Voltaire ajuda

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domingo, 21 de junho de 2015

Análises e uma promessa

Egoísta o suficiente para não ajudar tanto a própria família.
Ao mesmo tempo dono de um desejo de ser amado e aceito tão grande, que quando vê o pastor alemão gigante medroso correndo de medo de você na rua
sente-se chocado e com o peito atingido profundamente.

(Esse pastor alemão, gigante e medroso, tem mais histórias. Coisas curtas, mas que são cheias de valor para mim. Vou contar aqui neste blog em breve.)


Uma ilha deserta com comida e segurança.
Mas quanto tempo as ilusões eróticas e cafonas terminariam em lágrimas e lágrimas?

A solução é mesmo uma cidade cheia de gente estranha, dinheiro e coisas chatas a se fazer, desde que eu saiba que há um espelho com um sorriso verdadeiro para mim. No banheiro e na cama. E, - quem sabe? -, sorrisos também correndo pela casa e querendo aprender e eu conseguindo ensinar.




sexta-feira, 19 de junho de 2015

Editorial

Ah, quase esqueci:
Eu falei que só ia comprar livro novo no ano que vem. Os livros sobre folclore do Câmara Cascudo e depois daquele professor de história chamado Benny Morris.

É, falei isso. Naturalmente em menos de duas semanas a promessa foi quebrada. E muito quebrada.

A diferença é que desta vez a maioria dos livros é de literatura e não de filosofia.

Juiz empurra o carro e eu lembro três "trem"

Três textos antigos do meu FaceBook.

EDITORIAL DE FOTOGRAFIA 
Não havia luz ideal, flash, sol de meio dia ou sol de fim de tarde. Não havia tema, estilo ou escola a seguir. O que importava era apenas a beleza e ela poderia surgir a qualquer momento e em qualquer lugar. E pedir qualquer abordagem, realista ou abstrata. Isso facilitava as coisas e dificultava. Facilitava porque a preocupação diminuía quanto a questões técnicas, mas dificultava porque você teria que segurar uma câmera 24 horas por dia, para sempre. Um sacerdócio, um sacrifício. Uma gota de sangue, suor e eternidade.

BRASIL ESTA DOENTE 
Como qualquer discussão sobre segurança pública no Brasil termina? - Precisamos de mais policiais nas ruas, mais equipamentos, mais prisões, mais educação, melhores condições de trabalho para os policiais, leis adequadas... Como qualquer discussão sobre educação termina no Brasil? -Precisamos de mais professores, mais escolas, melhor condição de trabalho para os profissionais de educação... As discussões terminam dizendo justamente o que poderia ser dito há 30 anos atrás. O país não anda. Não desenvolve. A economia é empurrada com a barriga. Olhamos para cima, para Brasília e vemos os mesmos rostos. Uma monarquia sustentada por um regime democrático. O glorioso parlamento inglês? Não, é a gente mesmo. Pagando o salário do ACM Neto ou qualquer outro lá. Recordes de mandatos sucessivos... Não é o país do futuro. É o país do presente. Presente hedonista de poucos. Não pode continuar assim. 

GASTOS COM AS COPAS 
Do ponto de vista pragmático, poderíamos dizer: "Decerto que nunca teríamos a duplicação de tal estrada, a Lagoa da Pampulha começando a ser limpa, obras para os ônibus... Tudo isso nessa geração? Sem a justificativa das Olimpíadas e das Copas? Jamais!" Razoável, mas a questão não é técnica, é moral: não queremos obras faraônicas. Tecnocratas enfiem suas maquetes gigantes naquele lugar. Chega no posto de saúde e falta um material que custa R$250,00. Ah, vão tomar banho! O dinheiro sumiu quando atravessou o Triangulo das Bermudas? 

LÚCIO FLÁVIO PINTO E SUAS LIÇÕES AMAZÔNIDAS

E lá vai mais um órgão público transformado em algo triste.

Um tribunal de contas que manda os outros devolverem dinheiro errado, coisa que nem o próprio tribunal deveria fazer e não faz.

