então faz? A bomba atômica foi criada e... e... e... e... usada! A arma mais terrível foi criada e usada! Usada! É possível descrever por meio de palavras toda a carga simbólica desse ato? Não creio. Karl Jaspers. Ou nascemos novamente ou tudo isso aqui vai virar uma cinza radioativa. Cada atitude é importante, não fique paranoico; mas cada atitude é importante. Uma pergunta que faz, - ou deveria fazer -, todas as células de nossos corpos tremerem: qual é o futuro do humano? ]

quarta-feira, 15 de julho de 2015

15 de julho de 2015

[ O livro "Viva Eu, vivo tu, viva o rabo do tatu", do pensador e homem do mundo Roberto Freire, alugado na biblioteca, tem uma belíssima dedicatória.]

QUEIJO: - Na primeira folha, lá em cima podemos ler o título do livro e o começo da dedicatória: "Beá, 
Pô, já viu que incrível esse lance de viver?"

Vai, escaneie esse começo. Fique sendo uma original homenagem à década de 1970. Tem coisa mais anos 70 do que um "lance de viver"? 

AMOR: - Não vou escanear. Como alguém doa um livro com dedicatória para uma biblioteca? Coisa de mau gosto.

QUEIJO: - Pode ser de bom gosto, depois de cumprido a sua função, o livro tem uma nova vida indo agora viver em uma biblioteca e agora mais rico com uma dedicatória.

[ Um nome: Samuel Bansley Pessoa. Caminhe, caminhe, caminhe, caminhe e o caminho, o chão e o céu farão parte do seu corpo e do seu futuro. Nós vamos dizer tudo. Hum, convém repetir isso com um sinal de exclamação: "Nós vamos dizer tudo!" David G. Cooper (1931-1986) e um mundo melhor se, além das salas de reunião, também usarmos as camas para todos se entenderem. Deixe a criança que existe em você também gritar para que você vença. Que todos leiam, que todos critiquem, - eu preciso conhecer essa reação. O racionalismo da cultura ocidental iluminou muita coisa para nós, mas também escureceu muitas partes importantes.]

AMOR: - Era para acordar e pensar em Lawrence da Arábia e sua disciplina apaixonada. mas fui novamente derrotado pela preguiça e por fantasias antigas onde estou com uma mulata no carnaval e...

QUEIJO: - E nos poupe de suas fantasias. Como reza a sabedoria infinita: "Se as suas fantasias fossem do interesse de alguém, já tinham deixado de ser fantasias". Você não canaliza, não vê. Tem que ver!

AMOR: - Ver? Concreto é o direito a algum prazer. 

QUEIJO: - Você conhece bem o poder do tédio. O tédio que tudo pode estender sua sombra. Não da para lembrar que assim os dias ficam iguais e que ficando iguais você vira fantasma? 

AMOR: - Na hora a gente esquece. 

QUEIJO: - Então lembre, então coma peixe para melhorar a memória!

[ Quando o tempo chega, ser filho começa a doer. Amadurecimento pleno não é apenas rompimento, drama, obrigações infinitas e chatas. Amadurecimento pleno é deixar sair os seus super poderes. ]

QUEIJO: - E? E? E? Nada mais a contar hoje? 

AMOR: - Não perdi a calma no radio e ajudei um locutor ao comprar um jornal. Torrei um real e 50 centavos com a porcaria de um jornal diário. Comprei dois exemplares, pois...

QUEIJO: - Ei.

AMOR: - O que foi?

QUEIJO: - É quase meia noite. 

AMOR: - Ah...

terça-feira, 14 de julho de 2015

14 de julho de 2015 II

QUEIJO: - O que temos para hoje?

AMOR: - A viagem para uma família que não é, um livro que era para entregar ontem na biblioteca, duas músicas que me fizeram felizes, imagens bonitas, este texto, o programa de rádio e...

QUEIJO: - E...?

AMOR: - "Gracias a la vida, gracias a la vida..."

QUEIJO: - Ouviu esta canção no rádio hoje de manhã e ficou pensando na sua última ruiva, não é? Na faculdade, com outra ruiva, você também gostava de encontrar coincidências em todos os lugares e deu a merda que deu. Você a bloqueou do FaceBook, uma coisa absolutamente de "aborrecente", mas que não deixa de ser uma forma sua de deixá-la livre.

AMOR: - Sim.

QUEIJO: - Então contente-se com isso, com o máximo de amor que você conseguiu demonstrar: deixe ela livre. Você gosta de arte, sabe o que acontece com tudo aquilo que fica preso. 

[ O vestibular é inútil e o fato que o dinheiro no Brasil chamar-se "Real" é algo tão irônico que espanta que tão poucos percebam isso.]

QUEIJO: - O que é isso? Quem colocou este texto no meio da nossa conversa?

AMOR: - É o diário de leitura do livro que eu tinha que entregar segunda-feira.

QUEIJO: - Mas você não consegue fazer só uma coisa por vez?

AMOR: - Não. 

QUEIJO: - Daí que não faz direito o que tem para fazer!

AMOR: - Vai se f***!

QUEIJO: - O Amor me mandou eu me f*** Irônico.

AMOR: - Irônico é um queijo que fala.

[ Aprender a aprender. Colocar a curiosidade para praticar aeróbica. ]

QUEIJO: - Deve ser um livro de pedagogia. Vamos ver o que temos agora.

[ Os livros didáticos tinham que ter dezenas e dezenas de perguntas sem respostas. O programa didático é fechado e morto. Assim é complicado que tanto os professores quantos os alunos exerçam o natural encantamento que todos temos diante desse mundo.]

QUEIJO: - Muito bom, Amor. Muito bom. Devia tentar ganhar dinheiro com isso e...

AMOR: - Vou juntar todo o dinheiro que vocês querem que eu tenha, fazer um monte e botar fogo. Vou colocar o mundo em chamas com o dinheiro que vocês exigem de mim.

