Voltaire ajuda

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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

NIETZSCHE APAIXONADO (43 a 46)

 
43
As coisas que movem o coração não são todas iguais, mas achamos que são.
Que são todas coisas fracas e que precisam de ajuda. Nem todas são assim e foi o hábito que nos fez pensar desta maneira.

Mas que hábito? Justamente o fato de mover nossos corações por coisas fracas e que precisam de nossa ajuda. Rapidamente pensamos que tudo que mexa com os nossos corações seja daquele jeito.

Não é não, lembra Nietzsche. Aquilo que é forte e poderoso também pode nos tocar o fundo do coração.

44
Compaixão é bom e todo mundo gosta. Mas Nietzsche faz um alerta: a compaixão tem uma companheira perigosa.

Quem? O desejo inconsequente.
É assim: você sente compaixão e deseja ajudar a pessoa. Certo, mas... Você pode não prestar muita atenção. Você exagera e erra o alvo fundamental, por assim dizer. As consequências da ajuda acabam sendo negligenciadas por você. Você erra na dose do remédio e não se preocupa com as causas da doença, entende?

A compaixão precisa de um momento de atenção e objetividade, nem que seja muito frio fazer isso.

45
As grandes obras de arte de todos os tempos! Como lidar com elas?

Começamos tendo humildade e não cara de pau de dirigir-nos a elas na base do “você”, com uma intimidade que não temos e na maioria das vezes nem merecemos. Um pouco de humildade e respeito não fazem mal aqui.

46

Somos racionais. Gostamos muito de pensar que somos racionais. Animais, mas animais racionais. Orgulho e orgulho grande, dado que sabemos muito bem a dificuldade de sermos racionais...

Então fazemos planos, projetos bem racionais. Sensatos e que estão bem distantes, alheios ás coisas do coração. Do afeto. Mas eis que... Na hora H a coisa não se realiza. Na hora de executar este projeto orgulhosamente racional, o sabotamos em nome daquilo que é orgulhosamente teimoso; justamente a nossa parte não racional. Ah, o coração...

“A razão é escrava das paixões.”; famosa afirmação de David Hume. O nosso Nietzsche acrescenta: além de escrava, a razão é uma vergonha para a vontade.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

NIETZSCHE APAIXONADO (37 a 42)

 
37
Quando o trem ta feio, quando a gente deve no mercadinho do bairro, quando estamos aflitos diante de uma decisão fundamental o u estamos enfrentando um problema de saúde; ainda sim gostamos de pensar no quanto as outras pessoas nos admiram.

A situação é ruim, mas mesmo assim pensar no que os outros pensam a nosso respeito nos consola.

Bobagem? Vaidade? Talvez não, com essa atitude podemos continuar brilhar. Isso mesmo, a continuar a brilhar. Para os outros e para nós.

38
Ficar alegre pó o outro estar alegre? De verdade, de verdade mesmo? Senhoras e senhores, isso é muito raro.
É coisa de animal, mas de um animal superior. Realmente superior.

39
Uma partida de futebol. O goleiro faz uma defesa espetacular, fantástica. Nem ele sabe como fez aquela defesa. Mesmo assim ele banca o falso superior ao reclamar aos seus colegas de time que ele tem que fazer tudo sozinho.

Pois bem, diz Nietzsche, nós todos somos iguais aquele goleiro. Mesmo sem saber como fizemos uma coisa espetacular, fazemos de tudo para parecer que não foi ao acaso.
Nada de acaso, foi culpa nossa. 4

40
Ele pensa, é inteligente. Mas é fraco. É fraco, mas não quer parecer fraco.
Nem que para isso ele tenha que ser injusto e cruel. Ou seja: um idiota.
A vaidade, a vaidade e a soberba...

41
Humilhação é insuportável. Absolutamente insuportável.
Mesmo que seja na forma de uma pequena sujeira quase invisível em um iate de 60 milhões de dólares dado de presente à gente.
Seria humilhação e humilhação é insuportável.

42
A loucura da luta pela fama. Hoje em dia, século XXI ou segunda metade do século XIX, podemos ter aqueles que estão dispostos a queimar e destruir até os seus próprios templos.