E o juiz, na volta do encontro secreto com o "Doutor Medeiros", teve que descer do carro para empurrá-lo pois o mesmo enguiçara. 
Acontece, acontece, essas coisas acontecem.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Aconteceu.

Uma criança teve a cabeça atingida por uma pedra.
Não foi acidente.
Fizeram de propósito. Foram várias pedras.
Fizeram isso em nome de Jesus Cristo.





Eu queria escrever alguma coisa agora de amanhã, pois estudarei o resto do dia e não vou voltar à internet.
Acho que é a oportunidade para comentar essa agressão. Mas não sei mais o que comentar. Palavras já são fonte de mal entendido, como ensina a raposa amiga do Pequeno Príncipe, é realmente aqui palavras são banais.

Mas que a marca no coração e na consciência, frutos desse caso, não sejam banais. 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Criar, praticar, comprar e colorir

Eu tenho um exemplo, bem próximo de mim, de como a ideia de perfeição e rigor podem desgraçar a a vida de quem as têm e das pessoas ao redor dessa mesma pessoa.
Então vai o blog desse jeito mesmo. 

NIETZSCHE APAIXONADO

O artista quer criar o tempo todo, o artista quer ver mais longe que o universo dentro de si; e tudo isso é uma bela desculpa para a sua incrível capacidade de sentir-se deslocado em meio á sociedade. 
Não sabe se comportar e nem como se vestir adequadamente. 

A não ser...
A não ser que além por meio de sua obra, o artista também queira expor-se no seu convívio com outras pessoas e fazer disso também uma obra de arte sua.

E a questão assim torna-se: o que eu tenho que melhorar em mim para melhorar a minha obra artística e o que eu tenho que melhorar em minha obra artística para melhorar a minha vida em sociedade?


LÚCIO FLÁVIO PINTO E SUAS LIÇÕES AMAZONIDAS

Política acaba tornando-se um jogo e até os resultados das eleições pode ser visto ao contrário, dependendo de onde os ventos levam o dinheiro, o prestígio e o poder.

Ninguém vai ler o jornal ou a revista. Por quê? Porque alguém, bem cedinho cedinho, bem antes do sol e dos padeiros acordarem, foram lá nas bancas e compraram tudo!
(Caso do Jader Barbalho versus Revista Veja. Lá em meados da década de 1980.)

O Brasil se importa com o que acontece ao norte de seu próprio território? 
Um exemplo: o comportamento da imprensa nacional diante do "Escândalo Aurá".

O SÉCULO DA VIOLÊNCIA - A HISTÓRIA DO SÉCULO XX

Santos Dumont inventou o avião, realizando um sonho milenar do ser humano. Se você é brasileira ou brasileiro, você pode dizer isso sem sentir vergonha. 

A uma necessidade fundamental ou a uma necessidade fraca ou ignorada - o que as tecnologia mais recentes respondem? 

Roberto Landell de Moura: pioneirismo que não é ignorado pelos que importam. 

Thomas Alva Edison: tem que ser prático, tem que produzir riqueza. 
(Ler alguma biografia de Edison é interessante porque ele muitas vezes era sórdido)

O século XX começa e os gigantes começam a nascer: a Companhia Inglesa de Radiodifusão (BBC) em 1927 e a Edison and Swan United Eletric Light Company. 

Henry Ford: pioneiro, gênio e começa a deixar de ser teimoso quando fabrica bombardeiros em massa durante a Segunda Guerra Mundial.

domingo, 14 de junho de 2015

Tristeza

"Peludo" é o cachorro do vizinho que fica mais na minha casa do que na casa dele.
Ele me lembra o pai de um dos pouquíssimos personagens de ficção com as quais eu realmente me identifico, o Alexander Portnoy (o nome do romance é "O Complexo de Portnoy" e foi escrito por Philip Roth). É que tanto o pai do Alexander e o "Peludo" tem prisão de ventre.

