Voltaire ajuda

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domingo, 31 de maio de 2015

Evinha e o estagira


Evinha e Raul Seixas salvaram meu último programa na radio Super Nova FM. Foi mágico, no improviso. Praticamente um mês em que estou fazendo o programa com má vontade e eu bem que podia pegar o que aconteceu neste sábado e transformar em energia para voltar a fazer o programa como eu fazia antes.

(E vamos começar o Aristóteles)
A rainha esta de volta, logo após começar a vencer a fama de manipuladora malévola. A rainha das ciências humanas, a retórica.

A partir da segunda metade do século XX o mundo viu renascer o interesse pelo estudo da retórica. O olhar e as técnicas de estudo eram diferentes, mas a paixão que movia os acadêmicos era (e é) a mesma que antigamente existia entre os que praticavam a retórica.

Útil e interdisciplinar, duas virtudes que nos vem logo quando pensamos nela.

Humano é um animal que exprime-se, exprime-se o tempo todo. Retórica é coisa nobre, viu? E graças à sua ambiguidade em ser arte e ciência, podemos criar no processo educativo. Aprendemos e podemos aprender de novos jeitos.

Vou fazer a minha carteirinha da Internacional Society for the History of Rhetoric!

Aqui é a forma antes do conteúdo. Aqui é o depois de descobrir a sua verdade, é o a posteriori. Quando chega o momento de expressar-se com eficiência. Algo prático, fruto de estudo de anos e anos observando os melhores oradores daquela nossa Grécia Antiga e amada.

Safo se dirige a Afrodite.

Pelo seu sucesso na política, Péricles ensinou os gregos a amarem a palavra e todo o seu poder.

Faz muito tempo, muito tempo que não temos primavera
porque
faz muito tempo, muito tempo que fazemos guerras.

A retórica nasce "oficialmente" na Sicília e é culpa de dois tiranos que fizeram muitas coisas erradas enquanto estiveram no poder. Depois de derrubá-los, foi preciso um mutirão de assembleias, reuniões para organizar e decidir como consertar tudo. E como um cidadão poderia convencer os outros que ele tinha sido injustiçado e merecia uma reparação?
Oh, uma menina! A retórica!

Os ovos de dragão, lá em Eléia, pela mão dos idealistas, partiam-se.

A retórica tinha nascido, mas precisava da ajuda do admirado e odiado Górgias para que ela saísse às ruas e ajudasse a todas e todos que precisassem dela.

NIETZSCHE APAIXONADO

Pode ser triste ou engraçado, mas se deixar apodrecer por vaidade não é bom. Torna nulo as suas obras de arte.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

imagens, sementes e um pedaço de bronze

Lutar o "bom combate", ter um lado do muro e acreditar nele. Acreditar e lutar por ele. É preciso paixão, a ciência também precisa.

Em 1924 foi feito nos Estados Unidos, por uma revista (cujo nome a história se esqueceu de registrar), uma eleição entre vários artistas e críticos do país para se escolher quem seria os mais importantes autores de todos os tempos:
1 - SHAKESPEARE
2 - GOETHE
3 - ANATOLE FRANCE
Pois, pois, vamos nos apaixonar pela medalha de bronze. E apenas depois mergulhamos no ouro e, em sequência, "alô prata!".

Carl Gustav Jung - Anatole France - Gnose -
Héin? Héin? A gente passeia os olhos pelo posfácio e se depara com isso? Hum, interessante.

Clássico você sabe o que é: o que todos os especialistas dizem que é clássico. rs rs
Tosco, mas verdadeiro. Serve de alerta para não ficarmos indiferentes à literatura contemporânea. Um pouco de humildade faz bem aqui.

Convencer o mundo para este ande pelas trilhas da paz.

Um pessimismo que nos leve a um otimismo forte e realista.


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Um canhoto e os seus infinitos trancados

A delícia de ser canhoto a gente lembra, por exemplo, quando esta escrevendo e o punho esquerdo fica pressionando a espiral do caderno. Atrapalha.

Atrapalha sim, mas eu tenho um orgulho sincero em ser canhoto. É uma das lembranças mais antigas daquela construção daquilo que costumamos chamar de "eu", de "identidade".
- Eu sou canhoto!
Uma lembrança de mãe:
- Colocava-mos um copinho bem no meio, para saber com que mão você iria pegar.
- Eu sou canhoto!

Amanhã vou a Belo Horizonte, comprar dois universos e alugar um. Traduzindo: comprar dois livros e alugar um em uma biblioteca.

O livro que vou alugar é sobre história da ciência, destacando as grandes discussões. Mas vou alugar este livro para escanear uma parte do seu índice, que é simplesmente maravilhosa.
É uma coisa meio Monty Python, meio inteligente e boba, mas é legal também. Depois mostro.

Os dois livros que vou comprar é sobre filosofia. Já contei aqui que comecei a me interessar por filosofia pelo motivo mais superficial e fútil possível?
Foi pela aparência, a aparência daquela coleção "Os Pensadores" ali na estande da biblioteca do colégio. Era a edição azul dourada, feita pela Abril Cultural em parceria com a Folha de S. Paulo.
Todos aqueles livrinhos ali, juntos, aquele bloco... Era tão bonito!
E havia um charme adicional: os nomes maiores dos filósofos, como Wittgenstein, tinham os livros mais finos e, exatamente ao contrário, quem tinha os nomes mais curtos, como Leibniz e Hume, era justamente os que tinham os livros mais grossos.
Eu ficava olhando e olhando, hipnotizado por aquelas lombadas. Hipnotizado pela metáfora em todo o seu poder: cada lombada ali era um infinito trancado, podendo explodir em um cosmos de maravilhas.
E eu só precisaria esticar as mãos.

NIETZSCHE APAIXONADO

Ainda existe muita energia vital espalhada por aí, em nossas cidades de cinza, ferrugem, máquinas assassinas e zumbis.
Essa energia precisa ser usada. Precisamos construir um futuro mais digno para todos nós.
Necessário e possível. Possível, pois já foi feito uma vez na Grécia antiga com as suas ilustrações sobre a vida, cheia de divindade e lirismo. Além dessa receita, existe uma outra mais recente e próxima de nós: ler Goethe.
Deixem o Goethe falar!
Deixem o Goethe falar!
E por falar em imagens, o que Nietzsche nos mostra ao falar em "equilíbrio" e "alma bela" comove.
Poetas entre nós a construir imagens para um futuro digno, imagens dignas e imunes a paixões pequenas que nos desviam dos grandes horizontes. Imagens tão poderosas que teriam a imitação e a inveja como aliados para poder crescer e criar.
Dito isso fica uma dica útil: não confundir força e natureza com imaturidade e descontrole.