QUEIJO: - E lá vamos nós de novo...

AMOR: - Sabe o conto "Um Artista da Fome", do Kafka? Eu sou um artista da fome. 

QUEIJO: - Somos todos artistas da fome. É uma visão da condição humana. Você gosta de Kafka e concorda com ele. Mas também gosta de outros autores que não concordam com Kafka. Mas isso não importa agora. O importante é ganhar dinheiro!

AMOR: - Você não tinha que se preocupar com dinheiro, você é um queijo e queijo se preocupa é com leite!

[ A educação no Brasil é tão desgraçada que a rigor não podemos dizer nem que ali dentro eles sabem ler um livro.]

AMOR: - Estou preocupado com essa festa de família. Não consigo deixar de pensar que vou ser esmagado por uma carreta durante a viagem e depois o motorista vai sentar na calçada, lamentando o dia de trabalho perdido e fumando um cigarro.

QUEIJO: - Isso pode não acontecer. E só as mulheres fumam hoje em dia. (risos) Pense que algumas das melhores fotos que você tirou foram em uma festa parecida com essa.

[ Um constante montar de quebra-cabeças. Você sabe que deve terminar este quebra-cabeça e que isso vai ser bom. É o que basta.]

AMOR: - Devia parar de ter pensamentos mórbidos.

QUEIJO: - Uma forma de fuga, de evitar realizar atividades. Lirismo de vagabundo. Acha que sofrendo por antecipação vai eliminar... o sofrimento. 

AMOR: - Adoro ser resumido assim. Porque você não vai se f*** outra vez?

QUEIJO: - Posso estar enganado e mesmo assim seria apenas parte de você que teria sido resumida.

AMOR: - Médicos de cabeça, bando de desgraçados. Deviam ter inveja de mim, eu olho nos olhos daquilo que eles apenas leem em apostilas vagabundas. 

[ Você pode ensinar Goethe para adolescentes da periferia de Salvador, mas tem que estar apaixonado por Goethe antes. Como podem professores estar apaixonados por Goethe se não se auto criticam, não tem salários dignos, não tem condições de trabalho e as pessoas olham para eles com pena no meio da rua?]

AMOR: - Tanta diferença nesta casa, mas tanta diferença. Mesmo depois de tantos anos! Respeito na hora da refeição não é amor. Tudo aqui parece ser fruto de um engano maldito, de um erro invencível. Uma pensão cheia de frustração e mágoa.

QUEIJO: - Nada de te prende aqui, nem a virtude da gratidão. Apenas o receio em virar um mendigo.

[ Curiosidade e a criatividade como elementos a serem estimulados nas escolas e o futuro, como algo que os alunos devem lembrar como amigo do momento presente. O presente como um rio alimentado pelo futuro e pelo passado. Uma escola que não atrapalhe os seus alunos. ]

AMOR: - Quantas fórmulas eu encontrei que me salvariam! Onde nós estamos, por exemplo, neste blog aqui, quantas vozes ele já teve? Quantas maneiras de escrever eu já testei aqui? Esses fracassos são fracassos, mas também revela algum vigor.

QUEIJO: - Algum motivo para seguir uma regra duas vezes seguidas? Difícil para você encontrar.

AMOR: - Um coração viciado em retirar valor de um mundo feito de lixo, um coração que se prostitui com idéias e belezas a granel. 

QUEIJO: - Continue no livro, seu marmota.

[ Rubem Alves elogiou um tal de Leszek Kolakowski, o que significa que este tal de Leszek Kolakowski é f*** pra cara***. Vamos pedir ajuda do mantra:

Rubem Alves elogiou um tal de Leszek Kolakowski, o que significa que este tal de Leszek Kolakowski é f*** pra cara***.
Rubem Alves elogiou um tal de Leszek Kolakowski, o que significa que este tal de Leszek Kolakowski é f*** pra cara***.
Rubem Alves elogiou um tal de Leszek Kolakowski, o que significa que este tal de Leszek Kolakowski é f*** pra cara***.
Rubem Alves elogiou um tal de Leszek Kolakowski, o que significa que este tal de Leszek Kolakowski é f*** pra cara***. 

O dever do palhaço é denunciar quando o sacerdote pode prejudicar o reino inteiro. Lembranças do tempo de escola tão vivas como se aquilo tivesse acontecido hoje de manhã. Professores são iguais aos seus alunos, apenas um pouquinho, um pouquinho, um pouquinho mais experiente na arte de perguntar e na arte de errar para aprender.]

AMOR: - Eu amo música. A versão estendida de "It´s my life" do grupo Talk Talk e a Sexta Sinfonia do Tchaikovsky me ajudaram a ter um dia de valor. Quase só isso. Escrever este texto e ler o livro também esta me dando algum prazer. Bom, bom. E estou melhorando o programa de radio. Ah, eu poderia falar sobre horas e horas sobre aquele pequeno curso sobre cinema de animação. Nunca me senti tão aceito, tão no ninho como naquele lugar. Por Júpiter, como sou grato por aqueles dias!

[ A educação brasileira tem problemas fundamentais, mas também tem estrelas brilhando e brilhando. Professores criativos, experiências inovadoras, serviços voluntário com idosos e em lugares humildes; o sorriso nas escolas tendo seu devido valor no processo educacional. Existe motivos suficientes para acreditar que vamos ter uma educação de valor. Outro nome citado por Rubem Alves e que merece toda a nossa atenção e consideração: o educador Carlos Rodrigues Brandão. 

Vamos voltar ao mantra:
o educador Carlos Rodrigues Brandão!,
o educador Carlos Rodrigues Brandão!, 
o educador Carlos Rodrigues Brandão! 
e o educador Carlos Rodrigues Brandão!

.]

QUEIJO: - E o programa de rádio? Investiu tanto, tinha texto sobre as musicas e os músicos, uma coisa bem feita e educativa. Por que não deu continuidade? O que de concreto você queria que acontecesse e que não aconteceu? 

