Voltaire ajuda

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domingo, 25 de outubro de 2009

MTV Na Rua



Eclesiastes sobre a Sabedoria:
“O primeiro homem não o conheceu como devia, e o último tampouco irá conhecê-lo melhor. Porque seus pensamentos são maiores que o mar, e seus conselhos, mais profundos do que o grande abismo.”
( Valeu Will Durant ! )



Eu acho que entendi o que ela disse. E vou contar a vocês.
A íntegra do discurso no MTV Na Rua:


“Olha, eu queria chorar porque eu não tenho assim... a condição de prever o meu futuro, além do ponto final se tornando uma outra língua brasileira.”

Ela chora porque não pode saber se vai ser feliz no futuro. É a condição humana. Condição fundamental se nos lembrarmos que é no futuro que passaremos o resto de nossas vidas; e o nosso coração vive inquieto, enquanto não repousa nos seios da Esperança.

O ponto final é uma rua sem saída onde param todas as palavras da língua brasileira e todas as combinações que essas formas lógicas podem fazer. Mas sempre lembrando Ludwig Wittgenstein: os limites da linguagem são os limites do pensamento conceitual.

Certo?


“Porque acho que o futuro, a Deus pertence... E Aton... O futuro pertence ao ponto Aton.”

O que existe? “Por que existe algo, em vez de nada?”; como perguntou Leibniz? É a Ontologia, a natureza do ser.
O que sabemos? Como sabemos? É a Epistemologia.

Com o Ponto Aton temos o terceiro elemento para poder formar o trio central da tradição cultural ocidental-oriental.
Simples, mas é assim.


“Porque acho que nosso futuro é muito reluzente.”

Otimismo ingênuo ou algo mais? Reluzente aqui pode significar tanto avanços da humanidade, quanto as luzes do caos.


“Porque no futuro a gente pira.”

Ora, na faculdade a gente sempre acha que no colégio fomos bobos e que poderíamos ter agido diferente; e que o pessoal da Idade Média era mais primitivo que a turma renascentista do Leonardo da Vinci. Então a gente nunca acha que vai mudar no futuro e que voltando para o nosso passado à gente se arrependa. Se essa atitude é um pouco preconceituosa, cada passado é um caso, é uma questão que fica em aberto.


“Não vai ter mais a que (a quem?) se reportar.”

Momento decisivo. Hora se assumirmos a responsabilidade pelo mundo que construirmos. Quando o futuro chegar - e são sempre muitos futuros chegando, o amanhã tem um contêiner infinito e isso é só um dos paradoxos do Tempo – apenas teremos a nós mesmos para reportar o que fizemos de nossas vidas.

Quem está preparado?


“Então as réplicas são constantes.”

Friedrich Nietzsche, Karl Popper, Charler Darwin e Lima Barreto.
A gente acredita em algo e outra pessoa se aproxima e replica, questiona. Assim a Humanidade avança para frente do horizonte. Se não fosse assim, ainda estaríamos nas cavernas e não inventaríamos a roda da bicicleta, por exemplo.

Só dois avisos:
Tolerância não é indiferença.
Evolução não é sinônimo de Progresso.


“Você não pode adequar que sua réplica um dia foi uma inocência, né?”

É novamente o chamado da responsabilidade a respeito do futuro. Daquele futuro mundo que jogaremos sobre a cabeça dos nossos netos.
O que nós construímos? O que destruímos? O que compramos? Quem amamos? Por onde andamos?

Inocência não é essência, ela vem depois que fazemos o que fazemos e faremos e fizemos. O Ponto Atom discorda completamente de Jean-Jacques Rousseau, portanto. Por outro lado, se aproxima da Escola de Pensamento Existencialista dos cafés parisienses.


“Os treplicantes são aquelas crianças que vão defender o futuro Aton.”

Apelo irresistível para cuidarmos da educação de nossas crianças. Quem ousa discordar? Seremos egoístas o suficiente para não preocuparmos com o futuro?

Agora uma nota sobre o termo “treplicante”. Lembram o trecho sobre a importância da réplica para o desenvolvimento da civilização?
As crianças que protegerão o futuro Aton são justamente as crianças que replicarão. Mas não replicarão sem parar, porque aí elas ficariam cansadas e não teriam tempo de brincar. Sem mencionar que replicar sempre seria um círculo vicioso desprovido de sentido.

“Treplicante” faz menção ao número três. Portanto, temos aqui a influência das três épocas da história (Vico) e as três fases da dialética do espírito do mundo (Hegel).


“Aí eu vou explicar o porquê Aton.”
“Porque você nunca sabe de onde vem a Morte.”