Epistemologia nas preliminares

Antes do começo uma citação. Todo mundo gosta e aqui também o público é quem manda:

"Existem coisas que você sabe 
e existem coisas que você não sabe.
E ainda existem coisas que você não sabe
que sabe.
No dia que você souber tudo aquilo que você não sabia que sabia
você será realmente você."
(a diagramação ficou essa coisa tosca por conta do Blogger que fez automático)

Perguntei se o Wagner Matias de Andrade estava vivo e o Wagner Matias de Andrade respondeu-me que sim, esta vivo.

Puxaram a minha orelha: eu, tão engajado, ainda sou ingênuo em não acreditar que o racismo no Brasil tinha alguma sutileza. Não tem sutileza, o pessoal fala m* na cara dos outros e nem quer saber mesmo.

Uma coisa eu já sabia: que ia ser difícil tirar do caderno as anotações e colocá-las aqui. Me distraí na internet e até agora nada. Vou tentar dar um jeito.

Vai epistemologia, vai ampliar o que eu sei!

segunda-feira, 25 de maio de 2015

A outra bolha.

Elenco jovem do filme AS PATRICINHAS DE BEVERLY HILLS (Estúdios Paramount, 1995).

Ela não conhece a vida porque tem 20 anos e nunca andou de ônibus. E você, porque já foi assaltado a mão armada, conhece a vida? Indiretamente muitos confessam que apenas não se suicidam porque são uns covardes, dado que se esta declarando expressamente aqui que o mundo e a vida são exclusivamente uma desgraça. Mas vamos começar pelo começo, como diria Aristóteles.

Semana passada, entre meus contatos no FaceBook, tornou-se popular o print screen de uma conversa entre duas jovens.
(Print screen é uma tecla comum que pode ser usada para "fotografar" tudo que esta na tela do computador no momento em que ela é acionada. Barra de ferramentas, ícones, as janelas que estiverem abertas... tudo. No caso de vídeos, o Windows Media Player tem uma frescura, a imagem fica negra e você precisa ajustar um trem que não lembro o que é.)

Bem, a conversa entre as duas amigas foi via computador e um trecho dela foi capturado por alguém e a imagem se espalhou. A veracidade da história toda não me interessa muito e sim o trem filosófico da coisa.
Uma das jovens perguntou como era andar de ônibus, pois teria que fazer isso e ela nunca tinha feito antes. A jovem parecia ter uns 20 anos e pela aparência julga-se facilmente que ela seja uma "patricinha": meninas rica, branca e alienada. (Não custa lembrar do filme "As Patricinhas de Beverly Hills", como oposição a esse preconceito. Principalmente o final, mas isso é outra história).

Antes de mais nada esta jovem merece um elogio claro: diante do desconhecido ela demonstrou interesse em perguntar para saber como era. Pode parecer engraçado e tosco escrever assim, mas há tantos jovens que se viciaram em drogas, pegaram doenças e morreram em acidentes violentos; sem antes fazer perguntas a amigos e parentes que poderiam aconselhá-los a serem mais prudentes!

A reação diante do print screen da imagem foi exclusivamente negativa: menina alienada, sabe nada da vida, que pais irresponsáveis ela tem, ela vive em uma torre de marfim fora da realidade, ela não sabe o que é a vida, não quero criar meu filho em uma bolha como os pais dela fizeram e etc.

É, mais ou menos. Sim, os pais devem ter o cuidado para que seus filhos não cresçam iludidos a respeito de como é o mundo e a vida. Sim, isso é difícil de se fazer.
Mas não é esse detalhe da questão que me interessa aqui, é outro, menos óbvio. E também importante: o de se encarar a vida e o mundo como coisas negativas exclusivamente.

Postura que, leitor de Nietzsche que sou, coloco na conta da influência de uma visão negativa da religião cristã na formação do Brasil. Não vou me referir a tristeza de manifestação culturais populares, como canções e poemas e tal. Basta para mim, que a leitora e o leitor deste texto aqui preste atenção nessas nossas expressões populares:

- Isso é bom demais para ser verdade!
- Caia na real! (*)
- Ele passou desta para melhor!
- Claro que essa situação boa não poderia durar!

* Sinal de prudência no geral, essa frase é sintoma de uma visão doente da existência uma vez que é usada exclusivamente como sinônimo de: assuma de uma vez por todas o problema invencível!

O mundo como um lugar mau, a vida como um conjunto exclusivo de experiências negativas e dolorosas.
Isso é patológico e contrário à vida.
O que aquela "patricinha" vive é tão real quanto o viver de uma mulher pobre de 20 anos que, -vamos imaginar-, esta desempregada, é mãe solteira e na última enchente de seu bairro tenha perdido toda a sua casa.

Experimentar a existência de maneira plena e viver a vida como ela é na íntegra, nunca foi fácil. Nem para a jovem pobre de 20 anos que é mãe solteira, esta desempregada e que  na última enchente de seu bairro tenha perdido toda a sua casa; nem para a "patricinha" de 20 anos que ainda não andou de ônibus, nem para o autor deste texto, nem para você leitora e nem para você leitor.

Mas ajuda lembrar com mais frequência, princialmente para quem acredita em um Deus justo, que existe também coisas boas para nós ainda que estejamos deste lado da sepultura.



quinta-feira, 21 de maio de 2015

Fale com ela

Humano é um animal que da significado às coisas, a história a seguir é de uma coincidência que mais gosto.

Faz mais de 15 anos e eu tinha saído do colégio e fazia suplência. 2001, 2002, por aí. Estávamos eu e minha mãe dormindo na casa da minha vó no centro de Rio Acima, por algum motivo que não lembro. Dormir ali é coisa muito rara e eu nem me lembro de uma outra ocasião em que isso tinha acontecido.

