Voltaire ajuda

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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Deuses que escovam os dentes e a Verdade depois da Verdade

Preparei um esquema de estudos. Será um milagre se eu conseguir segui-lo. Comprei, acho que pela primeira vez em décadas, uma agenda no primeiro semestre do ano e tenho certeza que ela vai me salvar. É o meu tempo de vida sendo tratado como meu tempo de vida.

Começamos a caminhar com Nietzsche e ele nos leva aos dias felizes da Grécia Clássica.

Excitável em sua sensibilidade +
Impetuoso em seus desejos +
Tão apto unicamente para o sofrimento
=
Criar deuses como quem pede para um fotógrafo registrar um momento feliz de uma família feliz.

Silenos, seu cogumelo; nascer é muito bom!

As divindades ou divindade que determinado povo criou, sabe sorrir? Se sim, é um povo bom. Deve ser por isso que Nietzsche julgava a civilização da Grécia Clássica superior à nossa civilização Judaico-Cristã. Acho que até Cristo concordaria: falam em seu nome e não aumentam a felicidade no mundo? Traidores!

Mas aqui um aviso: o simples e o ingênuo não são exatamente ingênuos e simples. A razão de Apolo tinha que vencer completamente para que produzisse o popular Homero. Era tudo um espelho para que o grego se iludisse e assim melhor deixar a natureza o fazer feliz. E assim foi.

Em meus estudos de Nietzsche um dos meus marcadores de livros é especial. O marcador, esse pedaço de papel que serve para marcar e indicar em que ponto de um livro eu parei, é uma pequena tirinha de história em quadrinhos. Daquelas de apenas três quadros. É de autoria de Chantal. Mas porque escolhi essa história em quadrinhos em especial? Porque Chantal fala de Nietzsche. E ele fala mal.

“O que se perdeu, na evolução do pensamento filosófico, pelas mãos do cristianismo e do racionalismo, foi exatamente a equiparação, na importância, dos raciocínios analíticos e dialéticos.” – Fábio Ulhoa Coelho. Coitado do Aristóteles!

“Uma filosofia sem metafísica deve ser possível, porquanto de agora em diante não há outra alternativa. O fundamento – a “razão cartesiana”, em suma – fazia as vezes de critério A PRIORI para desempatar as teses opostas. A Nova Retórica é, então, o “discurso do método” de uma racionalidade que já não pode evitar os debates e deve, portanto, trata-los e analisar os argumentos que governam as decisões. Já não se trata de privilegiar a univocidade da linguagem, a unicidade A PRIORI da tese válida, mas sim de aceitar o pluralismo, tanto nos valores morais como nas opiniões. A abertura para o múltiplo e o não-coercitivo torna-se, então, a palavra-mestra da racionalidade. (...) Perelman tomou uma terceira via: a argumentação, que raciocina sem coagir, mas que também não obriga a renunciar à Razão em proveito do irracional ou do indizível.” – Michel Meyer.

“Estamos firmemente convencidos de que as crenças mais sólidas são as que não só são admitidas sem provas, mas também, muito amiúde, nem sequer são explicitadas.” – Chaïm Perelman e Lucie Olbrechts – Tyteca.
Palavras retiradas de TRATADO DE ARGUMENTAÇÃO - A NOVA RETÓRICA, Chaïm Perelman e Lucie Olbrechts – Tyteca; Editora Martins Fontes, São Paulo, SP, Brasil, 2005.

Carnaval. Sexo, morte, chuva e alguma redenção por meio da música e dança. O brasileiro é triste, turistas estrangeiros, não se enganem quanto a isso: o brasileiro é triste.

José de Anchieta vai virar santo. É a Igreja Católica querendo mimar o Brasil, mais uma vez, depois que as coisas começaram a ficar feias na Europa.

Estou aqui planejando um novo esquema de estudos e entre as coisas obrigatórias esta, sempre, a discussão e propagação do Lúcio Flávio Pinto e seu “bom combate” em defesa da Amazônia. Pois é digno de nota que, assistindo televisão e ouvindo rádio, a ausência de um território tão grande e significativo beira a indecência.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

ZARATUSTRA: PRIMEIROS PASSOS 1

A linguagem e o conteúdo me espanta. Não era o que esperava. Nem pior ou melhor, apenas diferente.

Sacrifício com orgulho e orgulho sem vergonha.

O humano é uma ponte, um passar, um desaparecer.

Ser generoso.

Roubar as ovelhas dos professores mortos.

Amar é mesmo olhar na mesma direção.

Encontrar ilusão e arbítrio naquilo que considerava mais sagrado. Depois disso você tem o suficiente "para conquistar a liberdade deste amor".

Inocência + Esquecimento + Jogo + Roda girando por si mesma

Um primeiro movimento + Um sagrado dizer: sim.

A triste cidade é uma vaca colorida. É uma vaca, mas como é colorida ninguém percebe que é uma vaca. A situação hipócrita quanto aos nossos valores.

Me transformaram em cinzas, mas eu usei essas mesmas cinzas para fazer minha luz.