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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Um canhoto e os seus infinitos trancados

A delícia de ser canhoto a gente lembra, por exemplo, quando esta escrevendo e o punho esquerdo fica pressionando a espiral do caderno. Atrapalha.

Atrapalha sim, mas eu tenho um orgulho sincero em ser canhoto. É uma das lembranças mais antigas daquela construção daquilo que costumamos chamar de "eu", de "identidade".
- Eu sou canhoto!
Uma lembrança de mãe:
- Colocava-mos um copinho bem no meio, para saber com que mão você iria pegar.
- Eu sou canhoto!

Amanhã vou a Belo Horizonte, comprar dois universos e alugar um. Traduzindo: comprar dois livros e alugar um em uma biblioteca.

O livro que vou alugar é sobre história da ciência, destacando as grandes discussões. Mas vou alugar este livro para escanear uma parte do seu índice, que é simplesmente maravilhosa.
É uma coisa meio Monty Python, meio inteligente e boba, mas é legal também. Depois mostro.

Os dois livros que vou comprar é sobre filosofia. Já contei aqui que comecei a me interessar por filosofia pelo motivo mais superficial e fútil possível?
Foi pela aparência, a aparência daquela coleção "Os Pensadores" ali na estande da biblioteca do colégio. Era a edição azul dourada, feita pela Abril Cultural em parceria com a Folha de S. Paulo.
Todos aqueles livrinhos ali, juntos, aquele bloco... Era tão bonito!
E havia um charme adicional: os nomes maiores dos filósofos, como Wittgenstein, tinham os livros mais finos e, exatamente ao contrário, quem tinha os nomes mais curtos, como Leibniz e Hume, era justamente os que tinham os livros mais grossos.
Eu ficava olhando e olhando, hipnotizado por aquelas lombadas. Hipnotizado pela metáfora em todo o seu poder: cada lombada ali era um infinito trancado, podendo explodir em um cosmos de maravilhas.
E eu só precisaria esticar as mãos.

NIETZSCHE APAIXONADO

Ainda existe muita energia vital espalhada por aí, em nossas cidades de cinza, ferrugem, máquinas assassinas e zumbis.
Essa energia precisa ser usada. Precisamos construir um futuro mais digno para todos nós.
Necessário e possível. Possível, pois já foi feito uma vez na Grécia antiga com as suas ilustrações sobre a vida, cheia de divindade e lirismo. Além dessa receita, existe uma outra mais recente e próxima de nós: ler Goethe.
Deixem o Goethe falar!
Deixem o Goethe falar!
E por falar em imagens, o que Nietzsche nos mostra ao falar em "equilíbrio" e "alma bela" comove.
Poetas entre nós a construir imagens para um futuro digno, imagens dignas e imunes a paixões pequenas que nos desviam dos grandes horizontes. Imagens tão poderosas que teriam a imitação e a inveja como aliados para poder crescer e criar.
Dito isso fica uma dica útil: não confundir força e natureza com imaturidade e descontrole.

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