Voltaire ajuda

Voltaire ajuda

sexta-feira, 8 de maio de 2015

O nosso José e o Joaquim que eu esqueci

Um belo desafio: devorar "Os Sertões", de Euclides da Cunha. Clássico da literatura e do pensamento brasileiro, conhecido por ser de leitura difícil.
Quando li uma pequena antologia de crônicas do Lima Barreto tive uma prévia do desafio. Cada pequena crônica me fazia ir ao dicionário umas seis vezes. Pelo que pude observar, com Euclides da Cunha vão ser seis idas ao dicionário por linha!

A questão, claro, não é o esforço físico de ficar pegando e pegando o dicionário; mas a abstração que isso gera durante a leitura e o que compromete a compreensão do texto. Tive uma pequena amostra disso quando, logo após a faculdade e durante uma aventura em um emprego, comecei a ler "A Hora da Estrela", da Clarice Lispector. Susto. Era muita abstração, não conseguia imaginar o que a Clarice queria dizer-me. (Acabei não lendo o livro, por orgulho e preguiça).

Mas para enfrentar o Euclides encontrei uma ajuda inesperada: o Joaquim Nabuco! É que depois de narrar aqui uma leitura de "Retrato do Brasil" do Paulo Prado, eu faria o mesmo com "Os Sertões"; foi então que eu lembrei que já tinha lido um outro título da antologia "Intérpretes do Brasil", da Editora Nova Aguilar. Era "O Abolicionismo", do Joaquim Nabuco. Tinha me esquecido, então eu termino com Paulo Prado e depois vou com o Nabuco, o que vai dar mais tempo para eu ler e começar a escrever a narrativa de minha leitura de "Os Sertões". E vou começar ainda hoje porque sei que o trem vai ser bruto e vou precisar de muito e muito tempo.

Mas antes, vamos voltar ao Paulo Prado e seus retratos interessantes.

Triste, óbvio e confiante: era o romantismo que nascia no Brasil.

Romantismo: sentimento e pensamento. Ambiguidade.
Sentimento romântico: lirismo e pessimismo.
Pensamento romântico: "ao contrário, é uma afirmação de generosidade, de ardor, de fé no inesgotável poder do espírito humano".

O ocidente inteiro tornou-se romântico. Antes da Revolução Francesa, a América já iniciara sua libertação. A multidão leu Rousseau e decorou todas aquelas frases de efeito para ajudar na luta contra todos os tipos de tiranos. "Inventa-se a retórica política."

Precursores da Revolução Francesa: Brissot e Raynal.

Pernambuco, 1817 e 1824: o Romantismo mostrando suas garrinhas aqui.

Um estudante brasileiro é o autor de nosso primeiro grito de independência. Ele se chama José Joaquim da Maia e conseguiu entusiasmar um entediado Thomas Jefferson naquele encontro que eles tiveram. Mas vamos escutar um pouco o nosso José Joaquim da Maia:

"Eu nasci no Brasil. Vós não ignorais a terrível escravidão que faz gemer a nossa pátria. Cada dia se torna mais insuportável o nosso estado depois de vossa gloriosa independência porque os bárbaros portugueses, receosos de que o exemplo seja abraçado, nada omitem que possa fazer-nos mais infelizes."

José Joaquim da Maia estava se dirigindo a Jefferson e pedindo ajuda dos Estados Unidos para a independência do Brasil.
Podemos atualizar um pouco isso e, por exemplo, trocar "Portugal" pelos "políticos brasileiros que nós brasileiros escolhemos".





Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá, tudo jóia?
Escreva um comentário e participe.