Na época eu queria ser escritor e estava lendo todas as biografias da coleção Os Imortais da Literatura Universal, da Editora Abril Cultural. A edição é de 1973, com os livros vermelhos e dourados, de mesma altura. Por volta de 1979 a mesma Abril Cultural lançou alguns livros, mas aí eles tinham tamanhos completamente diferentes entre si e uma minúscula biografia com vida e obra do autor no próprio livro. Nesta coleção de 1973 as biografias eram extensas e ricamente ilustradas. Coisa de luxo mesmo. No final da coleção você podia juntar e encadernar as biografias em três volumes.
Eu tinha comprado os três volumes por 10 reais cada volume (naquela época a média de preço dos livros em sebos ainda era 10 reais, depois passou para 15 ou 20 reais) e estava lendo e estudando. Fazia até resumo.

Pois justamente naquela noite, justamente na leitura da vida e obra de Laclos, autor de "As Relações Perigosas", a minha noite de estudos teve como trilha sonora uma dramática briga de casal. De onde eu estava, só ouvia ela. Mas eu estava perto, era só ela que falava alto mesmo. Não chegava a gritar gritar, mas falava alto com vontade e dava para sentir a sua garganta apertando e as lágrimas nascendo. Não lembro muito, mas pelo que entendi era um momento de "relacionamento chegou em uma encruzilhada": ela queria continuar e ter algo mais sério e ele não. Ela estava triste e queria que ele falasse o que sentia, mas parece que ele não falava. Disso eu lembro bem: ela implorava e implorava para que ele falasse algo. E ele não falava.
E fim da história.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

O desafio do roxo

Imprimir fotos é complicado. Entre as inúmeras dificuldades técnicas (porque também existem umas questões, digamos, "filosóficas"; como a tolerância quanto ao resultado, uma vez que papel não é monitor de computador), existe a dificuldade de se reproduzir a cor roxa. Na maioria das vezes o que você vai conseguir é um azul escuro ou, se tiver sorte, algo como um violeta. Por aí.

Tinha comentado isso com a minha mãe, assim por alto. Tinha até esquecido.

Eis que no Dia das Mães, a noite, depois do jantar especial, ela cisma de me dar uma aula sobre a Teoria das Cores. Com direito a palheta, tinta e pincel. Minha mãe é artista plástica.

Assim, sem mais nem menos. Levei susto, depois ri e depois fiquei meio emocionado com o trem. Sou um filho meio ingrato e aquilo me tocou. A baixinha querer me ajudar, me explicar. Ela dava aula de Educação Artística. No último horário, a noite, em escola pública e na sexta-feira! rs rs
Ah, seu eu fosse tão forte quanto ela!




quarta-feira, 13 de maio de 2015

Cortes de cabelo revolucionários e os poetas ecológicos

NIETZSCHE APAIXONADO
Tanta energia não usada entre nós, humanos. Nas ruas das grandes cidades. Tanto desperdício! Os poetas de hoje poderiam ajudar a resolver isso.

LÚCIO FLÁVIO PINTO E SUAS LIÇÕES AMAZÔNIDAS
Jogos do poder. Lealdade ao chefe, como uma virtude. Um truque conhecido: uma demissão coletiva em uma secretaria pode ser usada para se colocar quem os poderosos querem.

ENSAIO SOBRE A TRISTEZA BRASILEIRA - Paulo Prado
Dois mineiros pioneiros de nossa luta patriótica: Domingos Vital de Barbosa e José Álvares Maciel.
Muito entusiamo, muita imitação da Revolução Francesa por aqui. (Inclusive nos cortes de cabelo dos revolucionários brasileiros! rs rs)
E todos querem conquistar a opinião pública, também chamada de "a senhora do mundo".
E de palavrinhas bonitinhas a palavrinhas bonitinhas, criou-se aqui no Brasil uma regra das discussões políticas. Muita atenção às palavras, o que não acontecia com as atitudes.
O Movimento Romântico realmente floresceu aqui naqueles anos. A quantidade de filhos brasileiros do Jean-Jacques Rousseau não foi brincadeira!


terça-feira, 12 de maio de 2015

Válvulas na cabeça, sejam felizes, amebas e a desigualdade entre humanos

Criatividade e imaginação tem custo. Cabeça sempre no mundo da lua e quando começo um trabalho eu demoro, como se na cabeça tivesse válvulas a esquentar.
(A minha família já teve uma televisão em preto e branco que era valvulada. Eu adorava acompanhar as válvulas "acordando".)

Houve uns problemas de saúde na família, por isso me afastei um pouco daqui. Estou voltando aos poucos. 

Hoje é dia do Will Durant, mas vamos começar com um aforismo de Nietzsche. Longo e difícil, mas o bigodudo alemão, a gente sabe, recompensa.

NIETZSCHE APAIXONADO
O Novo Testamento é o livro que contém a chave da felicidade: a segura e íntima felicidade por uma crença e a satisfação de possuir em você a verdade
Um livro amigo e que tenha, dentro dele, em suas páginas, tudo, tudo mesmo para a gente.
E se é assim com um livro religioso, como deve (ou deveria ser) com qualquer livro científico? 
Vamos continuar com a ciência aqui. Tem coisa mais humilde, sem egoísmo, do que a ciência?
Ao mesmo tempo, um Eu alegre e criador é muito valioso para a ciência!
E criamos e fazemos a ciência porque precisamos.
E sabemos o quão pouco isso resulta e sabemos o quão pouca fé nós homens de ciência precisamos.
E vocês, religiosos? Vocês demonstram em seu rosto, nos olhos a sua bem aventurança?
Não, vocês não demonstram. Se demonstrassem toda a fé que possuem, toda alegria que dela decorre; então todas essas discussões inflamadas em que vocês participam, todas essas discussões e defesas da sua fé seriam supérfluas. Nem seus textos sagrados seriam obrigatórios, pois as suas palavras estariam vivendo, nadando, crescendo e multiplicando em seus corações.
Mas não é isso que acontece com vocês. 
Da nossa necessidade de ciência vem a nossa obra e vida, mas com os religiosos cristão acontece o contrário: como não esta no coração, a devesa da sua fé é na verdade a prova da falta dela!
Se Cristo queria salvar o mundo, o serviço ainda não terminou.

