Voltaire ajuda

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segunda-feira, 23 de abril de 2018

Os Dez Mandamentos do Jurandir

Ele, Rubens, fez de propósito? Esperou, teatralmente, o final da corrida, já na reta de chegada, para deixar que Schumacher o ultrapasse; evidenciando assim para todo o público o quanto foi absurdo a ordem que ele recebeu da equipe? Rubinho fez de propósito? Se fez, quem teria tanto sangue frio e malícia? Uau!
Esta fotografia eu encontrei aqui.

"1. Amarás o universo, a natureza e a vida sobre todas as coisas.
- Francisco de Assis.

2. Amarás a ti mesmo com o esquecimento e o mundo com a lembrança.
- Buda e Hannah Arendt.

3. Darás sempre início ao novo, pois os humanos, embora devam morrer, não nascem para morrer, mas para recomeçar.
- Agostinho de Hipona e Hannah Arendt.

4. Não forjarás ideais contrários à vida e à alegria de viver.
- Sêneca, Lucrécio e Nietzsche.

5. Não te torturarás com o passado e com o futuro para não sofreres em vão.
- Buda, Sêneca e Nietzsche.

6. Só desejarás a justa medida das riquezas: primeiro, o necessário; segundo, o suficiente.
- Sêneca.

7. Não dirás que tua vida é ou foi frustrada; vida alguma jamais se frustra.
- Sêneca, Nietzsche, Henry James.

8. Não obedecerás sem pensar no que te leva a obedecer.
- Hannah Arendt e Winnicott.

9. Não dirás que tua verdade é a única, e sim aquela em que mais acreditas.
- William James.

10. Não eternizarás este decálogo. 
- Todas as vítimas da intolerância."

Este decálogo foi escrito pelo professor Jurandir Freire Costa. Saiu na "Ilustrada" ou no "Mais", da Folha de S. Paulo. Em 1999 ou 2000, não anotei, por causa daquele clima de "decálogos para o novo milêncio e blá blá"... Dos decálogos publicados, só gostei deste do Jurandir. Dele nada sei, mas eu e você podemos começar por aqui.


Viajando na maionese com Sean e Jesus

A fotógrafa ou o fotógrafo não teve seu nome escrito, mas o site da Associated Press pode ser visitado aqui. Os primeiros passos para se conhecer a Índia podem ser dados aqui.

Altas Viagens. Apertem os cintos!


EX-MACHINA: Instinto Artificial ( Ex-Machina, 2014, Alex Garland.)
O cientista chefe, o cara que criou tudo, morre pelas mãos dos cyborgs. OK, ele representa Deus. Essa coisa do Criador morrer pelas mãos das suas criaturas é até clichê. 
A coisa fica interessante depois.
O mocinho. O personagem Caleb, interpretado pelo ator Domhnall Gleeson, ele não morre. Apenas o vemos preso no laboratório. Ele lá, tentando quebrar a porta de vidro. Ele representa Cristo, que esta preso em todos os crucifixos em vez de estar em nossos corações. 
A cyborg principal, a mais avançada. Ela consegue o que quer no final: escapar do laboratório e ficar anônima no meio da metrópole, vendo o vai-e-vem das pessoas. Aí o filme acaba, mas não a nossa curiosidade. O que vai acontecer depois? Pois essa cyborg mais avançada representa nós. Ou seja, conseguir o que se quer não é o fim! É o começo. Nós, humanos, estamos apenas começando.


BLADE RUNNER, O Caçador de Androides (Blade Runner, 1982, Ridley Scott).
A mulher com pele de cera de vela lá em cima e o alto do prédio à esquerda. Os dois detalhes que mais me chamavam a atenção nesta capa, quando eu visitava a videolocadora quando criança. 


- A SEAN YOUNG DESPRENDENDO O CABELO NA CENA DO PIANO!!!!
- A SEAN YOUNG DESPRENDENDO O CABELO NA CENA DO PIANO!!!!
- A SEAN YOUNG DESPRENDENDO O CABELO NA CENA DO PIANO!!!!
- A SEAN YOUNG DESPRENDENDO O CABELO NA CENA DO PIANO!!!!
(Pronto, feito este primeiro tributo básico; vamos aos assuntos chatos.)


- Quando se fala de Blade Runner, O Caçador de Androides (Blade Runner, 1982, Ridley Scott); é preciso esclarecer de qual versão estamos falando. Pois existem pelos menos umas cinco por aí. Não me perguntem como os realizadores deixaram isso acontecer. Bom, a que eu assisti ontem na televisão tinha narração em off, final feliz e não teve o sonho com os unicórnios (mas o unicórnio de origami no chão estava lá).
- Como eu gosto de Sol, esse clima noir atrai-me. O jeito de conciliar é o clima noir com Sol a pino: os filmes da saga Mad Max.

