Voltaire ajuda

Voltaire ajuda

quinta-feira, 20 de julho de 2017

20 de julho de 2017.

Perdi o meu boné. Dormi no ônibus lotação e, como a janela do banco de trás estava aberta e minha cabeça inclinada, lá se foi ele por caminhos misteriosos. Gostava do meu boné porque ele era discreto. Discreto por ser feio. Muito feio. Preciso de outro boné feio.

Recebi o meu presente de aniversário! Foi hoje! Valeu, Lúcio! É noiz! Sou um Voltaire de meia tigela, mas vou continuar a divulgar a sua luta. De maneira mais eficiente.
Ê correio, correio! Que demora, héin?

O filme é brasileiro e se chama “Sudeste”. A história é interessante, mas o que importa é que a Simone Spoladore esta nele. Simone é a atriz mais linda do mundo. Não sabiam? Então, estão sabendo agora.
Detalhe é que este filme só passa em um canal, o Arte1; que vive reprisando-o. Vive reprisando-o, como é tradição nos canais de TV por assinatura. Mas só passa o filme em horário ruim, pô! Como vou assistir?

Parece que eu arranjei um trabalho meio voluntário. Acho que vai ser bom. Também penso em voltar a estudar. Um curso de culinária básica, só para ser mais útil na cozinha. Anos atrás, quando fracassei em tentar morar sozinho, isso me fez uma falta tremenda. Em uma nova tentativa, eu estaria mais preparado.


Quero ir ao teatro. E quero ir a um show. E quero que os pés de ameixas aqui deixem de manha e amadureçam mais ameixas. 

domingo, 16 de julho de 2017

16 de julho de 2017.

A gente se mede pelos inimigos que enfrenta ou, numa fórmula mais diplomática, pelas batalhas que decide viver. Parece que foi Platão quem nos ensinou isso. Bom, aí é que esta: eu sou grande ou eu sou pequeno?

E sou ansioso. Sou ansioso então eu fico rangendo os meus dentes. Então fico rangendo os meus dentes e isso faz a minha cabeça doer. A dentista uma vez disse que neste ritmo aos 50 anos eu vou estar banguela. Fizeram para mim uma proteção para os dentes, uma coisa parecida com os que lutadores de boxe usam. Qual é o nome desse trem? Sei lá. Fizeram para mim. De vez enquanto uso.

Um convite de última hora. Ansiedade e pessimismo remexendo o lodo do meu rio interno: medo, medo, medo e medo. Onde eu arranjei tanto medo? Onde arranjei essa preferência em me torturar por fantasmas do futuro? Eu não fui a única criança a assistir as vídeocassetada do Faustão no domingo a noite. Eu não fui a única criança com uma mãe e uma avó materna que tinham tanta preferência e gosto por histórias macabras. E um pai que terminava tudo que dizia com um mortal “esta bom, mas e se”. Não sou o único que fica com sentimento de medo e ódio quando assiste aos programas policiais da Record e Bandeirantes.
As cordas da minha harpa interna ainda estão na garantia? Alô, PROCON: troco meu lirismo de meia tigela desses textos meus por sussurros em meu ouvido a dizer: vai dar tudo certo, vai dar tudo certo, vai dar tudo certo, vai dar tudo certo!
(A metáfora da harpa veio a mim pelas mãos de James Joyce em Dublinenses. Por alguma manha da memória, os dois trechos favoritos deste livro nunca se perderam dentro de mim. Sempre que preciso deles eles vem rapidinho ficar na ponta de minha língua a falar e na ponta de meus dedos a digitar, para serem derramados para fora. E olha que faz uns dez anos que li este livro.
Então, já que estamos aí. E é tão chique fazer citações! Me achando um Mario Sérgio Cortella ou um Leandro Karnal da vida! Só que sem a grana que eles recebem para fazer palestras e sem a plateia achando tudo inteligente e engraçado [um pouquinho mais engraçado, do que inteligente, devo confessar baixinho já que eu gosto desses dois...].
Então, já que estamos por aqui.
“Mas o meu corpo era uma harpa cujas cordas vibravam às suas palavras e gestos.”
E
“A fortuna que eu tinha
Impossível contar
E de um nome ilustre
Eu podia me orgulhar
Mas também sonhei
O que mais me agradou
Que teu amor por mim
Nunca mudou”
Dublinenses é um livro de contos de James Joyce. É um grande livro de Joyce e o elogio mais sedutor para quem nunca o leu é este: é um livro de James Joyce e é um livro normal. Recomendo muito. Podem ler sem medo. A única coisa que estranhei quando li este livro é que os contos pareciam terminar de forma abrupta, meio que no susto e choque. Meu conto favorito é o Um Caso Doloroso.)