LÚCIO FLÁVIO PINTO E SUAS LIÇÕES AMAZÔNIDAS
Se fosse assim, o governador e o prefeito estariam certos. Mas... Mas... 
O lobista estava conversando normalmente, mas quando percebeu o perigo ele saiu correndo. 
Empreiteiras e sua influência no Brasil: elas mandam mesmo. Tudo bem, continuamos as obras; afinal, a dívida com o poder público continua... A outra opção seria simplesmente ir embora e adeus obras, adeus população ficando sem ajuda.
Política sem ideologia, sem uma visão de mundo. Uma ameba cinzenta, sem forma ou projeto, movendo-se de acordo com as forças do momento. Aí você muda de opinião, amigo vira inimigo de acordo com a conveniência. Respeito aos eleitores e a própria memória sequer são consideradas.

WILL DURANT CONTA A NOSSA HISTÓRIA
Por que o comunismo primitivo desapareceu ao alvorecer da civilização? 
Era preciso desenvolver-se, produzir mais, criar, poupar, dividir o trabalho e tudo isso não era mais possível com o comunismo. A vida tinha mudado.
Comunismo era perfeito nas crises, dava segurança e dignidade a quem precisava de ajuda naquele momento de pobreza. Mas o comunismo não os tiravam da pobreza.
Mais família e menos tribo. 
Um homem forte sai da segurança da família e começa a aventurar-se e a conquistar terras. A moeda nasce e facilita a circulação de riquezas. Direitos tribais renascem de outras formas.
A ideia de propriedade privada já esta madura.
E também surge a escravidão. Os fracos, os endividados, os criminosos e os derrotados de uma guerra eram escravizados.
Guerra e escravidão, uma relação circular e sangrenta.
A escravidão também nos deu a disciplina para o surgimento da indústria: o hábito de se trabalhar em um serviço duro, por assim dizer. 
A diversidade entre humanos, a divisão do trabalho, a agricultura, a escravidão, a propriedade privada, a família patriarcal, a herança ajudando a definir ricos e pobres, o estado surgindo para organizar e não permitir que o conflito interno destruísse tudo. 


domingo, 10 de maio de 2015

Girassóis.

Escrever muito e escrever pouco. Escrever quando necessário e quando é a melhor alternativa.
E escrever aquilo que presta.

Hoje
Vamos escrever que os girassóis reapareceram e estão fazendo o amarelo explodir em minha vista.
E isto é maravilhoso.

sábado, 9 de maio de 2015

secretario e dj

Estou negligenciei um pouco as fotos e a rádio comunitária. Já esta tudo voltando o normal, mas é bom registrar o que aconteceu.
A Super Nova FM esta e não esta na internet, isso me deixou meio bravo. Bah! Acabei desanimando.Sobre as fotos é que voltei aos livros. Assisti a umas palestras, pelo YouTube, do Leandro Karnal e Clóvis de Barros Filho, e cismei de voltar aos meus livros amados.

[ Pesquisando as músicas de Rolando Boldrin. Uma música, "Caçada" de Chico Buarque, com Boldrin e Lurdinha Pereira, é perfeita. Estou escutando ela sem parar. Maravilhosa, maravilhosa!]

Tinha que escrever sobre Paulo Prado, Nietzsche e o Lúcio Flávio Pinto. Desta vez não vai dar. Sábado na radio me esgota. Mistura de secretário e dj por cinco horas sem pausa!

sexta-feira, 8 de maio de 2015

O nosso José e o Joaquim que eu esqueci

Um belo desafio: devorar "Os Sertões", de Euclides da Cunha. Clássico da literatura e do pensamento brasileiro, conhecido por ser de leitura difícil.
Quando li uma pequena antologia de crônicas do Lima Barreto tive uma prévia do desafio. Cada pequena crônica me fazia ir ao dicionário umas seis vezes. Pelo que pude observar, com Euclides da Cunha vão ser seis idas ao dicionário por linha!

A questão, claro, não é o esforço físico de ficar pegando e pegando o dicionário; mas a abstração que isso gera durante a leitura e o que compromete a compreensão do texto. Tive uma pequena amostra disso quando, logo após a faculdade e durante uma aventura em um emprego, comecei a ler "A Hora da Estrela", da Clarice Lispector. Susto. Era muita abstração, não conseguia imaginar o que a Clarice queria dizer-me. (Acabei não lendo o livro, por orgulho e preguiça).

Mas para enfrentar o Euclides encontrei uma ajuda inesperada: o Joaquim Nabuco! É que depois de narrar aqui uma leitura de "Retrato do Brasil" do Paulo Prado, eu faria o mesmo com "Os Sertões"; foi então que eu lembrei que já tinha lido um outro título da antologia "Intérpretes do Brasil", da Editora Nova Aguilar. Era "O Abolicionismo", do Joaquim Nabuco. Tinha me esquecido, então eu termino com Paulo Prado e depois vou com o Nabuco, o que vai dar mais tempo para eu ler e começar a escrever a narrativa de minha leitura de "Os Sertões". E vou começar ainda hoje porque sei que o trem vai ser bruto e vou precisar de muito e muito tempo.

Mas antes, vamos voltar ao Paulo Prado e seus retratos interessantes.

Triste, óbvio e confiante: era o romantismo que nascia no Brasil.

Romantismo: sentimento e pensamento. Ambiguidade.
Sentimento romântico: lirismo e pessimismo.
Pensamento romântico: "ao contrário, é uma afirmação de generosidade, de ardor, de fé no inesgotável poder do espírito humano".

O ocidente inteiro tornou-se romântico. Antes da Revolução Francesa, a América já iniciara sua libertação. A multidão leu Rousseau e decorou todas aquelas frases de efeito para ajudar na luta contra todos os tipos de tiranos. "Inventa-se a retórica política."

Precursores da Revolução Francesa: Brissot e Raynal.

Pernambuco, 1817 e 1824: o Romantismo mostrando suas garrinhas aqui.

Um estudante brasileiro é o autor de nosso primeiro grito de independência. Ele se chama José Joaquim da Maia e conseguiu entusiasmar um entediado Thomas Jefferson naquele encontro que eles tiveram. Mas vamos escutar um pouco o nosso José Joaquim da Maia:

"Eu nasci no Brasil. Vós não ignorais a terrível escravidão que faz gemer a nossa pátria. Cada dia se torna mais insuportável o nosso estado depois de vossa gloriosa independência porque os bárbaros portugueses, receosos de que o exemplo seja abraçado, nada omitem que possa fazer-nos mais infelizes."

