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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

ME DESCULPE, TOM WOLF!

Alfred Dreyfus, Émile Zola e uma camiseta amarela com o título do artigo de Zola.

Eu só recortei a foto. Grande, ocupando duas páginas. Um pescador de Porto Rico ataca, com um estilingue, um barco da marinha dos Estados Unidos. Pesca ilegal ou mais provavelmente invasão de território. Sei lá porque um pescador de Porto Rico e um barco da marinha estadunidense iriam se estranhar.

O que me importava era a foto e a foto era boa. O fotógrafo ou fotógrafa esta no barco dos pescadores e “pegou” um ótimo ângulo. Ótimo trabalho. 12 anos depois eu estou arrependido de não ter recortado o ensaio que a foto ilustra: “O Império do Marxismo Rococó”, de Tom Wolfe, celebrado jornalista estadunidense e publicado pela Folha de S. Paulo na sua edição dominical de 16 de julho de 2000.

Tom Wolfe esta preocupado. 1999 virou 2000 e ele se pergunta sobre o futuro de seu país. Será que mudou mesmo alguma coisa, ou os Estados Unidos continuam os mesmos? Poderosos, não seria interessante continuar na mesma? Não exatamente e o império britânico é uma prova: sem perceber, bem no auge, o mais sólido começara a se desmanchar. Poderia perfeitamente estar acontecendo com o império construído pelos Estados Unidos da América.

A Inglaterra teve Rudyard Kliping e a Europa como um todo, Karl Marx e Friedrich Nietzsche como “médicos-detetives” a perceberem que o castelo de valores desmoronava. Era o fim do mundo. De “um” mundo. O mundo europeu. Nascia o século XX. Alguém poderia ser capaz de perceber algo assim para o caso dos EUA? Sim, escreve Wolfe, a conhecida figura do intelectual. O intelectual poderia perceber e alertar quando a inigualável soberania estadunidense começasse a decair.



O problema... O problema é que não temos um intelectual igual ao escritor francês Émile Zola. Repare, o sujeito pesquisou e pesquisou e ficou sabendo tanto quanto qualquer juiz ou advogado envolvido no famoso “Caso Dreyfus”.

O texto, evidentemente, acaba bem antes de seu final. Mas pelo pouco que li a mensagem de Tom Wolfe é clara: o mundo precisa de intelectuais, mas intelectuais iguais a Zola; e não um preguiçosos sem estudo e apenas colecionadores de frases de efeito e implicâncias infantis contra o dinheiro e políticos.

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