Olhe o tamanho do último parêntese que usei no último aforismo. Me lembrei de uma professora da faculdade de jornalismo especialista em texto de revistas, a (***censurado***):
- Aldrin, este texto seu tem muitos parêntese e parênteses muitos longos. Isso é ruim, pois o texto fica “fechado”.
(risos)
Gostava dessa professora. E ela ficava muito mais bonita quando prendia o cabelo ao estilo “rabo de cavalo”.
E por falar em puxões de orelhas em textos e salas de aula. Agora desta vez estamos no colégio. Há mais de duas décadas. A professora:
- “Hoje em dia” é nome de jornal. Não usem ou evitem usar esta expressão nas redações.
Quando eu ouvia isso, eu tinha vontade de protestar aos gritos:
- As palavras são de todo mundo! Por causa de uns donos de jornal eu estou proibido de usar uma expressão? Isso é ridículo!
Mas eu nunca falei isso. Eu só comecei a falar o que eu penso muito, muito tempo depois.

Meus aforismos ficaram melhores e nascem mais rápidos depois que eu parei da dar títulos a eles.
Por quê?
Tem alguma coisa haver com liberdade, provavelmente. Mas liberdade em relação a quê?

GURU NANAK: - O que veio fazer aqui na Índia?
- Estou procurando.
GURU NANAK: - Procurando o quê?
- Não sei. Só sei que o que procuro eu poderia encontrar no bairro onde moro. Mas sabe como é; mergulhar no sagrado rio Ganges é mais cinematográfico.
GURU NANAK: - Ocidental muito engraçadinho! Se aquilo que procura sempre esteve no seu bairro, então ele esta invisível a você agora. Para deixar de ser invisível você precisa mudar. Aqui...
- O que?
GURU NANAK: - Quando você terminar a saída e o retorno necessário, não se esqueça de levar estes cartões postais.

Box Coleção Ditadura – Elio Gaspari.
Box Em Busca do Tempo Perdido – Marcel Proust.
Mas realmente eu não tenho um pingo de vergonha na cara. Imagino como eu seria com sapatos se fosse mulher!
SIMONE BEAVOIR: - Aldrin... Aldrin...
Desculpa, Simone. Sei que fui machista. Desculpa, isso não vai se repetir.
Folheando o quinto volume da grande obra de Gaspari:
“No governo do estado havia um novo personagem, Paulo Maluf, disposto a mostrar a que vinha, e seu secretário de Segurança argumentava: “O espancamento às vezes é uma atitude enérgica, mas não tem nada de exagerado”. [16]”
“16. Declaração do secretário de Segurança Octávio Gonzaga Jr., Jornal do Brasil e O Estado de São Paulo, 18 de março de 1979.”
5. A DITADURA ACABADA – Elio Gaspari. (Editora Intrínseca, Rio de Janeiro, RJ, 2016, página 143).
Onde nós estamos em 2017? O Brasil mudou bastante, como podemos ver.
Sobre Proust não há o que dizer de surpreendente: uma das três mais importantes obras de ficção do século XX, lido e estudado no mundo todo desde que veio ao público pela primeira vez. Proust foi tão vitorioso e influente que sou capaz de achar que os sete romances que compõem Em Busca do Tempo Perdido não são tão revolucionários assim; porque, naturalmente, depois de Proust todo mundo começou a escrever como Proust. (Obviamente não é exatamente isso, mas o espírito do trem é esse, vocês me entendem?).

Aí eu aproveito que estou torrando dinheiro mesmo na livraria e compro um Paulo Mendes Campos bem baratinho. R$14,90. Leio algumas páginas e uma daquelas imagens categóricas minhas caem:
- Uai, eu acho que o Paulo Mendes Campos é o parente literário mais próximo que eu tenho?

Entre Franz Kafka e Paulo Mendes Campos existe uma marmota voadora de cabeça para baixo. Eu!

quinta-feira, 13 de julho de 2017

13 de julho de 2017.

Uma pausa nas minhas misérias para falar das misérias dos outros.
E Aécio Neves é ainda mais poderoso do que a gente poderia imaginar. Mas não é sobre ele que quero falar, pelo menos não diretamente.
Não lembro o dia, lembro que foi em uma segunda-feira bem no começinho de junho. Carlos Vianna e Eduardo Costa, dois dos principais jornalistas da radio Itatiaia, comentaram que a carreira política de Aécio Neves “acabara”. Os dois falaram isso. Foi no Jornal da Itatiaia. Menos de 48 horas depois Aécio teve uma ou duas vitórias. E era apenas o começo. E agora, no começo de julho, Aécio Neves esta livre leve e solto, ele sua irmã e aquele seu primo, e brilhando em seu poder.
O ponto aqui é que os jornalistas Eduardo Costa e Carlos Vianna não são como o autor deste texto: não são bobos. Por que eles se arriscaram e deram uma declaração como aquela? Mesmo porque, na história, são muito comuns políticos “mortos” “ressuscitarem”. Óbvio que eles sabiam que Aécio não estava acabado. Por que fazer uma declaração como aquela? Uma declaração tão boba assim?
Tenho um palpite. A coisa é freudiana. Carlos Vianna e Eduardo Costa sabem que a radio Itatiaia sempre apoiou Aécio Neves e seu grupo: o Antônio Anastasia e o PSDB mineiro e etc. Entrevistas em momentos estratégicos, declaração de mais de um minuto (em radio ou televisão, uma fala de mais de 30 segundos já é uma eternidade) e etc. A Itatiaia sempre foi parcial aqui.
Então eles sabiam que dificilmente teriam outra oportunidade. Então eles tentaram “dar as costas”, “superar o peso”, “vencer o passado”. Foi o desespero! Foi sim. Eu senti. Eu senti sim, não me enganei quanto a esta percepção.

