Voltaire ajuda

Voltaire ajuda

terça-feira, 2 de junho de 2015

Pinguins amadores e professores que não dançam


Visitei a casa de um radio amador hoje, eu nunca tinha visitado a casa de um radio amador antes e fiquei encantado com os equipamentos. É o paraíso dos... dos... dos... Mas como é mesmo o nome daquele mostrador com ponteiros e números? Aquele trem me hipnotizou e tinha milhares deles.
E tinha aparelhos para código Morse! Código Morse, p***!
Havia muita bagunça e um pouco de improviso. Levei minha câmera e meus olhos ficaram com sede de gravar todos aqueles pequenos detalhes como tomadas velhas, caixinhas pretas com uma luz vermelha acesa, botões giratórios de vários tamanhos, nomes de marcas escritos numa fonte que me cheiram a "fui feito lá nos anos de 1950, filho, me respeite!" e etc e etc.

Tive coragem e fui esforçado, daí a sorte me ajudou e comprei o livro do Anatole France que me faltava: "A Ilha dos Pinguins". Na internet ele é vendido barato, mas como esta esgotado há quase 30 anos ele é difícil de encontrar.
- Se esta esgotado e é raro, como pode custar apenas 20 reais?
- Porque as pessoas são bobas.
- Não é porque só você ainda quer ler Anatole France no século XXI?

Estava lendo a introdução do volume dedicado a Aristóteles da Coleção Folha Grandes Nomes do Pensamento, quando perdi a paciência e fiquei bravo. O autor do texto, Manuel Alexandre Júnior, fez uma citação que era em inglês e não a traduziu. Por quê?
Lendo, me pareceu que esta coleção é uma parceria da Folha de S. Paulo com alguma editora de Portugal, o que me faz pensar que seja costume na academia portuguesa alguns autores fazerem citação sem traduzir. Com certeza em língua inglesa, francesa e alemã; dado que se alguém domina essas três pode ler qualquer livro sobre qualquer coisa.
Espero que os acadêmicos portugueses não sejam todos assim.
(No prefácio, ou seja antes de sua introdução, Manuel escreve que esta em Lisboa)
O joia é que como perdi a paciência, mergulhei direto para o estagira, o Aristóteles.
Então vamos conhecer o Aristóteles.
Ou melhor: vamos em uma festa na casa do Aristóteles e perguntar como ele esta.

RETÓRICA - Aristóteles

Ler Aristóteles é chato. Perto do meu Nietzsche ele parece um professor clássico perto de um poeta louco que nos seduz. É chato, mas é bom. É um dos três mais importantes filósofos da história, ao lado de Platão e Kant. (Uma classificação bastante famosa nas universidades a se acreditar no Bryan Magee e eu acredito no Magee, gosto dele.)

Retórica e Dialética são faces da mesma moeda e essa moeda é única.

Assim como no FaceBook e no Twitter, é natural do humano fazer perguntas e agir como um advogado de defesa ou acusação quanto às ideias e opiniões em geral. Se posicionar, entende?

Pratica tanto que torna-se hábito e por ser hábito pode ser estudado e isso tudo é artístico.

Aristóteles esta falando que seu tratado de retórica vai ser diferente dos tratados dos outros. Vendendo o seu peixe, esta certo. Compramos o seu peixe ha mais de 2000 anos, inclusive. rs rs

As leis e os juízes. Temos que facilitar o trabalho dos juízes, mas não muito. Assim como o legislador não consegue prever todos os casos possíveis de se acontecer, o juiz tem muita dificuldade em emitir um juízo correto dado a sua humanidade e limitação por estar julgando caso a caso.

Persuadir. Mesmo que o argumento não seja todo transparente ele pode convencer, porque gostamos de ver algo demonstrado. Gostamos de palavras bonitas e que estejam bem organizadas.

Aristóteles parece ter uma visão otimista sobre o humano querer e alcançar a verdade. Bonito isso.

A verdade e a justiça são fortes, mas por isso mesmo não podemos deixar que sejam derrotados. Vem cá dialética, vem cá retórica. Temos que argumentar e temos que convencer. E ajuda muito saber dos argumentos falsos e de como eles podem persuadir também. Se colocar no lugar do outro.

Aristóteles é da paz. O macedônio não gosta de violência física, é mais humano, diz ele, usar a razão.

O que vai fazer diferença aqui é a intenção de ser honesto e a capacidade de sê-lo.

NIETZSCHE APAIXONADO

É preciso dançar um pouco para alcançar aquilo que é bom para nós.




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá, tudo jóia?
Escreva um comentário e participe.