- AQUELE RIFF MELÓDICO DO SAXOFONE NA CENA DO PIANO!!!!
- AQUELE RIFF MELÓDICO DO SAXOFONE NA CENA DO PIANO!!!!
- AQUELE RIFF MELÓDICO DO SAXOFONE NA CENA DO PIANO!!!!
- AQUELE RIFF MELÓDICO DO SAXOFONE NA CENA DO PIANO!!!!
(Estou assoviando esta linha melódica o dia inteiro. Que nem quando escuto Debussy.)

- A Sean Young no filme todo.

- A Sean Young no filme todo.

- Que maravilha ver um ator subestimado como o Brion James (1945-1999) interpretando um personagem poderoso, que maravilha!

- Nós somos os replicantes, não é? Coisa óbvia. A morte é tabu, pois ainda somos escravos do medo da morte. E o que aqueles replicantes vilões fazem quando se rebelam? Em vez de ir para outro planeta, eles decidem voltar á terra para procurar o cientista que os criou. Voltar para casa, para o Criador, entenderam? Outra coisa clichê. 

- Tentar prever o futuro é como construir um espelho interno. Um filme futurista feito nos anos de 1950 é diferente de um feito nos anos de 1970, por exemplo. Daí que Blade Runner é todo tomado da estética dos anos de 1980. Das cores das ruas às ombreiras nos vestidos das mulheres.

- Tudo bem, não é porque o vilão interpretado pelo Rutger Hauer decidiu atravessar um prego na mão que começou a paralisar-se representando a morte próxima  e não é porque ele decidiu segurar uma pomba branca que só voa livre depois que ele morre; e também não é porque ele decidiu salvar o detetive mocinho sacrificando os seus últimos instantes de vida para contar ao detetive mocinho a sua mensagem; que o vilão do Rutger Hauer represente Jesus Cristo.
Mas parece.
E neste nosso mundo egoísta, violento e surdo; o que vem a ser uma mensagem de Amor? Exatamente isso: "lágrimas na chuva".
Que cena! Que cena! Que cena! Que cena!

- A Sean Young no filme todo.

- A Sean Young no filme todo.

Sean e Rutger. Gostei dessa foto.

Sean...

Sean... Sean... Faz isso com a gente não...

Essas fotos de polaroid foram tiradas durante as filmagens de Blade Runner. As três primeiras eu encontrei aqui. Mas esta última, a quarta, a melhor por causa dos sorrisos, eu encontrei foi neste site.


Editorial

Atualizei algumas postagens publicadas. As que tinham algumas sugestões de Nietzsche e Campbell. Agora as postagens estão melhores. 

sábado, 21 de abril de 2018

O Herói de Mil Faces (1949)

Clara Nunes e uma fã. Uma das fotografias mais lindas e perfeitas que eu já vi.




“ “Lá”, disse ele, “vi a filha do rei, a mais bela mulher criada por Alá.” E passou a elogiar com entusiasmo a princesa Budur. “Seu nariz”, disse ele, “se assemelha ao gume de uma lâmina polida; as faces são como vinho tinto ou anêmonas cor de sangue; os lábios trazem o brilho do coral e da cornalina; o mel da sua boca é mais doce que o vinho envelhecido; seu sabor extinguiria o mais forte fogo do inferno. Sua língua é movida pelo mais alto grau do espírito e pela resposta pronta e engenhosa; o colo é sedução para todos que o vejam (glória Àquele que o construiu e lhe deu acabamento!); e, juntos, há também dois suaves e redondos antebraços; como disse dela o poeta Al-Walahan:
“Ela tem pulsos que, se as pulseiras não contivessem,
Sairiam de suas mangas em chuva de prata”. “ “

“O herói cujo apego ao ego já foi aniquilado vai e volta pelos horizontes do mundo, entra no dragão, assim como sai dele, tão prontamente como um rei circula por todos os cômodos do palácio. Aí reside o seu poder de salvar; pois sua passagem e retorno demonstram que em todos os contrários da fenomenalidade, permanece o Incriado-Imperecível e não há nada a temer.”

“ “Estrelas, escuridão, lâmpada, fantasma, orvalho, bolha,
Um sonho, um relâmpago, e uma nuvem:
Assim devemos olhar tudo o que foi feito” (Vajracchedika) “

“Somos perseguidos, dia e noite, pelo divino ser que é a imagem do eu vivo presente no labirinto fechado da nossa própria psique desorientada. Os caminhos para as portas se perderam; não há mais saída. Podemos apenas nos apegar, como Satã, furiosamente a nós mesmos e ficar no inferno; ou então nos soltar, terminar por ser aniquilado, buscando Deus.
“Ah, ó mais tolo, insensato e fraco dos homens,
Sou Aquele a Quem procuras!
Expulsas o amor de ti, que expulsas a mim” (Francis Thompson) “

“Naqueles períodos, todo o sentido residia no grupo, nas grandes formas anônimas, e não havia nenhum sentido no indivíduo com a capacidade de se expressar; hoje, não há nenhum sentido no grupo – nenhum sentido no mundo: tudo esta no indivíduo. Mas, hoje, o sentido é totalmente inconsciente. Não se sabe o alvo para o qual se caminha.”