Eu, assim como qualquer pessoa normal e de bem, considero o Laerte um gênio do Brasil. O meu personagem favorito dele era aquele Robson Crusoé que fica perdido no meio da metrópole gigante. Adorava as tirinhas daquele baixinho na Folha de S. Paulo. Quando a minha família assinava este jornal.
Se eu ficar famoso e tal, vou tentar pedir para o Laerte fazer para mim um desenho daquele Robson Crusoé.

Comprei um presente. Um cd de música que vou dar para uma pessoa famosa. Conheço o grupo musical, o UAKTI, mas não conheço o cd em questão. Então tive que comprar dois.
Sou uma pessoa de critérios razoáveis. Se o cd for ruim, eu ainda mando; só se o cd for muito ruim é que não mandarei.

“Música é vida interior e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão.”
Não sei por que, mas acabei de me lembrar desse lema que aquele político, o Arthur da Távola, apresentava sempre naquele seu programa de música clássica na TV.
Gostava daquele programa e simpatizava com esse cara. Gente sincera em seu entusiasmo sempre me comove, principalmente se o seu sonho tiver algo de “coisa vã neste mundo cinza e sangrento”. Apresentar um programa dedicado a música clássica no Brasil é justamente um sonho deste tipo. Um dia, em um sebo, encontrei um livro de contos escritos por ele: Leilão de Mim. Nem sabia que ele era um escritor. Comprei o livro. Gostei muito. Muito mesmo. Até do fato do livro ser repetitivo em forma e em conteúdo eu gostei.

Martin. Martin é meu amigo estadunidense. Não o vejo há anos e há anos que eu não troco palavras com ele. F*****!, ele é meu amigo e pronto!
Essas coisas são assim: gratuitas. Se decide e pronto. Nem se eu tivesse dentro de um prédio militar em 1970 mudaria de opinião. Nem se passar 90 anos o trem mudará. Decidi e fim. Decidi e pronto. É gratuito. Não tem motivo ou ciência. É gratuito. Tão vago quanto absoluto. Tão sólido quanto invisível, como um vento eterno.

Claro que é sorte minha nessa história com o Martin o fato dele estar longe e nunca ter pedido ajuda. A distância não seria problema, nessas situações, mas que ajuda eu poderia dar ao coitado? Eu sou uma marmota!
Assim longe e abstrato, posso facilmente pensar nele como alguém para qual eu sou amigo.
Então chegamos a uma daquelas conclusões amargas e maquiavélicas sobre política e vida: é fácil tratar os outros bem quando não se tem intimidade. Então lembramos, mais uma vez, daquelas obras de ficção científica sobre um futuro cheio de paz e vazio de calor humano.

Talvez essa minha solidão tenha essa raiz no fato d´eu não mudar ou mudar tão lentamente. O que eu vou contar? O que eu vou dizer? O que me interessa interessa aos outros? Os outros já sabem que não mudei e assim me conhecem, o que posso fazer diante disso? É uma velha pergunta que carrego: o que eu já tenho?
Quando eu era mais novo, com mais ou menos 15 anos, eu ainda andava pela rua com os olhos sempre mirados ao chão. Hoje ando de cabeça erguida e olho nos olhos dos outros. Mas faço isso protegido pelo meu silêncio. Uma palavra nunca esta sozinha e isso as vezes é perigoso para a nossa fragilidade.
(Na época do colégio eu tinha uma colega que reclamava que eu não olhava nos olhos dos outros para conversar. Então, quando ela conversava comigo, ela desviava os olhos teatralmente para me provocar. Rs rs Onde ela deve estar agora? Ela gostava de mim e como sempre acontece quando a gente gosta, a gente quer ficar perto e mudar, era por isso que ela ficava brava com o fato d´eu não olhar nos olhos dos outros na hora de conversar.)

“Não é pelo Temer, é pelas reformas que o Brasil precisa!”
Depois dessa, vale a pena sair de casa no domingo votar? Não importa se é Temer, Lula, Jader Barbalho ou Tom Cruise na presidência em Brasília; o que importa são os donos da economia e seus desejos. Mas não vou agradecer por ensinarem essa velha lição de maneira tão explícita.