Aqui começa a complicar.
Lugar, Morte, relógio... Quem não está familiarizado com o método transcendental de Immanuel Kant pode se perder.

A Morte não acontece, ela chega. Ela chega de onde e por onde ela anda? Kant ensina que não dá para falar do Tempo sem falar do Espaço e vice versa. Ora, é evidente que tem que haver uma mediação. Essa mediação é a Morte. A Morte é a mediadora desse estranho e delicado jogo da qual todo o universo depende.

E o Ponto Atom? Tanto o Tempo, o Espaço e a Morte, são seres metafísicos. Eles não são duros, você não pode machucar o joelho tropeçando neles.

Esse trio precisa de um espelho especial para poder se manifestar no mundo civil dos seres humanos. Lembram do trio Ontologia (ser), Epistemologia (conhecimento) e Ponto Atom (Ponto Atom mesmo)? Agora a nossa Cultura está completa. Temos a dupla de trios responsável por tudo.


“As vezes você pode ta na cozinha junto com o cara, o... E achar que aquele lugar não existe mais, porquê você não pode voltar; mas o lugar existe, ninguém vai derrubá-lo. Então você não sabe de onde vem a morte.”

Aqui é praticamente a mesma coisa, mas sob o ponto de vista individual de uma pessoa apenas. Memória é o elemento principal nesta situação. A Memória que lembra quem nós realmente somos apesar do estresse da vida moderna.

Precisamos recorrer a Freud e Agostinho: a gente não pode perguntar o que foi o tempo que passou, pois não entenderíamos o seu significado. No mais, o tempo que passou está bem lá embaixo da nossa cama-célebro e embora esteja escondida, influencia nossos atos.

Infelizmente os maiores segredos do universo são fáceis se comparado aos mistérios que vivem dentro de nós. Mas podemos ter certeza que, pelo menos, esses mistérios ninguém poderá tirar de nós.
Certo?
= )


“O futuro reside em relutar.”

Novamente a importância replicar, relutar, discordar, dialogar; para que possamos crescer todos juntos. Como o resultado do diálogo entre pessoas diferentes, podemos construir um sonho coletivo que é sinônimo de Realidade.

Como disse o Raul.


“Em fazer uma revolução interna e conduzir até as urnas todo esse sacolejo dos anos que vêm.”

A hora da política. Passamos pela metafísica última e pelo íntimo cerebral de nós, mas chegou a hora da Política.

Henry Thoreau, Confúsio e um pouquinho de Marx.
De Confúsio a relação: “Quando a alma se torna perfeita, o homem está em ordem. Quando o homem está em ordem, sua família... o Estado... blábláblá... o mundo inteiro goza de paz e felicidade.” (o trecho original é mais ou menos assim)
Daí fazer uma revolução interna, uma reciclagem de seu ser todo, é o primeiro passo.

A urnas receberão os sacolejos dos anos que vêm? Marx puro. Toda a infra-estrutura, a inflação, a tensão de classe, tudo culminando na urna e do que dela sair. E o que não sair vai para a lata de lixo reciclável da História.

E o Henry Thoreau? Nada não. É que queria citá-lo. = )


“Por enquanto a decadência digo nada.”

Aquilo de que não podemos mudar e falar deve ser passado em silêncio e permanente repouso. Não é medo, é sabedoria. Não sofrer por causa do passado, pois seria em vão. Os estóicos ensinavam isso na Roma antiga.


“Te amo Alexandre.”

Ama, et fac quod vis.

5 comentários:

  1. 1 – 1 de 1
    ( http://aoredordomundoedentrodemim.blogspot.com )

    Sou obrigada a comentar...
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    O caso ( XcensuradoX ), mas e o seu caso, qual eh???
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Sou obrigada a dar o endereco do seu blog... E serei obrigada a te seguir.
    mas valeu... ri muito mais agora... quanta viagem.
    Publicar Recusar
    07/05/10

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  2. Estudei com ela. Era uma menina diferente e especial. Dava medo? Dava! Era incomprendida? ERA! Lia uns livros que ninguem tinha capacidade intelectual para ler. Nao pelo menos, naquele momento.

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  3. Mara,

    Sem dúvida é uma garota criativa e criatividade é um dom. Dom que também indica inteligência.

    Mas o vídeo é engraçado porque vai de encontro ao nosso senso comum, seja lá o que o senso comum signifique...
    E este vídeo fez sucesso, sucesso da qual eu quis participar um pouco.

    Abraços e obrigado pela visita
    lamento que minha tentativa de humor te deixou triste.

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