AMOR: - Posso não saber de dinheiro, mas também trabalhar por trabalhar nem eu; ora!

QUEIJO: - É um serviço voluntário, seu marmota! 

AMOR: - Ajudar os outros locutores é bonito, mas fico com eles sete vezes a duração de meu programa e fazendo o serviço de secretária, atendendo telefonemas. As mesmas pessoas, as mesmas vozes e as mesma músicas. A campainha do telefone do estúdio apunhala meu coração toda vez que toca. Não gosto de coisas repetidas. Na praia mais bonita do mundo, no dia seguinte, eu poderia morrer de tédio. Quando criança eu lembro que enjoava fácil dos brinquedos que ganhava.

QUEIJO: - Você sabe que fazer alguma coisa boa não é para os fracos. Tanta gente ali gosta de você. Não estrague as coisas. Mas você também quando fixa uma coisa, sai de baixo. Livros, música, filosofia, Chaplin, Nietzsche e ruivas pintadas. Aqui, quando essa nossa conversa vai terminar? 

AMOR: - Quando o diário de leitura do livro acabar e quando as músicas para o programa de radio também acabarem. OK, talvez um pouco antes...

QUEIJO: - Não acho que alguém esteja lendo tudo isso. 

AMOR: - Nada, sei que tem alguém aqui embaixo. 

[ O livro termina com um elogio ao Amor. Como deve ser, não?]

AMOR: - Daqui a pouco vai começar o filme "Lawrence da Arábia"! Que vida! Que vida! Que vida! Que vida!

QUEIJO: - Que sacrifício! Da parte da dor, você não lembra. Você não vê, não acredita naquilo que merece o sacrifício e mesmo assim anseia por momentos de maior valor. 

AMOR: - Apenas ser rodeador por coisas e momentos que sejam bonitos por serem seguros e seguros por serem bonitos. Rodeado por coisas que signifiquem, que signifiquem!


14 de junho de 2015

- Bloqueei o meu amor no FaceBook.
- Que drama, héin? Impressionante.
- Doeu. Meu peito sentiu. Falo sério.
- Mas isso faz mais ou menos uma semana, porque esta falando disso agora?
- Vi na televisão uma médica de cabeça falando que eu preciso de terapia. Passei o resto do dia me sentindo amaldiçoado e passando mal. E perguntando o que mereceria minhas lágrimas, além de uma fratura exposta na perna.
- E ela era uma médica de cabeça também. Reduziu a tempestade em você em uma frase e você ficou bravo.
- Isso e outras coisas, muitas outras coisas.
- Reduza ela também em uma frase. Vai, consiga mais alguma gotinha de prazer.
- ....
- O que foi?
- Não ia ficar bonito.
- O que não ia ficar bonito?
 - Xingar ela agora, aqui. Quando imaginei esse texto a ofensa aparecia mais harmoniosamente, mas na hora de escrever os caminhos do texto foram para outros lados.
- Vamos falar sobre o quê?
- Ah, espere.
- O que foi?
- Eu e ela nunca mais vamos conversar e eu fiquei sem saber de uma coisa.
- Que coisa?
- Ela uma vez me disse que "eu não gosto que gostem de mim". Queria saber como ela soube disso.
- Acha mesmo que isso era algo difícil de especular?
- Mas é que... Sei lá, aquilo me surpreendeu. A hora que ela falou e tal...
- (risos)
- Orgulho ferido, mágoa por ela não ter se comportado como eu queria... Fico imaginando que eu não tenha passado de um experimento psicológico, uma brincadeira para ela.
- Continue.
- Uma vagabunda, uma mentirosa. Quantas fofinhas que pintam o cabelo de vermelho, acham mágico uma tatuagem e que não fazem o que falam; eu vou encontrar? Eu vou encontrar outras.
- Se existem mais ilusões do que verdades neste mundo, não vai ser agora que a gente vai debater. Se você vai crescer, é uma discussão melhor.
- Dinheiro e passar a maior parte do dia como escravo.
- Viu como é fácil?
- Falta o dinheiro.
- Mais ou menos. Não basta ser escravo, tem que ser escravo feliz. Você não é um escravo feliz.
- Não estou preocupado com isso, estou preocupado com o dinheiro.
- Você trocou o serviço público por uma carreira em fotografia, vai reclamar de dinheiro?
- Eu precisava de uma religião.
- Essa é boa, essa é nova.
- Disciplina e todas as vantagens que uma coisa invisível pode proporcionar...
- Quanto drama. Você gosta muito de drama.
- Gosto. No meio de tanta pobreza, tirar valor de todas as coisas. Sentir, sentir muito.
- Sentir e pensar muito te deixa parado.
- As portas ao meu redor não me dão motivo para mover-me.
- Essas portas são todas antigas, são todas conhecidas suas.
- Eu conheço elas.
- Diga-me se elas vão se mover.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Trégua.

E teve o livro que comprei por vinte e na loja ao lado o mesmo custava 60. A vez que fiquei mais de meia hora "chorando" para que o vendedor abaixasse o preço dos livros que eu tinha pegado. "Chorei" tanto que, a mulher do sujeito que estava ao lado dele, acabou brigando com ele para que vendesse logos os livros para se livrar daquele comprador sem noção. E teve a história do livro do Primo Levi, que falei que ia contar uns dias atrás e que é da artesã que fez cara feia para mim.

Todas as histórias acima, menos a do Primo Levi, aconteceram no mesmo lugar: o andar dos sebos do Edifício Maletta. Sou figurinha carimbada ali. O pessoal nem pergunta mais se eu preciso de ajuda e tal. Deixam que eu entro na loja e fique olhando.