Já falei mil vezes e vou falar de novo: Temer não cai sozinho, ele vai levar o jornalismo da Rede Bandeirantes de Televisão junto. O governismo deles é repugnante. Mas é saudável e didático em um ponto: quem não conhece a imprensa chapa-branca em um país totalitário pode ter um pequeno vislumbre de como ela é: o otimismo irresponsável, os números que interessam, os entrevistados úteis, trabalhadores com os uniformes limpinhos e etc.
No clássico Notícias do Planalto – A Imprensa e Fernando Collor, do Mario Sérgio Conti, eu fiquei admirado com o Saad que, de todos os donos da imprensa brasileira, parecia ser o mais lúcido diante do Fenômeno Collor. Roberto Marinho também era lúcido, mas foi mais discreto sobre a sua opinião pessoal. Mas naquela época e hoje, os negócios e o pragmatismo falam mais alto. Eles sabem exatamente o que fazem. E assim como na história de Adão e Eva: este saber entra em conflito com a inocência.

O melhor do Luís da Câmara Cascudo é que ele é brasileiro.
Depois de mais uma das minhas frases de efeito estapafúrdias, deixe-me tentar explicar. Seguinte: até hoje a minha formação intelectual foi por meio de mãos estrangeiras. Os autores mais importante em minha formação até agora foram os estrangeiros. Sequer latinos. Então encontro, finalmente, o Câmara Cascudo e ele é diferente. Mas aqui esta o ponto: diferente mesmo. O cara é diferente.
Vejam: tradutores podem ter alguma dificuldade para traduzir meus amados Rubem Alves, Ruy Castro, Contardo Calligaris, Paulo Prado, Joaquim Nabuco. Mas não seriam dificuldades que requereriam milagres. A questão é que Câmara Cascudo é diferente. O modo como ele cita outros autores, a oralidade dele misturada com a sua escrita, a informalidade misturada com a formalidade, a poesia misturada com rigor científico e etc. É uma diferença assim... É uma coisa assim como eu nunca tinha visto antes... É... É... diferente! Tipo; deve ter um Joaquim Nabuco versão estadunidense ou indiana, entendem? Mas Câmara Cascudo só tem um e é aqui, no Brasil.
(Não vou usar a metáfora da jabuticaba porque os jornalistas embaixadores da classe média alta e classe rica usaram a metáfora da jabuticaba para atacar a tomada brasileira de três pinos. A revista Veja e quase duas semanas depois do Bom Dia, Brasil, da Rede Globo; eu lembro, tenho boa memória para esses detalhes pequenos. A elite acha que era muito sacrifício em prol do combate aos acidentes domésticos com eletricidade reformar as tomadas da suas casinhas. Imagino como deve se comportar a elite brasileira quando o colégio pede ajuda para reformar a quadra poliesportiva ou a biblioteca. Elite de m***).
Ainda sobre Câmara Cascudo: a erudição dele causa assombro profundo em quem o lê. Eu disse assombro?, o cara toca o terror mesmo! O filho da mãe leu tudo, tudo, tudo, tudo! O domínio que ele tem do assunto que ama, - o folclore, a cultura popular brasileira -, é absoluta: ele conhece a rua e um livro alemão obscuro do século XVI. E detalhe: ele não faz hierarquia: a rua ajuda o livro e vice versa. É sabedoria como S maiúsculo! Uma tal formação eu só conheço paralelo em Shakespeare e em Leonardo da Vinci.
Existe um desenho alemão representando o momento do nascimento de Beethoven. É um desenho ao estilo realista, se não fosse por um detalhe: o recém-nascido e a mãe e o pai, estão acompanhados de duas mulheres. Quem são essas duas mulheres? Bem altas e vestidas com mantos, elas só podem ser gregas. Duas musas, duas graças. Como uma segura uma pequena harpa, é óbvio que são duas musas, duas graças representantes da Música. Uma coloca uma coroa de louros na cabeça do recém-nascido. Detalhe interessante é que a criança olha para a divindade e não para a própria mãe neste momento de coroação. Para a parte da divindade e não para a parte do humano, entenderam? Ou seja, a decisão já esta feita: sua vida pela música.
Tenho certeza que quando Luís da Câmara Cascudo nasceu algo parecido aconteceu.

Tivemos muita sorte.
Se naquele primeiro dia Deus tivesse criado Johann Sebastian Bach, o resto do universo não teria sido criado. Ele obviamente teria ficado satisfeito.
Nós tivemos muita, mas muita sorte.
Tivemos muita sorte.
Se naquele primeiro dia Deus tivesse criado a música, o resto do universo não teria sido criado. Ele obviamente teria ficado satisfeito.
Nós tivemos muita, mas muita sorte.

O que foi isso? As “vinte mil palavras contra o terror” (Massimo Conti) de Kruschev no XX Congresso do Partido? Os comunistas se dividindo e atrapalhando uma oportunidade de ouro na Guerra Civil Espanhola? Karl Popper fazendo a mais consagrada crítica à tradição política que tem como eixo Platão, Hegel e Marx em A Sociedade Aberta e seus Inimigos? Não, foi apenas Lula em 12 de junho de 2017.
Para quem sempre votou no Partido dos Trabalhadores e se considera esquerdista e simpático à escola de pensamento político anarquista, eu até que não falo muito aqui da Venezuela, Cuba, PT, Coréia do Norte e URSS. Por quê?
Prefiro não responder e repetir uma pergunta que é feita desde a primeira vez que um humano encontrou outro: o que é justiça?
Melhor enfrentar uma pergunta sem resposta num momento como esse.
(Fiquei muito tempo pensando no que escrever. Aí começo a escrever no dia 9 de julho, para só então publicar amanhã, dia 13 de julho. Aí acontece uma coisa dessas. Bom, continuemos com as minhas bobagens que amo.)

