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sexta-feira, 12 de junho de 2015

Aventuras no estágio ao Sarney cansado

Devia sentir-me orgulhoso, o trabalho que esta dando eu fazer uma seleção de meu arquivo de material jornalístico. O tamanho deve me lembrar o quanto sacrifiquei para montar este arquivo e preservá-lo. Prazer e responsabilidade.

E uma fantástica viagem ao passado para tornar todas as cores do presente mais saturadas e as cores do futuro, mais dançarinas. 

Peguei algumas coisas para usar hoje.

Edições do jornal comunitário que ajudei a fundar. Era um jornal de uma escola pública e falava de quatro bairros pobres de Belo horizonte.
Me lembra uma vez que fiquei o dia inteiro procurando uma foto que eu queria usar para a capa. Era uma do Lucas Prates, que mostrava um jovem cantando e tocando cavaquinho em uma apresentação na escola. Um aluno segurava um microfone para a voz e uma aluna segurava o microfone para captar o som do cavaquinho. Tudo no improviso captado em toda simplicidade.
Mas a foto estava perdida em algum lugar no arquivo e só eu que queria achar a danada da foto. Procurei, procurei e achei. Foi gostoso ouvir de um colega que me mostrava a capa montada no computador:
- Olha aí o resultado do seu esforço.

Claro que tem gente da minha geração que esta já nadando em dinheiro agora, enquanto eu lembro de aventuras no estágio aqui. Ah, deixem o estrangeiro cantar!

Estamos em junho, mas junho de 2007 e parece que o Boca Juniors ganhou um jogo importante às custas do rival, River Plate. É que recortei uma foto em que mostra torcedores do Boca felizes da vida. 
Não acho muita graça no futebol, os caras ganham muito dinheiro, mudam de time o tempo todo e não sabem que eu existo. Eu recortei a foto porque entre os torcedores há uma garota bonita, fazendo uma expressão ainda mais bonita.
E isso é suficiente, neste meu glorioso critério.

Agora é o recorte de uma reportagem em que eu participei como um dos entrevistados. Eu não escrevi a data no recorte, devo ter a reportagem completa em outro lugar e por isso não escrevi a data neste recorte. 

Guardei este recorte na época por causa de uma garota também. Era época da faculdade e eu era louco por ela, mas eu era mais louco ainda pela ideia de estar louco de amor.

Perder o sono e pele arrepiada apenas ao ouvir a voz vinda do corredor pode parecer "dramaticamente" suficiente e tudo, mas se você não ama a pessoa e só consegue sentir-se inferior ao comparar-se a ela; não é amor, não adianta.

Hoje isso já passou. A gente até é amigo no FaceBook, embora não conversemos muito. Continuamos muito diferentes, para sermos mais que isso. Sinceramente desejo tudo de bom a ela. Uma demonstração de alguma maturidade de minha parte. Fico feliz, não sou tão marmota assim. 

Ah, a minha entrevista foi joia: livros são viagens e leitura é terapia. Acrescento os adjetivos respectivamente: "universo" e "evolução eterna".

A próxima peça é um artigo do Stephen Kanitz. Kanitz é fod****. Vi uma participação dele como um dos entrevistadores do programa "Roda Vida" da TV Cultura e fiquei de queixo caído com o brilhantismo dele. Só fazia pergunta difícil e citando dados e fatos. Perto dele os outros entrevistadores pareciam ajudantes de estagiários de quinta categoria. 

(Lembrei: vou pegar algumas gírias de antigamente e algumas gírias usadas aqui em Minas Gerais. E vou usá-las aqui no blog)

Kanitz, como falei, é fod***. Tanto que na seleção do arquivo eu nem passava os olhos pelo texto para saber se o assunto era joia, se era dele eu logo separava para fazer parte do "lado a" do arquivo. (O certa de 45% do arquivo com que vou trabalhar desta vez)

O primeiro artigo do Kanitz que peguei trata sobre privacidade, loucos perigosos e futuro político do mundo pós 11 de setembro. 
Segue um trecho bacana:
"Sigma é uma medida estatística de desvio de normalidade. Quanto mais Sigma, mais anormal. Estima-se que existam mais de 650 000 pessoas 5 Sigma no mundo e 1650 pessoas 6 Sigma. O drama é que não se sabe quem são."
[O PERIGO DOS "6 SIGMA" - Stephen Kanitz. Revista Veja, edição de 17 de setembro de 2007.]


Kanitz critica a Doutrina Bush: é incoerente implantar um regime como a democracia liberal pelas forças armadas.
É interessante pensar nisso quando os filhotinhos da Doutrina Bush, na internet e na grande imprensa, atacam do jeito que atacam Cuba e Irã.
Não pode ser pela força, queridos. 

Notas:
O site do Stephen Kanitz
http://blog.kanitz.com.br/ 

Agora tenho em mãos um minúsculo folheto de alguma igreja evangélica. O título: "Como alcançar a felicidade".
O texto pequeno pode assim ser resumido: fique longe de gente ruim e aproxime-se de gente boa.

Agora tenho em mãos uma pequena crônica do Fausto Wolff. Acho que Wolff já morreu. Conheci ele quando eu colecionava a revista "Bundas".
Esperem um pouco.
...
...
...
...
É, ele morreu mesmo. E foi em 2008, inclusive. 
O texto, chamado "Heróis voluntários da pátria" e publicado na edição de 7 de outubro de 2006 pelo Jornal do Brasil, fala sobre as dificuldades e facilidades em ser herói.
O final é muito bonito e vou compartilhar em minha página no FaceBook.
Aqui apenas pergunto: vamos nos cadastrar como doadores de medula óssea? Custa nada e é muito bonito. Acho que vou telefonar para o HemoMinas.

E agora? Hum, chover... Ah, mais um Kanitz. 
"Nossa nova geração" - Stephen Kanitz
[Revista Veja, edição de 12 de setembro de 2001]

A nova geração de jovens brasileiros chega à universidade desejando sucesso profissional como a principal forma de servir ao seu semelhante.
Dinheiro seguro e serviço voluntário na periferia - eis a fórmula. 

Agora o José Sarney vai aparecer por aqui:

" "Fico sentado ali, presidindo por cinco, seis horas, ouvindo discursos cujos os temas são os mesmo que ouço há quarenta anos, com uma variação de quatro verbos, cinco advérbios, duas preposições..."
- José Sarney, presidente do Senado, confessando que anda meio cansado da lida diária na política." 
[ Revista Veja, edição de 21 de julho de 2004.]

E... chega.

Até amanhã. Tenho que dormir nos braços da Thais de Anatole France. 







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