O caso da artesã é o seguinte. Faz muitos anos e foi durante uma viagem da família. Nem foi em Minas, mas não lembro o estado que foi. Era uma loja de artesanato, mas havia uma estante com alguns livros bem "machucados".
- Quanto custa?
- 9 reais.
Fazia sentido, os livros estavam todos caindo aos pedaços. Ocorre que, vocês deve ter desconfiado pelo que disse antes, que sou cachorro velho para essas coisas e fui olhar um por um bastante tempo.
Achei "A Trégua" do Primo Levi. O nome era familiar e a história, girando em torno da Segunda Guerra Mundial, me interessou muito. Prisioneiros libertos, narrativa intimista, liberdade... Claro que a coisa ali era boa. Até a editora, no caso a "Companhia das Letras", indicava isso.
A arquiteta não podia ser uma grande leitora, mas dava para perceber que aquele livrinho (ele é pequeno mesmo, menos que um punho fechado) valia muito mais que 9 reais. Daí a cara feia que ela me fez.
Cara feia que respondi com a minha cara de bobo que tantas vezes me salvou de situações assim.

Li o livro durante alguns dias na praia. Praia, sol, quentura, febre amarela o tempo todo nas primeiras páginas dos jornais a destruir o Brasil (lembram?), e eu lendo sobre uma fuga pelas paisagens geladas da Europa Oriental pelos olhos de um prisioneiro em busca de uma nova liberdade.

Trégua. Trégua para o mundo, para todos nós. Precisamos muito.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Um dia de futebol e impressões

Continuo olhando o meu arquivo. Estou revisando a pasta que fiz sobre esportes. Encontro a foto oficial do América Futebol Clube, campeão da “Taça Minas Gerais” de 2005.

Esse recorte é especial para mim, pois eu estava na arquibancada do antigo Estádio do Independência no dia da final.

Meu primo me levou e demonstrou tensão ao ver, logo na entrada da arquibancada, que havia uma banda de música tocando pelo América. Meu primo reconheceu aqueles músicos e falou para mim que toda vez que eles iam ao estádio o América perdia. Meu primo estava realmente tenso naquele dia.

Também vi uma “namoradinha” do colégio. Reconheci seu rosto redondinho, seus olhos verdes e o elástico colorido que ela ainda usava para prender seus cabelos cacheados e negros.
A gente nunca se beijou e quando eu finalmente tive coragem de convidá-la para sair, ela disse que não poderia ir, pois viajaria com a família para Petrópolis. 
Nunca fui a Petrópolis, mas desde então tomei birra com Petrópolis. Não gosto de Petrópolis. Quem gosta de Petrópolis? Quem precisa de Petrópolis? Petrópolis que continue lá em Petrópolis. Espero que quem esteja me lendo não goste de Petrópolis. Eu não gosto de Petrópolis.

Também fui testemunha de uma confusão e de uma briga com direito a ofensas racistas. 
Quando terminou o jogo e o América consagrou-se campeão, alguns torcedores tentaram pular as grades e invadir o campo. Alguns policiais militares não deixaram e uma mulher brigou com um dos guardas. A discussão aconteceu bem às minhas costas de modo que quando me virei, fiquei de frente para mulher que com o dedo em riste ofendia o guarda da Polícia Militar com ofensas racistas. Ingenuamente eu achava, até aquele dia, que esse tipo de ofensa só aconteceria quando a pessoa estivesse quase explodindo de raiva e quase indo “às vias de fato”. Mas neste dia vi que nem sempre é assim. Aquelas palavras feias saíram da boca da mulher, mal a discussão havia começado. Isso me chocou. Outra coisa que me chocou foi o comportamento do policial militar: nem um lorde britânico conseguiria demonstrar tanta calma. O guarda não brigou ou chorou. Tremenda força de caráter dele. Não sei se eu conseguiria ser igual a ele.

Não quero terminar essas palavras com tristeza. Imagino que alguém possa pensar algo como “aquele guarda aprendeu a comportar-se assim, talvez por presenciar esse tipo de acontecimento com muita frequência”. Não, nem quero pensar nesta hipótese.



Vamos terminar aqui com algo mais alegre, apesar de não muito correto. Essa minha ida ao jogo de futebol foi em 2005, quando eu tinha 22 anos. Era a minha primeira vez em uma arquibancada para ver uma partida de futebol. Sei que não devia, mas encantei-me quando na primeira atuação do bandeirinha contra o time do América, um torcedor tenha descido até a grade quando ficou seguindo e ofendendo a mãe do bandeirinha a partida inteira. 
A partida inteira mesmo. Ele o seguia em zigue-zague e até parava, quando colocava as mãos na grade e ofendia mais um pouco a mãe do bandeirinha. As vezes eu parava de ver o jogo e ficava vendo aqueles dois. Deve ser chato ser ofendido por 90 minutos, mais acréscimos e mais cobrança de pênaltis. 
Pobre guarda, pobre bandeirinha e pobre mulher racista por ser racista.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Se você ficar no queijo?

"Cinema Paradiso", meu filme favorito. 
Se dois bobos como Reinaldo Azevedo e Alexandre Garcia dizem que o Governo Dilma é uma porcaria, aí eu vou para a torcida e grito mesmo criticando eles. Agora se é o Lúcio Flávio Pinto e o Carlos Brickmann que dizem que o Governo Dilma é uma porcaria, então tudo bem para mim. São dois caras legais.

Curiosidade e curiosidade. A cada instante ser surpreendido e a cada segundo querer ser surpreendido.

"Não quero faca nem queijo; quero é fome." - Adélia Prado.
Pois eu quero a Adélia.
Pois eu quero a fome.
Pois eu quero o queijo.
Pois eu quero os instrumentos para fazer jardinagem.

Eu não lembro das matérias que ensinaram-me no colégio, eu lembro do que minhas professoras e professores falavam entre as matérias. É quando os professores voavam e cantavam diante dos alunos.
Era quando eles podiam.