Em homenagem aos índios Krenak eu vou fazer uma reprodução do totem JONKYON. Roubado na década de 1930, com a complacência do antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI).
JIM MORRISON: - Se eu fosse você, não brincava com essa coisa de índio. Falo por experiência própria. É só brincadeira, é só amor, é só para você, é só um protesto político contra um crime que traumatizou aqueles índios, mas... Mas... Mas... Mas...
Em homenagem ao George Orwell eu ainda vou visitar a Espanha para unicamente tomar um café na cidade de Huesca. É por causa de uma piada que circulava entre os republicanos durante a Guerra Civil Espanhola, um momento triste que marcou este escritor que eu tanto amo.
(Eu tenho uma “amiga de FaceBook”, com o mesmo sobrenome que o meu. Ela é de origem espanhola e esta querendo, se já não foi, se mudar para a Espanha. Até pensei em brincar com ela que se a cidade de Huesca for perto da casa dela, eu faria questão de visitá-la. Na hora do almoço, óbvio. Como convém a uma visita sem noção. Mas essa minha “amiga de FaceBook é muito séria e eu tenho receio de conversar com ela sobre uma coisa assim.)


Quinta-feira e domingo. Vou tentar atualizar meu blog e meu FaceBook principalmente nesses dias. Vou tentar.

domingo, 2 de julho de 2017

2 de julho de 2017.

DESDÊMONA: - Se ela tivesse te dado um beijo você seria dela para sempre, é este o ponto?

- Sou romântico, não castrado.

DESDÊMONA: - A culpa deve ser minha! Falo javanês? Nem Otelo e nem você. Ninguém me escuta!

- O que foi?

DESDÊMONA: - Não foi isso que perguntei. Perguntei o que ela deveria ter feito naquele sábado. Ela, ela, não você, você! Me diga o que ela deveria ter feito no sábado que você mesmo disse que fora perfeito.

- Eu não sei! Eu não sei! Mil vezes eu não sei! Sei que aquele sábado era perfeito e agora não é mais!

DESDÊMONA: - E por que não é mais? Aniversário é para ser algo alegre, mas você esta se envenenando. E é há assim já faz mais de uma semana! Derramou tudo apenas no dia do seu aniversário. Você esta olhando para trás e ficando cego e amargo. E esta piorando a cada segundo. O que esta acontecendo em seu íntimo?

IAGO: - Damas da noite podem ajudar homens a aguentar os jogos das moças de família, sabiam? Ajuda a ter paciência. Apaga o fogo, equilibra a alma. Ajuda a gente a tratar bem as donzelas.

DESDÊMONA: - Quem convidou você para esta conversa, demônio?

IAGO: - Pergunta ao autor deste blog!

- Eu sei nada! E sei menos a cada segundo que passa. E não sei onde estou neste diálogo. A única coisa que sei é a raiva, o espinho e a minha carne que geme. Então eu apenas escrevo e escrevo e não sei como colocar um ponto final. Tenho nada, tenho nada, apenas este verbo: escrever e escrever.

IAGO: - Desdê você me empresta aquele seu bonito lenço bordado?

DESDÊMONA: - Cachorro!

IAGO: - Ora, vamos ser honestos! A garota acha que ele vai comer ela e depois vai pular pela janela e sair voando. Ela conhece ele há anos e se pensa assim é sinal que ela não é exatamente flor que se cheire.

DESDÊMONA: - Ela tem o direito de pensar e de sentir o que quiser e nós não temos como ter certeza de qual é o verdadeiro caso aqui. E mesmo que você esteja correto, é um receio legítimo e que provavelmente tem uma origem triste e...

IAGO: - Sim, sim, é a velha e velha história: a culpa é do ex!

DESDÊMONA: - A assombrar o presente e apagar todos os futuros sentimentais, sim! Se for este o caso, se for este o caso. Talvez não seja este o caso.

- Que outro caso seria?

DESDÊMONA: - Talvez ela queira amizade! Ser amiga!

IAGO: - Ah, claro! Amizade!

DESDÊMONA: - Isso é pouco? Me digam vocês dois se isso é pouco! É pouco amizade? Pergunto enquanto lembram quantos já nos disseram que amizade é mais generosa que o amor.

IAGO: - Senhoras e senhores, o espetáculo da honestidade feminina! Quer dizer que quando ele telefonou há meses atrás, depois de tantos anos de afastamento, era apenas para uma amizade a mais?

DESDÊMONA: - E qual seria o problema? Amizade, curiosidade? Nunca se conheceram direito mesmo. Começar do zero! Curiosidade, amizade.

 - Curiosidade sim. Sim, eu concordo! Eu sou mesmo uma atração de circo! Concordo!

IAGO: - HÁHÁ!HÁÁÁHÁ! HÁ!!