Vocês, milhões e milhões de leitoras e leitores deste blog, conseguem imaginar o que é ver um cachorro que já é naturalmente dono de uma cara triste, olhando para você todo torto de tanto esforço para defecar e abatido por não conseguir? 
É triste. 
É muito triste.

Mas a imagem mais triste que eu já vi, descontando aquelas com seres humanos (o mendigo catando comida dentro de uma lixeira, no restaurante popular da região hospitalar de Belo Horizonte), é aquela do aquário.

Arrepio só de lembrar.

Na casa de uma das minhas tias paternas.
O aquário é uma caixa quadrada e pequena de vidro. Imagine uma caixa de tênis, agora imagine essa caixa pela metade. Tire uns 5 centímetros quadrados do trem. É esse o tamanho.
E era só o vidro, o peixe laranja, a água e aquele tubo que fica borbulhando usado para oxigenar a água do aquário.
Aquela imagem me deixou tão deprimido que eu precisaria escutar toda a "Sinfonia Júpiter" de Mozart e não apenas o seu primeiro movimento, para voltar ter alguma alegria.
Triste. 

E tem aquela cena da mulher com câncer terminal pedindo para algum homem acompanhá-la até sua casa para fazer sexo com ela (o filme é "O Clube da Luta"). Ela avisa que comprou alguns objetos e até uns filmes pornôs para motivar o homem que queira ir com ela. Ela começa a chorar e a suplicar de maneira mais efusiva até ser apenas contida por algum médico ou psiquiátrica ali naquela reunião. 
Cena que me deixa deprimido e com vontade de morrer.
Será que se eu estivesse dentro do filme eu aceitaria o convite dela? 



sábado, 13 de junho de 2015

Aborrecimento antigo e dois nomes com carinho


A postagem de ontem foi joia e hoje? E hoje? A falta de regularidade é um dos espinhos que enfrento.

De repente tenho uma ideia para comentário: a mania de falar sobre adolescência como se fosse um período exclusivamente dramático e cheio de perigos.
Na imprensa escrita, quando existem um suplemento regular a respeito deste universo, a abordagem é mais completa. Mas a televisão, quando resolve falar sobre adolescência, só fala de drama. É só negativo. 

Lembro de uma série do "Fantástico", da Rede Globo, cujo o primeiro episódio era sobre... sexo. 
Entendem o que digo? Sexo, drogas, excessos e imprudências de todos os tipos. 

Um antídoto a essa postura que não ajuda é lembrar do grande Contardo Calligaris e o grande pequeno livro "Adolescência". Ele faz uma observação pequena que, para um apaixonado por filosofia como eu, faz rapidinho rapidinho ficar grande e rico. Contardo Calligaris chama a atenção para dois filmes, "Kids" e "American Pie", o segundo é mais próximo da realidade da maioria dos adolescentes. Pois pois, adivinhem qual dos dois filmes fez sucesso apenas entre adolescentes? Pois é.
Nota:
http://livraria.folha.com.br/livros/pais-e-filhos/adolescencia-contardo-calligaris-1011402.html

Por quê Nietzsche?

Assumir a responsabilidade, sublime e pesada, de ser humano. 

A filosofia me 

[Pausa. Acabei de ver uma portuguesa gatinha na televisão. Decidi: vou mudar-me para Portugal]

                          parecia algo tão abstrato, frio, indiferente àquilo que era importante à vida. 
Então Nietzsche surge e tudo nele era vida, cor, respiração, sedução e convite ao mergulho no infinito desconhecido. 

Por quê Lúcio Flávio Pinto? 

Não lembro da cronologia exata do trem, mas imagino que tenha sido assim:

Estava na faculdade, estudando jornalismo e lia sem parar livros com depoimento de jornalistas experientes. Li vários livros e fazia resumos extensos.

Um dos melhores que li era o "Repórteres", uma série de depoimentos de repórteres brasileiros. Um depoimento mais inteligente e emocionante que o outro.
Ali conheci o Lúcio, mas o depoimento dele não destacou-se. Mas foi assim porque todos ali foram maravilhosos.