O HERÓI DE MIL FACES – Joseph Campbell.


A filha do rei... Não há o que temer, há o caminho e isso é tudo. Tudo. Amar para escapar do inferno. Estamos vivendo dias de cegos.

O Poder do Mito (1988)



“Já se disse que arte é fazer as coisas bem feitas.”

“Nessas histórias, a aventura para a qual o herói esta pronto é aquela que ele de fato realiza. A aventura é simbolicamente uma manifestação de seu caráter. Até a paisagem e as condições ambientes se harmonizam com sua presteza.”

“Já se disse, e bem, que a mitologia é a penúltima verdade – penúltima porque a última não pode ser transporta em palavras.”

“Os índios se dirigiam a todo ser vivente como “vós” – as árvores, as pedras, tudo. Você também pode se dirigir a qualquer coisa como “vós”, e se o fizer sentirá a mudança na sua própria psicologia. O ego que vê um “vós” não é o mesmo que vê uma “coisa”. E quando se entra em guerra com outro povo, o objetivo da imprensa é transformar esse povo em “coisas”.”

“Ah, é que o sonho é uma experiência pessoal daquele profundo, escuro fundamento que dá suporte às nossas vidas conscientes, e o mito é o sonho da sociedade. O mito é o sonho público, e o sonho é o mito privado. Se o seu mito privado, seu sonho, coincide com o da sociedade, você esta em bom acordo com seu grupo. Se não, a aventura o aguarda na densa floresta à sua frente.”

O PODER DO MITO – Joseph Campbell & Bill Moyers.


Ser um artesão. Sua aventura será bonita porque ela é sua. Na praia molhar um pouco os pés, olhar pelo alto da montanha... Tudo pulsa e vive. Corre de encontro antes que todas as florestas virem gado e soja.

O Andarilho e sua Sombra (1880)



“As diferentes culturas são diferentes climas espirituais, cada um dos quais é particularmente danoso ou salutar para esse ou aquele organismo. A história em seu conjunto, enquanto saber sobre as diferentes culturas é a farmacologia, mas não a ciência médica mesma. É necessário antes o médico, que se utilize dessa farmacologia para enviar cada qual ao clima que lhe for proveitoso – temporariamente ou para sempre.”

“273.
O não-feminino. – “Tolo como um homem”, dizem as mulheres; “covarde como uma mulher”, dizem os homens. A tolice é, na mulher, o não-feminino.”

“317.
Opiniões e peixes. Possuímos nossas opiniões como possuímos peixes – na medida em que somos proprietários de um viveiro. Temos de sair para pescar e ter sorte – então temos nossos peixes, nossas opiniões. Falo de opiniões vivas, de peixes vivos. Outros se satisfazem em possuir uma coleção de fósseis – “convicções”, em sua cabeça.”

“As tolices do homem são uma parcela de fado, tanto quanto suas sabedorias: também aquele medo da crença no fado é fado. Você mesmo, pobre amedrontado, é a incoercível Moira que reina até sobre os deuses, para o que der e vier; que jaz atado o que é mais forte; em você esta de antemão determinado o porvir do mundo humano, de nada lhe serve ter pavor de si mesmo.”

“Aquilo que vocês com decrépita miopia, temem como sendo a superpopulação da Terra, é justamente o que proporciona ao mais esperançoso a sua grande tarefa: um dia, a humanidade deve se tornar uma árvore que cubra a Terra inteira, com muitos bilhões de brotos que devem conjuntamente se tornar frutos, e a Terra deve ser preparada para nutrir essa árvore. Fazer com que o atual esboço, ainda pequeno, aumente em seiva e força; com que circule em inúmeros canais a seiva para a alimentação do todo – dessas tarefas, e de outras assim, é que se há de extrair o critério segundo o qual um homem de hoje é útil ou inútil. A tarefa é indizivelmente grande e ousada: todos queremos contribuir para que a árvore não apodreça antes do tempo!”

O ANDARILHO E SUA SOMBRA – Friedrich Nietzsche.


Saber em que casa você quer viver para sempre ou por uns dias. Não seja tolo e não seja covarde. "Metamorfose ambulante". A Moira não se preocupa em machucar você, então pelo menos seja corajoso! Cuidar de nossa casa e de nossos irmãos.