DESDÊMONA: - Não se faça de vítima, não se faça de inocente! Você foi atrás de outras garotas, antes dela. Você sabe, ela sabe. O que você acha que ela pensou? “Nossa, ele me ama tanto que me telefonou depois de tantos anos de agonia muda! Já não aguentava mais e aí teve que telefonar!” Ou: “Ele fracassou com todas, agora vai comigo”. Você se colocou no lugar dela? Você tentou se colocar no lugar dela? Você pelo menos sabe que pode se colocar no lugar dela?

ALEXANDER PORTNOY: - Todo mundo pega todo mundo hoje em dia, custava dar uns amassos pelo menos? Ia traumatizar? Ficaram quase dois dias juntos, pô!

DESDÊMONA: - Eu não acredito que você trouxe ELE para a nossa conversa! Eu simplesmente não acredito! Já não basta Iago venenoso? Agora ele também? Ele, ele!

- Os livros mais importantes são O Meu Pé de Laranja Lima e O Pequeno Príncipe. Mas é ele o personagem de ficção com a qual eu mais me identifico.

DESDÊMONA: - O personagem de ficção com a qual você mais se identifica é um pervertido egocêntrico?

IAGO: - Isso esta ficando cada vez melhor! Ela nunca ira te perdoar e você vai continuar onde sempre esteve, mas pelo menos um texto bom nasceu! Um brinde à metalinguagem! Um brinde ao sacrifício artístico!

ALEXANDER PORTNOY: - E aí, já bateu uma hoje? Já? E quantas vezes? Me preocupa, pois é sinal de velhice serem sempre as mesmas mulheres com as quais você tem sonhos eróticos. A roqueira mais velha com sorriso de luz, a sempre simpática magrinha de óculos, a bela mulata de lábios invencíveis, as duas ruivas que o inferno lhe deu de presente e esta...

- A última vez que bati uma foi pensando nela. A última vez...

FREUD: - O charuto é poderoso! Você sabe que não vai ser a sua última vez!

- A última vez que bati uma foi pensando nela. A última vez... A última vez! Isso não é romântico?

ALEXANDER PORTNOY: - Ah, mas com certeza! Muito romântico! Romântico demais! Apenas pergunto como você vai contar isso para ela!

IAGO: - Rá! Boa, boa...

ALEXANDER PORTNOY: - E não foi?

DESDÊMONA: - Este diálogo esta ficando non sense. Mais verdadeiro, mas mais non sense também. Vamos parar antes que o time do Monty Python suba ao palco.




REI MIDAS: - Dizem que você é inteligente...

- É o que dizem...

REI MIDAS: - Então deve saber que eu quase morri de fome quando eu quis que tudo que eu tocasse virasse ouro. Você sabe aonde eu quero chegar, não é? Se escrever sobre tudo aqui neste seu diário ...

- O que eu tenho; Midas? Nada, nada! Eu escrevo, eu peço, por favor, para me dizerem que eu existo; eu escrevo, eu explodo por dentro e por fora, eu escrevo, eu grito antes do fim, eu escrevo, eu deixo uma mensagem na parede suja do banheiro da rodoviária, eu escrevo, eu pergunto se há alguém a me responder...






- Quero entregar meu coração a ela ou ela é apenas o único motivo que encontrei forte o bastante para mudar a minha vida? Sei que apenas eu posso me salvar, mas...?
- Ela estava certa eu não ter me dado um beijo. Ela sabe. Todas sabem. As mulheres sempre sabem. Eu enjoo, sofro de tédio. Nada garantiria que eu iria continuar. De mãos dadas ou sem as mãos dadas, dividindo ou não o copo de Milk-shake cruzando o nosso olhar como nos filmes românticos, eu já não saberia por que telefonar de novo. Ficar por ali, pois depois de um ponto nada de bonito há para conhecer em mim. Tenho nada. Tenho nada. Absolutamente nada! Nada, nada, nada e nada!




- Não é a garota, Otelo. Sou eu. Estou mal, general.

OTELO: - O que passa?

- Um aperto na garganta. Uma ansiedade indefinida, um horizonte nublado e uma vontade de morrer. Mas não posso morrer num lugar que já esta morto. Eu só poderia cortar meus pulsos se estivesse em uma bonita praia do nordeste, aí seria algo! Aqui, não. Aqui tudo já esta morto. Eu mesmo já estou morto aqui. Teria que me mudar, sair daqui para poder pelo menos morrer. Nem morrer aqui é possível. Eu vejo alguns funcionários públicos daqui andando pela rua: eles fazem nada e ganham tudo, mas não os invejo. Realmente não os invejo. O tempo é precioso, não pode ser gastado em vão. E é tão fácil gastá-lo em vão! Todas as pessoas e todas as ocasiões levam a você gastar o tempo em vão! Eis os sonhos que me deram quando criança! Estou ficando sem saída. Sem alternativa. A minha bússola interna sumiu. Onde esta a minha bússola interna, Otelo?