Aí eu estava no Centro de Cultura de Belo Horizonte, um prédio antigo, onde escadas faziam barulho e a chave para o banheiro me lembrava um castelo medieval do ano de 1347, quando li em uma revista algo sobre ele.
A revista era uma dessas revistas especializadas, não famosas. Acho que a sua linha editorial tratava de ecologia. Não sei, nem lembro do nome da revista.

A parte que eu estava era onde tinha várias pequenas notas e uma delas era sobre o Lúcio Flávio Pinto. Ele tinha sido agredido. Fiquei completamente chocado com a história e decidi ali interessar-me pelo seu trabalho jornalístico. 
É que eu não lembro se eu ainda estava na faculdade quando fiz essa visita ao Centro de Cultura de Belo Horizonte.

Já correspondi-me com Lúcio, quando comprei livros dele usando meu primeiro salário. E até guardei a caixa em que os livros vieram, pelo óbvio motivo de ter guardado a sua letra escrevendo meu nome.
Adolescência tardia, uma vez que nunca tive poster no quarto, autógrafo de cantor de rock, bola de futebol autografada e etc. rs rs rs rs
[Aliás, onde esta a caixa? Ih...] 

Nota:
http://shopping.uol.com.br/reporteres-dantas-audalio-8573590394.html#rmcl


sexta-feira, 12 de junho de 2015

Aventuras no estágio ao Sarney cansado

Devia sentir-me orgulhoso, o trabalho que esta dando eu fazer uma seleção de meu arquivo de material jornalístico. O tamanho deve me lembrar o quanto sacrifiquei para montar este arquivo e preservá-lo. Prazer e responsabilidade.

E uma fantástica viagem ao passado para tornar todas as cores do presente mais saturadas e as cores do futuro, mais dançarinas. 

Peguei algumas coisas para usar hoje.

Edições do jornal comunitário que ajudei a fundar. Era um jornal de uma escola pública e falava de quatro bairros pobres de Belo horizonte.
Me lembra uma vez que fiquei o dia inteiro procurando uma foto que eu queria usar para a capa. Era uma do Lucas Prates, que mostrava um jovem cantando e tocando cavaquinho em uma apresentação na escola. Um aluno segurava um microfone para a voz e uma aluna segurava o microfone para captar o som do cavaquinho. Tudo no improviso captado em toda simplicidade.
Mas a foto estava perdida em algum lugar no arquivo e só eu que queria achar a danada da foto. Procurei, procurei e achei. Foi gostoso ouvir de um colega que me mostrava a capa montada no computador:
- Olha aí o resultado do seu esforço.

Claro que tem gente da minha geração que esta já nadando em dinheiro agora, enquanto eu lembro de aventuras no estágio aqui. Ah, deixem o estrangeiro cantar!

Estamos em junho, mas junho de 2007 e parece que o Boca Juniors ganhou um jogo importante às custas do rival, River Plate. É que recortei uma foto em que mostra torcedores do Boca felizes da vida. 
Não acho muita graça no futebol, os caras ganham muito dinheiro, mudam de time o tempo todo e não sabem que eu existo. Eu recortei a foto porque entre os torcedores há uma garota bonita, fazendo uma expressão ainda mais bonita.
E isso é suficiente, neste meu glorioso critério.

Agora é o recorte de uma reportagem em que eu participei como um dos entrevistados. Eu não escrevi a data no recorte, devo ter a reportagem completa em outro lugar e por isso não escrevi a data neste recorte. 

Guardei este recorte na época por causa de uma garota também. Era época da faculdade e eu era louco por ela, mas eu era mais louco ainda pela ideia de estar louco de amor.

Perder o sono e pele arrepiada apenas ao ouvir a voz vinda do corredor pode parecer "dramaticamente" suficiente e tudo, mas se você não ama a pessoa e só consegue sentir-se inferior ao comparar-se a ela; não é amor, não adianta.

Hoje isso já passou. A gente até é amigo no FaceBook, embora não conversemos muito. Continuamos muito diferentes, para sermos mais que isso. Sinceramente desejo tudo de bom a ela. Uma demonstração de alguma maturidade de minha parte. Fico feliz, não sou tão marmota assim. 