Tinha uma garota que sentava perto de mim no colégio, bem ao meu lado. Ela me dava a impressão de ser fútil, alienada e patricinha e tal. Pois teve uma história legal.
A professora de biologia contava sobre as regiões pobres do Brasil e de como era a saúde das mulheres nesses lugares, como tudo aquilo afetava a vida dessas mulheres. A professora deu exemplos impressionantes.
Eis que me viro para o lado e vejo algo que eu nunca poderia esperar.
A garota prestando a atenção de maneira completa.
Achei aquilo incrível e fiquei na Lua imaginando que existia algum elo-metafísico-invisível-indestrutível-feminino ligando todas as mulheres e que fez aquela garota tão fútil ser atingida e se interessar por aquelas mulheres pobres.
Naturalmente guardei essa impressão só para mim na época. Na verdade é a primeira vez que conto essa história. (risos).
[ Esse blog vai ficar meio memorialista, como se vê. Mas só depois conto do livro do Primo Levi e da artesã que fez cara feia]

Alguns recortes do meu arquivo são sobre esportes. Vendo alguns eu começo a pensar sobre um dado bem objetivo, bem concreto para identificar o quanto o futebol brasileiro esta doente: a quantidade absurda de recordes que não são batidos há mais de 30 anos.
Naturalmente não se espera que a cada temporada tenhamos um novo Pelé, mas temos alguns recordes que até em humildes campeonatos estaduais são difíceis de bater, o que revela falta de vigor do futebol.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

A minha religiosidade e os seres iluminados da sombra

Uma comédia leve, bobinha, que assistimos com prazer e que faz uma defesa maravilhosa da família. Qualquer família. 
Estamos de volta aqui. E o clima esta quente. Estão querendo derrubar a presidenta Dilma.
Um dos problemas disso é que a oposição toda não esta aparecendo e nem fazendo propostas para ajudar, o que faz a gente perguntar: vamos ficar nas mãos de quem, exatamente? Quem são esses iluminados que vão salvar o Brasil e que ficam apenas nas sombras?

A grande imprensa não gosta da Dilma e do Partido dos Trabalhadores por motivos razoáveis e outros que são inconfessáveis. Preconceito, para ser claro. Falei da grande imprensa porque ela é um dos atores principais de toda essa situação. Só temos notícias ruins e isso há meses e meses. Há um claro exagero nisso. E esse excesso de negatividade deixa o povo brasileiro, normalmente violento, ainda mais violento. Por exemplo: é comum encontrarmos na internet vídeos de pessoas ofendendo políticos do governo federal em restaurantes e aviões. Violência gera violência e é muito fácil aqui o feitiço virar contra o feiticeiro. Cuidado. Calma. Prudencia.

Administradores idiotas, administradores ladrões e economia fraca, quando não tivemos isso no Brasil?
Economia não e uma ciência exata e ela é algo dinâmico, de modo que não é loucura que o segundo semestre a economia brasileira esteja bem melhor.
E tem muita vítima falsa nessa história de economia fraca. Indústria automobilística, por exemplo. Mais de 50 anos fazendo o que quer aqui no Brasil e agora chora? Não tem poupança para problemas, como qualquer dona de casa precisa fazer? Um momento difícil e já estão demitindo, é?

Tinha nada para fazer no centro da cidade e não tinha com quem me encontrar. Na locadora eu não iria, então resolvi ir à biblioteca.

Não era o que planejei, acabei pegando dois livros (iam ser três, mas o Manoel Bandeira é joia e vai me perdoar). Um do encontro do Rubem Alves encontrando-se com Gilberto Dimenstein, para ambos confessarem que foram maus alunos na escolas e bons alunos na vida; e um outro livro que é um elogio ao rabo do tatu e uma seleção de textos do escritor, psicanalista, antipsicanalista, um homem do mundo, anarquista e sujeito criativo Roberto Freire.

Vou, também como faço com o Lúcio Flávio Pinto aqui, escrever um diário de leitura destes livros.

E vou começar agora, pois, pois!

Antes vou colocar aqui algo sobre outro panfleto evangélico que recebi. Foi neste dia da biblioteca. Respeito muito esses evangélicos que ficam distribuindo esses papeizinhos por aí e visitando os outros.
Este panfleto fala sobre os perigos de se colocar o dinheiro, e não Deus, no controle de nossas vidas.

Pois é, não acredito nem no Dinheiro e nem em Deus, eu acredito no Humano. Acreditar em Deus e no Humano é praticamente a mesma coisa, mas a ausência de um corpo clerical para mandar e perdoar (a gente gosta de obedecer e precisamos de uns perdões condescendentes de vez em quando) e a dificuldade de amar de verdade, torna essa religiosidade tão simples em algo tão impossível de praticar. Como se fosse um hippie que tivesse hiperatividade, entendem?

E o que significa ser humano mesmo? A única coisa que sei aqui é que temos que caminhar. Sei lá para que direção, não me perguntem sobre isso, apenas caminhem. Caminhem e busquem.
Não existe inferno, punição eterna ou pecado, você só não pode parar.
- O que acontece quando a gente para?
- A gente morre e fica dogmático, uai.

Falei que não existe pecado, mas existem sim e dois: a mentira e a preguiça.

E por falar em mentira e preguiça, não vou começar o diário de leitura do encontro do Rubem e do Gilberto, como falei que faria. Vai ser amanhã, acreditem meus milhões de leitoras e leitores.

domingo, 5 de julho de 2015

Humildade e saudade

O cartaz mais bonito do filme e eu só encontrei a imagem neste tamanho pequeno. Lamento. 

Normalmente lição de humildade você tem ao precisar ir a um posto de saúde. A espera, o medo, a concretude de perceber o que você apenas intuía tantas vezes: a de que o Brasil é essencialmente um país selvagem.

Minha lição de humildade hoje foi menos dramática, felizmente, mas também me deixou um pouco bravo. 22 pastas do arquivo e eu quente para revisar tudo e fazer a seleção.
Meia hora para cada e em dois dias eu resolvo.