OTELO: - A sua bússola sempre foi o seu coração. Quando libertei a Etiópia, tive que tomar as decisões mais difíceis e pedia aos deuses que eu fosse tão firme quanto as rochas gigantes do litoral africano. Anos e anos e o mar poderoso não destruía aquelas rochas. Fique firme.

- Firme e frio. Ficar frio, tratar os outros como objetos que se movem, falam e nos dão sustos as vezes? Crueldade! Uma dúvida! Eu sou um fantasma ou são as pessoas nas ruas é que são fantasmas?

OTELO: - Bom, pelo menos eu sei que sou um fantasma! (risos)

- (risos)

-  Eu precisava rir um pouco, obrigado. Meu humor é roleta russa. Na sexta terrível, penso que não morri porque o Windows Media Player tocou “Equinoxe V”, de Jean Michel Jarre, e “Brimful of Asha”, do CornerShop. Não é fabuloso ter os critérios que eu tenho?

OTELO: - Você precisa mudar.

HENRY DAVID THOREAU: - Todo dia é uma segunda chance. Feche os olhos e se concentre. Tudo tudo que você precisa você já tem.

- Com 34 anos eu já queimei todos os meus navios na praia. O único caminho é sair da areia e mergulhar na densa floresta em minha frente. Carregando o que tenho, sem perguntar se são virtudes ou vícios.


OTELO: - Você sabe o que acontece no final, o final é o retorno ao mar; então apenas rasgue a floresta para lembrar à ilha que você esteve ali. 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

29 de junho de 2017

Um pouco mais de 24 horas para os meus 34 anos e a vontade que tenho é terminar tudo com uma linda cortina vermelha a me cobrir.

Deve ter sido o veneno para matar praga de horta que a gente usa e que ficou forte na casa toda, e que respirei a manhã inteirinha. Deve ter sido o funeral a tarde. Deve ter sido mais um "um abraço!" no final da mensagem. 
Não estou bem não.

Estou cada vez mais o Sem-Pernas, de Capitães da Areia. E com vontade de bancar o Iago, vilão de Otelo, de Shakespeare, e soltar dezenas e dezenas de palavras venenosas para a garota. 
Não estou bem não.

E o modo aleatório do Windows Media Player só tocando música romântica! Como que para me provocar! Cuspir em meu rosto a tatuagem do fracasso e frustração. Quase meia hora de música romântica, p****! Pela quantidade de música clássica, AC/DC e Beatles... É claro que só pode ser provocação do Windows Media Player!
O que Iago e o Sem-Pernas estão falando dentro de mim eu não tenho coragem de escrever aqui. Otelo e Desdêmona não estão falando tão alto para me ajudar.

O sábado maravilhoso parece que desapareceu.
Não estou bem. Parece que é a desgraça de mais uma "amizade". Por outro lado, apesar de tantos anos, a gente só começou mesmo alguma coisa naquele sábado. Então eu estou é ansioso e com pressa. Por outro lado, se era para a gente andar de mãos dadas; já era para ter acontecido.
Ela é mulher, mulher já nasce mulher: ela sabe o que ta fazendo comigo. Eu é que sei nada. Só sei que eu entendo o Iago e o Sem-Pernas. 
Não estou bem não.
Deve ser egoísmo. Vou cometer com ela o mesmo erro que cometi com Diana? Trocar a amizade pelo desejo carnal? 
Amizade é melhor que nada e as vezes termina em cama. É algo para servir de consolo.
Mas essas ambiguidades não me servem. Esses tons de cinza. Sou atleticano, pô! Nada de cinzas! Ou é preto ou é branco.
Mas nada é exatamente preto ou branco, eu sei. 
Que merda.
"um abraço!"
Estou me rasgando por dentro e agora lembro de todos os meus defeitos e de todas as minhas misérias. Para ela ainda conhecer!
- Eu sou uma aberração, mas dizem que sou bonzinho também!

Queria morder os ombros de bailarina dela. 
Queria morder os braços dela.
Subir meus dedos por sua nuca.

Que merda.
"Um abraço!"
Ora, enfie esse seu abraço no...
Acho que estou estragando tudo ao escrever essas coisas. Mas nem sei se ela lê meu blog. Não conversamos sobre isso. Não conversamos sobre muita coisa. 
Eu fiz chá para ela. Contei aqui? Fiz duas vezes naquele sábado. Achei a coisa mais fabulosa do mundo, como se fazer chá fosse a mesma coisa que fazer sexo numa Ferrari conversível em Mônaco. Ou levá-la para passear pela noite selvagem de Tel-Aviv ou Nova York.
Olhe para mim.
Que porcaria.
Eu estou mal. 

Comprei uns DVDs em promoção. Um inclusive eu vou dar de presente para ela. Uma desculpa para encontrá-la, entendem? O filme francês Germinal, com o Depardieu. A cena mais marcante é a do velho pobre estrangulando a única aristocrática que tinha coração naquela cidade: a injustiça: difícil esquecer uma cena dessas.
Vou assistir a esses filmes. Vou me distrair um pouco.