Ah, a minha entrevista foi joia: livros são viagens e leitura é terapia. Acrescento os adjetivos respectivamente: "universo" e "evolução eterna".

A próxima peça é um artigo do Stephen Kanitz. Kanitz é fod****. Vi uma participação dele como um dos entrevistadores do programa "Roda Vida" da TV Cultura e fiquei de queixo caído com o brilhantismo dele. Só fazia pergunta difícil e citando dados e fatos. Perto dele os outros entrevistadores pareciam ajudantes de estagiários de quinta categoria. 

(Lembrei: vou pegar algumas gírias de antigamente e algumas gírias usadas aqui em Minas Gerais. E vou usá-las aqui no blog)

Kanitz, como falei, é fod***. Tanto que na seleção do arquivo eu nem passava os olhos pelo texto para saber se o assunto era joia, se era dele eu logo separava para fazer parte do "lado a" do arquivo. (O certa de 45% do arquivo com que vou trabalhar desta vez)

O primeiro artigo do Kanitz que peguei trata sobre privacidade, loucos perigosos e futuro político do mundo pós 11 de setembro. 
Segue um trecho bacana:
"Sigma é uma medida estatística de desvio de normalidade. Quanto mais Sigma, mais anormal. Estima-se que existam mais de 650 000 pessoas 5 Sigma no mundo e 1650 pessoas 6 Sigma. O drama é que não se sabe quem são."
[O PERIGO DOS "6 SIGMA" - Stephen Kanitz. Revista Veja, edição de 17 de setembro de 2007.]


Kanitz critica a Doutrina Bush: é incoerente implantar um regime como a democracia liberal pelas forças armadas.
É interessante pensar nisso quando os filhotinhos da Doutrina Bush, na internet e na grande imprensa, atacam do jeito que atacam Cuba e Irã.
Não pode ser pela força, queridos. 

Notas:
O site do Stephen Kanitz
http://blog.kanitz.com.br/ 

Agora tenho em mãos um minúsculo folheto de alguma igreja evangélica. O título: "Como alcançar a felicidade".
O texto pequeno pode assim ser resumido: fique longe de gente ruim e aproxime-se de gente boa.

Agora tenho em mãos uma pequena crônica do Fausto Wolff. Acho que Wolff já morreu. Conheci ele quando eu colecionava a revista "Bundas".
Esperem um pouco.
...
...
...
...
É, ele morreu mesmo. E foi em 2008, inclusive. 
O texto, chamado "Heróis voluntários da pátria" e publicado na edição de 7 de outubro de 2006 pelo Jornal do Brasil, fala sobre as dificuldades e facilidades em ser herói.
O final é muito bonito e vou compartilhar em minha página no FaceBook.
Aqui apenas pergunto: vamos nos cadastrar como doadores de medula óssea? Custa nada e é muito bonito. Acho que vou telefonar para o HemoMinas.

E agora? Hum, chover... Ah, mais um Kanitz. 
"Nossa nova geração" - Stephen Kanitz
[Revista Veja, edição de 12 de setembro de 2001]

A nova geração de jovens brasileiros chega à universidade desejando sucesso profissional como a principal forma de servir ao seu semelhante.
Dinheiro seguro e serviço voluntário na periferia - eis a fórmula. 

Agora o José Sarney vai aparecer por aqui:

" "Fico sentado ali, presidindo por cinco, seis horas, ouvindo discursos cujos os temas são os mesmo que ouço há quarenta anos, com uma variação de quatro verbos, cinco advérbios, duas preposições..."
- José Sarney, presidente do Senado, confessando que anda meio cansado da lida diária na política." 
[ Revista Veja, edição de 21 de julho de 2004.]

E... chega.

Até amanhã. Tenho que dormir nos braços da Thais de Anatole France. 







quinta-feira, 11 de junho de 2015

Memórias Musicais.