Só consegui terminar uma pasta hoje. Me esforcei, mas a quantidade formada por tantos anos de esforço me venceu. (risos)

Vou fazer esse contratempo ficar mais lírico: como se o meu eu atual tivesse que respeitar mais o meu eu do passado e tratar este arquivo com mais respeito.
Mais ou menos por aí.

BARUCH ESPINOSA E O MUNDO DE AMANHÃ E ONTEM

"Perto deles, Bart Simpson é um anjo." - Estado de S. Paulo. 2 de dezembro de 1993.
Frase que esta na propaganda da MTV Brasil para a estréia de um clássico dos anos de 1990: o desenho "Beavis and Butt-Head".
(Propaganda veiculada na revista Veja, em sua edição de 20 de julho de 1994. A MTV Brasil informara que a estréia do desenho seria dia 18. De agosto daquele ano, provavelmente.)

Augusto dos Anjos: o público o ouviu antes dos acadêmicos.

Diogo Mainardi, quando trabalhava exclusivamente para a revista Veja como crítico cultural, era irresistível. Simplesmente irresistível.

Um mês sem assistir a um filme de Fellini?
Terrível, terrível!

Um planeta governado por convicções dogmáticas, absurdas e cegas.
Ler Helder Macedo, escritor português que parece ser interessante.

Antonio Gonçalves Filho, para elogiar o escritor Italo Calvino, tem que falar mal do dramaturgo Pirandello e do cineasta Antonioni.
Precisava?
Claro que não, mas esse é um vício comum nos críticos na imprensa brasileira: essa mania de querer mostrar-se aos seus leitores como bravos, destruidores e blá blá blá.
(Palavras inspiradas pelo texto de Antonio Gonçalves Filho e publicada pela revista Veja, em sua edição de 8 de agosto de 2008.)

Um dos melhores filmes que já vi e um elogio ao poder da palavra dita, assim é "Contos Proibidos do Marquês de Sade" ("Quills, Estados Unidos, 2000).

Apenas nós brasileiros sentimos saudade.

sábado, 4 de julho de 2015

Saúde e Surpresas

Não é "volume', o correto seria "segundo fascículo". Na próxima ilustração vou tentar lembrar, também, de colocar o ano da publicação.

Tempo, tempo. Perdi quase toda a manhã e estava com os olhos aberto quando isso aconteceu, com os olhos abertos!
Estou mais organizado e produtivo, mas ainda estou bem longe do ideal.

Aquela fraqueza e preguiça. Aquela falta de fé em qualquer atividade em si ou em que ela poderia produzir.
Como é mesmo aquele trecho do meu amado Will Durant?

“Estes homens são fracos, sobretudo, por não coordenarem os propósitos que dominam e unificam a vida.” (“A Filosofia da Vida” – Will Durant. Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1948.).

Palavras poderosas e uma ideia interessante. Gostei. Deve aplicar-se a mim, obviamente. 

Ou não?
Eu tenho mania de sentir-me julgado o tempo todo e parte disso deve explicar a rapidez com que eu leio algumas regras para a vida e julgo que elas aplicam-se para mim. Não pode ser assim tão simples e isso pode atrapalhar mais do que ajudar.

Tenho que ter calma. (Logo eu pedindo a mim mesmo para ter calma!). (risos)

NIETZSCHE APAIXONADO
“Quem fez o bastante para os melhores de seu tempo
Viveu para todos os tempos.” – Schiller, poeta alemão.

Aplausos das melhores e dos melhores, de qualquer tempo e lugar; é o que importa para você ser também um melhor.
Homero que ia gostar de J. S. Bach que ia gostar de Da Vinci que ia gostar de Machado de Assis que ia gostar de Ivan Kramskoy e etc.

Uma linha, você entende? Não reta, não curva, apenas uma linha. Filhotes peguem um pedaço dela, transforme esse pedaço em seu e vai com a fé e suor. 

LÚCIO FLÁVIO PINTO E SUAS LIÇÕES AMAZONIDAS
Alguns casos de corrupção são tão explícitos, mas tão explícitos que o choque produz em nós uma completa incredulidade: “MAS NÃO É POSSÍVEL QUE é isso!”

Origem do dinheiro? Mas dinheiro não é dinheiro, não é igual? Ai, ai! Até entidades filantrópicas e religiosas! 

- Mas este caso específico de contravenção emprega muitos trabalhadores, você quer que joguemos todos na rua? 
- Argumento trapaceiro; se são trabalhadores, cadê os direitos trabalhistas? E seus deveres previstos na legislação? Essa justificativa “trabalhista” não vale.


VIOLÊNCIA: A HISTÓRIA DO SÉCULO XX (Obrigado J. M. Roberts, James Joll, A. J. P. Taylor, G. H. Le May, David Pong e Editora Abril Cultural). 
Tentou-se fazer aproximações entre Grã-Bretanha e Alemanha em 1898 e 1901. Não deu certo nas duas ocasiões.

Existem nações que são mesmo casos tristes da medicina: doentes em estado terminal. E existem nações que, ao contrário, são fortes e saudáveis e agem de acordo com isso. É o pensamento selvagem do continente mais civilizado do mundo. 
O Brasil, ao longo da história, foi uma nação saudável ou moribunda? De repente lembro-me da epidemia de cólera no país, no começo da década de 1990.

Os Estados Unidos já tinham chegado a Cuba e a Filipinas, mas ainda era, quanto à identidade própria, um pedaço da Europa. O Japão é um caso mais curioso. A partir da segunda metade do século XIX até o comecinho do século XX, os japoneses já  tinham crescido e se modernizado de forma impressionante. Copiaram o que puderam do ocidente e misturaram com a sua sociedade praticamente feudal. 
Aposto que os japoneses fizeram isso por que não tinham um Juscelino Kubistchek  para arranjar empreiteiras e montadoras de automóveis para mandar no país.

O imperialismo foi sangue e dinheiro, essencialmente, mas neste fenômeno complexo havia sutilezas. Por exemplo: entre as intenções havia o desejo de acabar com a escravidão e de espalhar o cristianismo por todo o globo. Por outro lado, às vezes um país europeu atacava e explorava outro povo praticamente por prestígio.