34 anos.
Idade de Cristo não é? Sou filho do século XX e herdei nada: todos os ismos, do marxismo ao ecologismo, passando pelo liberalismo, misticismo, todos os ismos morreram. Todos os sonhos morreram no século passado. Temos que recomeçar do zero. Temos que recomeçar do zero e já perdemos 17 anos. 17 anos fazendo besteira.
Vou parar por aqui. Sou um frustrado no amor e estou descontando no pobre mundo.

domingo, 25 de junho de 2017

25 de junho de 2017.

HANS KELSEN: - Essa ideia de “Diretas-Já” é inconstitucional. Eu sinto muito, mas lei é lei.
AMOR: - Mas seu Kelsen, faz algum sentido falar que algo é ou não é constitucional no Brasil; um país em que a Constituição é violada com emendas a cada dois meses em média?
HANS KELSEN: - Como diria um dos maiores gênios do futebol brasileiro de todos os tempos e que infelizmente me escapa o nome: “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. Uma coisa é um governo federal que troca diálogo por medidas provisórias e coisas do tipo. Uma coisa é deputado federal inútil que acha que vai ficar “imortal” ao colocar mais um parágrafo à constituição. Uma coisa é isso, outra coisa é desrespeitar o espírito das leis. Quando a lei é desrespeitada, mesmo com a melhor das intenções, a tempestade sangrenta surge. E não demora muito a ela despontar ao horizonte.
[Tenho que conferir. É que muitos textos deste blog ficam semanas dentro de mim e eu me esqueço de publicar. Parece que houve a aprovação de uma emenda ou coisa do tipo sobre as “diretas-já”. Tenho que conferir. De qualquer forma, parece que não fez muita diferença. Como era a citação de Marx: a tragédia (anos de 1980) e depois a farsa (2017)? De qualquer forma, o diálogo acima ainda mantém algum vigor.]

Fui vítima de um truque tão antigo quanto o próprio mundo. O autor é alguém querido, alguém que eu quero muito bem, o que justifica o efeito tremendo que o golpe teve em mim.
É; eu vou ter que fazer mesmo um pequeno jornal pessoal meu. Mas como sou hipocondríaco jurídico, o jornalzinho vai ser tão inofensivo quanto desesperado e humanista. Livros, filmes, música, essas coisas. Se eu cismar de falar mal de alguma pessoa poderosa, vai ter que ser de maneira tão indireta que nem advogados viciados em dinheiro seriam capazes de me pegar. Vai ser um jornalsinho de resenhas mesmo.
Ah, vai ser difícil mudar o mundo com um jornalzinho de resenha de filmes em cartaz e de livros que só eu leio; mas tento me consolar pensando que o jornalismo cultural feito pela grande imprensa é uma porcaria imensa que então qualquer pequeno oásis realmente autoral faz muita diferença.
Já tenho o nome do jornal e as cores dele. Só falta o resto. O resto absoluto.

Já escrevi algo sobre isso aqui: a memória é misteriosa e mágica. Há quantos anos eu não relia Minhas Mulheres e Meus Homens, de Mario Prata? As minhas histórias favoritas continuam ainda mais favoritas depois de mais de uma década e eu descubro, surpreso, que meus aforismos deste blog foram tremendamente influenciados pelo Mario Prata. Impressionante! 
Falo o tempo todo da minha dívida para com Nietzsche, Joseph Campbell, Rubem Alves, Will Durant, Lúcio Flávio Pinto, mas é aquela coisa: como estou em atividade, é difícil eu ter um distanciamento crítico para saber exatamente de onde vêm todas as minhas influencias.
É Mario Prata, você acabou de entrar oficialmente no mais marmota dos clubes: o meu panteão. Mais um pobre Virgílio a guiar esse Dante de cabeça para baixo pelos caminhos do humano.

Da série segredos que nem aos médico de cabeça a gente conta.
O LOBO DE WALL STREET (The Wolf of Wall Street, Martin Scorsese, 2013)
Minha cena favorita? A da prostituta barata. Aquela que esta sentada na mesa, enquanto um cara em pé faz sexo com ela. O modo como ela olha para os executivos da sala: com genuína perplexidade. A expressão da prostituta barata diante daqueles homens acaba comigo. É minha cena favorita de um dos meus filmes favoritos.
Por que eu gosto dessa cena, Freud? Pura estética, apenas pelo humor ou há algo mais? Mas o que é este algo mais? Olhar dela, o olhar dela! Aquele olhar dela, aquele olhar dela! Ah!
CLUBE DA LUTA (Fight Club, David Fincher, 1999)
Minha cena favorita? A da mulher velha-esquelética-câncer-terminal, pedindo, por favor, para algum homem daquele grupo de apoio a doentes ir à casa dela fazer sexo com ela. Ela apela, ela repete, ela começa a chorar, conta que comprou filmes eróticos para ajudar e outros objetos eróticos com a mesma finalidade. Tem esta cena breve no YouTube. Toda vez que eu assisto essa cena eu sou partido ao meio. E eu assisto a esta cena muitas vezes.
Por quê?

FREUD: - Eu acho que você já sabe muito mais do que deixa transparecer.