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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A ESTRELA DO MAL

CHARLES MASTERMAN e MARIE CORELLI

Excitação pouca é bobagem. É mesmo gostoso de mais estudar história.
Fico aqui tentando imaginar como aquelas drásticas mudanças eram percebidas pela sociedade britânica do começo do século XX.
Já tinha lido sobre isso em George Orwell e seu “O Caminho para Wigan Pier” e estou gostando desse texto do Asa Briggs.

Claro que se eu fosso transportado para lá seria difícil perceber algo. Tipo assim: sempre vai haver otimistas, pessimistas, ingênuos e irresponsáveis... Em Londres de 1901 ou Belo Horizonte de 2012.

Mas olhando com os olhos de 2012 vamos tentar fazer um julgamento justo. Aliás, o próprio George Orwell alerta sobre como é fácil ser injusto olhar o passado com os olhos do presente. “Tipo, como era desconfortável a vida na Idade Média! Eles não tinham aquecedor elétrico e Ipod!”; algo besta assim. De qualquer forma, vou tentar.

George Malcolm Young realmente foi conservador e arrogante. Isso entre 1900 e 1914. Entre seus próprios contemporâneos! Hoje podemos dar-lhe uma colher de chá: esse importante historiador foi apenas ingênuo. Viver como nossos pais, Young? Você podia querer isso, mas todas aquelas mudanças logo mostrariam que você estava enganado.

Herbert George Wells, o famoso H. G. Wells, era otimista também, mas um pouco mais interessante. É algo que merece nossa atenção a sua ideia que o que moveria “o século do homem comum” seria o “estimulante conflito das individualidades”. E assim etapa, por etapa a sociedade progrediria. A utopia seria algo dinâmico e não algo que poderia se chegar assim, de uma hora para outra.

Mas o que mais me tocou mesmo foi a questão levantada por Charles Masterman, membro do Partido Liberal.
-A vida será mais rica e feliz, se comprar carros e aceitar como algo normal o constante aumento de despesas? Existo, logo compro?

Mas as palavras fortes mesmo ficam para o final.
Com vocês a escritora Marie Corelli:
“Nossa estrela do mal, a estrela do mal de todos os impérios se elevou além do oriente; falando claramente, ela inunda o firmamento de tanta luz e brilho que é muito difícil perceber qualquer outra luminosidade. E seu nome é Avareza. Riqueza em excesso – riqueza aos montes -, riqueza em fatias grandes, desajeitadas, impróprias, ilusórias, como que por acaso, por um lance de dados, acumulada por às custas das pessoas incultas e analfabetas, que, curvadas como mulas de carga sob o peso de fardos dourados, ignoram completamente quais sejam os elevados usos desses fardos. Quer o futuro esteja ou não com o Homem Comum, o presente é do milionário. Homens de grande reputação por seu saber , seu mérito e sua bravura são tirados do caminho para dar passagem ao tráfego motorizado dos ricos influentes, que, graças a golpes desaforados, atrevidos e petulantes, conseguem gritar insistentemente aos ouvidos daqueles cujo grande privilégio é o de “conduzir” as questões sociais.” UAU! UAU!UAU!UAU!

(Obrigado Asa Briggs e Abril Cultural)
LONGA VIOLÊNCIA: A HISTÓRIA DO SÉCULO XX 9

 
NIETZSCHE APAIXONADO 9:

Eles escolhem a virtude, mas em seus sonhos fingem que não.

CRÉDITO DAS IMAGENS USADAS AQUI:
A fotografia de Charles Masterman foi encontrada no site da The Spartacus Educational Website , mas especificamente aqui .
A fotografia de Marie Corelli foi encontrada no site Aunt Violet's Book Museum (a home for decayed gentlewomen) [algo como "Para Damas Decadentes"]; mas especificamente aqui .
Não foi possível identificar a autoria da fotografia do bairro londrino East End, mas ainda tenho esperança.

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