Guardem esses nomes: Etiópia, Afeganistão e Tibet. No desabrochar do imperialismo eles ainda estavam intocáveis pelos dedos europeus. Por enquanto.

Em 1891 uma encíclica, durante o papado de Leão XIII, revelava preocupações quanto à desigualdade social. Foi um documento muito importante. As classes dominantes foram inteligentes para perceberem o perigo e cederam bastante, muito mesmo para manter-se no comando. 
Mesmo assim a marcha do socialismo aconteceu e um grande crédito cabe a Friedrich Engels em relação a isso. 
Nos Estados Unidos o marxismo nunca foi popular, pois os operários não se sentiam iguais aos seus irmãos europeus, quanto à consciência de classe; devido ao crescimento do país e a sua mobilidade social. 

Podemos dizer que até a esperança em um mundo melhor era "científica", concreta. A ciência estava vencendo e vencendo e tornando o cotidiano de todas as pessoas muito melhor. Era irresistível esse otimismo generalizado em todo o mundo desenvolvido.
Mas Henri Bergson, Friedrich Nietzsche e ciências como a sociologia destoavam desse otimismo generalizado, chamando a atenção para a importância do irracional em nossas atitudes e lembrando que novos e antigos desafios esperavam a todos.

Rússia e Espanha são teimosos e não querem usar, em suas ferrovias, a bitola descoberta por Robert Stephenson em Durnam. 

A Grã-Bretanha era a dona do mundo, mas muitos ingleses não conseguiam deixar de pensar que isso ia acabar e o império britânico ia se transformar em uma triste bolsa de valores cujos lucros iriam para poucos.

Espanha dividida em repúblicas anárquicas (Mas já? Um pouco mais de 50 anos antes da Guerra Civil Espanhola?) e a brutalidade inglesa na Índia.

Se no jubileu da rainha em 1887, os ingleses convidaram todo mundo, dez anos depois convidaram ninguém para a festa. Não precisavam. 

A Guerra Bôer era, infelizmente, uma questão de tempo. 

A “semana negra” para os ingleses. Gênio militar de J. H. De La Rey.

E os ingleses apresentam ao mundo os campos de concentração: para os cidadãos de Orange, que apesar de terem se rendido, ficaram sendo alvo de ingleses e holandeses do mesmo jeito. 

Holandeses e ingleses concordaram em não envolver os nativos do sul da África na guerra. Nenhum dos dois lados cumpriu essa promessa. Guerra é guerra. 

Emily Hobhouse 
Sir Henry Campbell-Bannermann.

Negociações confusas. (Quer dizer: eu li o texto e não entendi) Horror e honra em Spion Kop.

Vocês querem trazer a palavra de Jesus Cristo ou ensinar os chineses a profanar os cemitérios? 

Estradas de ferro e telégrafo agridem os espíritos do feng-shui. 

A China do final do século XIX e do começo do século XX apanhava de todo mundo e a cada guerra, tinha que ceder mais e mais. Na verdade, foi por pouco que a China não virou uma “África”. Que contraste com 2015, quando a China é essa superpotência! 

Sim, os missionários cristãos interferiam na política chinesa e os chineses cristãos acabavam formando um gueto.

Dois missionários cristãos vindos da Alemanha são assassinatos. 
Navios de guerra russos vieram fazer companhia para os navios de guerra ingleses que, por sua vez, tinham vindo achando que os navios de guerra alemães estariam se sentindo, assim, sozinhos na China tão vazia.


Na Rebelião dos Boxers temos sir Edward Seymour, apelidado pelos ingleses de “See-no-more”, famoso pelas trapalhadas que fez durante o conflito. 

Termina o conflito e a China é novamente derrotada. Semanas e semanas de saques. Assassinatos de personagens chineses escolhidos a dedo. A multa, que pelos juros era impossível a China pagar, foi transformada pela Grã-Bretanha e Estados Unidos em bolsas de estudo para chineses no exterior.

BARUCH ESPINOSA E O MUNDO DE AMANHÃ E ONTEM 

Quem são os ídolos de vocês?
Escolher bem os nossos ídolos, os nossos modelos e exemplos. Útil para nos ajudar na caminhada pela vida. Seus erros nos ensinam e suas vitórias nos convidam. 

Alguém que vence com ou sem esforço? Alguém que vence acordando cedo ou vence sem sequer fazer algum plano? Alguém que tenta, tenta, tenta, tenta e que não para no primeiro “não”? Ou alguém que vence tão rápido que acaba não tendo tempo para aprender com a vitória?

É preciso saber escolher. No Brasil ainda é popular gostar de quem vence sem ter esforço e disciplina. Ruim, pois isso estimula a preguiça, a displicência e a inveja.
(Palavras inspiradas pelo artigo do economista Claudio de Moura Castro, “Quem são nossos ídolos?”. Artigo publicado na revista “Veja”, edição de 6 de junho de 2001.)

Alegria, a esta altura da guerra? Alegria, agora?
Oficialmente a resposta seria que o que falta é dinheiro, saúde, amor e a decência.

Mas pode ser que falte alegria, falte humor em nossas vidas. E, enquanto penso que isso nos transforma em maus agradecidos aos olhos da vida e do mundo, penso que curioso é descobrir esse ponto em comum entre Lya Luft, Erico Veríssimo e Nietzsche. 
(Palavras inspiradas pelo artigo da escritora Lya Luft, “Falta alegria em nossas vidas”. Artigo publicado pela revista Veja em sua edição de 28 de julho de 2004.)

Um trecho bem anarquista na obra de Machado de Assis! Ah, que amável por parte dele!
Quando chegamos a julho de 1991, o Brasil já tinha vivido várias formas de governo. Mudanças nessa área não são exatamente novidade para nós.