José Joaquim da Maia estava se dirigindo a Jefferson e pedindo ajuda dos Estados Unidos para a independência do Brasil.
Podemos atualizar um pouco isso e, por exemplo, trocar "Portugal" pelos "políticos brasileiros que nós brasileiros escolhemos".





Como, Turner? Seja rápido, Lúcio. A Érika encanta e o Frederico complica.

O comércio assustou todos os nossos antigos antepassados, trazendo a necessidade de propriedade privada e governo. Por exemplo: propriedade mesmo era apenas aquilo que era de uso estritamente pessoal, houve um esforço gigante para que a ideia de propriedade privada se expandisse.

A terra era da comunidade que ali vivia, o que era tão óbvio quanto respirar o ar, beber a água dos rios e dormir sob o cobertor formado por estrelas.
Esse comunismo primitivo estava em todos os lugares. Mas não seria assim para sempre.

Uma grande família era a comunidade e uma família feliz. E o que acontece em uma família feliz? Dividi-se e aproxima-se.
Como alguém pode passar fome se tem tanta comida por ai, bastaria dar. Foi o que o nativo samoano contou ao Turner.

As duas palavrinhas que apagam em nossos coração a caridade e acendem outro fogo, o fogo da cobiça.
Que palavrinhas são essas?

Obrigado, Will Durant!

Golpes baixos é o que pode-se esperar ao enfrentar grandes grupos de comunicação.
- Oh, somos pela liberdade!
- Oh, somos pela democracia!
- Oh, somos pelo livre debate de ideias!
- Oh, não somos e não vamos ser uma Cuba e um Irã!
Tudo mentira, esse pessoal, se batido de frente com argumentos e firmeza; vão apelar e querer acabar com você!

Cuidado para não ser um jornalista usado! O cara te enche a bola, elogia, te trata bem, traz cafezinho e sorrisos, promove conversar espetaculares e etc, etc. E fica feliz quando você escreve reportagens que desagradam um inimigo.
A política é algo tão dinâmico que você pode ser usado sem perceber e sem querer. Atenção total e sempre!

A verdade não tem partido e se você for um bom jornalista a tendência é mesmo ofender todo mundo.

O cara é eleito e imediatamente os parentes todos começam a ficar muito, muito "felizes".
LÚCIO FLÁVIO PINTO E SUAS LIÇÕES AMAZONIDAS

Sócrates e Jesus se suicidaram? E mentiram sobre isso? Nietzsche acredita que sim.

O grande segredo do cristianismo: falar de amor. A palavra "amor" é tão sugestiva, rica, atraente que ninguém poderá resistir. E ninguém resiste.

A imagem e semelhança e cobrar do humano apenas tudo aquilo que ele seja capaz. Mesmo que seja pura bobagem, a profunda e sincera crença nessa perfeição pode tornar a vida na terra feliz. Então a ilusão cristã pode acabar dando certo.

Quando a gente olha onde o protestantismo nasceu e por onde mais facilmente se fixou, podemos ter algumas pistas sobre o futuro do catolicismo.
(Nietzsche, neste aforismo que estou comentando aqui, usa "cristianismo"; mas acho que ele se refere é ao catolicismo)

[ Lendo e escrevendo sobre Nietzsche e encantando-se com a beleza de Érika Machado ]

O protestantismo se espalhou e teve um começo mais fácil no norte da Europa. No norte as raízes não eram muito profundas, as pessoas não tinham se acostumado tanto assim com a atmosfera e os rituais da Igreja. Ali no norte o protestantismo, como significou principalmente ruptura com costumes velhos, foi principalmente algo intelectual. O que em tempos de perigo tornava a situação mais perigosa e fanática. No sul o catolicismo era mais arraigado por um "paganismo religioso bem mais poderoso", ali o protestantismo teve mais dificuldade.
O sentimento para consolar-se neste mundo descristianizado, o sentimento que acredita na magia: a gente reza, Deus faz o resto. Meio preguiçoso, não?
(Aforismo este muito difícil de compreender e de recontar)
NIETZSCHE APAIXONADO

quarta-feira, 6 de maio de 2015

A Periferia quase chegou lá e Nietzsche falando em "doçura"

Países da periferia capitalista vendiam matéria prima para a Grã Bretanha e com isso tinham divisa para pagar os investimentos da mesma Grã Bretanha fazia nestes países.

A manutenção do ouro como referência do câmbio nas transações comerciais internacionais e o papel de destaque da Grã-Bretanha nesse novo mundo que nascia. Ao menos por enquanto.
E o papel do Brasil, em 2015, no comércio na América Latina? Acho que deva ser até razoável, mas a influência política deve ser maior.

O protecionismo dos Estados Unidos e da Alemanha naquele final do século XIX e começo do século XX foi importante para estes países, depois de algumas décadas, ultrapassar os britânicos?
Ah, não entendo de economia (na verdade estou pela primeira vez lendo um texto com esse assunto), mas eu lembro desse assunto específico: protecionismo. Muitos reclamam que isso é nacionalismo, logo, é ruim; teve também, no mesmo Brasil, o episódio ocorrido nos anos 1980 sobre protecionismo para a tecnologia nacional. A ideia era bonita, mas algo errado ocorreu e ficamos uns 15 anos atrasados diante do mundo.

Houve um momento que as matérias primas eram vendidas a preços bem altos. Países que valorizaram a agricultura se deram bem.
E no Brasil a gente da dinheiro público para grande produtor rural e depois produtor rural reclama da infra estrutura. Entendo nada!

Canadá e Argentina se destacaram também, uma vez, nesse período.

Exportação de produtos foi importante, mas o capital puro dos países-chave circulando entre os países foi ainda mais importante. Coisa relativamente abstrato. Acho que tipo especulação financeira? Não sei, acho que ainda não.

O dinheiro costumava ir para países europeus e para os Estados Unidos, depois, já no comecinho do século XX, o dinheiro dos grandes ia para os países pobres da periferia do capitalismo. É quando, podemos dizer, a América Latina foi descoberta. Para sua glória e tragédia.

A Primeira Guerra Mundial mudaria completamente este cenário. O Cáucaso, usado pelos britânicos e franceses, não mais teria como enfrentar a Standart Oil dos Estados Unidos e aquele cenário econômico com muitos atores acabaria. O mundo seria apenas de meia dúzia e olha lá!
Adeus padrão-ouro
Adeus da Grã Bretanha ao livre comércio
Adeus altos preços das matérias primas
Adeus dos países agrícolas da periferia capitalista à sua digna prosperidade (e eles nunca mais saberiam o que é isso: prosperidade)
Adeus ao movimento livre de capital como antes
Adeus ao movimento migratório que havia
e
Bem vindo nacionalismo econômico.

