Voltaire ajuda

Voltaire ajuda

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

HESSE E A VILÃ REABILITADA

Melhor que CINEMA PARADISO. Impossível? Também achava, mas é. Chorei o filme inteiro. Assisti 3 das 4 vezes que passou no Canal TCM. 

Parece que vai chover. Chover depois de meses de um calor inacreditável. Aí chove e novamente fico sem internet. 

Ou vai ver eu queria escrever mais cedo aqui para o blog. Não sei. 

Aliás, o que sei de verdade? O que sei e o que faço com o que sei? O que acredito, de acordo com o que faço?
É preciso ter fé, mas é preciso escolher o objeto de fé. Isso é um tremendo problema para mim.
O que há neste mundo e nesta vida que vale a pena acreditar? E agir de acordo? (Lembro da observação de Nietzsche que nem os mais corajosos agem totalmente de acordo com a suas crenças mais amadas e importantes). 

Voltei a ler Hermann Hesse, depois de muitos meses. Precisei de apenas dois dias para que o ritmo voltasse a ser o que era antes: selvagem, febril e gostoso.

Voltei a ler Hesse porque Hesse é Hesse, mas também por causa dela. E ela reclamava que eu não devia impressioná-la. Então eu deveria fazer o que? O que mais a dizer? Já tinha acabado todas as minhas palavras.

Estava lendo o volume intitulado 

[Pausa. Vou colocar Bach para tocar. Posso acreditar em nada, mas em Bach eu acredito. Isso derrama bênção sobre mim]

"Narrativas" (tradução e apresentação de Lya Luft! A autora de "As Parceiras", que li no colégio. Bem intenso e triste, como quase tudo naquela época.), mas por causa de uma viagem a Belo Horizonte - achei arriscado levar este volume raro -, resolvi levar "O Lobo da Estepe".

Terminei de ler "O Lobo da Estepe" ontem, quando fiz um serviço fotográfico na Câmara Municipal de Rio Acima. Fiz questão de antes de ir lá trabalhar ler as últimas páginas. 
É que eu acredito em nada, mas tento dar um significado bonito a tudo. Acho que no fundo sou um santo sem Deus. 
- Camus, Aldrin? Seja humilde!
- "Nietzsche, um homem religioso mas que não sabia nomear os seus Deuses." - Rubem Alves. Melhorou?

O livro é barra pesada, mas nem tanto. O Lobo da Estepe é desajustado e vive a beira do suicídio. Situação que pode ser resolvida mergulhando no espelho e aprendendo a rir daquilo que vale a pena rir desse mundo e levando a sério o que vale a pena ser levado a sério nesse mundo.

Assim como o Harry do livro eu também não sei jogar esse jogo.


Mas dane-se o livro, que sei porque é um clássico que estendeu sua sombra criativa por todo século XX e ainda hoje esta presente.
Vamos falar da garota.

Uma vez quando ainda conversávamos normalmente, - e como isso era bom! -, falei que não se deve pronunciar o nome "Amor" em vão. Ela concordou.

Eu disse, no texto anterior deste blog, que ela foi a única garota que já amei. Será que até nisso eu falhei, ao citar o nome sagrado?

Penso com frequência que se eu amasse eu leria seu blog e teria criado coragem de marcar um encontro na capital paulista. Isso tudo aconteceu, mais ou menos. Eu lia algumas coisas de seu blog e na última vez que brigamos eu tava tentando marcar um encontro com ela em São Paulo. Acho que eu não conseguia acreditar que estava acontecendo aquilo tudo. Boicote consciente, boicote inconsciente.  

[ Começou um pouco de chuva. A luz acabou e voltou umas 3 vezes e depois acabou de vez. É sábia minha intenção de comprar um no-break como o primeiro equipamento na hora de investir em fotografia digital. Viram? Algumas vezes eu sou inteligente! ]

De repente me ocorreu uma coisa: no começo a gente falava sobre tudo, sem medo; ela era maravilhosa, doce, frágil e me elogiava. Aquelas conversas e ela, aquilo tudo era inédito (e ainda hoje é) e eu fui completamente conquistado. Conquistado mesmo com os dois pés atrás. 
Então aconteceu.
Nunca soube o que aconteceu e isso me deixa alucinado, mas agora, neste instante, me ocorre uma coisa que não tinha pensado antes:
ela me ouvia e era doce e me elogiava para que eu gostasse de mim e crescesse
mas aí eu continuei o mesmo e ela ficou dura como pedra e mesmo assim eu não mudei, não cresci. 
Aí quando demostrei pela milésima vez uma fraqueza minha ela perdeu a paciência. 
Isso faz sentido quando penso em um dos vídeos que ela me mandou: "O Homem que Plantava Árvores".

É uma hipótese melhor do que a que eu me agarrava antes: ela era uma mentirosa, vagabunda, manipuladora de caras carentes como eu e etc. Ah!, ninguém pode explicar a origem do machismo nascente depois de uma rejeição amorosa como eu! Ninguém!

Eu disse que não sabia se a amava, mas há uma coisa que eu sei bem: que foi gostoso ser mau e escrever aquelas indiretas para machucá-la. Ah, mas como foi gostoso aquilo! Me assustei comigo mesmo! Eu fui capaz de externar aquilo!

Foi repulsivo ou pelo menos adolescente, escrever aquilo em público, mas não conversávamos mais e não da para identificá-la. E, a exceção dela, estou pouco me importando com a opinião dos outros. Além do mais eu queria fazer literatura, transformar aquilo dentro de mim em algo universal e útil. Posso, não posso? 

E não acredito que ela tenha se machucado de verdade. Ou será que isso é machismo também, considera-la assim tão poderosa,distante e insensível? Será que eu realmente consegui surpreendê-la? 
Difícil de acreditar.

E agora? Agora acabou. Ela tem os homens que quer e não acredito que eu tenha demonstrado alguma particularidade atraente que crie dificuldade em ser substituída por outro homem. Acabou mesmo. 

Busco uma garota para amar e fazer companhia, mas mais importante agora é mergulhar no espelho e conhecer o mundo.

2015
Apesar das recaídas, estou irreconhecível: não só porque o dinheiro vindo da fotografia esta parecendo, mas porque estou mais ativo e organizado. Meus dias estão mais longos por causa da minha organização. Tem as recaídas da depressão e da falta de sentido, mas estou melhorado como nunca antes. Vou manter o ritmo e desenvolvê-lo. Por mim. Mereço.