Voltaire ajuda

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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Memórias Musicais.

Eu sempre fui um apaixonado por cinema, fui educado assim desde de criança pelo meu pai. Todo fim de semana alugávamos algum filme, fora o que víamos pela televisão. Milhares e milhares de filmes. 

 E também gravávamos muito, usando e abusando do nosso videocassete. Tínhamos mais de 100 fitas vhs com gravações de todo tipo: filmes, reportagens, shows, desenhos, documentários e até pegadinhas e "videocassetadas". Quase tudo se perdeu por causa do mofo, mas alguma coisa eu consegui salvar e, usando o meu dinheiro e andando a pé quase 4 quilômetros, além da costumeira incompreensão caseira, eu consegui digitalizar.


Nesse cenário, tenho muitos recordes, muitas excentricidades queridas de um nerd realmente precoce. E uma delas envolve um filme da Disney, o 20 Mil Léguas Submarinas ("20,000 Leagues Under the Sea", no original), de 1954 e dirigido por Richard Fleischer. É que este é o filme que mais assisti na vida. Vocês não fazem ideia.


Aí eu cresci e a fita mofou. Virei pré adolescente, adolescente, aborrecente, entrei na faculdade e etc.


Foram muitos anos e ter assistido no recém lançado YouTube o trailer não era a mesma coisa.


Eis que descubro que o SBT vai passar o filme. De madrugada, claro.


Resolvo assistir. Estava na faculdade e dormindo na casa dos meus avós paternos. Dia cansativo e tudo. 


O filme começa.

O que nós tínhamos gravado não tinha o início. Começa a gravação depois de uns 10 minutos.
O filme começa.
A imagem.
A música.
Dividido como sempre, ansioso e preso aos costumeiros pensamentos negativos. Me pergunto sem parar: "É esse filme mesmo? É esse filme mesmo? É esse filme mesmo?" Eu sabia que era, mas queria ter alguma espécie de surpresa e deslumbramento. Eu queria ter todas as sensações do mundo naquele momento que eu desejava que fosse mágico. 
E foi.
Em algum momento da abertura do filme, ainda nos créditos, a musica...
a música...
a música...
a música que era e não era familiar
ficou
com
ple
tamente
familiar.
E naquele momento
e só
naquele momento
foi um 
bum!

Plenitude.



Foi muito bonito. Não esqueço.


Houve um outro momento semelhante, ano passado, 2014, pela ocasião do desaparecimento do artista completo Roberto Gómes Bolaños. 

Quando criança e até uns 14 anos eu não perdia um episódio do "Chaves" e do 'Chapolin Colorado". Assistia sempre, de segunda a sábado. No domingo o SBT não passava.
Assistia e assistia.

Cheguei a gravar inúmeros episódios. A minha geração, nascida em 1982-1983-1984, foi marcada por Bolaños que é no Brasil e no seu México natal uma figura familiar e clássica.


Mas ocorre que com uns 14 anos eu não assisti mais. Nunca mais. Depois é que me dei conta: alguns canais da tv a cabo ainda passam em vários horários e algumas pessoas da minha geração acabam assistindo esporadicamente. Mas eu não, nunca teria me ocorrido isso. 


Mas eis que Bolaños morre e eu estou com um programa de rádio onde só toco "música estranha": heavy metal, mpb, rap alemão, trechos de óperas e etc. Tudo em uma hora de programa.


Me ocorre de procurar as músicas que fizeram parte da trilha-sonora dos dois seriados: "Chaves" e "Chapolin Colorado".


Fazia anos e anos que não escutava e como eu tive problemas no computador na semana da morte de Bolaños, eu só escutei aquelas músicas novamente quando as procurei.

O efeito foi... foi. O efeito foi. 
Acho que é suficiente ter escrito até aqui.


Tudo isso que eu escrevi sobre memórias musicais pode parecer bobo, mas faz sentido quando lembro de uma coisa que eu pensava quando criança; quando ouvia uma música que eu gostasse muito:

- É como se eu tivesse ouvido ela antes.
Eu sempre sentia isso quando criança e até hoje tenho essa impressão.
Como se aquela música que acabei de descobrir e que acho tão linda já estivesse fazendo parte de mim e eu é que não sabia desse fato. Lembra o espiritismo, vidas passadas e a teoria de Platão sobre a alma relembrar e assim conhecer a verdade. 



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