Obrigado, Malcom Falkus!

As coisas boas sempre foram boas? Não podem ter nascidos más? 
A ciência não nasceu do jeito que a gente olha para ela hoje, por exemplo. A ciência nasceu no meio a segredos e segredos.
O que hoje é bom uma vez foi novo e por ser novo o seu parto foi doloroso e em meio a um mundo que não concordava com o seu nascimento.

É muito importante para a educação ter a espontaneidade.
Egoísmo pode motivar você a começar a caminhada em busca da virtude. Acontece sim. 
Tudo bem, não esquente muito a cabeça com isso. Caminhe!
Você alcança a virtude e a virtude alcançada deixa tudo muito bem. O egoísmo, agora, não era a única força motivadora. 
Estimular o aluno segundo sua individualidade e, depois, a virtude faz o resto do serviço "acrescentando maturidade e doçura".

Nietzsche falando em doçura!

(Ah, mas Nietzsche no próximo aforismo já vai puxar a orelha dos cristãos! rs rs )

Os cristãos precisam de bons modos, de terem alguma etiqueta ao rezar.
Quando rezam para Deus e os santos, o fazem de uma maneira que deixa os outros humanos irritados.
Quando rezam para o humano, o fazem de uma maneira que deixa Deus irritado. 
Uma reza que seja, não apenas sincera, mas também pacífica.


Natureza e ecologia. E respeito.
Devemos igualmente respeitar uma pessoa religiosa e uma pessoa não-religiosa.
Quando estamos com uma pessoa não-religiosa, na verdade estamos viajando de balão, na maior altura possível. Acima das nuvens, no céu mesmo. Em meio a correntes de ar poderosas que ali nasceram.
Quando estamos com uma pessoa religiosas estamos no chão, no meio de uma floresta amazônica, embaixo de árvores gigantes e cheias de folhas, cheia de sombras e seivas e também cheia de paz.
NIETZSCHE APAIXONADO


terça-feira, 5 de maio de 2015

Cada um por si e todos lavando as mãos

Batteries Not Included (1987) O Milagre veio do Espaço (1987).
Assisti hoje, depois de mais de 12 anos.
"Ando tão a flor da pele..."

Até aquele cantor de fado, lá em Portugal, é um ser alegre se comparado que os nativos deste Brasil que nascia em meio a doenças, natureza indiferente e cachaça.
Duvida? Olhe as produções populares! Olhe o que o povo cantava nas ruas, com atenção! Notaram a tristeza?

A metrópole indiferente com as necessidades e particularidades da sua colônia. Não se importavam conosco.

O pai é sinistro
A mãe é escrava
O filho é fraco
FAMÍLIA BRASILEIRA nos primeiros tempos.
(Preciso ler esse tal de CAPISTRANO DE ABREU!)

Eles chegaram ao Brasil.
Fazer o que? Amar a terra, amar a própria vida?
Os primeiros brasileiros não se mataram (como seria mais razoável dado o estado de espírito que emergia nos primeiros documentos oficiais daquele período), apenas legaram a nós essa secura, indiferença, ganância rápida, luxúria doente e raiva.

Um dia, uma semana, um mês, um ano, uma década, duas décadas...
CADÊ A P***** DO PATRIOTISMO QUE NÃO NASCE????
Washington rapidinho rapidinho morreu de amores pela sua Virgínia e aqui o Brasil vai ser uma monarquia independente e nada de patriotismo.

Os brancos tinham orgulho de sua descendência, vieram os escravos e surge aquele monte de filhos fora do casamento. Resolveu-se a questão com o surgimento da figura do "enjeitado" que - olhe que curioso - despertava entre o resto da população um "carinho quase supersticioso".

É a hora do trecho famoso e polêmico do Paulo Prado falando da escravidão negra no Brasil.
Não, não, não vou citá-lo aqui. Leiam vocês.
É, parece mesmo racismo sim. Triste isso, Paulo.
= (
O jeito é ficarmos com uma conclusão mais geral: a escravidão foi uma desgraça a todos, a todos.

Brasileiro e a autoridade.
O jantar estava animado na cidade. Chega o poderoso e tudo continuou soturno até o fim.

Ah, claro. Vira e mexe tem um assassinato no meio da rua.
(E naquela época já devia ter algum responsável falando que ia se importar e resolver)

A escravidão e o sexo.
Corrupção em todos os setores da sociedade.
Eu disse "em todos".
O sentimento de culpa era aplacado em alguns casos com ajuda da herança. O padres usavam muito disso.
Mas se você fosse um negro idoso ou doente, ninguém se importaria com você.

Um escravo ocasionalmente tornava-se um alcoólatra. E la ia o escravo ser punido tendo que andar com uma máscara de ferro pela cidade do Rio de Janeiro.

Não havia escova de dentes na mais rica e importante cidade do Brasil e você me pergunta se havia escola para crianças????
(A Igreja ensinava a seguir a carreira eclesiástica, educação como a gente entende as crianças que podiam aprendiam nas lojas dos pais)

Alguma coisa boa poderia ter saído da fúria pelo ouro que havia no interior do Brasil, mas a administração portuguesa e a que seguiu ela foi estúpida e acabou tudo numa selvageria mesmo.

Ah, teve religiosos famosos e poderosos fazendo barraco no meio da rua por ciúmes de mulata também famosa!
Ah, mas essa eu queria ter visto!

300 anos passaram rápido e não era exatamente uma nação que tínhamos aqui.

ENSAIO SOBRE A TRISTEZA BRASILEIRA - Paulo Prado.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Origem do Harry Potter e o Diogo que vê lulistas

Humildade. Humildade com os povos simples, eles fizeram a parte mais difícil da história da civilização. A mudança mais radical foi obra deles! Da Grécia e Roma antiga até os dias de hoje, podemos dizer, apenas acrescentamos alguns toques de verniz: um pouco de beleza e algumas palavras.
É sério isso: antes de chamar esses povos simples em suas cabanas e cavernas de "selvagens" e "brutos"; temos que considerar a herança que nos legaram.