O texto de Roberto Pompeu de Toledo, “Parlamento x presidente”, publicado pela revista “Veja” em sua edição de 10 de julho de 1991 esta incompleto. Acho que falta uma página. A parte em que ele trata um pouco mais das desvantagens do parlamentarismo e, suponho, deve fazer algumas conclusões.
Mas como o texto de Roberto Pompeu de Toledo é interessante, vou fazer uns comentários, sim. Falta o final, mas sou ecológico e na falta de textos bons por aí, não vai ser eu a desperdiçar um por estar incompleto.

Onde nós estávamos meus milhões de leitoras e leitores? Oh, sim: julho de 1991. José Serra e Hélio Jaguaribe concordam que o presidencialismo esta em crise o Brasil precisa é da forma e governo parlamentarista. Igual ao Roberto Freire, do Partido Popular Socialista, hoje, 2015, na televisão, dizendo que o presidencialismo esta em crise o Brasil precisa é da forma e governo parlamentarista. Sou simpático á mudanças, ocorre que no dia seguinte o povo vai continuar o mesmo e os políticos também vão continuar os mesmos. Também temos que olhar no espelho e conferir se não queremos mudanças radicais porque na verdade não gostamos é do resultado da última eleição.

No presidencialismo não é necessário ter maioria no Congresso, mas cada batida de frente entre eles o país perde semanas e semanas de decisões e mudanças. 

Parlamentarismo? Sim, você gosta? Legal, tudo bem. Mas aqui, você tem algum em mente? É, porque o que não falta é tipos de modelos de governo parlamentarista. Os países mais avançados do mundo são parlamentaristas, mas olha um detalhe chato: compare o tamanho dos países da Europa e o tamanho dos Estados Unidos e Brasil.

- O presidencialismo deu certo nos Estados Unidos!
- E?
- “E”, o que?
- Me dê mais um exemplo de país em que o presidencialismo deu certo.
- É... Hã... Ih... 

É, mas também, quando o parlamentarismo entra em crise feia ninguém segura. Alguém tem o celular do De Gaulle? Ô De Gaulle! Ô De Gaulle! Chega mais que o trem ta feio aqui na França!

Concluindo: Parlamentarismo ou Presidencialismo não fazem diferença, o que faz diferença é o sistema de votação, o caráter do
s partidos, a cultura do povo quanto ao modo como ele se comporta diante de qualquer autoridade e o tamanho do Estado e do território nacional. Acho que no Brasil vivemos um presidencialismo, na hora de pedir dinheiro e culpar alguém por tudo e, ao mesmo tempo, vivemos um parlamentarismo na hora de ocupar e usar o Estado brasileiro para benefícios de particulares.
( Comentários baseados no texto de Roberto Pompeu de Toledo, “Parlamento x presidente”, publicado pela revista “Veja” em sua edição de 10 de julho de 1991.) ((((  SALTAR!!!!  ))))

O Brasil tem muito dinheiro para investir, apenas não o usa para o povo. Suprema sabedoria, héin? Um exemplo questionável: gastar 9,5 milhões de reais para patrocinar a torcida brasileira durante as Olimpíadas de Atenas? Patriotismo é bom e eu gosto, mas quase 10 milhões investidos em quem teve dinheiro para viajar a Atenas?
(Comentários baseados no artigo de Diogo Mainardi “Perde, Brasil”, publicado pela Revista Veja em sua edição de 28 de julhos de 2004.) 

Um texto sobre saúde. Como não sou especialista e aqui não é lugar para resumos ou citações pura e simplesmente; vou apenas destacar e comentar os pontos que estão dentro do senso comum e negligenciado.

Sim, descascar as frutas vai fazer você perder muitas e muitas vitaminas. Em compensação você também vai perder muitos e muitos motivos para adquirir um câncer motivado por ingestão de substâncias tóxicas usadas nas plantações.

O que você comprar e que estiver fora da safra, vai ter mais agrotóxicos e hormônios.

Da carne ao queijo, fuja de qualquer gordura. Por motivo puramente químico, há ali uma maior concentração de agrotóxicos e outras substâncias perigosas que foram usadas.

Guardar alimentos em vasilhames tem os seus detalhes: se estiverem muito cheios e se forem muito grandes não é bom.

Prepare o alimento e coma-o, quase imediatamente. Não é bom esperar muito para comê-lo.

Um órgão interessante a se procurar: Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).
http://abran.org.br/
(Palavras inspiradas no texto de Vanessa Jacinto “Infecções Alimentares”, publicado pelo jornal Estado de Minas, em sua edição do dia 25 de janeiro de 2005.)  

De que adianta duplicar uma rodovia, se a venda de carros continua constante e alta?
Quando finalmente o transporte coletivo for digno, vai ter lugar para sentar nos ônibus? 
Algum dia teremos a formação de médicos e policiais em um ritmo que harmonize com o crescimento populacional das cidades brasileiras? 
A superpopulação é um problema tão terrível a se enfrentar que ele quase nunca sequer é mencionado, mas o contrário também é possível: muita gente, muitas mãos, mentes e corações prontos a ajudar a encontrar soluções.
(Comentários inspirados pelo ensaio de Roberto Pompeu de Toledo, publicado pela revista Veja em sua edição de 2004.)

“A calúnia é filha da ignorância e irmã gêmea da inveja.” – Ditado espanhol. 
Então, o que a pessoa invejosa não sabe e que faria toda a diferença?


Ela não sabe que o que ela deseja não é o material e sim algo abstrato e completamente intrínseco à pessoa que ela inveja e a todas as outras pessoas (inclusive ela mesma): a experiência de estar satisfeito, contente e alegre com alguma coisa. Essa experiência não pode ser transferida ou roubada. Muito menos se a pessoa que inveja atacar a outra. 
A pessoa que inveja tem que olhar para dentro de si e descobrir como ter ela mesmo as suas experiências de contentamento. O que ela gosta de fazer, de ter, de experimentar? Procure isso e terá a sua própria experiência de estar contente.