Voltaire ajuda

Voltaire ajuda

domingo, 12 de novembro de 2017

12 de novembro de 2017.

E naqueles textos cometi contra ela o mesmo erro – ironia amarga e clássica – que acuso tanto o meu pai de ter cometido contra mim todos esses anos: a sinceridade sem habilidade. Ela ficou muito triste com alguns textos meus. Tinha lirismo, filosofia, personagens de Shakespeare, pontos de vistas diferentes, é verdade; mas eu agora compreendo porque ela não gostou deles. Agora me parece óbvio, o que me assusta quando penso o quanto eu sabia ou não sabia sobre o que eu estava fazendo.

Não importa se o cara era feio ou bonito, importa o livre arbítrio da mulher: ela fez porque quis. E não foi traição porque éramos apenas amigos. E na amizade entre homens e mulheres tem ambiguidades que são gostosas para ambos: humildade e boa memória se um dos dois inventar de ter crise de ciúme. E basta deste assunto.


Não devo receber parabéns por colocar dezenas e dezenas de posts feministas em minha página no Facebook, por todos esses anos. Isso é obrigação. Devo receber parabéns se conseguir abster-me de colocar posts machistas, mesmo que a dor que me motiva seja genuína e intensa. Um homem de verdade não deve deixar que a dor que sente fale mais alto que sua razão. As lágrimas continuam livres, estamos falando de outra coisa aqui.