Selvagens transmitem aos filhos a sua cultura, os hábitos e as instituições que a tribo contém. Essa transmissão não é coisa pouca. É muito.

PRIMITIVOS e os LITERÁRIOS
Uma sugestão de termos a serem usados, por Will Durant.

Pensar no dia de amanhã e guardar o excesso de comida pode ser sinal da ansiedade e origem da propriedade privada; mas também é uma das origens da civilização. Planejar e prevenir.

Suprema sabedoria seria: só preocupar-se quando preciso.

As habilidades manuais dos povos primitivos! Um desses momentos em que podemos dizer de verdade: exagerar nos elogios aqui é impossível!

Caçávamos e caçamos. E gostamos disso. Organização que esta na origem da economia e da estrutura do Estado. Caça e riqueza.

Um dia chegará que o humano não dará motivos de hostilidade e de medo aos seus irmãos da natureza. A qual o humano deve respeito e cuidado.

Saber diferenciar a atividade que faz parte da natureza humana e existe enquanto existir humanos e aquilo que é apenas estágios de desenvolvimento econômicos e esta sempre mudando radicalmente.
A caça faz parte do primeiro elemento.

Aquele filhote selvagem foi trazido para cabana para brincar com as crianças. Cresceu e ninguém se lembrou de comê-lo. Era o início da domesticação de gato, cachorros e outros.

As mulheres deram o maior presente que já houve no mundo econômico: o nascimento da agricultura.

[ Uma vez assisti a uma palestra do Mário Sérgio Cortella em que ele mencionava uma das poucas regras que na Ordem de São Benedito causavam a expulsão imediata de quem a descumprisse: a regra 39, a que reza que é proibido a um monge ficar resmungando.
Pois, pois na minha casa isso é quase obrigação e tradição ]

PROVISÃO
PROVIDÊNCIA
PRUDÊNCIA
resumindo: SEJA AMIGO DO TEMPO

Fala + Agricultura + Escrita

A incerteza quanto ao futuro aumentou o tamanho de nossos olhos e barrigas: somos onívoros.

Canibalismo sofisticado.

A descoberta do fogo organizou o nosso comer.

"Temos que respeitar nossas recíprocas ilusões." - Will Durant.

O fogo ajudou o humano a vencer o seu mais poderosos inimigo daqueles primeiros tempos: a escuridão.
(Assim, não é? Oficialmente. Oficialmente. A escuridão tem muitas máscaras, mas felizmente o fogo também.)

Fogo foi usado de mil maneiras, incluindo ser objeto de fé.

"... porque a maior parte da história é suposição e o resto é preconceito ..." - Will Durant.

Esquimós maravilhosos.
De repente eles resolviam praticar um jogo. Um grupo se reunia e ia para um lugar afastado pensar em problemas e quem desse a solução melhor o jogo ganhava.
Esquimós maravilhosos!

Levar um ano tecendo um único vestido. Harmonia com o tempo é algo que seria interessante perguntar como essas mulheres das Ilhas de Aleutas, conseguiram.

Argila.

Onde a natureza acaba?

Porcelanas da China e as telhas de Nínive.

Algumas tribos produziam um produto melhor que outra tribo. Produziam mais. Nasce a troca, nasce o comércio. Legal que alguns nomes tem origem nessa época antiquíssima e estão relacionados à habilidade especial que determinada tribo tinha. Por exemplo: Potter pode ter origem em uma tribo que sabia fazer óleo ("Potter" em inglês) e vendia para os vizinhos. Uma boa hipótese essa.

A origem da moeda é bem recente ("recente" em se tratando do período histórico aqui) e surge só depois que a mineração entra em cena. Antes era troca. A cabeça de gado era o favorito para a troca.
ca ca ca cabeça de gado ca ca capital. rs rs Mais ou menos por aí.

A escrita nasce quando muita coisa já estava pronta e madura.
Obrigado, Will Durant!

"Os lulistas reclamam da imprensa. Não entendo o motivo. Lula já teria sido deposto se jornais, revistas e redes de televisão não estivessem tomados por seus partidários."
OBSERVATÓRIO DE IMPRENSA - Diogo Maianardi
(Revista Veja em sua edição de 7 de dezembro de 2005.)

domingo, 3 de maio de 2015

Brasil vai entrar no século XX e o Ambrose Bierce encantou o Millôr

A volta continua. Agora é para os braços da menina dos olhos da biblioteca comunitária que estamos construindo em casa: A HISTÓRIA DO SÉCULO 20, da Abril Cultural. 7 volumes grossos comentando praticamente ano após anos, de 1900 a 197... Esqueci, o último volume não esta aqui comigo.
Delícia, delícia. Delícia sem fim. 

Globalização é coisa antiga. O que chamamos hoje, 2015, de "globalização econômica", já estava bem madura por volta de 1914.

A Inglaterra era a primeira e única nação industrializada, mas aquilo não duraria muito. Outras nações iriam seguir este caminho.

Quando um país industrializava-se, o que acontecia? Havia uma concentração populacional e isso gerava demandas diferentes. Precisava-se de produtos agrícolas e matéria prima para indústria. A autossuficiência dos séculos de agricultura não era mais possível. Agora as nações tinha que negociar e negociar de maneira nova.

Produção é riqueza e a indústria produzia mais que a agricultura. Os países industrializados eram mais ricos que os outros que eram apenas ou prioritariamente agrícolas.
Bom momento para lembrar de, caminhando pela cidade, ver aquela primeira página da revista CAROS AMIGOS falando da desindustrialização do Brasil. Não comprei e nem tenho o costume de comprar essa revista, mas o importante é lembrar o ano: 2013 ou 2014. Acho que era 2013 mesmo. 

Comprar é bom. Principalmente quando a gente precisa e pode. Os primeiros países industrializados queriam e podiam. Muita importação, muita riqueza acumulada. Vamos investir em países da periferia capitalista? Malha ferroviária, instalação de postes de luz, essas coisas cada vez mais importantes neste início do século xx. Aí fica mais barato importar deles.
Lembram do "Luz para Todos", do Governo Lula; e daquele filme sobre o chinês fã de luz elétrica que vive sendo reprisado pela TV Cultura?

Você imita, se inspira naquilo que é bom. A industrialização permitiu transferência eficiente de tecnologia. Um país tinha, o outro dava um jeito de ter também. 
Dos atores envolvidos o mais importante foi a locomotiva e a malha ferroviária. 
Que o Brasil destruiu de vez nos últimos 30 anos.