Eu sempre fui um apaixonado por cinema, fui educado assim desde de criança pelo meu pai. Todo fim de semana alugávamos algum filme, fora o que víamos pela televisão. Milhares e milhares de filmes. 

 E também gravávamos muito, usando e abusando do nosso videocassete. Tínhamos mais de 100 fitas vhs com gravações de todo tipo: filmes, reportagens, shows, desenhos, documentários e até pegadinhas e "videocassetadas". Quase tudo se perdeu por causa do mofo, mas alguma coisa eu consegui salvar e, usando o meu dinheiro e andando a pé quase 4 quilômetros, além da costumeira incompreensão caseira, eu consegui digitalizar.


Nesse cenário, tenho muitos recordes, muitas excentricidades queridas de um nerd realmente precoce. E uma delas envolve um filme da Disney, o 20 Mil Léguas Submarinas ("20,000 Leagues Under the Sea", no original), de 1954 e dirigido por Richard Fleischer. É que este é o filme que mais assisti na vida. Vocês não fazem ideia.


Aí eu cresci e a fita mofou. Virei pré adolescente, adolescente, aborrecente, entrei na faculdade e etc.


Foram muitos anos e ter assistido no recém lançado YouTube o trailer não era a mesma coisa.


Eis que descubro que o SBT vai passar o filme. De madrugada, claro.


Resolvo assistir. Estava na faculdade e dormindo na casa dos meus avós paternos. Dia cansativo e tudo. 


O filme começa.

O que nós tínhamos gravado não tinha o início. Começa a gravação depois de uns 10 minutos.
O filme começa.
A imagem.
A música.
Dividido como sempre, ansioso e preso aos costumeiros pensamentos negativos. Me pergunto sem parar: "É esse filme mesmo? É esse filme mesmo? É esse filme mesmo?" Eu sabia que era, mas queria ter alguma espécie de surpresa e deslumbramento. Eu queria ter todas as sensações do mundo naquele momento que eu desejava que fosse mágico. 
E foi.
Em algum momento da abertura do filme, ainda nos créditos, a musica...
a música...
a música...
a música que era e não era familiar
ficou
com
ple
tamente
familiar.
E naquele momento
e só
naquele momento
foi um 
bum!

Plenitude.



Foi muito bonito. Não esqueço.


Houve um outro momento semelhante, ano passado, 2014, pela ocasião do desaparecimento do artista completo Roberto Gómes Bolaños. 

Quando criança e até uns 14 anos eu não perdia um episódio do "Chaves" e do 'Chapolin Colorado". Assistia sempre, de segunda a sábado. No domingo o SBT não passava.
Assistia e assistia.

Cheguei a gravar inúmeros episódios. A minha geração, nascida em 1982-1983-1984, foi marcada por Bolaños que é no Brasil e no seu México natal uma figura familiar e clássica.


Mas ocorre que com uns 14 anos eu não assisti mais. Nunca mais. Depois é que me dei conta: alguns canais da tv a cabo ainda passam em vários horários e algumas pessoas da minha geração acabam assistindo esporadicamente. Mas eu não, nunca teria me ocorrido isso. 


Mas eis que Bolaños morre e eu estou com um programa de rádio onde só toco "música estranha": heavy metal, mpb, rap alemão, trechos de óperas e etc. Tudo em uma hora de programa.


Me ocorre de procurar as músicas que fizeram parte da trilha-sonora dos dois seriados: "Chaves" e "Chapolin Colorado".


Fazia anos e anos que não escutava e como eu tive problemas no computador na semana da morte de Bolaños, eu só escutei aquelas músicas novamente quando as procurei.

O efeito foi... foi. O efeito foi. 
Acho que é suficiente ter escrito até aqui.


Tudo isso que eu escrevi sobre memórias musicais pode parecer bobo, mas faz sentido quando lembro de uma coisa que eu pensava quando criança; quando ouvia uma música que eu gostasse muito:

- É como se eu tivesse ouvido ela antes.
Eu sempre sentia isso quando criança e até hoje tenho essa impressão.
Como se aquela música que acabei de descobrir e que acho tão linda já estivesse fazendo parte de mim e eu é que não sabia desse fato. Lembra o espiritismo, vidas passadas e a teoria de Platão sobre a alma relembrar e assim conhecer a verdade. 



quarta-feira, 10 de junho de 2015

Explicando uns trens

Pela milésima e milésima vez. rs rs

Um comentário sobre o que aconteceu no meu dia. Sei lá. Dizem que faz bem. Por exemplo: registrar sempre três coisas boas que aconteceram.

NIETZSCHE APAIXONADO

Três aforismos interpretados e tocados por mim.
Quando acabar os livros, recomeço tudo de novo com uma nova visão.
Ad infinitum.

LÚCIO FLÁVIO PINTO E SUAS LIÇÕES AMAZÔNIDAS

É o melhor jornalista do Brasil e ninguém o escuta. Sei que sou um fã de meia tigela, mas vou tentar fazer minha parte.

Quando terminar um livro do Lúcio eu vou escrever um diário sobre a leitura de obras de outros autores que gosto muito da não-ficção. Os principais deles, a saber: Voltaire, Russell, Will Durant e Joseph Campbell. Mas vai ser uma obra de um deles e depois o Lúcio novamente, revezando. A ordem eu ainda não sei. Acho que vai ser Lúcio e Campbell mesmo.

O SÉCULO DA VIOLÊNCIA - A HISTÓRIA DO SÉCULO XX

A escrita do diário de leitura da minha coleção favorita. São sete volumes, quando acabar um vou revezar com algum livro de história. E depois volto.
A coleção lançada aqui no Brasil, "História do Século 20", pela Abril Cultural é maravilhosa e mais gente merece e precisa conhecer.

ESPINOSA LÊ NOTÍCIAS VELHAS, EM UM DIA DE CHUVA, NA VARANDA, COMENDO UMA PIZZA DE CHAMPIGNON E QUATRO QUEIJOS E BEBENDO UM SUCO NATURAL DE MARACUJÁ

O título desta seção é auto explicativa.



Vai demorar um pouco porque vou precisar de uma semana para terminar de olhar meu arquivo de material jornalístico e assim fazer uma seleção de destaques. Tipo um "Lado A", entende?

HESSE

A leitura de "O Jogo das Contas de Vidro", o último que eu ia ler (pelo menos desta vez. Hesse virou um favorito e vou relê-lo por toda minha vida. Principalmente "Gertrud", que considero seu mais perfeito romance), empacou e há muito tempo. Empacou talvez por ser o último? rs rs Mas não é tão último assim.

Interrompi a leitura deste e comecei "Thais", de Anatole France. Tive que fazer uma breve viagem e tinha que levar algum romance para ler e só podia ser este, cuja a edição que eu tinha era nova e podia perder-se que não seria assim tão terrível. Todas as edições de Hesse que eu tenho são herdadas do meu avô e elas são difíceis de achar. Os livros e os títulos.

O problema é que depois de "Thiais", eu vou ler "A Ilha dos Pinguins", um título de Anatole France esgotado no Brasil há mais de 30 anos e que encontrei em um sebo, com uma qualidade no volume incrível (o livro abria com aquela dificuldade de abrir de livro novo e não tinha marcas na lombada, evidência que provavelmente ninguém leu aquele volume).

Aí eu volto para os jogos das contas de vidro. Tenho certeza que Hesse vai ser mais rico depois de um pouco de Anatole France. A espiritualidade alemã, dramática; temperada com um pouco de ironia e tolerância francesa.

- Hesse e Anatole France... E autores brasileiros?
- Calma, eles vão chegar em revoada!




terça-feira, 2 de junho de 2015

Pinguins amadores e professores que não dançam


Visitei a casa de um radio amador hoje, eu nunca tinha visitado a casa de um radio amador antes e fiquei encantado com os equipamentos. É o paraíso dos... dos... dos... Mas como é mesmo o nome daquele mostrador com ponteiros e números? Aquele trem me hipnotizou e tinha milhares deles.
E tinha aparelhos para código Morse! Código Morse, p***!
Havia muita bagunça e um pouco de improviso. Levei minha câmera e meus olhos ficaram com sede de gravar todos aqueles pequenos detalhes como tomadas velhas, caixinhas pretas com uma luz vermelha acesa, botões giratórios de vários tamanhos, nomes de marcas escritos numa fonte que me cheiram a "fui feito lá nos anos de 1950, filho, me respeite!" e etc e etc.