A migração de pessoas foi um fenômenos sem precedentes que mudou tudo. Difícil abordar esse tema em um único post.

China e índia importavam mão de obra para países periféricos do capitalismo em regimes próximos da escravidão. 
Escravidão! 

Fim da viagem pelo tempo. Obrigado Malcolm Falkus.

"Fechei o livro. Por que continuar a ler, diante dessa definição tão definitiva, e universal? Tudo é assim, em todas as circunstâncias, em todas as filosofias, em toda a vida: Branco é Preto."
NÃO CHEGA NÃO, MERMÃO? - Millôr Fernandes.

    

sábado, 2 de maio de 2015

CONESTAGGIO E A METADE DO CAPÍTULO

ENSAIO SOBRE A TRISTEZA BRASILEIRA – Paulo Prado.
De volta a este livro. Se é racista, ainda tenho dúvidas; se é pessimista ou não – que é outro ponto polêmico a respeito da obra -, eu tenho alguma certeza: é otimista, mas de um otimismo doloroso e forte.

É um livro que fornece imagens interessantes e ele é bem escrito. Merece a curiosidade.
Eu já li ele, a “volta” aqui é a volta para resumi-lo.


No nascimento dos Estados Unidos: rigor religioso, pensamento prático e a longo prazo, liberdade e revolta diante da Inglaterra que abandonara.
Religião e sua disciplina foi fundamental para o nascimento dos Estados Unidos e que a nação estadunidense tivesse esse sucesso que tem hoje. Protestantismo, puritanismo, independência quanto ao rei e a igreja.

E no Brasil? Portugal, quando aqui chegou, não estava muito bem de saúde. Não exatamente por causa exclusivamente dos nossos patrícios: era o momento europeu: 1500 não era 1620.
Conestaggio: “Este havia tido cinco reis no espaço de dois anos, fato raro, talvez único.”
E aqueles reis em pouco tempo destruíram Portugal.
Igual a Roma: ampliou demais o império e isso enfraquecia sua estrutura física e moral.
Uma coisa que se instalara firme e forte? A Inquisição.
Na colônia, no Brasil, não adiantavam os administradores corruptos pedirem algum dinheiro à metrópole; mesmo que fosse dinheiro para ser usado em algo útil.

A escravidão que estraga onde for instalada e “uma mestiçagem apropriada”.

Nossos primeiros portugueses: o anárquico sedento de uma vida livre e o organizador beato.

Sexo + Paixão pelo Ouro = Brasil.
O famoso caso do sujeito que jogou no desfiladeiro duas escravas, depois de usá-las até o esgotamento para que não trabalhassem para outro senhor.
Parece que o desgraçado que fez isso acabou se tornando rico e poderoso.
Olhe os homens que você escolhe para fazer sucesso, Brasil!

Surge o problema do cansaço. Cansaço mental, físico, emocional e que gerava ódio e nojo nos atingidos por ela.

Só ouro e sexo. Visão de mundo pequena. Teatro, pintura, criar cultura e civilização? Não.
Não.

“... até a impassibilidade soturna e amuada do paulista e do mineiro.”

Tristeza? Olhe como eram as nossas canções populares desde o início!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Mergulhando no Pacífico e o reencontro com professores de verdade

HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO – Will Durant
Depois de 8 anos após conseguir o livro. Após anos e anos desejando encontra-lo. Uma grande emoção. Deslizo os dedos pelas suas páginas iniciais com o coração sorrindo. E aquele cheiro delicioso de livro velho.

O gênio e o trabalho.

Ausência de modéstia só de pensar em certos projetos!

Há 5 mil anos atrás Ptah-Hotep nos prevenia que os especialistas são chatos. Principalmente quanto aos nossos sonhos de generalizações e voos amplos sobre nossa infinita herança humana.

Nossas raízes estão no Egito e no Oriente e o nosso futuro está em mais rapidamente possível mergulhar no Oceano Pacífico.

Quando o caos e o medo são vencidos, a curiosidade e o desejo de mais levantam a cabeça e seguem em frente.

Estamos entre eras glaciais? A qualquer momento o gelo pode destruir a nossa orgulhosa civilização. Ou apenas um terremoto mais afoito. Humildade, humildade senhoras e senhores.

Essas palavras do Will Durant sobre os trópicos são preconceituosas. Rs rs Coisa feia, Will!

Não a cria, mas quando a Geografia sorri ela nutre a civilização.

Quando a agricultura consegue fazer o humano parar em um local, este humano acaba domesticando o cachorro e a si mesmo. E a cultura nasce.

Civilização precisa de cidades. Nas cidades todos os caminhos levam e a reunião é uma festa.

Línguas + Costumes + Educação

Uma civilização é conquista diária, depende de cada segundo que estamos dispostos a defende-la.


Será que existe ainda algum católico que segue o quietismo? No século XVII, na Espanha e França, haviam muitos que seguiam.
Vai, vai Guerra Junqueiro (via POBRES – Raul Brandão): “O quietismo beato, apagando o universo, apaga Deus”.


Voltando aos braços de outro mestre: Nietzsche.
Como algumas pessoas pobres, humildes são tratadas no leito de morte.

Tanto respeito e solenidade! Para alguns foi só naquele instante que experimentou-se algum respeito vinda de outras pessoas. Caramba, Nietzsche, não esperava que você escrevesse algo neste tom piedoso!
Uma boa maneira de conhecer o caráter de uma pessoa: saber como ela encarou a morte durante a sua vida.

LÚCIO FLÁVIO PINTO E SUAS LIÇÕES AMAZONIDAS 26:

Em tempos que Eduardo Cunha sorri e fica com brilho nos olhos, como se fosse um garoto apaixonado pela primeira vez (eu não esqueço aquela sua entrevista ao programa de tv Roda Vida da Cultura); e o Renan Calheiros canta de galo com toda força e poder; é interessante notar o que Lúcio Flávio Pinto fala sobre o PMDB do Pará nos anos da década de 1980 e 1990.


Jader Barbalho e o afável Fernando Velasco.

Ideologia nas regiões mais modernas, nas regiões mais atrasadas a máquina governamental é mais poderosa.

Nas eleições, em caso de dúvida, uma tendência é o eleitorado escolher quem já mais conhece.