Tive coragem e fui esforçado, daí a sorte me ajudou e comprei o livro do Anatole France que me faltava: "A Ilha dos Pinguins". Na internet ele é vendido barato, mas como esta esgotado há quase 30 anos ele é difícil de encontrar.
- Se esta esgotado e é raro, como pode custar apenas 20 reais?
- Porque as pessoas são bobas.
- Não é porque só você ainda quer ler Anatole France no século XXI?

Estava lendo a introdução do volume dedicado a Aristóteles da Coleção Folha Grandes Nomes do Pensamento, quando perdi a paciência e fiquei bravo. O autor do texto, Manuel Alexandre Júnior, fez uma citação que era em inglês e não a traduziu. Por quê?
Lendo, me pareceu que esta coleção é uma parceria da Folha de S. Paulo com alguma editora de Portugal, o que me faz pensar que seja costume na academia portuguesa alguns autores fazerem citação sem traduzir. Com certeza em língua inglesa, francesa e alemã; dado que se alguém domina essas três pode ler qualquer livro sobre qualquer coisa.
Espero que os acadêmicos portugueses não sejam todos assim.
(No prefácio, ou seja antes de sua introdução, Manuel escreve que esta em Lisboa)
O joia é que como perdi a paciência, mergulhei direto para o estagira, o Aristóteles.
Então vamos conhecer o Aristóteles.
Ou melhor: vamos em uma festa na casa do Aristóteles e perguntar como ele esta.

RETÓRICA - Aristóteles

Ler Aristóteles é chato. Perto do meu Nietzsche ele parece um professor clássico perto de um poeta louco que nos seduz. É chato, mas é bom. É um dos três mais importantes filósofos da história, ao lado de Platão e Kant. (Uma classificação bastante famosa nas universidades a se acreditar no Bryan Magee e eu acredito no Magee, gosto dele.)

Retórica e Dialética são faces da mesma moeda e essa moeda é única.

Assim como no FaceBook e no Twitter, é natural do humano fazer perguntas e agir como um advogado de defesa ou acusação quanto às ideias e opiniões em geral. Se posicionar, entende?

Pratica tanto que torna-se hábito e por ser hábito pode ser estudado e isso tudo é artístico.

Aristóteles esta falando que seu tratado de retórica vai ser diferente dos tratados dos outros. Vendendo o seu peixe, esta certo. Compramos o seu peixe ha mais de 2000 anos, inclusive. rs rs

As leis e os juízes. Temos que facilitar o trabalho dos juízes, mas não muito. Assim como o legislador não consegue prever todos os casos possíveis de se acontecer, o juiz tem muita dificuldade em emitir um juízo correto dado a sua humanidade e limitação por estar julgando caso a caso.

Persuadir. Mesmo que o argumento não seja todo transparente ele pode convencer, porque gostamos de ver algo demonstrado. Gostamos de palavras bonitas e que estejam bem organizadas.

Aristóteles parece ter uma visão otimista sobre o humano querer e alcançar a verdade. Bonito isso.

A verdade e a justiça são fortes, mas por isso mesmo não podemos deixar que sejam derrotados. Vem cá dialética, vem cá retórica. Temos que argumentar e temos que convencer. E ajuda muito saber dos argumentos falsos e de como eles podem persuadir também. Se colocar no lugar do outro.

Aristóteles é da paz. O macedônio não gosta de violência física, é mais humano, diz ele, usar a razão.

O que vai fazer diferença aqui é a intenção de ser honesto e a capacidade de sê-lo.

NIETZSCHE APAIXONADO

É preciso dançar um pouco para alcançar aquilo que é bom para nós.